Artigo do Dr. Carlos Eduardo Gomez Martin:
A Fertilização in Vitro (FIV) é uma biotecnologia onde todos os processos fisiológicos: maturação folicular, fertilização e desenvolvimento embrionário são obtidos em laboratório (in vitro), fora do útero animal, ao contrário da clássica Transferência de Embriões (TE).
O primeiro terneiro resultante desta técnica nasceu em junho de 1981 nos EUA – Bracckett et al (1982). A produção de embriões in vitro (PIV) começa com a aspiração dos ovários das doadoras para coleta de ovócitos (óvulos imaturos aspirados com auxilio do aparelho de ultrasonografia). A coleta pode ser feita em animais de diferentes idades: pré-púberes (10 meses), púberes, adultos e senis; e nas mais diversas condições reprodutivas tais como: animais gestantes (até o 4° meses de gestação), animais com problemas reprodutivos adquiridos, fêmeas que não respondem aos processos normais de superovulação e etc. Em casos de morte súbita e ou sacrifício às fêmeas de alto valor zootécnico, poderão ter seus os ovários, imediatamente após a morte, retirados e enviados ao laboratório para que o processo de PIV seja iniciado com o objetivo de em uma última tentativa conseguir embriões e prenhes desta fêmea.
Posteriormente a coleta dos ovócitos estes passarão por um processos denominado de, maturação in vitro (MIV) seguidos pela fertilização in vitro 24h depois da punção dos foliculos (inseminação FIV) e depois cultivados por 7 dias em ambiente controlado de temperatura, umidade e quantidade de CO2 (estufas). Os embriões obtidos são classificados de acordo com a IETS (sociedade internacional de transferência de embriões) e os viáveis (aptos a produzirem uma prenhes) transferidos às receptoras.
Esta técnica permite ainda a obtenção de um grande avanço genético, através da coleta em animais pré-púberes, pela diminuição do intervalo entre gerações e ou pela rapidez na produção de descendentes. De uma mesma doadora poderão ser coletados em média 10 ovócitos por seção, onde 8 deles serão maturados, fertilizados e cultivados in vitro atingindo assim, aos 7 dias, o estágio próprio para a transferência. Neste momento ele é transferido a uma receptora previamente sincronizada obtendo-se então uma prenhes por vaca a cada seção também confirmada com o ultra-som aos 30 e 45 dias de gestação. As seções de punção podem ser repetidas a cada quinze dias, sem causar dano algum a fêmea doadora. A técnica permite o uso de uma única dose de sêmen para varias doadoras e não faz uso de hormônios (superovulação). Alguns animais podem produzir mais embriões/punção e por conseqüência mais prenhes por seção de punção. A cada dez embriões transferidos para as receptoras (barriga de aluguel), 40% vão levar a gestação a termo.
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
Resultados de pesquisas com o sêmen sexado divulgados pela SBTE
Resultados de pesquisas com o sêmen sexado divulgados pela SBTE
A Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne profissionais graduados ligados a biotécnicas reprodutivas, principalmente a produção e manipulação de embriões. Esta Sociedade promove anualmente uma reunião de especialistas nacionais e internacionais, onde são apresentados os principais avanços nas áreas da embriologia experimental e aplicada.
Este ano a XIX Reunião Anual da SBTE teve como sede a cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Entre os temas discutidos está a utilização do sêmen sexado em programas de Fecundação in vitro (FIV). A seguir você poderá ler os resumos dos trabalhos apresentados, com as conclusões dos pesquisadores.
Macho ou Fêmea: as vantagens do sêmen sexado
Entenda como funciona a técnica que permite ao criador escolher o sexo da cria antes de aplicar a inseminação artificial, TE ou FIV.
O pecuarista brasileiro já conta com uma nova tecnologia que possibilita melhorar a rentabilidade na produção de carne e leite: a sexagem de sêmen. Através dessa técnica é possível escolher o sexo do bezerro antes mesmo da gestação ou da produção do embrião por qualquer técnica de reprodução. A grande vantagem está na possibilidade de “planejar” os nascimentos de machos e fêmeas de acordo com as necessidades do rebanho e do mercado. Na pecuária de corte é possível produzir, por exemplo, touros de animais de maior mérito para determinadas características como crescimento e conversão de alimentos. Em rebanhos de leite é intensificada a melhora genética sobre as fêmeas, programando a quantidade anual de novilhas de reposição. O gerente da Central ABS em Uberaba, Dr. Fernando Vilella, aponta os principais benefícios da técnica. “Ganhos genéticos, redução de tempo de seleção e direcionamento nos testes de progênie”, resume.
Como funciona
A sexagem de sêmen, ou separação de células por citometria de fluxo, foi trazida ao país pioneiramente pela ABS Pecplan em parceria com o Goyaike, laboratório argentino de biotecnologias que tem 15 anos de pesquisas em reprodução animal. O equipamento que possibilita a separação dos espermatozóides que darão origem a bezerros machos ou fêmeas é o único em toda América Latina capaz de analisar de três a quatro mil espermatozóides por segundo, sem danificar a estrutura celular. Todas as partidas produzidas são avaliadas e, de acordo com a empresa, somente são liberadas aquelas com padrões mínimos de qualidade e segurança, ou seja, padrões que garantam a fertilidade do sêmen. Em relação à confiabilidade para a escolha do sexo, a garantia é de um valor mínimo de 85% de pureza. André Galassi, gerente da Goyaike Brasil, explica a importância desse novo método de concepção e como ele pode dar ainda maior impulso ao setor pecuário do país. “O produtor que utilizar esse mecanismo terá em mãos um potencial gigantesco para incrementar seu empreendimento”, comenta. Alexandre Lima, gerente Comercial da ABS Pecplan, pondera que o custo desse empreendimento deve ser pensado como uma forma de investimento. “Estamos dando ao criador justamente o que ele precisava para se programar melhor. Antes era muito difícil gerenciar as possibilidades que teria no mercado, uma vez que ainda não tinha como interferir de forma eficiente na porcentagem de machos e fêmeas que nasceriam em seu rebanho”, conclui.
Outros resultados:
Inseminação Artificial em 427 novilhas
• 1 dose apenas - IATF
• 241 I.A. com sêmen sexado
• 186 I.A. com sêmen convencional
• Índices de prenhez ( 51,4% e 58,6% )
• 92.4% acurácia na determinação do sexo
FIV
Total de oócitos Clivados % clivados Embriões produzidos % embriões
Total 3418 1770 51,78 808 23,64
Média da melhor central 1357 745 54,90 435 32,06
Melhor resultado 11 8 72,73 8 72,73
Fatores que afetam a fertilidade do sêmen
Manuseio incorreto
Stress nas vacas - temperatura, alimentação, dor, etc.
Descongelamento incorreto
Técnica correta de inseminação
Higiene / Instalações
Mineralização, vermifugação e vacinação
Problema clínico - Surto IBR
Falta nitrogênio
Problemas ginecológicos
Uso de hormônios
Erro na detecção do cio
Horário de inseminação
Falta assistência técnica
Variáveis que afetam TE / FIV
Luminosidade, seca, calor, umidade, parasitos
Nutrição
Hormônios e onda ovulatória
Detecção de cio e horário inseminação artificial
Qualidade do sêmen
Número de doses utilizadas
Estresse das doadoras
Descongelamento incorreto do sêmen
Problemas na centrifugação do sêmen
Problemas nas coletas
Resposta diferente de doadoras
Problemas clínicos, reprodutivos e sanitários
Manejo incorreto do rebanho (vacinações e vermifugações)
Contaminação de materiais e meios de cultivo
Problemas com receptoras
Inflamação dos ovários
Transporte e contaminação dos oócitos
Fonte: Site ABS Pecplan
A Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne profissionais graduados ligados a biotécnicas reprodutivas, principalmente a produção e manipulação de embriões. Esta Sociedade promove anualmente uma reunião de especialistas nacionais e internacionais, onde são apresentados os principais avanços nas áreas da embriologia experimental e aplicada.
Este ano a XIX Reunião Anual da SBTE teve como sede a cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Entre os temas discutidos está a utilização do sêmen sexado em programas de Fecundação in vitro (FIV). A seguir você poderá ler os resumos dos trabalhos apresentados, com as conclusões dos pesquisadores.
Macho ou Fêmea: as vantagens do sêmen sexado
Entenda como funciona a técnica que permite ao criador escolher o sexo da cria antes de aplicar a inseminação artificial, TE ou FIV.
O pecuarista brasileiro já conta com uma nova tecnologia que possibilita melhorar a rentabilidade na produção de carne e leite: a sexagem de sêmen. Através dessa técnica é possível escolher o sexo do bezerro antes mesmo da gestação ou da produção do embrião por qualquer técnica de reprodução. A grande vantagem está na possibilidade de “planejar” os nascimentos de machos e fêmeas de acordo com as necessidades do rebanho e do mercado. Na pecuária de corte é possível produzir, por exemplo, touros de animais de maior mérito para determinadas características como crescimento e conversão de alimentos. Em rebanhos de leite é intensificada a melhora genética sobre as fêmeas, programando a quantidade anual de novilhas de reposição. O gerente da Central ABS em Uberaba, Dr. Fernando Vilella, aponta os principais benefícios da técnica. “Ganhos genéticos, redução de tempo de seleção e direcionamento nos testes de progênie”, resume.
Como funciona
A sexagem de sêmen, ou separação de células por citometria de fluxo, foi trazida ao país pioneiramente pela ABS Pecplan em parceria com o Goyaike, laboratório argentino de biotecnologias que tem 15 anos de pesquisas em reprodução animal. O equipamento que possibilita a separação dos espermatozóides que darão origem a bezerros machos ou fêmeas é o único em toda América Latina capaz de analisar de três a quatro mil espermatozóides por segundo, sem danificar a estrutura celular. Todas as partidas produzidas são avaliadas e, de acordo com a empresa, somente são liberadas aquelas com padrões mínimos de qualidade e segurança, ou seja, padrões que garantam a fertilidade do sêmen. Em relação à confiabilidade para a escolha do sexo, a garantia é de um valor mínimo de 85% de pureza. André Galassi, gerente da Goyaike Brasil, explica a importância desse novo método de concepção e como ele pode dar ainda maior impulso ao setor pecuário do país. “O produtor que utilizar esse mecanismo terá em mãos um potencial gigantesco para incrementar seu empreendimento”, comenta. Alexandre Lima, gerente Comercial da ABS Pecplan, pondera que o custo desse empreendimento deve ser pensado como uma forma de investimento. “Estamos dando ao criador justamente o que ele precisava para se programar melhor. Antes era muito difícil gerenciar as possibilidades que teria no mercado, uma vez que ainda não tinha como interferir de forma eficiente na porcentagem de machos e fêmeas que nasceriam em seu rebanho”, conclui.
Outros resultados:
Inseminação Artificial em 427 novilhas
• 1 dose apenas - IATF
• 241 I.A. com sêmen sexado
• 186 I.A. com sêmen convencional
• Índices de prenhez ( 51,4% e 58,6% )
• 92.4% acurácia na determinação do sexo
FIV
Total de oócitos Clivados % clivados Embriões produzidos % embriões
Total 3418 1770 51,78 808 23,64
Média da melhor central 1357 745 54,90 435 32,06
Melhor resultado 11 8 72,73 8 72,73
Fatores que afetam a fertilidade do sêmen
Manuseio incorreto
Stress nas vacas - temperatura, alimentação, dor, etc.
Descongelamento incorreto
Técnica correta de inseminação
Higiene / Instalações
Mineralização, vermifugação e vacinação
Problema clínico - Surto IBR
Falta nitrogênio
Problemas ginecológicos
Uso de hormônios
Erro na detecção do cio
Horário de inseminação
Falta assistência técnica
Variáveis que afetam TE / FIV
Luminosidade, seca, calor, umidade, parasitos
Nutrição
Hormônios e onda ovulatória
Detecção de cio e horário inseminação artificial
Qualidade do sêmen
Número de doses utilizadas
Estresse das doadoras
Descongelamento incorreto do sêmen
Problemas na centrifugação do sêmen
Problemas nas coletas
Resposta diferente de doadoras
Problemas clínicos, reprodutivos e sanitários
Manejo incorreto do rebanho (vacinações e vermifugações)
Contaminação de materiais e meios de cultivo
Problemas com receptoras
Inflamação dos ovários
Transporte e contaminação dos oócitos
Fonte: Site ABS Pecplan
segunda-feira, 25 de julho de 2011
IATF: TÉCNICA CADA VEZ MAIS UTILIZADA NOS REBANHOS BRASILEIROS PERMITE ECONOMIA
É muito importante para os lucros de uma propriedade que o rebanho seja prolifero e que gere crias saudáveis. Para isso, atualmente, o produtor conta com uma série de ferramentas que possibilitam tornar seu gado mais fértil e de maneira controlada, de forma que auxilie no manejo e na gestão. Uma dessas ferramentas que se provou muito eficiente foi a Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF). Essa técnica consiste em ovular as vacas de forma induzida, todas na mesma época e na data que for melhor para o produtor. “A inseminação artificial simples já é conhecida por trazer melhoramento genético e de produção ao gado. A IATF, além dessas vantagens consegue emprenhar 50% das vacas, além de contar com o cio de retorno para inseminar as vacas restantes. Com isso, a inseminação atinge de 60 a 70% das vacas”, explica Sebastião Pereira de Faria Junior, Gerente Técnico de Pecuária da Schering-Plough.
Essa ferramenta tem movimentado o dia-a-dia das fazendas e dos grupos de pesquisa em reprodução animal. Pela técnica as vacas têm a ovulação induzida, e a inseminação pode ser feita com data marcada, tudo com a maior naturalidade, apenas com a utilização de produtos específicos, conforme explica Rodrigo Valarelli da Pfizer Saúde Animal. "A forma de aplicá-los nos animais depende de fatores como, a raça, a idade, a condição corporal e o número de crias. Além disso, a condição nutricional da vacada é fundamental para garantia dos resultados".
Valarellli diz que a IATF é uma tendência mundial e importante para o desenvolvimento da pecuária no Brasil. A adesão de usuários em todas as regiões do país é crescente e o número de cabeças inseminadas, só em 2004, superou 1,5 milhão. Com a técnica, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Desse modo, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe. Assim todas as vacas de um rebanho podem ser sincronizadas para serem inseminadas num único dia.
O sucesso do método se deve ao modo como ele é feito. Nele, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Assim, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe, possibilitando que todas as vacas de um rebanho sejam sincronizadas para serem inseminadas em poucos dias. Além da alta porcentagem de prenhezes positivas nas vacas, a IATF traz outras vantagens: “O método facilita o manejo nas fazendas já que as inseminações são feitas de modo programado. Dessa maneira é possível inseminar até 250 vacas em um único dia, poupando assim, tempo”, explica Pietro Baruselli, veterinário e professor da Universidade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP). Estes fatores garantem para a propriedade maior produtividade e a melhoria genética do seu plantel.
Outra vantagem da Inseminação Artificial por Tempo fixo, segundo Baruselli é a redução gradativa da baixa taxa de fêmeas inseminadas na estação de monta. Além disso, a técnica possibilita que o criador trabalhe com progênie superior, de animais com DEPs positivas para varias características fisiológicas e físicas desejadas.
Outra questão muito importante para os criadores são as vantagens econômicas que a IATF traz à propriedade. O custo da utilização da técnica por animal, incluindo o protocolo de sincronização, a compra do sêmen e a mão-de-obra é de R$ 45,00, contabilizando lotes de, no mínimo 100 fêmeas. De acordo com o professor da Universidade de São Paulo, o retorno desse investimento depende do uso correto da técnica. Experimentos realizados pelo Departamento de Reprodução Animal da USP mostram que os ganhos econômicos nos rebanhos que utilizaram a técnica são altos. A taxa de prenhes no final da estação de monta cresceu 8%, o que significa 8 bezerros a mais em um lote de 100 vacas.
O professor faz os cálculos, usando a média de preço dos bezerros no mercado de R$ 275,00 e o resultado é um total de R$ 2.200,00 a mais no bolso do criador, já no primeiro ano. "Esse, é o principal apelo para o criador, sobretudo o pequeno e o médio", declara. Além disso, a técnica possibilita o produtor economizar com touros de repasse. Estudos realizados em varias fazendas mostraram que, quando se usa a IATF, a taxa de prenhez, já no meio da estação de monta é de 50% a 75% das vacas, em média. O restante, que normalmente segue para o repasse, já está com o ovário funcionando, o que eleva essa média para mais de 90%. "Com isso o produtor, ao invés de comprar três tourinhos de campo, pode comprar somente dois, que vai dar conta de cobrir a vacada e economiza cerca de R$ 2.200,00", enfatiza.
Porém, algumas questões devem ser consideradas antes de se empregar a sincronização do cio. A técnica garante sucesso, mas somente se for corretamente realizada em todos os passos. Fatores nutricionais e corporais dos animais devem ser levados em conta, como explica Leandro Gofert, médico e veterinário do departamento técnico da empresa Tecnopec. “Somente animais com escore corporal igual ou acima de 2,5 (em uma escala de 1 a 5) estão em condições de entrarem no programa de IATF. Animais abaixo dessa condição não terão condições de manter a prenhez”, explica. Mesmo que o protocolo consiga fazer esse animal ovular e ocorrer a fertilização, a indisponibilidade de energia, levará a que essa prenhez seja perdida. “Porém, apenas o escore corporal é uma medida imprecisa”, explica Gofert, pois, em vacas com bom escore corporal, (p. ex: 3), mas que estejam perdendo peso rapidamente, o resultado tende a ser pior. O organismo da vaca, em balanço energético negativo, tende a evitar a prenhez como medida de conservação do indivíduo.“Precisamos, portanto, avaliar os lotes de animais em relação à sua condição corporal, mas também, avaliar como está o pasto em relação à disponibilidade de alimento aos animais”, explica Gofert.
O protocolo é outro fator muito importante. Ele sempre deve ser seguido à risca e com o acompanhamento de um veterinário especializado. “A imposição de um protocolo que excluir o veterinário pode comprometer a técnica”, explica Sebastião Júnior. “Isso vai ampliar o resultado de prenhez do rebanho”, explica Junior.
Uma prova de que a IATF é um excelente negócio para os produtores foi a prova feita pela Tecnopec em quatro fazendas. Nos testes, a Tecnopec trabalhou com 4.189 animais (quase todas zebuínas) em 50 lotes. O protocolo utilizado foi o mesmo em todos os lotes: dispositivo vaginal por 8 dias, e Benzoato de estradiol (RIC-BE) na inserção (2ml). Na retirada do dispositivo, aplicação de 300 UI de CG (novormon) e luteolítico (Prolise). 24 horas após, indução de ovulação com Benzoato de estradiol (RIC-BE-1ml) e IATF 30 horas após. Este não foi um experimento científico, mas os resultados mostraram dados consistentes. A média geral da IATF nas 4 fazendas foi de 53,2%. Houve diferença significativa nas categorias. A média de prenhez das novilhas foi de 48,7% (6 lotes), as primíparas obtiveram 45,5% (5 lotes) e as vacas 54,8% (39 lotes). Não houve diferença entre fazendas. Os resultados variaram entre 52% e 60%. Não houve diferença entre o 1°, 2º e 3º uso dos dispositivos vaginais. Os resultados foram respectivamente 55,4% (18 lotes); 50,8% (17 lotes) e 53,7% (15 lotes).
Todos os programas foram feitos com repasse de Inseminação Artificial com observação de cio entre os dias 18 e 23 após a IATF e repasse com touro por 2 a 3 meses. A Inseminação Artificial convencional acrescentou 19,4% de prenhez a mais no resultado. A soma do resultado da IATF com o repasse com IA convencional (total de animais prenhez de IA) foi de 72,6%. O repasse com touro acrescentou mais 15,8% de animais prenhes. A prenhez final do programa em 50 lotes foi de 88,4%.
O tamanho dos lotes variou entre 25 e 169 animais. Não houve relação entre tamanho do lote e taxa de prenhez na IATF (r=0,09). Lotes com menos de 50 fêmeas emprenharam em média 54%. Lotes entre 50 e 100 fêmeas: 52%, lotes acima de 100 fêmeas: 54%.
“Os dados mostram os bons resultados do programa de IATF a campo. Os programas têm se tornado mais abrangentes e os trabalhos de repasse com sêmen e com touro vêm recebendo atenção especial dos técnicos, que também aproveitam cada vez mais o cio de retorno e a indução de ciclicidade promovida pelo tratamento”, afirma Gofert.
Existem fatores ligados ao manejo de execução do programa IATF que devem ser levados em consideração para que o processo produza resultados satisfatórios: Abaixo, estão recomendações do médico veterinário e técnico da empresa Tecnopec, Leandro Gofert:
Os passos do protocolo de IATF são técnicas de controle farmacológico do ciclo estral, responsáveis, ao final, pela ovulação e a possibilidade da inseminação com hora marcada. “Dessa forma, se cada uma das etapas do protocolo não for bem executada, compromete-se todo o resultado do programa”, afirma Gofert.
Alguns erros freqüentemente observados no campo são o esquecimento da aplicação de um ou mais fármacos durante o programa, o desrespeito aos horários de aplicação recomendados no protocolo, erros de dosagem dos hormônios indicados, erro na via de aplicação indicada, erros de manipulação dos hormônios (não manter refrigerados hormônios que o necessitam, deixar hormônios expostos ao sol ou calor excessivo), ausência de marcação confiável nos animais (corre-se o risco de aplicar 2 vezes os hormônios num animal e não realizar a aplicação em outro), falta de organização da fazenda (mistura de lotes, presença de vacas prenhes junto de vazias, presença de touros nos lotes a sincronizar, etc), erros na execução do desmame temporário dos bezerros (também chamado Shang), mantendo os bezerros próximos do piquete das vacas, falhando em promover o estímulo da função ovariana e do crescimento folicular, currais inadequados ou pessoal despreparado, o que provoca estress nos animais (resistência ao passar no tronco, demora excessiva para realizar o programa, quedas e fraturas, etc) e colocar um número excessivo de animais para trabalhar de uma só vez.
Merece atenção especial também, a qualidade do sêmen utilizado nos programas de IATF. “Não adianta fazer uma vaca ovular, se a fertilização for comprometida por causa de sêmen inviável, ou de baixa fertilidade”, afirma Gofert. Freqüentemente observa-se na prática de campo o armazenamento inadequado do sêmen (deixar o nitrogênio atingir nível muito baixo). No manejo das racks, permitir exposição prolongada à temperatura ambiente e novamente mergulhá-las no nitrogênio “Causa estress térmico e perda da viabilidade do sêmen”, explica Gofert. Descongelamento inadequado, comprometendo a viabilidade dos espermatozóides, uso de sêmen sem procedência, sem controle sanitário e de fertilidade.
Segundo Gofert existe variação de fertilidade entre os diferentes touros disponíveis nas centrais, mesmo que as partidas estejam nos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura. “Alguns touros emprenham as vacas mais eficientemente que outros. Para evitar o risco de selecionar um touro menos eficiente, deve-se consultar fornecedores de confiança”, afirma Gofert.
Gofert ainda explica que se não é possível obter essa informação, deve-se utilizar pelo menos 3 touros diferentes no programa. Diminuindo assim a chance de baixos resultados por esse fator. “Em vista da pequena quantidade de informações a respeito do uso de sêmen sexado em programas de IATF, até o momento, não é aconselhável a sua utilização”, enfatiza o técnico da Tecnopec.
Outros problemas que podem afetar os resultados da IATF são os de ordem sanitária como a incidência de doenças reprodutivas (Brucelose, Leptospirose, IBR, BVD, etc), doenças sistêmicas ou parasitoses, levando a comprometimento físico e conseqüentemente reprodutivo, retenção de placenta e cistos foliculares. “Deve-se sempre monitorar o estado sanitário dos rebanhos, evitando prejuízos oriundos desses fatores” explica Gofert.
Outros fatores importantes que podem incidir no bom andamento da IATF são a escolha do protocolo mais adequado, levando-se em conta a categoria animal, a idade pós-parto e a condição ovariana dos animais que se irá trabalhar. “Cada caso é um caso. Existem diferentes protocolos para cada tipo de situação. Existem protocolos para quem foca na relação custo benefício, existem protocolos para fêmeas que não estão ovulando. É preciso conhecer cada situação para aplicar o protocolo mais adequado”, explica Sebastião Junior, da Schering-Plough. A mineralização adequada do rebanho, utilizando-se um sal mineral de boa qualidade e que atenda as requisições para vacas em reprodução, também é um fator de grande importância. Estar atento à dieta dos animais, se não existe excesso de proteína ou de nitrogênio não protéico. “Interferem no pH uterino, gerando dificuldade de concepção”, explica Gofert, da Tecnopec. O uso excessivo de caroço de algodão também pode comprometer a fertilidade das fêmeas. Não realizar mudanças bruscas de dietas, vacinações, marcações, ou eventos estressantes durante a execução do protocolo e nos 35 dias após a inseminação.
Na IATF de novilhas é fundamental que, apenas animais que já entraram na puberdade sejam colocados no programa. Gofert explica que um erro muito comum é a colocação de lotes de novilhas baseados apenas nos critérios, peso e/ou idade, julgando-se que esses animais já estariam púberes. “É fundamental realizar o exame ginecológico das novilhas e colocar-se em protocolo somente animais com presença de corpo lúteo no ovário, ou com cios já observados”, enfatiza. Animais pré-púberes, (que nunca ciclaram), não respondem ao programa IATF, porque não são capazes de ovular.
Dentro desses fatores, capazes de influenciar os resultados num programa de IATF, a maioria está sob controle de um veterinário meticuloso e experiente. “Assim, poderíamos concluir que o auxílio de um profissional, que seja capacitado e com postura ética e realista em relação à técnica, fará a diferença nos resultados conseguidos”, afirma.
Fonte: Revista Rural nº 114 - agosto 2007
Essa ferramenta tem movimentado o dia-a-dia das fazendas e dos grupos de pesquisa em reprodução animal. Pela técnica as vacas têm a ovulação induzida, e a inseminação pode ser feita com data marcada, tudo com a maior naturalidade, apenas com a utilização de produtos específicos, conforme explica Rodrigo Valarelli da Pfizer Saúde Animal. "A forma de aplicá-los nos animais depende de fatores como, a raça, a idade, a condição corporal e o número de crias. Além disso, a condição nutricional da vacada é fundamental para garantia dos resultados".
Valarellli diz que a IATF é uma tendência mundial e importante para o desenvolvimento da pecuária no Brasil. A adesão de usuários em todas as regiões do país é crescente e o número de cabeças inseminadas, só em 2004, superou 1,5 milhão. Com a técnica, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Desse modo, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe. Assim todas as vacas de um rebanho podem ser sincronizadas para serem inseminadas num único dia.
O sucesso do método se deve ao modo como ele é feito. Nele, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Assim, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe, possibilitando que todas as vacas de um rebanho sejam sincronizadas para serem inseminadas em poucos dias. Além da alta porcentagem de prenhezes positivas nas vacas, a IATF traz outras vantagens: “O método facilita o manejo nas fazendas já que as inseminações são feitas de modo programado. Dessa maneira é possível inseminar até 250 vacas em um único dia, poupando assim, tempo”, explica Pietro Baruselli, veterinário e professor da Universidade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP). Estes fatores garantem para a propriedade maior produtividade e a melhoria genética do seu plantel.
Outra vantagem da Inseminação Artificial por Tempo fixo, segundo Baruselli é a redução gradativa da baixa taxa de fêmeas inseminadas na estação de monta. Além disso, a técnica possibilita que o criador trabalhe com progênie superior, de animais com DEPs positivas para varias características fisiológicas e físicas desejadas.
Outra questão muito importante para os criadores são as vantagens econômicas que a IATF traz à propriedade. O custo da utilização da técnica por animal, incluindo o protocolo de sincronização, a compra do sêmen e a mão-de-obra é de R$ 45,00, contabilizando lotes de, no mínimo 100 fêmeas. De acordo com o professor da Universidade de São Paulo, o retorno desse investimento depende do uso correto da técnica. Experimentos realizados pelo Departamento de Reprodução Animal da USP mostram que os ganhos econômicos nos rebanhos que utilizaram a técnica são altos. A taxa de prenhes no final da estação de monta cresceu 8%, o que significa 8 bezerros a mais em um lote de 100 vacas.
O professor faz os cálculos, usando a média de preço dos bezerros no mercado de R$ 275,00 e o resultado é um total de R$ 2.200,00 a mais no bolso do criador, já no primeiro ano. "Esse, é o principal apelo para o criador, sobretudo o pequeno e o médio", declara. Além disso, a técnica possibilita o produtor economizar com touros de repasse. Estudos realizados em varias fazendas mostraram que, quando se usa a IATF, a taxa de prenhez, já no meio da estação de monta é de 50% a 75% das vacas, em média. O restante, que normalmente segue para o repasse, já está com o ovário funcionando, o que eleva essa média para mais de 90%. "Com isso o produtor, ao invés de comprar três tourinhos de campo, pode comprar somente dois, que vai dar conta de cobrir a vacada e economiza cerca de R$ 2.200,00", enfatiza.
Porém, algumas questões devem ser consideradas antes de se empregar a sincronização do cio. A técnica garante sucesso, mas somente se for corretamente realizada em todos os passos. Fatores nutricionais e corporais dos animais devem ser levados em conta, como explica Leandro Gofert, médico e veterinário do departamento técnico da empresa Tecnopec. “Somente animais com escore corporal igual ou acima de 2,5 (em uma escala de 1 a 5) estão em condições de entrarem no programa de IATF. Animais abaixo dessa condição não terão condições de manter a prenhez”, explica. Mesmo que o protocolo consiga fazer esse animal ovular e ocorrer a fertilização, a indisponibilidade de energia, levará a que essa prenhez seja perdida. “Porém, apenas o escore corporal é uma medida imprecisa”, explica Gofert, pois, em vacas com bom escore corporal, (p. ex: 3), mas que estejam perdendo peso rapidamente, o resultado tende a ser pior. O organismo da vaca, em balanço energético negativo, tende a evitar a prenhez como medida de conservação do indivíduo.“Precisamos, portanto, avaliar os lotes de animais em relação à sua condição corporal, mas também, avaliar como está o pasto em relação à disponibilidade de alimento aos animais”, explica Gofert.
O protocolo é outro fator muito importante. Ele sempre deve ser seguido à risca e com o acompanhamento de um veterinário especializado. “A imposição de um protocolo que excluir o veterinário pode comprometer a técnica”, explica Sebastião Júnior. “Isso vai ampliar o resultado de prenhez do rebanho”, explica Junior.
Uma prova de que a IATF é um excelente negócio para os produtores foi a prova feita pela Tecnopec em quatro fazendas. Nos testes, a Tecnopec trabalhou com 4.189 animais (quase todas zebuínas) em 50 lotes. O protocolo utilizado foi o mesmo em todos os lotes: dispositivo vaginal por 8 dias, e Benzoato de estradiol (RIC-BE) na inserção (2ml). Na retirada do dispositivo, aplicação de 300 UI de CG (novormon) e luteolítico (Prolise). 24 horas após, indução de ovulação com Benzoato de estradiol (RIC-BE-1ml) e IATF 30 horas após. Este não foi um experimento científico, mas os resultados mostraram dados consistentes. A média geral da IATF nas 4 fazendas foi de 53,2%. Houve diferença significativa nas categorias. A média de prenhez das novilhas foi de 48,7% (6 lotes), as primíparas obtiveram 45,5% (5 lotes) e as vacas 54,8% (39 lotes). Não houve diferença entre fazendas. Os resultados variaram entre 52% e 60%. Não houve diferença entre o 1°, 2º e 3º uso dos dispositivos vaginais. Os resultados foram respectivamente 55,4% (18 lotes); 50,8% (17 lotes) e 53,7% (15 lotes).
Todos os programas foram feitos com repasse de Inseminação Artificial com observação de cio entre os dias 18 e 23 após a IATF e repasse com touro por 2 a 3 meses. A Inseminação Artificial convencional acrescentou 19,4% de prenhez a mais no resultado. A soma do resultado da IATF com o repasse com IA convencional (total de animais prenhez de IA) foi de 72,6%. O repasse com touro acrescentou mais 15,8% de animais prenhes. A prenhez final do programa em 50 lotes foi de 88,4%.
O tamanho dos lotes variou entre 25 e 169 animais. Não houve relação entre tamanho do lote e taxa de prenhez na IATF (r=0,09). Lotes com menos de 50 fêmeas emprenharam em média 54%. Lotes entre 50 e 100 fêmeas: 52%, lotes acima de 100 fêmeas: 54%.
“Os dados mostram os bons resultados do programa de IATF a campo. Os programas têm se tornado mais abrangentes e os trabalhos de repasse com sêmen e com touro vêm recebendo atenção especial dos técnicos, que também aproveitam cada vez mais o cio de retorno e a indução de ciclicidade promovida pelo tratamento”, afirma Gofert.
Existem fatores ligados ao manejo de execução do programa IATF que devem ser levados em consideração para que o processo produza resultados satisfatórios: Abaixo, estão recomendações do médico veterinário e técnico da empresa Tecnopec, Leandro Gofert:
Os passos do protocolo de IATF são técnicas de controle farmacológico do ciclo estral, responsáveis, ao final, pela ovulação e a possibilidade da inseminação com hora marcada. “Dessa forma, se cada uma das etapas do protocolo não for bem executada, compromete-se todo o resultado do programa”, afirma Gofert.
Alguns erros freqüentemente observados no campo são o esquecimento da aplicação de um ou mais fármacos durante o programa, o desrespeito aos horários de aplicação recomendados no protocolo, erros de dosagem dos hormônios indicados, erro na via de aplicação indicada, erros de manipulação dos hormônios (não manter refrigerados hormônios que o necessitam, deixar hormônios expostos ao sol ou calor excessivo), ausência de marcação confiável nos animais (corre-se o risco de aplicar 2 vezes os hormônios num animal e não realizar a aplicação em outro), falta de organização da fazenda (mistura de lotes, presença de vacas prenhes junto de vazias, presença de touros nos lotes a sincronizar, etc), erros na execução do desmame temporário dos bezerros (também chamado Shang), mantendo os bezerros próximos do piquete das vacas, falhando em promover o estímulo da função ovariana e do crescimento folicular, currais inadequados ou pessoal despreparado, o que provoca estress nos animais (resistência ao passar no tronco, demora excessiva para realizar o programa, quedas e fraturas, etc) e colocar um número excessivo de animais para trabalhar de uma só vez.
Merece atenção especial também, a qualidade do sêmen utilizado nos programas de IATF. “Não adianta fazer uma vaca ovular, se a fertilização for comprometida por causa de sêmen inviável, ou de baixa fertilidade”, afirma Gofert. Freqüentemente observa-se na prática de campo o armazenamento inadequado do sêmen (deixar o nitrogênio atingir nível muito baixo). No manejo das racks, permitir exposição prolongada à temperatura ambiente e novamente mergulhá-las no nitrogênio “Causa estress térmico e perda da viabilidade do sêmen”, explica Gofert. Descongelamento inadequado, comprometendo a viabilidade dos espermatozóides, uso de sêmen sem procedência, sem controle sanitário e de fertilidade.
Segundo Gofert existe variação de fertilidade entre os diferentes touros disponíveis nas centrais, mesmo que as partidas estejam nos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura. “Alguns touros emprenham as vacas mais eficientemente que outros. Para evitar o risco de selecionar um touro menos eficiente, deve-se consultar fornecedores de confiança”, afirma Gofert.
Gofert ainda explica que se não é possível obter essa informação, deve-se utilizar pelo menos 3 touros diferentes no programa. Diminuindo assim a chance de baixos resultados por esse fator. “Em vista da pequena quantidade de informações a respeito do uso de sêmen sexado em programas de IATF, até o momento, não é aconselhável a sua utilização”, enfatiza o técnico da Tecnopec.
Outros problemas que podem afetar os resultados da IATF são os de ordem sanitária como a incidência de doenças reprodutivas (Brucelose, Leptospirose, IBR, BVD, etc), doenças sistêmicas ou parasitoses, levando a comprometimento físico e conseqüentemente reprodutivo, retenção de placenta e cistos foliculares. “Deve-se sempre monitorar o estado sanitário dos rebanhos, evitando prejuízos oriundos desses fatores” explica Gofert.
Outros fatores importantes que podem incidir no bom andamento da IATF são a escolha do protocolo mais adequado, levando-se em conta a categoria animal, a idade pós-parto e a condição ovariana dos animais que se irá trabalhar. “Cada caso é um caso. Existem diferentes protocolos para cada tipo de situação. Existem protocolos para quem foca na relação custo benefício, existem protocolos para fêmeas que não estão ovulando. É preciso conhecer cada situação para aplicar o protocolo mais adequado”, explica Sebastião Junior, da Schering-Plough. A mineralização adequada do rebanho, utilizando-se um sal mineral de boa qualidade e que atenda as requisições para vacas em reprodução, também é um fator de grande importância. Estar atento à dieta dos animais, se não existe excesso de proteína ou de nitrogênio não protéico. “Interferem no pH uterino, gerando dificuldade de concepção”, explica Gofert, da Tecnopec. O uso excessivo de caroço de algodão também pode comprometer a fertilidade das fêmeas. Não realizar mudanças bruscas de dietas, vacinações, marcações, ou eventos estressantes durante a execução do protocolo e nos 35 dias após a inseminação.
Na IATF de novilhas é fundamental que, apenas animais que já entraram na puberdade sejam colocados no programa. Gofert explica que um erro muito comum é a colocação de lotes de novilhas baseados apenas nos critérios, peso e/ou idade, julgando-se que esses animais já estariam púberes. “É fundamental realizar o exame ginecológico das novilhas e colocar-se em protocolo somente animais com presença de corpo lúteo no ovário, ou com cios já observados”, enfatiza. Animais pré-púberes, (que nunca ciclaram), não respondem ao programa IATF, porque não são capazes de ovular.
Dentro desses fatores, capazes de influenciar os resultados num programa de IATF, a maioria está sob controle de um veterinário meticuloso e experiente. “Assim, poderíamos concluir que o auxílio de um profissional, que seja capacitado e com postura ética e realista em relação à técnica, fará a diferença nos resultados conseguidos”, afirma.
Fonte: Revista Rural nº 114 - agosto 2007
terça-feira, 21 de junho de 2011
Caixas de leite ganham a batalha no mercado chinês
O rápido crescimento no mercado de leite da China é uma boa notícia para os fabricantes das caixas de leite, à medida que elas vêem sua dominância do setor aumentando, de acordo com o Euromonitor.
Em 2010, as embalagens de papel cartão Brik e Shaped juntas representaram dois terços do mercado de leite da China, com os sachês flexíveis de plástico ficando com 23%. As caixas deverão estender sua posição dominante nos próximos anos.
"As caixas com líquidos tomarão participação no mercado dos plásticos flexíveis, a outra principal embalagem usada para lácteos fluidos na China", disse o presidente de pesquisas em embalagens do Euromonitor, Benjamin Punchard. Ele explicou que as caixas repercutem bem com os clientes chineses. "As caixas sao consideradas um tipo de embalagem de qualidade que produz um sentimento de confiança no produto. Com o medo gerado pela contaminação do leite por melamina ainda na memória, a embalagem que demonstra qualidade, robustez e confiança estão bem posicionadas.
As embalagens plásticas flexíveis, por outro lado, são consideradas de menor qualidade e envolve mais inconvenientes aos consumidores, à medida que eles precisam colocar o leite em um jarro.
No entanto, Punchard disse que todos os tipos de embalagens deverão se beneficiar do maior consumo de leite nos próximos anos. O consumo per capita está atualmente baixo, mas com uma grande população e um momento positivo de mercado, o mercado de embalagens de leite se tornará um grande negócio na China.
Não é somente o leite tradicional que tem força significante - os leites com sabor são uma grande categoria no país. O Euromonitor disse que as bebidas lácteas com sabor representam a categoria mais dinâmica para as caixas de leite na Ásia Pacífico. A reportagem é do Dairy Reporter.
Fonte: Milkpoint
Em 2010, as embalagens de papel cartão Brik e Shaped juntas representaram dois terços do mercado de leite da China, com os sachês flexíveis de plástico ficando com 23%. As caixas deverão estender sua posição dominante nos próximos anos.
"As caixas com líquidos tomarão participação no mercado dos plásticos flexíveis, a outra principal embalagem usada para lácteos fluidos na China", disse o presidente de pesquisas em embalagens do Euromonitor, Benjamin Punchard. Ele explicou que as caixas repercutem bem com os clientes chineses. "As caixas sao consideradas um tipo de embalagem de qualidade que produz um sentimento de confiança no produto. Com o medo gerado pela contaminação do leite por melamina ainda na memória, a embalagem que demonstra qualidade, robustez e confiança estão bem posicionadas.
As embalagens plásticas flexíveis, por outro lado, são consideradas de menor qualidade e envolve mais inconvenientes aos consumidores, à medida que eles precisam colocar o leite em um jarro.
No entanto, Punchard disse que todos os tipos de embalagens deverão se beneficiar do maior consumo de leite nos próximos anos. O consumo per capita está atualmente baixo, mas com uma grande população e um momento positivo de mercado, o mercado de embalagens de leite se tornará um grande negócio na China.
Não é somente o leite tradicional que tem força significante - os leites com sabor são uma grande categoria no país. O Euromonitor disse que as bebidas lácteas com sabor representam a categoria mais dinâmica para as caixas de leite na Ásia Pacífico. A reportagem é do Dairy Reporter.
Fonte: Milkpoint
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Mercado do boi gordo segue em ritmo lento, com oferta não abundante e pressão de baixa sobre os preços
Gustavo Adolpho Maranhão Aguiar
zootecnista
Scot Consultoria
Ritmo lento no mercado do boi gordo, reflexo da oferta não abundante e da pressão de baixa sobre os preços.
A semana teve início com muitos frigoríficos fora das compras, esperando para se posicionarem no mercado.
As escalas médias em São Paulo atendem entre três e quatro dias. Fica a expectativa de como as indústrias irão se programar em relação aos dias de abate diante do feriado desta semana.
A referência na praça paulista é de R$96,00/@, a prazo, livre de imposto. Houve recuo também em outros estados, como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás.
O principal fator que vem influenciando o mercado é o preço da carne, que registrou novo recuo no atacado com osso.
Com isso, o boi casado de animais castrados está cotado em R$5,74/kg, 9,6% menos que no início do ano.
A oferta curta deverá ser o fator capaz de restringir maiores quedas e equilibrar o mercado.
Fonte: Site Notícias Agrícolas via Scot Consultoria
zootecnista
Scot Consultoria
Ritmo lento no mercado do boi gordo, reflexo da oferta não abundante e da pressão de baixa sobre os preços.
A semana teve início com muitos frigoríficos fora das compras, esperando para se posicionarem no mercado.
As escalas médias em São Paulo atendem entre três e quatro dias. Fica a expectativa de como as indústrias irão se programar em relação aos dias de abate diante do feriado desta semana.
A referência na praça paulista é de R$96,00/@, a prazo, livre de imposto. Houve recuo também em outros estados, como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás.
O principal fator que vem influenciando o mercado é o preço da carne, que registrou novo recuo no atacado com osso.
Com isso, o boi casado de animais castrados está cotado em R$5,74/kg, 9,6% menos que no início do ano.
A oferta curta deverá ser o fator capaz de restringir maiores quedas e equilibrar o mercado.
Fonte: Site Notícias Agrícolas via Scot Consultoria
sábado, 11 de junho de 2011
O GRANDE EQUÍVOCO: PUREZA RACIAL x PUREZA DE ORIGEM
Existe uma diferença reveladora entre “pureza de raça” e “pureza de origem”. Conscientemente, ou inconscientemente, uma tem sido colocada como sinônimo da outra, o que não é correto. Taxonomicamente, os indivíduos passam a cruzarem entre si a partir do que é classificado como Espécie e a classificação de subespécie ou raça são conferidas a grupos de espécimes que se separam em regiões diferentes, e, por ficarem isolados por muitas gerações fixam caracteres semelhantes. Uma subespécie ou raça não adveio de uma criação unilateral, e sim, de cruzamentos entre os espécimes, negando o conceito de “raça pura”. Contudo o conceito de “pureza de origem” implica a certeza de que indivíduo A ou B vieram da mesma origem: se européia Bós Taurus taurus e se indiana, Bós Taurus indicus.
Uma espécie pode possuir diversas subespécies ou raças que isoladas sofrem mutações aparecendo diferenciações genotípicas e fenotípicas atribuídas à interferência do meio. Para alguns biólogos aí reside o fator raça. Diferencia-se um individuo Guzerá de um Gir por uma série de caracteres como crânio, orelhas, chifres, pelagem, etc..
O trabalho de descrição do padrão racial para a expedição do certificado de “Pureza de Origem” (PO) não surgiu de maneira aleatória, nem tampouco tem alguma implicação com “pureza racial”. Partiu de referências em animais vivos importados, passando por descrições de pessoas que estiveram na Índia e análises de animais indianos em fotografia. Foi traçado um conjunto de características que pudessem identificar essa “pureza de origem” em cada raça, que depois foi facilitada pela escrituração zootécnica por parte do SRG. Normalmente a recusa pelo Técnico do SRG está ligada a caracteres que fogem a esse padrão racial de origem ocorre numa tentativa de evitar a dominância de caracteres trazidos da ancestralidade remontada à espécie, ou mesmo de defeitos transmissíveis, chegando ao aleijão.
Por questões sobejamente conhecidas a ABCZ abriu concessões ao padrão de “pureza de origem” na Gir provocando o aparecimento de indivíduos alheios ao padrão oficial, criando uma dicotomia entre os criadores, onde de um lado figuram aqueles adeptos à “pureza de origem” e de outro, os que priorizam a “produção individual.”
Atualmente, criadores da segunda opção estão criando um padrão racial para o que chamam de “gir leiteiro” muito distante do padrão estabelecido pela “pureza de origem”, dando a entender que existem duas raças Gir no Brasil.
Luiz Humberto Carrião
Uma espécie pode possuir diversas subespécies ou raças que isoladas sofrem mutações aparecendo diferenciações genotípicas e fenotípicas atribuídas à interferência do meio. Para alguns biólogos aí reside o fator raça. Diferencia-se um individuo Guzerá de um Gir por uma série de caracteres como crânio, orelhas, chifres, pelagem, etc..
O trabalho de descrição do padrão racial para a expedição do certificado de “Pureza de Origem” (PO) não surgiu de maneira aleatória, nem tampouco tem alguma implicação com “pureza racial”. Partiu de referências em animais vivos importados, passando por descrições de pessoas que estiveram na Índia e análises de animais indianos em fotografia. Foi traçado um conjunto de características que pudessem identificar essa “pureza de origem” em cada raça, que depois foi facilitada pela escrituração zootécnica por parte do SRG. Normalmente a recusa pelo Técnico do SRG está ligada a caracteres que fogem a esse padrão racial de origem ocorre numa tentativa de evitar a dominância de caracteres trazidos da ancestralidade remontada à espécie, ou mesmo de defeitos transmissíveis, chegando ao aleijão.
Por questões sobejamente conhecidas a ABCZ abriu concessões ao padrão de “pureza de origem” na Gir provocando o aparecimento de indivíduos alheios ao padrão oficial, criando uma dicotomia entre os criadores, onde de um lado figuram aqueles adeptos à “pureza de origem” e de outro, os que priorizam a “produção individual.”
Atualmente, criadores da segunda opção estão criando um padrão racial para o que chamam de “gir leiteiro” muito distante do padrão estabelecido pela “pureza de origem”, dando a entender que existem duas raças Gir no Brasil.
Luiz Humberto Carrião
terça-feira, 7 de junho de 2011
Produtores. Como realmente proteger preços e garantir Lucros?
A corrente safra 2010/2011 está sendo recorde de produção no estado, praticamente todas as culturas de grãos foram recordes. Porém o grande diferencial deste ano e que ajudou muito os produtores foi a alta das commodities que atingiram patamares de preços históricos e algumas até mesmo dobraram de preço em relação a safra anterior. Se movimento de preços ajudou bastante os produtores do estado que a pouco sofriam com estiagens, baixos preços e custo alto dos fertilizantes. A demanda por alimentos aumenta e este tem sido o principal fator da inflação que assusta governo e boa parte da população brasileira. Excelente, ano de boa produtividade, bons preços e agora, vindo a colheita, como será 2012, será que as commodities terão força para manter-se nestes níveis? Será que o fatores climáticos não poderão influenciar? Será que o alto custo dos fertilizantes não poderá impactar na margem caso os preços não se mantenham? Não devo aproveitar os bons preços e garantir preços mínimos de venda? Todas essas incertezas habitam a cabeça daquele que tem sua renda oriunda do campo. O bom momento das commodities dá a oportunidade garantir preços em um cenário de alta, pois este é o momento ideal. Grande parte dos produtores acompanha as cotações no mercado futuro e pensa que gostaria de saber mais e utilizar as ferramentas disponíveis, porém sempre desconfiam que seja um ambiente de especulação. Realmente existem muitos especuladores nos mercados futuros de commodities, que bom, pois sem eles nada funciona, eles são quem dão contraparte para produtores, tradings e etc. A BM&F já criou diversos contratos que não vingaram, pois não se tornaram atrativos para os especuladores, então acaba que nem produtores nem especuladores utilizam e acaba caindo no esquecimento. Os mercados futuros têm como principal intuíto ser ferramenta para produtores e demais envolvidos na cadeia produtiva de determinada commodities eliminarem o risco da oscilação de preços, o inicio desta história ocorreu em meados de 1890 com a criação da bolsa de Chicago CBOT, principal bolsa de futuros do mundo, pois os produtores sofriam muito com as oscilações de preço, alta na entressafra e queda na safra, então criou-se a bolsa como ferramenta de auxilio aos produtores e esta é a principal funcionalidade das principais bolsas de futuros do mundo. Existem diversas possibilidades a serem exploradas pelos produtores na bolsa, lembrando que devem utilizar a mesma para fins de proteção e não especulação, pois muito acabam desviando o foco por acreditarem ter um conhecimento sobre o mercado físico melhor que os demais e tentam obter ganhos especulativos, o que pode algumas vezes levar a prejuízos financeiros. Por maiores que sejam as possibilidades nos mercado futuros, uma das melhores alternativas para os produtores é a OPÇÃO DE VENDA, que limita os prejuízos e garante ganhos com a alta da commodity, veja como funciona:
Opção de Venda – ferramenta bastante semelhante ao seguro de um carro, onde você paga um prêmio anual (percentual do veículo) para garantir que em qualquer acidente seu veiculo esteja assegurado, mas para isto desembolsa o valor do prêmio. A opção de venda no mercado futuro é praticamente igual, você paga um prêmio (de 3% a 10%) do valor da saca, onde você tem o vencimento futuro e o valor de exercício, que nada mais é, que o preço que você está garantindo. Exemplo: Paga o prêmio de R$ 2,00 para garantir o preço de venda do milho setembro de 2011, ressaltando que você pode exercer seu direito a qualquer momento, a R$ 29,00. Resumidamente paga R$ 2,00 para garantir um preço MINIMO de venda a R$ 29,00, sendo assim vamos imaginar como funcionaria em cenário de alta e cenário de baixa.
Cenário de Alta:
Comprou o “seguro” a R$ 2,00, garantindo um preço mínimo de venda a R$ 29,00 até setembro de 2011. Imaginamos que em Setembro os preços estejam R$ 32,00, o produtor não exerce seu direito de venda na bolsa a R$ 29,00 e ganha com a alta no mercado físico, pois venderá mais cara sua produção. Lembrando que o mercado futuro é apenas financeiro e o produtor negocia sua produção normalmente no mercado físico.
Resumo da Operação:
Capital Investido: R$ 2,00/saca – Valor do Prêmio
Ganho Financeiro: R$ 3,00/saca (-R$2,00 investido) com a alta no mercado físico.
Capital como margem de garantia – essa modalidade não exige garantia ao contrário do hedge com contrato futuro.
Capital para ajuste diário – essa modalidade não exige ajuste diário, mesmo com a alta do mercado o prejuízo é limitado no custo da opção de venda, neste caso R$ 2,00.
Cenário de Baixa:
Comprou o “seguro” a R$ 2,00, garantindo um preço mínimo de venda a R$ 29,00 até setembro de 2011. Imaginamos que em Setembro os preços estejam R$ 22,00, o produtor exerce seu direito de venda na bolsa a R$ 29,00 e recebe crédito em sua conta de R$ 7,00/saca garantindo o preço mínimo de R$ 29,00.
Resumo da Operação:
Capital Investido: R$ 2,00/saca – Valor do Prêmio
Ganho Financeiro: R$ 7,00/saca porém perde no físico, garantiu o preço de R$ 29,00 – R$ 2,00( valor prêmio)= R$ 27,00/saca.
Capital como margem de garantia – essa modalidade não exige garantia ao contrário do hedge com contrato futuro.
Capital para ajuste diário – R$ 0,00 essa modalidade não exige ajuste diário, mesmo com a alta do mercado o prejuízo é limitado no custo da opção de venda, neste caso R$ 2,00.
Os preço de referência para mercado futuro são da praça de Campinas SP, então deve-se levar em consideração a diferença de base para tomada de decisão. Essa modalidade de proteção é mais simples e que não gera transtornos para os produtores, pois garante seu preço mínimo, “prejuízo” limitado e ganho ilimitado com a alta da commodity.
É bom já começarmos a pensar na próxima safra e se precaver para não ter surpresas, pois o custo de produção estão alto também e caso os preços não se sustentem os produtores podem se ver mal em 2012.
Leandro Martini Paz
TBCS Investimentos
Votorantim Corretora
Fonte: Leandro Martini Paz
Opção de Venda – ferramenta bastante semelhante ao seguro de um carro, onde você paga um prêmio anual (percentual do veículo) para garantir que em qualquer acidente seu veiculo esteja assegurado, mas para isto desembolsa o valor do prêmio. A opção de venda no mercado futuro é praticamente igual, você paga um prêmio (de 3% a 10%) do valor da saca, onde você tem o vencimento futuro e o valor de exercício, que nada mais é, que o preço que você está garantindo. Exemplo: Paga o prêmio de R$ 2,00 para garantir o preço de venda do milho setembro de 2011, ressaltando que você pode exercer seu direito a qualquer momento, a R$ 29,00. Resumidamente paga R$ 2,00 para garantir um preço MINIMO de venda a R$ 29,00, sendo assim vamos imaginar como funcionaria em cenário de alta e cenário de baixa.
Cenário de Alta:
Comprou o “seguro” a R$ 2,00, garantindo um preço mínimo de venda a R$ 29,00 até setembro de 2011. Imaginamos que em Setembro os preços estejam R$ 32,00, o produtor não exerce seu direito de venda na bolsa a R$ 29,00 e ganha com a alta no mercado físico, pois venderá mais cara sua produção. Lembrando que o mercado futuro é apenas financeiro e o produtor negocia sua produção normalmente no mercado físico.
Resumo da Operação:
Capital Investido: R$ 2,00/saca – Valor do Prêmio
Ganho Financeiro: R$ 3,00/saca (-R$2,00 investido) com a alta no mercado físico.
Capital como margem de garantia – essa modalidade não exige garantia ao contrário do hedge com contrato futuro.
Capital para ajuste diário – essa modalidade não exige ajuste diário, mesmo com a alta do mercado o prejuízo é limitado no custo da opção de venda, neste caso R$ 2,00.
Cenário de Baixa:
Comprou o “seguro” a R$ 2,00, garantindo um preço mínimo de venda a R$ 29,00 até setembro de 2011. Imaginamos que em Setembro os preços estejam R$ 22,00, o produtor exerce seu direito de venda na bolsa a R$ 29,00 e recebe crédito em sua conta de R$ 7,00/saca garantindo o preço mínimo de R$ 29,00.
Resumo da Operação:
Capital Investido: R$ 2,00/saca – Valor do Prêmio
Ganho Financeiro: R$ 7,00/saca porém perde no físico, garantiu o preço de R$ 29,00 – R$ 2,00( valor prêmio)= R$ 27,00/saca.
Capital como margem de garantia – essa modalidade não exige garantia ao contrário do hedge com contrato futuro.
Capital para ajuste diário – R$ 0,00 essa modalidade não exige ajuste diário, mesmo com a alta do mercado o prejuízo é limitado no custo da opção de venda, neste caso R$ 2,00.
Os preço de referência para mercado futuro são da praça de Campinas SP, então deve-se levar em consideração a diferença de base para tomada de decisão. Essa modalidade de proteção é mais simples e que não gera transtornos para os produtores, pois garante seu preço mínimo, “prejuízo” limitado e ganho ilimitado com a alta da commodity.
É bom já começarmos a pensar na próxima safra e se precaver para não ter surpresas, pois o custo de produção estão alto também e caso os preços não se sustentem os produtores podem se ver mal em 2012.
Leandro Martini Paz
TBCS Investimentos
Votorantim Corretora
Fonte: Leandro Martini Paz
1º Leilão Produção Gir Leiteiro Milk Center
1º Leilão Produção Gir Leiteiro Milk Center
Local: Agro Canal
Horário: terça, 14 de junho de 2011 20:00
Local: Agro Canal
Horário: terça, 14 de junho de 2011 20:00
segunda-feira, 6 de junho de 2011
ABCZ exige rigor a seus Técnicos com relação ao padrão racial
ABCZ exige rigor a seus Técnicos com relação ao padrão racial
De 180 animais (machos) colocados a julgamento para o Registro genealógico somente 13 foram aprovados
O certificado de pureza de origem (PO) ou de pureza de origem importada (POI) acompanhado do pedigree do animal, e o certificado de categoria LA (Livro Aberto) aos animais “cara limpa” que contemplem as características referentes ao padrão-racial estabelecido pelo Serviço de Registro Genealógico (SRG) são expedido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), através de suas delegadas e escritórios técnicos regionais espalhados pelo país.
Aos animais registrados no LA, uma observação: após a segunda geração de cruzamento com animais PO, sua progênie é registrada na categoria de PO (puro de origem).
A genética mostra uma diferença reveladora entre “árvore de genes” e a “árvore genealógica”. Na primeira cada gene de um indivíduo tem de ter vindo de seu pai ou de sua mãe; de apenas um dos seus 4 avós; de apenas um de 8 oito bisavós; na segunda (pedigree), o indivíduo vem de seu pai e de sua mãe, de seus 4 avós, de seus 8 bisavós, e assim por diante. Como diria o filósofo Tim Maia, “uma coisa é uma coisa, outra coisa e outra coisa.”
No cruzamento absorvente entre espécies diferentes, por exemplo, pai (Bós Taurus taurus) e mãe( Bós Taurus indicus) um gene X responsável por uma característica tanto pode vir através do pai como da mãe; de somente um dos seus 4 avós; necessariamente, de um de seus 8 bisavós, e, assim por diante.
Os genes definem sua linhagem através de machos e fêmeas com igual probabilidade. Isto significa que um animal PO (puro de origem) através de cruzamento absorvente pode ter herdado, por exemplo, características produtivas do pai e fenotípicas da mãe, e vice-versa. Nisso o padrão racial é quem define.
O trabalho de descrição do padrão racial das raças zebuínas foi de uma meticulosidade impar por uma equipe chefiada pelo veterinário José Rodrigues Calheiros, com a colaboração de Waldemar Cruvinel Ratto, na década de 30 do século passado. Partiram de referências em animais vivos importados, passando por descrições de pessoas que estiveram na Índia, até análises de fotografias.
“A principal função do SRG é a fixação do patrimônio genético visando à melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos. Com isso, assegura-se a garantia de origem dos filhos dos reprodutores. O SRG executa esta função inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial. Os reprodutores registrados e controlados pelo SRG exercem importante função de aprimoramento racial de um plantel, sendo, pois, imprescindível a uma seleção criteriosa.” (Lopez, 2001, p. 73).
Atentem para as frases: “melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos” e “inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial.” A função do SRG objetiva a padronização racial aliada à produtividade.
Ora, se um indivíduo obtido entre duas espécies diferentes através de cruzamento absorvente pode herdar características produtivas de seu pai e fenotípicas de sua mãe, e vice-versa, somente o padrão racial estabelecido à raça pelo SRG poderá aproximá-lo o mais possível de sua pureza de origem. Ao contrário, se ao invés do padrão racial optar pela produtividade podem determinar em pouco tempo a redução populacional de pureza racial de determinadas subespécies ou raças, ameaçando-as inclusive de extinção.
Recentemente, consta que em um dos maiores rebanhos de “gir leiteiro” do Brasil, de 180 animais machos colocados à presença de um Técnico da ABCZ para classificação ao Registro Genealógico, 167 foram recusados por estarem fora do padrão racial estabelecido pelo SRG da ABCZ, somente 13 efetivados.
Se isso realmente ocorreu, tem sua significação.
Luiz Humberto Carrião
De 180 animais (machos) colocados a julgamento para o Registro genealógico somente 13 foram aprovados
O certificado de pureza de origem (PO) ou de pureza de origem importada (POI) acompanhado do pedigree do animal, e o certificado de categoria LA (Livro Aberto) aos animais “cara limpa” que contemplem as características referentes ao padrão-racial estabelecido pelo Serviço de Registro Genealógico (SRG) são expedido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), através de suas delegadas e escritórios técnicos regionais espalhados pelo país.
Aos animais registrados no LA, uma observação: após a segunda geração de cruzamento com animais PO, sua progênie é registrada na categoria de PO (puro de origem).
A genética mostra uma diferença reveladora entre “árvore de genes” e a “árvore genealógica”. Na primeira cada gene de um indivíduo tem de ter vindo de seu pai ou de sua mãe; de apenas um dos seus 4 avós; de apenas um de 8 oito bisavós; na segunda (pedigree), o indivíduo vem de seu pai e de sua mãe, de seus 4 avós, de seus 8 bisavós, e assim por diante. Como diria o filósofo Tim Maia, “uma coisa é uma coisa, outra coisa e outra coisa.”
No cruzamento absorvente entre espécies diferentes, por exemplo, pai (Bós Taurus taurus) e mãe( Bós Taurus indicus) um gene X responsável por uma característica tanto pode vir através do pai como da mãe; de somente um dos seus 4 avós; necessariamente, de um de seus 8 bisavós, e, assim por diante.
Os genes definem sua linhagem através de machos e fêmeas com igual probabilidade. Isto significa que um animal PO (puro de origem) através de cruzamento absorvente pode ter herdado, por exemplo, características produtivas do pai e fenotípicas da mãe, e vice-versa. Nisso o padrão racial é quem define.
O trabalho de descrição do padrão racial das raças zebuínas foi de uma meticulosidade impar por uma equipe chefiada pelo veterinário José Rodrigues Calheiros, com a colaboração de Waldemar Cruvinel Ratto, na década de 30 do século passado. Partiram de referências em animais vivos importados, passando por descrições de pessoas que estiveram na Índia, até análises de fotografias.
“A principal função do SRG é a fixação do patrimônio genético visando à melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos. Com isso, assegura-se a garantia de origem dos filhos dos reprodutores. O SRG executa esta função inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial. Os reprodutores registrados e controlados pelo SRG exercem importante função de aprimoramento racial de um plantel, sendo, pois, imprescindível a uma seleção criteriosa.” (Lopez, 2001, p. 73).
Atentem para as frases: “melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos” e “inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial.” A função do SRG objetiva a padronização racial aliada à produtividade.
Ora, se um indivíduo obtido entre duas espécies diferentes através de cruzamento absorvente pode herdar características produtivas de seu pai e fenotípicas de sua mãe, e vice-versa, somente o padrão racial estabelecido à raça pelo SRG poderá aproximá-lo o mais possível de sua pureza de origem. Ao contrário, se ao invés do padrão racial optar pela produtividade podem determinar em pouco tempo a redução populacional de pureza racial de determinadas subespécies ou raças, ameaçando-as inclusive de extinção.
Recentemente, consta que em um dos maiores rebanhos de “gir leiteiro” do Brasil, de 180 animais machos colocados à presença de um Técnico da ABCZ para classificação ao Registro Genealógico, 167 foram recusados por estarem fora do padrão racial estabelecido pelo SRG da ABCZ, somente 13 efetivados.
Se isso realmente ocorreu, tem sua significação.
Luiz Humberto Carrião
sábado, 4 de junho de 2011
Um breve estudo sobre a Raça Gir
Um breve estudo sobre a Raça Gir
Carl Von Linné (1707 – 1778) apresentou à sociedade científica do seu tempo a Taxonomia, ciência que classifica os organismos vivos, unificando a linguagem de numerosos taxonomistas em países diferentes. A Taxonomia estabelece regras para dar nomes aos animais, a partir do trabalho apresentado por Linné, botânico, zoólogo e médico sueco, em 1758.
Os nomes dos animais devem ser escritos em latim.
Todo animal tem obrigatoriamente dois nomes no mínimo. O primeiro é o gênero e o segundo o da espécie
O nome do gênero deve ser sempre escrito com inicial maiúscula e o da espécie com inicial minúscula
Quando se dá o nome específico em homenagem a uma pessoa, acrescenta-se a letra “i” no sobrenome do homenageado se for do sexo masculino
Quando o homenageado for feminino, acrescentam-se as letras “ae” ao sobrenome
Quando existe subgênero o seu nome deve ser escrito depois do nome do gênero, entre parêntesis, e sempre com inicial maiúscula
Se um gênero ou espécie foi descrito mais de uma vez, deve-se sempre usar o primeiro nome que o animal foi descrito, mesmo que seja errado. É a Lei da Prioridade
Quando existe subespécie, o seu nome deve ser escrito depois do da espécie e sempre com inicial minúscula.
O nome dos animais deve ser grifado ou deve se usar um tipo de letra diferente ao texto; em geral se usa o negrito ou caracteres itálicos.
Classificação taxonômica: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero, Espécie, Subespécie ou Raça.
Reino: Animalia (animal ou Metazoa) é composto por seres vivos pluricelulares, heterotróficos, cujas células formam tecidos biológicos, com capacidade de responder ao ambiente que os envolve ou, por outras palavras, pelos animais.
Filo: Chordata (abrange animais adaptados para a vida em água doce, salgada, terra e ar).
Classe: Mammalia (mamíferos) formam o grupo mais evoluído e mais conhecido dos Chordata.
Ordem: Artiodactyla (constitui uma ordem de mamíferos ungulados (divisão de mamíferos que compreende os animais de casco) com um número de par de dedos nas patas.
Família: Bovinae (constitui uma famílias de mamíferos ruminantes, a qual pertence animais domésticos como ovelha, cabra, boi e selvagens como antílopes e bisontes.
Gênero: agrupamento de organismos vivos/fósseis para agrupar um conjunto de espécies que partilham um conjunto muito alargado de características morfológicas e funcionais, um genoma com elevadíssimo grau de comunalidade e uma proximidade filogenética muito grande, refletida para existência de ancestrais comuns muito próximos.
Espécie: é um conceito fundamental da Biologia que designa a unidade básica do sistema taxonômico utilizado na classificação dos seres vivos. Estrutura-se em torno da constituição de agrupamentos de indivíduos (os espécimes) com profundas semelhanças estruturais e funcionais recíprocas, resultantes da partilha de um cariótipo idêntico, expresso numa estrutura cromossômica das células diplóides similar, que lhes confere acentuada uniformidade bioquímica e a capacidade de reprodução entre si, originando descendentes férteis e com o mesmo quadro geral de caracteres, num processo que, quando envolva um organismo sexuado deve permitir descendentes férteis de ambos os sexos.
Subespécie ou Raça: É uma subdivisão da espécie. Normalmente isso ocorre quando duas ou mais populações de uma mesma espécie se separam indo viver em regiões diferentes e por ficarem separados por barreiras geográficas por muitas gerações e não existindo trocas de genes entre essas populações isoladas umas das outras.
Os grupos isolados uns dos outros sofrem mutações com o tempo e assim aparecendo diferenciações genéticas e surgimento de novas subespécies ou raças nessa mesma espécie.
Então:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Gênero: Bós
Espécie: Bós Taurus
Subespécie ou Raça: Bos Taurus indicus (Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian)
“Raça não é uma palavra claramente definida. Já com “espécie” é diferente. Existe um fato consensual de decidir se dois animais pertencem a uma mesma espécie: eles podem intercruzar-se? Obviamente não podem se pertencer ao mesmo sexo, ou se for jovem ou velho demais, ou se ainda por acaso um deles for estéril. Mas essas são filigranas, minúcias fáceis de contornar. [...]” (Dawkins, 2009, p. 464).
“O critério do intercruzamento confere a uma espécie um status único na hierarquia dos níveis taxonômicos. Acima do nível da espécie, o gênero é apenas um grupo de espécies bem semelhantes uma das outras. Não existe nenhum critério objetivo para decidir quanto elas têm de ser semelhantes, e o mesmo se aplica a todos os níveis superiores: família, ordem, classe, filo e os vários nomes como “sub” ou “super” que entremeiam essas categorias. Abaixo do nível das espécies, “raças” e “subespécie” são classificações usadas de modo mais ou menos permutável, e também nesse caso inexistem critérios objetivos que nos permitam decidir se dois indivíduos devem ou não ser considerados membros de uma mesma raça e que nos digam quantas raças existem. E temos ainda, obviamente, a complicação adicional, ausente acima do nível das espécies, de que as raças se intercruzam: por isso existem muitos indivíduos de raça mista.” (Dawkins, 2009, p. 464)
“Presume-se que as espécies, em sua trajetória para se tornarem suficientemente separadas a ponto de não poder intercruzar-se, passam em geral por um estágio intermediário no qual são raças separadas. Raças distintas poderiam ser consideradas espécies em formação, exceto pelo fato de que não existe necessariamente a expectativa de que o processo continue até o seu final - a especiação.” (Dawkins, 2009, p. 464).
Existem quatro tipos de especiação que os evolucionistas identificam como as explicações mais prováveis:
No caso da especiação alopátrica, as fronteiras geográficas reais separam as espécies fisicamente. Um rio ou uma cordilheira, por exemplo, podem causar a divergência de uma espécie.
Na especiação parapátrica, uma espécie se espalha em áreas grandes com ambientes diversificados. Eles se adaptam a essas novas áreas e, gradualmente, tornam-se espécies distintas. Não há uma característica geográfica definida que separe esses animais; eles podem se tornar espécies distintas simplesmente por causa da distância entre os grupos.
A especiação peripátrica ocorre quando um pequeno grupo se isola do núcleo principal da espécie. Como esse grupo é apenas uma pequena parte da população total da espécie, todas as diferenças genéticas que tornam a espécie robusta podem estar ausentes. Isso constitui o que os biologistas evolucionários denominam efeito gargalo. Alguns dos genes que fluem dentro de uma espécie foram eliminados e separados do conjunto genético.
No caso da especiação simpátrica, os membros de uma espécie continuam vivendo lado a lado, mas separados em espécies diferentes.
Em cada um desses tipos de especiação, a espécie deve passar pelo processo de isolamento reprodutivo. Ora esse isolamento, por qual seja a causa, definiu características visuais capazes de identificar o que se convencionou chamar de raça zebuína, Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian etc.
O conceito da superioridade racial do povo alemão exaltada pelo nazismo hitleriano através da associação com a raça ariana (do sânscrito Arya = nobre) provocou traumas irreparáveis e profundos à Humanidade, dentre os quais as experiências genéticas de Josef Mengele, em Auschwitz. Isto de certa forma ascendeu a chama da Ética sobre a ciência levando a “questão raça” como algo destrutivo às relações sociais e humanas. Dawkins coloca o dedo na ferida:
“Todos nós podemos concordar tranquilamente em que a classificação racial dos humanos não tem valor social e é inegavelmente destrutiva para as relações sociais e humanas. Essa é uma das razões da minha objeção a assinalar alternativas em formulários e á discriminação nas seleções de emprego. Mas isso não significa que raça “praticamente não tem significância genética ou taxonômica”. É isso que Edwars está querendo dizer, e sua argumentação é que, por menor que seja a parcela racial na variação total, se as características raciais que existem forem altamente correlacionadas com outras características raciais, elas são por definição, informativas e, portanto, têm significância taxonômica.” (Dawkins, 2008, p. 472)
“Informativas têm aqui uma acepção bem precisa. Uma afirmação informativa é aquela que nos diz algo que desconhecíamos. O teor de informação existente em uma afirmação é medido pelo quanto ela reduz a incerteza prévia. Por sua vez, a redução da incerteza prévia é a medida com base na mudança das probabilidades. Isto nos dá um modo de tornar matematicamente preciso o conteúdo informativo de uma mensagem, mas não precisamos nos incomodar com isso. Se eu disser que João é do sexo masculino, você saberá de imediato uma porção de coisas sobre ele. Sua incerteza prévia sobre a forma de genitália de João será reduzida (embora não eliminada). Você saberá fatos que antes desconhecia a respeito dos cromossomos, dos hormônios e de outros aspectos da bioquímica desse indivíduo, e haverá uma redução quantitativa em sua incerteza prévia quanto ao tom de voz, a distribuição dos pelos faciais, da gordura corporal e da musculatura de João. [...]” (Dawkins, 2009, p. 473)
“Agora, a questão da raça. E se disser que Suzana é chinesa, em quanto a sua certeza prévia se reduzirá? Agora você apostará que ela tem cabelos lisos e pretos (ou que um dia foram preto), uma prega de pele epicântica na extremidade interna das sobrancelhas e mais algumas outras características.” (Dawkins, 2009, p. 473).
Se eu disser a um pecuarista que sou criador de Zebu, muitas das incertezas prévias com relação a mim serão reduzidas. Por exemplo, que crio gado de origem indiana, caracterizado pelos chifres e a giba. Se indagado se é “gir leiteiro” e eu digo não, crio Gir, mais incertezas reduzidas, ou seja, seus conhecimentos mostrarão que crio um animal que morfologicamente apresenta uma convexidade de crânio ao formato de um ovo; chifres saindo na linha dos olhos, para baixo e para trás, orelha em forma de cartucho com uma dobra acentuada na ponta, o gavião; olhos serpenteados; chanfro médio, narinas e bocas grandes, mucosas pigmentadas, barbela, cupim avantajado nos machos, e delicado nas fêmeas, ambos em forma de castanha; diversidade de pelagem, temperamento dócil, de andar sincopado onde os rastos dianteiros servem de referência aos traseiros; rabo fino e longo, onde a vassoura varre os rastos; cisterna (depósito animal de leite) acima dos jarretes, etc..
Por que essa definição por parte de meu interlocutor? Por ser este o padrão racial elaborado pelos Técnicos do Registro Genealógico para servir de referência ao julgamento para o registro efetivado a partir de 1938. Porque este foi o Gir que veio da índia. Provavelmente, criado pelo seu pai e por seu avô.
Suzana e o Gir foram incertezas prévias reduzidas na questão raça, em função da presença visual de caracteres por eles herdados presentes na maioria da população as quais pertencem e que, encontram-se armazenados no inconsciente coletivo.
Caracteres visuais que fogem ao padrão racial não podem ser considerados filigranas, algo sem importância, porque podem aparecer em progênies futuras. O mesmo se pode dizer aos animais efetivados através de cruzamentos absorventes. Nestes casos, especificamente, esse indivíduo volta a compor a classificação taxonômica contextualizada na espécie, que se isolada reprodutivamente, irão fixar esses caracteres dando origem a outro padrão visual, originando outra raça.
Com isso, qual a conclusão que se chega com relação ao padrão racial criado pelos selecionadores de “gir leiteiro”? Num primeiro plano, o retrocesso à classificação taxonômica denominada espécie, e, assim que efetivado esses caracteres através do isolamento reprodutivo de sua população, esse padrão será fixado criando assim uma nova raça que não a Gir.
Se esse padrão adveio através de cruzamentos absorventes com a espécie Bós Taurus taurus (européia) trata-se de um subproduto da raça Gir, obtido através do que se denomina cruzamento industrial, que também o exclui como raça Gir.
“O DNA mitocondrial também pode ser revelador, particularmente para padrões muito antigos. Se compararmos o DNA mitocondrial do leitor com o meu, poderemos determinar há quanto tempo eles compartilham uma mitocôndria ancestral. Como todos nós herdamos nossas mitocôndrias de nossa mãe, e, portanto, das avós maternas, bisavós maternas etc., as comparações mitocondriais podem nos dizer quando viveu nossa ancestral mais recente pela linha feminina. O mesmo pode ser feito com os cromossomos Y para determinar quando viveu nosso ancestral mais recente pela linha masculina, mas, por razões técnicas, isso não é fácil. A beleza do DNA do cromossomo Y e do DNA mitocondrial está em que nenhum deles é contaminado por mistura sexual. Isso facilita buscar a origem dessas classes especificas de ancestral.” (Dawkins, 2009, p. 77)
Na comparação do DNA mitocondrial e do cromossomo Y de dois “indivíduos ditos gir”, o que se pode determinar é o quanto de tempo que eles compartilham uma mitocôndria ancestral e quando viveu a ancestral mais recente pela linha feminina, o mesmo podendo ser feito com o cromossomo Y com relação à ancestralidade masculina.
Tomando como probabilidade de que toda espécie zebuína (Bos Taurus índicos) veio de uma ancestralidade comum, é pouco provável que o DNA mitocondrial e do cromossomo Y venham determinar sobre o fator racial.
Mais uma vez, o quesito raça passa a ser efetivado a partir de caracteres externos expressos em um indivíduo. O que se pode aferir através do DNA mitocondrial e do cromossomo Y é se esse indivíduo possui miscigenação entre as espécies Bós Taurus indicus e Bós Taurus taurus.
A importância do indivíduo é reconhecida pelos geneticistas, apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.
Como se pode ter reprodução e linhagem, esta no sentido de linha de parentesco ascendente e descendente, mas não hereditariedade? Essa é a lição que o fogo nos ensina.
“A verdadeira hereditariedade significaria a herança não do fogo em si, mas das variações entre os fagos. Alguns são mais amarelos, outros mais avermelhados. Alguns rugem, outros crepitam, outros ainda sibilam, soltam fumaça, cospem. Há os que possuem laivos de azul ou verde nas chamas. Nossos ancestrais, caso tenham estudados seus lobos domesticados, hão de ter notado uma diferença reveladora entre as linhagens de cães e linhagens de fogo. Nos cães, semelhante gera semelhante. Pelo menos parte que distingue um cão de outro é transmitida por seus pais. É obvio que existem também as influências externas: alimentação, doenças e acidentes. No caso do fogo, todas as variações provêm do meio, nenhum descendente de uma fagulha progenitora. As variações resultam da qualidade e umidade do combustível, da direção e força do vento, da tiragem da lareira, do solo, de vestígios de cobre e potássio que adicionam toques verde-azulados e lilases à chama amarela do sódio. Em contraste com o cão, nada na qualidade de um fogo adulto chega por intermédio da fagulha que o originou. Fogos azuis não geram fogos azuis. Fogos crepitantes não herdam a crepitação do fogo-pai que cuspiu sua fagulha iniciadora. Os fogos apresentam reprodução sem hereditariedade.” (Dawkins, 2009, p.646).
“A história é a majestosa Torre da Experiência que o tempo erigiu no espaço infindo dos anos decorridos. Não é fácil tarefa alcançar o cimo desse antigo edifício e gozar da vista dum panorama completo; não há ali elevador, mas os moços têm os pés fortes e podem tentar-lhe a ascensão. Aqui vos dou a chave que vós abrirá a porta. Quando voltardes, compreendereis a razão do meu entusiasmo”. (Loon, 1953, p. 9)
Referências Bibliográficas
Dawkins, Richard. A grande história da evolução: na trilha dos nossos ancestrais / Richard Dawkins ; com colaboração de Yan Wong ; tradução Laura Teixeira Motta. – São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Loo, Hendrick Willen Van. História da Humanidade / Hendrick Willen Van Loo ; Tradução Marina Guaspari. – Porto Alegre, 1953.
Luiz Humberto Carrião
Publicado no www.girpontocom.blogspot.com em 4/junho/2011
Carl Von Linné (1707 – 1778) apresentou à sociedade científica do seu tempo a Taxonomia, ciência que classifica os organismos vivos, unificando a linguagem de numerosos taxonomistas em países diferentes. A Taxonomia estabelece regras para dar nomes aos animais, a partir do trabalho apresentado por Linné, botânico, zoólogo e médico sueco, em 1758.
Os nomes dos animais devem ser escritos em latim.
Todo animal tem obrigatoriamente dois nomes no mínimo. O primeiro é o gênero e o segundo o da espécie
O nome do gênero deve ser sempre escrito com inicial maiúscula e o da espécie com inicial minúscula
Quando se dá o nome específico em homenagem a uma pessoa, acrescenta-se a letra “i” no sobrenome do homenageado se for do sexo masculino
Quando o homenageado for feminino, acrescentam-se as letras “ae” ao sobrenome
Quando existe subgênero o seu nome deve ser escrito depois do nome do gênero, entre parêntesis, e sempre com inicial maiúscula
Se um gênero ou espécie foi descrito mais de uma vez, deve-se sempre usar o primeiro nome que o animal foi descrito, mesmo que seja errado. É a Lei da Prioridade
Quando existe subespécie, o seu nome deve ser escrito depois do da espécie e sempre com inicial minúscula.
O nome dos animais deve ser grifado ou deve se usar um tipo de letra diferente ao texto; em geral se usa o negrito ou caracteres itálicos.
Classificação taxonômica: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero, Espécie, Subespécie ou Raça.
Reino: Animalia (animal ou Metazoa) é composto por seres vivos pluricelulares, heterotróficos, cujas células formam tecidos biológicos, com capacidade de responder ao ambiente que os envolve ou, por outras palavras, pelos animais.
Filo: Chordata (abrange animais adaptados para a vida em água doce, salgada, terra e ar).
Classe: Mammalia (mamíferos) formam o grupo mais evoluído e mais conhecido dos Chordata.
Ordem: Artiodactyla (constitui uma ordem de mamíferos ungulados (divisão de mamíferos que compreende os animais de casco) com um número de par de dedos nas patas.
Família: Bovinae (constitui uma famílias de mamíferos ruminantes, a qual pertence animais domésticos como ovelha, cabra, boi e selvagens como antílopes e bisontes.
Gênero: agrupamento de organismos vivos/fósseis para agrupar um conjunto de espécies que partilham um conjunto muito alargado de características morfológicas e funcionais, um genoma com elevadíssimo grau de comunalidade e uma proximidade filogenética muito grande, refletida para existência de ancestrais comuns muito próximos.
Espécie: é um conceito fundamental da Biologia que designa a unidade básica do sistema taxonômico utilizado na classificação dos seres vivos. Estrutura-se em torno da constituição de agrupamentos de indivíduos (os espécimes) com profundas semelhanças estruturais e funcionais recíprocas, resultantes da partilha de um cariótipo idêntico, expresso numa estrutura cromossômica das células diplóides similar, que lhes confere acentuada uniformidade bioquímica e a capacidade de reprodução entre si, originando descendentes férteis e com o mesmo quadro geral de caracteres, num processo que, quando envolva um organismo sexuado deve permitir descendentes férteis de ambos os sexos.
Subespécie ou Raça: É uma subdivisão da espécie. Normalmente isso ocorre quando duas ou mais populações de uma mesma espécie se separam indo viver em regiões diferentes e por ficarem separados por barreiras geográficas por muitas gerações e não existindo trocas de genes entre essas populações isoladas umas das outras.
Os grupos isolados uns dos outros sofrem mutações com o tempo e assim aparecendo diferenciações genéticas e surgimento de novas subespécies ou raças nessa mesma espécie.
Então:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Gênero: Bós
Espécie: Bós Taurus
Subespécie ou Raça: Bos Taurus indicus (Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian)
“Raça não é uma palavra claramente definida. Já com “espécie” é diferente. Existe um fato consensual de decidir se dois animais pertencem a uma mesma espécie: eles podem intercruzar-se? Obviamente não podem se pertencer ao mesmo sexo, ou se for jovem ou velho demais, ou se ainda por acaso um deles for estéril. Mas essas são filigranas, minúcias fáceis de contornar. [...]” (Dawkins, 2009, p. 464).
“O critério do intercruzamento confere a uma espécie um status único na hierarquia dos níveis taxonômicos. Acima do nível da espécie, o gênero é apenas um grupo de espécies bem semelhantes uma das outras. Não existe nenhum critério objetivo para decidir quanto elas têm de ser semelhantes, e o mesmo se aplica a todos os níveis superiores: família, ordem, classe, filo e os vários nomes como “sub” ou “super” que entremeiam essas categorias. Abaixo do nível das espécies, “raças” e “subespécie” são classificações usadas de modo mais ou menos permutável, e também nesse caso inexistem critérios objetivos que nos permitam decidir se dois indivíduos devem ou não ser considerados membros de uma mesma raça e que nos digam quantas raças existem. E temos ainda, obviamente, a complicação adicional, ausente acima do nível das espécies, de que as raças se intercruzam: por isso existem muitos indivíduos de raça mista.” (Dawkins, 2009, p. 464)
“Presume-se que as espécies, em sua trajetória para se tornarem suficientemente separadas a ponto de não poder intercruzar-se, passam em geral por um estágio intermediário no qual são raças separadas. Raças distintas poderiam ser consideradas espécies em formação, exceto pelo fato de que não existe necessariamente a expectativa de que o processo continue até o seu final - a especiação.” (Dawkins, 2009, p. 464).
Existem quatro tipos de especiação que os evolucionistas identificam como as explicações mais prováveis:
No caso da especiação alopátrica, as fronteiras geográficas reais separam as espécies fisicamente. Um rio ou uma cordilheira, por exemplo, podem causar a divergência de uma espécie.
Na especiação parapátrica, uma espécie se espalha em áreas grandes com ambientes diversificados. Eles se adaptam a essas novas áreas e, gradualmente, tornam-se espécies distintas. Não há uma característica geográfica definida que separe esses animais; eles podem se tornar espécies distintas simplesmente por causa da distância entre os grupos.
A especiação peripátrica ocorre quando um pequeno grupo se isola do núcleo principal da espécie. Como esse grupo é apenas uma pequena parte da população total da espécie, todas as diferenças genéticas que tornam a espécie robusta podem estar ausentes. Isso constitui o que os biologistas evolucionários denominam efeito gargalo. Alguns dos genes que fluem dentro de uma espécie foram eliminados e separados do conjunto genético.
No caso da especiação simpátrica, os membros de uma espécie continuam vivendo lado a lado, mas separados em espécies diferentes.
Em cada um desses tipos de especiação, a espécie deve passar pelo processo de isolamento reprodutivo. Ora esse isolamento, por qual seja a causa, definiu características visuais capazes de identificar o que se convencionou chamar de raça zebuína, Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian etc.
O conceito da superioridade racial do povo alemão exaltada pelo nazismo hitleriano através da associação com a raça ariana (do sânscrito Arya = nobre) provocou traumas irreparáveis e profundos à Humanidade, dentre os quais as experiências genéticas de Josef Mengele, em Auschwitz. Isto de certa forma ascendeu a chama da Ética sobre a ciência levando a “questão raça” como algo destrutivo às relações sociais e humanas. Dawkins coloca o dedo na ferida:
“Todos nós podemos concordar tranquilamente em que a classificação racial dos humanos não tem valor social e é inegavelmente destrutiva para as relações sociais e humanas. Essa é uma das razões da minha objeção a assinalar alternativas em formulários e á discriminação nas seleções de emprego. Mas isso não significa que raça “praticamente não tem significância genética ou taxonômica”. É isso que Edwars está querendo dizer, e sua argumentação é que, por menor que seja a parcela racial na variação total, se as características raciais que existem forem altamente correlacionadas com outras características raciais, elas são por definição, informativas e, portanto, têm significância taxonômica.” (Dawkins, 2008, p. 472)
“Informativas têm aqui uma acepção bem precisa. Uma afirmação informativa é aquela que nos diz algo que desconhecíamos. O teor de informação existente em uma afirmação é medido pelo quanto ela reduz a incerteza prévia. Por sua vez, a redução da incerteza prévia é a medida com base na mudança das probabilidades. Isto nos dá um modo de tornar matematicamente preciso o conteúdo informativo de uma mensagem, mas não precisamos nos incomodar com isso. Se eu disser que João é do sexo masculino, você saberá de imediato uma porção de coisas sobre ele. Sua incerteza prévia sobre a forma de genitália de João será reduzida (embora não eliminada). Você saberá fatos que antes desconhecia a respeito dos cromossomos, dos hormônios e de outros aspectos da bioquímica desse indivíduo, e haverá uma redução quantitativa em sua incerteza prévia quanto ao tom de voz, a distribuição dos pelos faciais, da gordura corporal e da musculatura de João. [...]” (Dawkins, 2009, p. 473)
“Agora, a questão da raça. E se disser que Suzana é chinesa, em quanto a sua certeza prévia se reduzirá? Agora você apostará que ela tem cabelos lisos e pretos (ou que um dia foram preto), uma prega de pele epicântica na extremidade interna das sobrancelhas e mais algumas outras características.” (Dawkins, 2009, p. 473).
Se eu disser a um pecuarista que sou criador de Zebu, muitas das incertezas prévias com relação a mim serão reduzidas. Por exemplo, que crio gado de origem indiana, caracterizado pelos chifres e a giba. Se indagado se é “gir leiteiro” e eu digo não, crio Gir, mais incertezas reduzidas, ou seja, seus conhecimentos mostrarão que crio um animal que morfologicamente apresenta uma convexidade de crânio ao formato de um ovo; chifres saindo na linha dos olhos, para baixo e para trás, orelha em forma de cartucho com uma dobra acentuada na ponta, o gavião; olhos serpenteados; chanfro médio, narinas e bocas grandes, mucosas pigmentadas, barbela, cupim avantajado nos machos, e delicado nas fêmeas, ambos em forma de castanha; diversidade de pelagem, temperamento dócil, de andar sincopado onde os rastos dianteiros servem de referência aos traseiros; rabo fino e longo, onde a vassoura varre os rastos; cisterna (depósito animal de leite) acima dos jarretes, etc..
Por que essa definição por parte de meu interlocutor? Por ser este o padrão racial elaborado pelos Técnicos do Registro Genealógico para servir de referência ao julgamento para o registro efetivado a partir de 1938. Porque este foi o Gir que veio da índia. Provavelmente, criado pelo seu pai e por seu avô.
Suzana e o Gir foram incertezas prévias reduzidas na questão raça, em função da presença visual de caracteres por eles herdados presentes na maioria da população as quais pertencem e que, encontram-se armazenados no inconsciente coletivo.
Caracteres visuais que fogem ao padrão racial não podem ser considerados filigranas, algo sem importância, porque podem aparecer em progênies futuras. O mesmo se pode dizer aos animais efetivados através de cruzamentos absorventes. Nestes casos, especificamente, esse indivíduo volta a compor a classificação taxonômica contextualizada na espécie, que se isolada reprodutivamente, irão fixar esses caracteres dando origem a outro padrão visual, originando outra raça.
Com isso, qual a conclusão que se chega com relação ao padrão racial criado pelos selecionadores de “gir leiteiro”? Num primeiro plano, o retrocesso à classificação taxonômica denominada espécie, e, assim que efetivado esses caracteres através do isolamento reprodutivo de sua população, esse padrão será fixado criando assim uma nova raça que não a Gir.
Se esse padrão adveio através de cruzamentos absorventes com a espécie Bós Taurus taurus (européia) trata-se de um subproduto da raça Gir, obtido através do que se denomina cruzamento industrial, que também o exclui como raça Gir.
“O DNA mitocondrial também pode ser revelador, particularmente para padrões muito antigos. Se compararmos o DNA mitocondrial do leitor com o meu, poderemos determinar há quanto tempo eles compartilham uma mitocôndria ancestral. Como todos nós herdamos nossas mitocôndrias de nossa mãe, e, portanto, das avós maternas, bisavós maternas etc., as comparações mitocondriais podem nos dizer quando viveu nossa ancestral mais recente pela linha feminina. O mesmo pode ser feito com os cromossomos Y para determinar quando viveu nosso ancestral mais recente pela linha masculina, mas, por razões técnicas, isso não é fácil. A beleza do DNA do cromossomo Y e do DNA mitocondrial está em que nenhum deles é contaminado por mistura sexual. Isso facilita buscar a origem dessas classes especificas de ancestral.” (Dawkins, 2009, p. 77)
Na comparação do DNA mitocondrial e do cromossomo Y de dois “indivíduos ditos gir”, o que se pode determinar é o quanto de tempo que eles compartilham uma mitocôndria ancestral e quando viveu a ancestral mais recente pela linha feminina, o mesmo podendo ser feito com o cromossomo Y com relação à ancestralidade masculina.
Tomando como probabilidade de que toda espécie zebuína (Bos Taurus índicos) veio de uma ancestralidade comum, é pouco provável que o DNA mitocondrial e do cromossomo Y venham determinar sobre o fator racial.
Mais uma vez, o quesito raça passa a ser efetivado a partir de caracteres externos expressos em um indivíduo. O que se pode aferir através do DNA mitocondrial e do cromossomo Y é se esse indivíduo possui miscigenação entre as espécies Bós Taurus indicus e Bós Taurus taurus.
A importância do indivíduo é reconhecida pelos geneticistas, apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.
Como se pode ter reprodução e linhagem, esta no sentido de linha de parentesco ascendente e descendente, mas não hereditariedade? Essa é a lição que o fogo nos ensina.
“A verdadeira hereditariedade significaria a herança não do fogo em si, mas das variações entre os fagos. Alguns são mais amarelos, outros mais avermelhados. Alguns rugem, outros crepitam, outros ainda sibilam, soltam fumaça, cospem. Há os que possuem laivos de azul ou verde nas chamas. Nossos ancestrais, caso tenham estudados seus lobos domesticados, hão de ter notado uma diferença reveladora entre as linhagens de cães e linhagens de fogo. Nos cães, semelhante gera semelhante. Pelo menos parte que distingue um cão de outro é transmitida por seus pais. É obvio que existem também as influências externas: alimentação, doenças e acidentes. No caso do fogo, todas as variações provêm do meio, nenhum descendente de uma fagulha progenitora. As variações resultam da qualidade e umidade do combustível, da direção e força do vento, da tiragem da lareira, do solo, de vestígios de cobre e potássio que adicionam toques verde-azulados e lilases à chama amarela do sódio. Em contraste com o cão, nada na qualidade de um fogo adulto chega por intermédio da fagulha que o originou. Fogos azuis não geram fogos azuis. Fogos crepitantes não herdam a crepitação do fogo-pai que cuspiu sua fagulha iniciadora. Os fogos apresentam reprodução sem hereditariedade.” (Dawkins, 2009, p.646).
“A história é a majestosa Torre da Experiência que o tempo erigiu no espaço infindo dos anos decorridos. Não é fácil tarefa alcançar o cimo desse antigo edifício e gozar da vista dum panorama completo; não há ali elevador, mas os moços têm os pés fortes e podem tentar-lhe a ascensão. Aqui vos dou a chave que vós abrirá a porta. Quando voltardes, compreendereis a razão do meu entusiasmo”. (Loon, 1953, p. 9)
Referências Bibliográficas
Dawkins, Richard. A grande história da evolução: na trilha dos nossos ancestrais / Richard Dawkins ; com colaboração de Yan Wong ; tradução Laura Teixeira Motta. – São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Loo, Hendrick Willen Van. História da Humanidade / Hendrick Willen Van Loo ; Tradução Marina Guaspari. – Porto Alegre, 1953.
Luiz Humberto Carrião
Publicado no www.girpontocom.blogspot.com em 4/junho/2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Por que precisamos do Código Florestal
Por que precisamos do Código Florestal
Por Rui Prado
Não é novidade para ninguém que as entidades que representam a agropecuária brasileira anseiam fortemente pela aprovação do novo texto do Código Florestal pela Câmara dos Deputados. O que ainda pode não ter sido disseminado devidamente é o conjunto de motivos que nos levam a pedir a aprovação.
Em primeiro lugar, é salutar que uma legislação criada há mais de 40 anos passe por uma atualização, a fim de dar conta da realidade contemporânea nacional. Defendemos também a definição de regras claras sobre a questão ambiental, sob pena de continuarmos em uma atividade pujante, marcada pelo desenvolvimento tecnológico e pela busca da sustentabilidade, mas limitada por um cenário de insegurança jurídica.
O primeiro ponto a se destacar é que as entidades rurais não defendem o desmatamento ilegal. Exigimos o respeito à lei, e endentemos que, se a legislação permite o desmatamento em determinadas condições, ele pode ser efetuado. Dentro da lei. Agora, os desmates feitos para a abertura de área destinada à produção agropecuária que extrapolem os limites da lei são crimes e devem ser fiscalizados e punidos.
Corrobora para isso o entendimento de que hoje dispomos de uma extensão de área suficiente para manter e até mesmo ampliar a produção de alimentos para o mundo. Hoje, o moderno produtor rural sabe que o caminho para o desenvolvimento na produção não passa pela expansão de áreas, mas sim pela adoção de tecnologias produtivas que permitem o aumento da produtividade em uma mesma extensão de terra. Esse caminho implica em outras bandeiras de luta do setor rural: logística eficiente, financiamento e subsídios para pequenos e médios produtores e o incentivo à pesquisa.
O texto atual do Código Florestal, se aprovado, irá beneficiar principalmente os pequenos e médios produtores, que têm mais dificuldade para se adaptar à legislação ambiental, por questões financeiras. Esse aspecto coincide exatamente com o perfil do público atendido e representado pela Famato, já que 37% de nossa “clientela” são formados por produtores rurais com área de até dois módulos fiscais.
Também é preciso deixar claro que não discutimos anistia de crime ambiental. O que o novo texto da lei prevê é que multas administrativas sejam substituídas por obrigações de regularização, como foi definido pelo Decreto Federal 7.029, de dezembro de 2009. Áreas de produção consolidadas até 22 de julho de 2008 que tiverem irregularidades terão suas multas e demais sanções suspensas até que o Governo Federal defina as regras do Plano de Regularização Ambiental (PRA). Quem tiver multa para pagar mas conseguir cumprir o PRA terá os valores suspensos. Quem não cumprir o PRA terá que pagar as multas. Se esse PRA não tiver sido definido em cinco anos, as propriedades com irregularidades deverão ser ajustadas conforme e lei federal vigente, com o agravamento da situação criminal.
Nossa maior preocupação é com o futuro de nosso país. Sem a definição de um novo Código Florestal, teremos 90% das propriedades rurais do Brasil na ilegalidade a partir de 11 de junho de 2011, quando vence a prorrogação do prazo da Reserva Legal, previsto no Decreto 6.514, de 2008. Não haverá terra suficiente para compensar a reserva legal fora das propriedades. Será preciso suspender a produção em várias regiões. Na prática, isso poderá significar prejuízos ou a inviabilidade da produção de arroz no Rio Grande do Sul, de café no Espírito Santo e no sul de Minas Gerais, das plantações de maçã em Santa Catarina, de 90% da cana-de-açúcar do nordeste, de toda a produção de uva do Rio Grande do Sul, de 70% da bacia leiteira de Minas Gerais e a pecuária no Pantanal.
Além do risco de desabastecimento, poderemos ter aumento de preços, e como consequência uma inflação maior e uma série de impactos negativos decorrentes: menos empregos, menos excedente para ser exportado e redução no PIB nacional.
Queremos continuar em nossa atividade de forma legal e limpa. Precisamos de regras claras e justas. Precisamos do Código Florestal para continuar em nossa função social de produzir alimentos e contribuir para a economia e para a qualidade de vida da população brasileira.
Rui Prado
Presidente do Sistema Famato e produtor rural
Fonte: http://www.canaldoprodutor.com.br/comunicacao/artigos/por-que-precisamos-do-codigo-florestal acessado aos 19/05/2011
Por Rui Prado
Não é novidade para ninguém que as entidades que representam a agropecuária brasileira anseiam fortemente pela aprovação do novo texto do Código Florestal pela Câmara dos Deputados. O que ainda pode não ter sido disseminado devidamente é o conjunto de motivos que nos levam a pedir a aprovação.
Em primeiro lugar, é salutar que uma legislação criada há mais de 40 anos passe por uma atualização, a fim de dar conta da realidade contemporânea nacional. Defendemos também a definição de regras claras sobre a questão ambiental, sob pena de continuarmos em uma atividade pujante, marcada pelo desenvolvimento tecnológico e pela busca da sustentabilidade, mas limitada por um cenário de insegurança jurídica.
O primeiro ponto a se destacar é que as entidades rurais não defendem o desmatamento ilegal. Exigimos o respeito à lei, e endentemos que, se a legislação permite o desmatamento em determinadas condições, ele pode ser efetuado. Dentro da lei. Agora, os desmates feitos para a abertura de área destinada à produção agropecuária que extrapolem os limites da lei são crimes e devem ser fiscalizados e punidos.
Corrobora para isso o entendimento de que hoje dispomos de uma extensão de área suficiente para manter e até mesmo ampliar a produção de alimentos para o mundo. Hoje, o moderno produtor rural sabe que o caminho para o desenvolvimento na produção não passa pela expansão de áreas, mas sim pela adoção de tecnologias produtivas que permitem o aumento da produtividade em uma mesma extensão de terra. Esse caminho implica em outras bandeiras de luta do setor rural: logística eficiente, financiamento e subsídios para pequenos e médios produtores e o incentivo à pesquisa.
O texto atual do Código Florestal, se aprovado, irá beneficiar principalmente os pequenos e médios produtores, que têm mais dificuldade para se adaptar à legislação ambiental, por questões financeiras. Esse aspecto coincide exatamente com o perfil do público atendido e representado pela Famato, já que 37% de nossa “clientela” são formados por produtores rurais com área de até dois módulos fiscais.
Também é preciso deixar claro que não discutimos anistia de crime ambiental. O que o novo texto da lei prevê é que multas administrativas sejam substituídas por obrigações de regularização, como foi definido pelo Decreto Federal 7.029, de dezembro de 2009. Áreas de produção consolidadas até 22 de julho de 2008 que tiverem irregularidades terão suas multas e demais sanções suspensas até que o Governo Federal defina as regras do Plano de Regularização Ambiental (PRA). Quem tiver multa para pagar mas conseguir cumprir o PRA terá os valores suspensos. Quem não cumprir o PRA terá que pagar as multas. Se esse PRA não tiver sido definido em cinco anos, as propriedades com irregularidades deverão ser ajustadas conforme e lei federal vigente, com o agravamento da situação criminal.
Nossa maior preocupação é com o futuro de nosso país. Sem a definição de um novo Código Florestal, teremos 90% das propriedades rurais do Brasil na ilegalidade a partir de 11 de junho de 2011, quando vence a prorrogação do prazo da Reserva Legal, previsto no Decreto 6.514, de 2008. Não haverá terra suficiente para compensar a reserva legal fora das propriedades. Será preciso suspender a produção em várias regiões. Na prática, isso poderá significar prejuízos ou a inviabilidade da produção de arroz no Rio Grande do Sul, de café no Espírito Santo e no sul de Minas Gerais, das plantações de maçã em Santa Catarina, de 90% da cana-de-açúcar do nordeste, de toda a produção de uva do Rio Grande do Sul, de 70% da bacia leiteira de Minas Gerais e a pecuária no Pantanal.
Além do risco de desabastecimento, poderemos ter aumento de preços, e como consequência uma inflação maior e uma série de impactos negativos decorrentes: menos empregos, menos excedente para ser exportado e redução no PIB nacional.
Queremos continuar em nossa atividade de forma legal e limpa. Precisamos de regras claras e justas. Precisamos do Código Florestal para continuar em nossa função social de produzir alimentos e contribuir para a economia e para a qualidade de vida da população brasileira.
Rui Prado
Presidente do Sistema Famato e produtor rural
Fonte: http://www.canaldoprodutor.com.br/comunicacao/artigos/por-que-precisamos-do-codigo-florestal acessado aos 19/05/2011
domingo, 15 de maio de 2011
Votação do Código Florestal pode ficar para junho
Votação do Código Florestal pode ficar para junho
PMDB ameaça boicotar projetos do governo, que pressionará produtores com fim de prazo
Um cálculo equivocado do Planalto durante a votação do Código Florestal rachou a base governista e suspendeu por tempo indeterminado a análise da reforma ambiental. Após salvar o governo de uma derrota, o PMDB ameaça agora um boicote aos projetos de interesse do governo enquanto não for encontrada uma solução para o Código.
Ao final de uma tumultuada sessão na madrugada de quinta, na qual governo e oposição trocaram insultos e provocações, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), convocou uma nova sessão para a próxima terça-feira. No entanto, é pouco provável que o Planalto retome as negociações na próxima semana. Aproveitando que Maia estará em viagem à Coreia do Sul e o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), irá à Rússia, o governo federal tentará adiar mais uma vez a votação.
A nova estratégia do Planalto é empurrar a apreciação do código para junho, para coagir os produtores rurais com a aproximação do fim do decreto que suspende a cobrança de multas ambientais, válido até o dia 11.
O primeiro sinal da manobra governista veio à tona ainda na madrugada de quinta quando Maia alertou que só recolocará o projeto em pauta novamente se houver um compromisso de todos os partidos de concluir a votação.
– Só vai de fato acontecer a votação se nós tivermos a garantia e a certeza de que há um acordo – condicionou Maia.
O fracasso governista se deu por conta da intransigência do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Após passar a terça-feira costurando uma manobra para manter as atividades agropecuárias em Áreas de Proteção Permanente (APP), o ministro se irritou ao identificar no relatório uma brecha para contemplar todos os produtores rurais.
Na quarta, dia 12, Palocci rasgou o acordo e deu prazo até o meio-dia para que o relator do texto, Aldo Rebelo (PC do B-SP), reescrevesse o artigo.
Diante do risco de derrota, um recuo atabalhoado
Feitas as mudanças, o Planalto celebrava uma vitória antecipada. No entanto, líderes da oposição e ruralistas concebiam uma emenda regularizando as áreas consolidadas.
No plenário, o deputado Osmar Terra (PMDB-RS) advertiu o seu partido de que os 14 integrantes de sua ala votariam a favor da emenda oposicionista. O recado mostrou que a votação estava a perigo. Simultaneamente, outros líderes aliados passaram a ameaçar novas defecções na base.
Sem desgrudar do celular conectado à Casa Civil, o líder do governo se deu conta, por volta das 23h, de que seria derrotado em plenário e ordenou um recuo atabalhoado.
– Detectei um movimento no plenário para derrotar o governo – justificou, sob vaias do plenário.
ZERO HORA
Fonte: http://www.canalrural.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&id=3309564§ion=noticias acesso aos 15/05/2011
PMDB ameaça boicotar projetos do governo, que pressionará produtores com fim de prazo
Um cálculo equivocado do Planalto durante a votação do Código Florestal rachou a base governista e suspendeu por tempo indeterminado a análise da reforma ambiental. Após salvar o governo de uma derrota, o PMDB ameaça agora um boicote aos projetos de interesse do governo enquanto não for encontrada uma solução para o Código.
Ao final de uma tumultuada sessão na madrugada de quinta, na qual governo e oposição trocaram insultos e provocações, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), convocou uma nova sessão para a próxima terça-feira. No entanto, é pouco provável que o Planalto retome as negociações na próxima semana. Aproveitando que Maia estará em viagem à Coreia do Sul e o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), irá à Rússia, o governo federal tentará adiar mais uma vez a votação.
A nova estratégia do Planalto é empurrar a apreciação do código para junho, para coagir os produtores rurais com a aproximação do fim do decreto que suspende a cobrança de multas ambientais, válido até o dia 11.
O primeiro sinal da manobra governista veio à tona ainda na madrugada de quinta quando Maia alertou que só recolocará o projeto em pauta novamente se houver um compromisso de todos os partidos de concluir a votação.
– Só vai de fato acontecer a votação se nós tivermos a garantia e a certeza de que há um acordo – condicionou Maia.
O fracasso governista se deu por conta da intransigência do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Após passar a terça-feira costurando uma manobra para manter as atividades agropecuárias em Áreas de Proteção Permanente (APP), o ministro se irritou ao identificar no relatório uma brecha para contemplar todos os produtores rurais.
Na quarta, dia 12, Palocci rasgou o acordo e deu prazo até o meio-dia para que o relator do texto, Aldo Rebelo (PC do B-SP), reescrevesse o artigo.
Diante do risco de derrota, um recuo atabalhoado
Feitas as mudanças, o Planalto celebrava uma vitória antecipada. No entanto, líderes da oposição e ruralistas concebiam uma emenda regularizando as áreas consolidadas.
No plenário, o deputado Osmar Terra (PMDB-RS) advertiu o seu partido de que os 14 integrantes de sua ala votariam a favor da emenda oposicionista. O recado mostrou que a votação estava a perigo. Simultaneamente, outros líderes aliados passaram a ameaçar novas defecções na base.
Sem desgrudar do celular conectado à Casa Civil, o líder do governo se deu conta, por volta das 23h, de que seria derrotado em plenário e ordenou um recuo atabalhoado.
– Detectei um movimento no plenário para derrotar o governo – justificou, sob vaias do plenário.
ZERO HORA
Fonte: http://www.canalrural.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&id=3309564§ion=noticias acesso aos 15/05/2011
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