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domingo, 1 de abril de 2012
Teoria da Aparência - Compra e Venda de gado
"Civil e Comercial. Compra e venda de gado. Contrato “FICA”. Relação de
trabalho. Mandato Mercantil. Teoria da aparência. Recurso desacolhido. O
pecuarista que de forma habitual compra e vende gado com objetivo de lucro
qualifica-se como comerciante, ficando, nessa condição, obrigado por alienação de bovinos realizada pelo gerente-geral da fazenda a terceiros de boa-fé. O contrato de trabalho, além de constituir e estabelecer as condições do vínculo empregatício, pode, quando celebrado entre comerciante (empregador) e comerciário (empregado), revestir-se de natureza híbrida (laboral e comercial), consubstanciando também mandato mercantil. A teoria da aparência mostra-se aplicável nos casos em que vendedor, gerente ou pessoa equiparada, por expressa ou tácita permissão do comerciante, vende mercadorias, salvo se comprovado erro inescusável ou má-fé do adquirente. REsp 12.811-MS."
sexta-feira, 29 de julho de 2011
FERTILIZAÇÃO IN VITRO
Artigo do Dr. Carlos Eduardo Gomez Martin:
A Fertilização in Vitro (FIV) é uma biotecnologia onde todos os processos fisiológicos: maturação folicular, fertilização e desenvolvimento embrionário são obtidos em laboratório (in vitro), fora do útero animal, ao contrário da clássica Transferência de Embriões (TE).
O primeiro terneiro resultante desta técnica nasceu em junho de 1981 nos EUA – Bracckett et al (1982). A produção de embriões in vitro (PIV) começa com a aspiração dos ovários das doadoras para coleta de ovócitos (óvulos imaturos aspirados com auxilio do aparelho de ultrasonografia). A coleta pode ser feita em animais de diferentes idades: pré-púberes (10 meses), púberes, adultos e senis; e nas mais diversas condições reprodutivas tais como: animais gestantes (até o 4° meses de gestação), animais com problemas reprodutivos adquiridos, fêmeas que não respondem aos processos normais de superovulação e etc. Em casos de morte súbita e ou sacrifício às fêmeas de alto valor zootécnico, poderão ter seus os ovários, imediatamente após a morte, retirados e enviados ao laboratório para que o processo de PIV seja iniciado com o objetivo de em uma última tentativa conseguir embriões e prenhes desta fêmea.
Posteriormente a coleta dos ovócitos estes passarão por um processos denominado de, maturação in vitro (MIV) seguidos pela fertilização in vitro 24h depois da punção dos foliculos (inseminação FIV) e depois cultivados por 7 dias em ambiente controlado de temperatura, umidade e quantidade de CO2 (estufas). Os embriões obtidos são classificados de acordo com a IETS (sociedade internacional de transferência de embriões) e os viáveis (aptos a produzirem uma prenhes) transferidos às receptoras.
Esta técnica permite ainda a obtenção de um grande avanço genético, através da coleta em animais pré-púberes, pela diminuição do intervalo entre gerações e ou pela rapidez na produção de descendentes. De uma mesma doadora poderão ser coletados em média 10 ovócitos por seção, onde 8 deles serão maturados, fertilizados e cultivados in vitro atingindo assim, aos 7 dias, o estágio próprio para a transferência. Neste momento ele é transferido a uma receptora previamente sincronizada obtendo-se então uma prenhes por vaca a cada seção também confirmada com o ultra-som aos 30 e 45 dias de gestação. As seções de punção podem ser repetidas a cada quinze dias, sem causar dano algum a fêmea doadora. A técnica permite o uso de uma única dose de sêmen para varias doadoras e não faz uso de hormônios (superovulação). Alguns animais podem produzir mais embriões/punção e por conseqüência mais prenhes por seção de punção. A cada dez embriões transferidos para as receptoras (barriga de aluguel), 40% vão levar a gestação a termo.
A Fertilização in Vitro (FIV) é uma biotecnologia onde todos os processos fisiológicos: maturação folicular, fertilização e desenvolvimento embrionário são obtidos em laboratório (in vitro), fora do útero animal, ao contrário da clássica Transferência de Embriões (TE).
O primeiro terneiro resultante desta técnica nasceu em junho de 1981 nos EUA – Bracckett et al (1982). A produção de embriões in vitro (PIV) começa com a aspiração dos ovários das doadoras para coleta de ovócitos (óvulos imaturos aspirados com auxilio do aparelho de ultrasonografia). A coleta pode ser feita em animais de diferentes idades: pré-púberes (10 meses), púberes, adultos e senis; e nas mais diversas condições reprodutivas tais como: animais gestantes (até o 4° meses de gestação), animais com problemas reprodutivos adquiridos, fêmeas que não respondem aos processos normais de superovulação e etc. Em casos de morte súbita e ou sacrifício às fêmeas de alto valor zootécnico, poderão ter seus os ovários, imediatamente após a morte, retirados e enviados ao laboratório para que o processo de PIV seja iniciado com o objetivo de em uma última tentativa conseguir embriões e prenhes desta fêmea.
Posteriormente a coleta dos ovócitos estes passarão por um processos denominado de, maturação in vitro (MIV) seguidos pela fertilização in vitro 24h depois da punção dos foliculos (inseminação FIV) e depois cultivados por 7 dias em ambiente controlado de temperatura, umidade e quantidade de CO2 (estufas). Os embriões obtidos são classificados de acordo com a IETS (sociedade internacional de transferência de embriões) e os viáveis (aptos a produzirem uma prenhes) transferidos às receptoras.
Esta técnica permite ainda a obtenção de um grande avanço genético, através da coleta em animais pré-púberes, pela diminuição do intervalo entre gerações e ou pela rapidez na produção de descendentes. De uma mesma doadora poderão ser coletados em média 10 ovócitos por seção, onde 8 deles serão maturados, fertilizados e cultivados in vitro atingindo assim, aos 7 dias, o estágio próprio para a transferência. Neste momento ele é transferido a uma receptora previamente sincronizada obtendo-se então uma prenhes por vaca a cada seção também confirmada com o ultra-som aos 30 e 45 dias de gestação. As seções de punção podem ser repetidas a cada quinze dias, sem causar dano algum a fêmea doadora. A técnica permite o uso de uma única dose de sêmen para varias doadoras e não faz uso de hormônios (superovulação). Alguns animais podem produzir mais embriões/punção e por conseqüência mais prenhes por seção de punção. A cada dez embriões transferidos para as receptoras (barriga de aluguel), 40% vão levar a gestação a termo.
domingo, 19 de junho de 2011
1° FORUM ZEBU LEITEIRO
Será realizado pela equipe da ABCZ que coordena o PMGZ - Leite - e aberto ao público.
Seguem os temas a serem debatidos: avaliação genética, aptidão leiteira do zebu, metodologia de controle leiteiro, qualidade do leite, genômica, sustentabilidade e demanda internacional.
Estão confirmados na composição da mesa Aníbal Vercessi (ABCGIL/APTA), Beatriz Cordenonsi Lopes (Pólo de Excelência em Genética Bovina/EPAMIG), Carlos Henrique Cavallari Machado (ABCZ), Ice Cristina Cadette Garbelline (ABCZ/Brazilian Cattle), Maria Gabriela Peixoto (Embrapa Gado de Leite) e Vania Maldini Pena (UFMG/CBMG).
O encontro está marcado para o dia 30 de junho, durante a Megaleite 2011, na Sala do Mérito ABCZ, às 17h.
Créditos da notícia aqui compartilhada à Luiz Humberto Carrião.
Seguem os temas a serem debatidos: avaliação genética, aptidão leiteira do zebu, metodologia de controle leiteiro, qualidade do leite, genômica, sustentabilidade e demanda internacional.
Estão confirmados na composição da mesa Aníbal Vercessi (ABCGIL/APTA), Beatriz Cordenonsi Lopes (Pólo de Excelência em Genética Bovina/EPAMIG), Carlos Henrique Cavallari Machado (ABCZ), Ice Cristina Cadette Garbelline (ABCZ/Brazilian Cattle), Maria Gabriela Peixoto (Embrapa Gado de Leite) e Vania Maldini Pena (UFMG/CBMG).
O encontro está marcado para o dia 30 de junho, durante a Megaleite 2011, na Sala do Mérito ABCZ, às 17h.
Créditos da notícia aqui compartilhada à Luiz Humberto Carrião.
GIRGOIÁS tem novo presidente, Luiz Alberto de Paula e Souza
Poder não se entrega! Quantas vezes ouvi essa frase. Inúmeras. Esse é o pensamento daqueles que trazem consigo a idéia de que sempre estão fazendo o melhor de si dentro de um projeto, ou mesmo, por parte de outros que o utilizam como um palco para sua sobrevivência política.
Depois de Einstein tudo se relativizou. Inclusive a verdade de cada um. O grande legado grego, a democracia, avança de maneira firme e segura entre as sociedades humanas. Quiçá, esse seja o grande marco na História humana desde seu aparecimento. Conviver harmonicamente dentro de instituições humanas tem sido o grande desafio.
Se por um lado o poder engravida, por outro o sofrimento faz parir. A condição de parturiente muita das vezes leva o homem expressar “seus instintos mais selvagens”, e daí uma indagação: o que é pior, a violência da vingança ou a hipocrisia do perdão? Nenhuma das duas. O avanço democrático não exige nem a vingança ou menos o perdão. Exige sim, maturidade em busca do que é melhor e mais real para o projeto que se deseja.
A oposição existe não para deflagrar uma prática destrutiva a um processo em andamento, e sim, criticar erros ao tempo em que aponta para os acertos e, principalmente, trazer aos cidadãos opção de escolha. A alternância de poder contextualizada no modelo democrático é o caminho que evita os dissabores das truculências que maculam a História.
Ontem, 16, definiram o comando da GIRGOIÁS para o próximo biênio. Instituição que trouxe no seu Teste de Progênie oportunidade a touros que não tivessem parentesco com animais já avaliados em outro teste. Houve derrapagens? Sim. Houve desentendimento sobre a execução do mesmo? Sim. Mas a necessidade de trazê-lo à filosofia ao qual foi criado se impôs. Isso é o mais importante. O momento é de muita responsabilidade dos que entram e não menos diferentes com relação aos que saem.
Aberta da Assembléia Geral Ordinária, foi delegada ao então presidente, senhor Rosimar Silva, a presidência da mesma, que, fazendo uso da palavra discorreu sobre o Teste de Progênie GIRGOIÁS desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Gir (ASSOGIR) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), com o apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
Depois passou à prestação de contas, discorrendo sobre as dificuldades financeiras em que recebeu a instituição de seu antecessor, principalmente, no que diz respeito aos encargos federais, e que, nesse momento a deixava numa condição extraordinária sob o aspecto financeiro, a ponto de ser feita uma observação por um dos presentes “como sendo uma coisa inédita no Brasil”. Todavia, embora com o parecer favorável do Conselho Fiscal da entidade, não se chegou a um denominador comum sobre a aprovação das contas referentes ao período que ali se encerrava. Foi então que um dos associados presentes, doutor Eni Cabral sugeriu, no que foi acatado de maneira unânime pela Assembléia, de que fosse a prestação de contas aprovada em outra Assembléia Extraordinária, uma vez que os balanços referentes aos dois últimos meses ainda se encontravam em aberto.
Num terceiro momento colocou-se em votação, por aclamação, por se tratar de uma única Chapa “Alberto Pereira Nunes Filho” que, pela manifestação dos presentes alcançará 100% de aprovação, elegendo como presidente Luiz Alberto de Paula e Souza.
O ex-presidente fez os agradecimentos aos seus diretores e funcionários, passando a palavra ao presidente eleito, que iniciou seu discurso agradecendo aos presentes, conclamando a todos para estarem juntos nessa caminhada, pois o objetivo é único, o Gir. Afirmou estar ali como presidente de todos os criadores de Gir de Goiás extensivo a todos os criadores brasileiros através do Teste de Progênie, que hoje é uma realidade, e com os projetos em andamentos como o MOET (Multiplication Ovulation Embryo Transfer) e a Prova de Produção de Leite.
Luiz Humberto Carrião
Depois de Einstein tudo se relativizou. Inclusive a verdade de cada um. O grande legado grego, a democracia, avança de maneira firme e segura entre as sociedades humanas. Quiçá, esse seja o grande marco na História humana desde seu aparecimento. Conviver harmonicamente dentro de instituições humanas tem sido o grande desafio.
Se por um lado o poder engravida, por outro o sofrimento faz parir. A condição de parturiente muita das vezes leva o homem expressar “seus instintos mais selvagens”, e daí uma indagação: o que é pior, a violência da vingança ou a hipocrisia do perdão? Nenhuma das duas. O avanço democrático não exige nem a vingança ou menos o perdão. Exige sim, maturidade em busca do que é melhor e mais real para o projeto que se deseja.
A oposição existe não para deflagrar uma prática destrutiva a um processo em andamento, e sim, criticar erros ao tempo em que aponta para os acertos e, principalmente, trazer aos cidadãos opção de escolha. A alternância de poder contextualizada no modelo democrático é o caminho que evita os dissabores das truculências que maculam a História.
Ontem, 16, definiram o comando da GIRGOIÁS para o próximo biênio. Instituição que trouxe no seu Teste de Progênie oportunidade a touros que não tivessem parentesco com animais já avaliados em outro teste. Houve derrapagens? Sim. Houve desentendimento sobre a execução do mesmo? Sim. Mas a necessidade de trazê-lo à filosofia ao qual foi criado se impôs. Isso é o mais importante. O momento é de muita responsabilidade dos que entram e não menos diferentes com relação aos que saem.
Aberta da Assembléia Geral Ordinária, foi delegada ao então presidente, senhor Rosimar Silva, a presidência da mesma, que, fazendo uso da palavra discorreu sobre o Teste de Progênie GIRGOIÁS desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Gir (ASSOGIR) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), com o apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
Depois passou à prestação de contas, discorrendo sobre as dificuldades financeiras em que recebeu a instituição de seu antecessor, principalmente, no que diz respeito aos encargos federais, e que, nesse momento a deixava numa condição extraordinária sob o aspecto financeiro, a ponto de ser feita uma observação por um dos presentes “como sendo uma coisa inédita no Brasil”. Todavia, embora com o parecer favorável do Conselho Fiscal da entidade, não se chegou a um denominador comum sobre a aprovação das contas referentes ao período que ali se encerrava. Foi então que um dos associados presentes, doutor Eni Cabral sugeriu, no que foi acatado de maneira unânime pela Assembléia, de que fosse a prestação de contas aprovada em outra Assembléia Extraordinária, uma vez que os balanços referentes aos dois últimos meses ainda se encontravam em aberto.
Num terceiro momento colocou-se em votação, por aclamação, por se tratar de uma única Chapa “Alberto Pereira Nunes Filho” que, pela manifestação dos presentes alcançará 100% de aprovação, elegendo como presidente Luiz Alberto de Paula e Souza.
O ex-presidente fez os agradecimentos aos seus diretores e funcionários, passando a palavra ao presidente eleito, que iniciou seu discurso agradecendo aos presentes, conclamando a todos para estarem juntos nessa caminhada, pois o objetivo é único, o Gir. Afirmou estar ali como presidente de todos os criadores de Gir de Goiás extensivo a todos os criadores brasileiros através do Teste de Progênie, que hoje é uma realidade, e com os projetos em andamentos como o MOET (Multiplication Ovulation Embryo Transfer) e a Prova de Produção de Leite.
Luiz Humberto Carrião
segunda-feira, 13 de junho de 2011
“O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto”
“O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto”
Trazida de sua origem, na Índia, a raça Gir tem chamado a atenção por sua distinção entre as demais raças zebuínas (Bos Taurus indicus).
A proposta de uma seleção artificial condenando o padrão de pureza de origem levantou aqueles que desejam preservá-la em sua essência a futuras gerações. Aqui vai mais uma contribuição do Blog WWW.girpontocom.blogspot.com a essa discussão.
Fenótipo é aquilo que é influenciado por genes. Ou seja, na prática, tudo o que diz respeito a um corpo. Mas há uma sutileza de ênfase, decorrente da etimologia da palavra. “Phaino” é palavra grega que significa “mostrar”, “trazer à luz”, “evidenciar”, “exibir”, “descobrir”, “revelar”, “manifestar”. O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto. O Oxford English Dictionary define genótipo como “o total das características observáveis de um indivíduo, visto como a conseqüência da interação de seu genótipo com o seu meio”, mas antes desta definição apresenta outra, mais sutil: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. (Dawkins, p. 230).
Em evolução torna-se inaceitável a ideia de uma raça advir de uma criação unilateral, e sim, dos cruzamentos entre os espécimes, o que nega inclusive o conceito de raça pura. “O que importa no sentido darwiniano é que diferenças entre os genes se traduzem em diferenças entre fenótipos. A seleção natural só quer saber de diferenças. E, de modo análogo, são as diferenças que interessam aos geneticistas”.
Lembremos a definição mais “sutil” de fenótipo dada pelo Oxford English Dictionary: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. A palavra chave é “distinguível”. (Dawkins, p.233).
Os cientistas quando começaram a estudar a vida, o fizeram pelo seu aspecto mais evidente, os organismos. Eventualmente descobriu os genes, aos quais atribuíram o papel de ajudar o corpo no processo de reprodução. Certo? Não! Errado. Os genes criam o corpo para ajudá-lo no processo de reprodução. A importância do indivíduo, reconhecida pelos geneticistas, é apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.
Luiz Humberto Carrião
Trazida de sua origem, na Índia, a raça Gir tem chamado a atenção por sua distinção entre as demais raças zebuínas (Bos Taurus indicus).
A proposta de uma seleção artificial condenando o padrão de pureza de origem levantou aqueles que desejam preservá-la em sua essência a futuras gerações. Aqui vai mais uma contribuição do Blog WWW.girpontocom.blogspot.com a essa discussão.
Fenótipo é aquilo que é influenciado por genes. Ou seja, na prática, tudo o que diz respeito a um corpo. Mas há uma sutileza de ênfase, decorrente da etimologia da palavra. “Phaino” é palavra grega que significa “mostrar”, “trazer à luz”, “evidenciar”, “exibir”, “descobrir”, “revelar”, “manifestar”. O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto. O Oxford English Dictionary define genótipo como “o total das características observáveis de um indivíduo, visto como a conseqüência da interação de seu genótipo com o seu meio”, mas antes desta definição apresenta outra, mais sutil: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. (Dawkins, p. 230).
Em evolução torna-se inaceitável a ideia de uma raça advir de uma criação unilateral, e sim, dos cruzamentos entre os espécimes, o que nega inclusive o conceito de raça pura. “O que importa no sentido darwiniano é que diferenças entre os genes se traduzem em diferenças entre fenótipos. A seleção natural só quer saber de diferenças. E, de modo análogo, são as diferenças que interessam aos geneticistas”.
Lembremos a definição mais “sutil” de fenótipo dada pelo Oxford English Dictionary: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. A palavra chave é “distinguível”. (Dawkins, p.233).
Os cientistas quando começaram a estudar a vida, o fizeram pelo seu aspecto mais evidente, os organismos. Eventualmente descobriu os genes, aos quais atribuíram o papel de ajudar o corpo no processo de reprodução. Certo? Não! Errado. Os genes criam o corpo para ajudá-lo no processo de reprodução. A importância do indivíduo, reconhecida pelos geneticistas, é apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.
Luiz Humberto Carrião
sábado, 11 de junho de 2011
EM TEMPO, O TEMPO FAZ JUSTIÇA AO GIR
Certa vez, o físico norte-americano John Wheeler sugeriu que “o tempo é aquilo que impede que tudo aconteça de uma só vez”.
Quiçá, esta citação seja uma maneira de me justificar o porquê de não haver defendido a raça Gir através de uma argumentação científica há um tempo em que, o senso comum prevalecia sobre o caráter científico nas concessões que o Serviço de Registro Genealógico das raças zebuínas abria à vertente leiteira.
O tempo nos tem conduzido a todo tempo a busca de questões expressas pela razão sobre nossas posições. Às vezes o tempo exige tempo para o amadurecimento do entendimento.
A questão dicotonômica na raça Gir pouco me interessou até o momento em que a literatura agregou aos poucos conhecimentos que tinha sobre a raça de que, fenotipicamente, era única entre os zebuínos. O porquê disso? Foi então que me interessei a estudá-la, tomando por base a literatura existente e os conhecimentos de criadores pioneiros, levando-me a optar por um rebanho “puro de origem”.
A defesa desse padrão “puro de origem” se expressa na não concordância da criação de um novo padrão racial no Brasil, como se houvesse a possibilidade da existência de duas raças Gir. Padrão este, totalmente descaracterizado daquele estabelecido quando do início da escrituração zootécnica da raça pelo SRG/MAPA/ABCZ. Também, à tentativa dos criadores desse novo padrão em colocar “pureza de raça” como sinônima de “pureza de origem” para justificar a descaracterização de seus animais. E nesse quesito, é sabido que existe uma diferença reveladora entre as expressões. E não poderia ficar de fora dessas justificativas, incursões artificiais e falácias no processo de produção leiteira da raça, e mesmo, a defesa daqueles que consomem e nela acreditam.
Apesar de o tempo ter se atrasado no tempo, uma luz é acesa. Nunca acreditei na existência da escuridão, e sim, na ausência de luz.
A exigência do SRG/MAPA/ABCZ sobre o padrão racial estabelecido através de animais “puros de origem” indiana, isto é, zebuínos não deixa de ser uma luz. Aliás, que luz! Mas isso é só o primeiro passo diante da caminhada que temos pela frente.
Luiz Humberto Carrião
Quiçá, esta citação seja uma maneira de me justificar o porquê de não haver defendido a raça Gir através de uma argumentação científica há um tempo em que, o senso comum prevalecia sobre o caráter científico nas concessões que o Serviço de Registro Genealógico das raças zebuínas abria à vertente leiteira.
O tempo nos tem conduzido a todo tempo a busca de questões expressas pela razão sobre nossas posições. Às vezes o tempo exige tempo para o amadurecimento do entendimento.
A questão dicotonômica na raça Gir pouco me interessou até o momento em que a literatura agregou aos poucos conhecimentos que tinha sobre a raça de que, fenotipicamente, era única entre os zebuínos. O porquê disso? Foi então que me interessei a estudá-la, tomando por base a literatura existente e os conhecimentos de criadores pioneiros, levando-me a optar por um rebanho “puro de origem”.
A defesa desse padrão “puro de origem” se expressa na não concordância da criação de um novo padrão racial no Brasil, como se houvesse a possibilidade da existência de duas raças Gir. Padrão este, totalmente descaracterizado daquele estabelecido quando do início da escrituração zootécnica da raça pelo SRG/MAPA/ABCZ. Também, à tentativa dos criadores desse novo padrão em colocar “pureza de raça” como sinônima de “pureza de origem” para justificar a descaracterização de seus animais. E nesse quesito, é sabido que existe uma diferença reveladora entre as expressões. E não poderia ficar de fora dessas justificativas, incursões artificiais e falácias no processo de produção leiteira da raça, e mesmo, a defesa daqueles que consomem e nela acreditam.
Apesar de o tempo ter se atrasado no tempo, uma luz é acesa. Nunca acreditei na existência da escuridão, e sim, na ausência de luz.
A exigência do SRG/MAPA/ABCZ sobre o padrão racial estabelecido através de animais “puros de origem” indiana, isto é, zebuínos não deixa de ser uma luz. Aliás, que luz! Mas isso é só o primeiro passo diante da caminhada que temos pela frente.
Luiz Humberto Carrião
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Artigo confeccionado para a revista AG “Longevidade no gado de leite”
Longevidade
A longevidade é uma característica que deve ser almejada por muitos produtores. Não se trata especificamente da idade avançada, mas, sim, da capacidade de permanência produtiva da vaca em um rebanho. A longevidade pode ser medida com base na vida produtiva de uma matriz, que é a diferença em dias entre o seu primeiro parto e os dias de lactação em sua vida produtiva total. A vida produtiva, portanto, poderia ser definida como o número de lactações que uma vaca completa até ser descartada do rebanho.
O valor genético para a longevidade deve ser baseado em informações como profundidade do úbere, aparelho locomotor (pernas e pés) e qualidade do leite. Da mesma forma, alguns atributos ganham importância como critério de descarte de animais em lactação. São eles: baixa produção de leite, presença de mastite crônica, problemas de fertilidade ou reprodução, bem como dificuldade de parto; anormalidades nas pernas/pés e a necessidade do uso intensivo de medicamentos, provocado por problemas veterinários frequentes. Por fim, é desejável avaliar-se todo o custo/benefício de permanência do animal junto ao rebanho.
A longevidade é verificada em vacas de lactação constante, que são mais “duráveis” e geralmente são melhores matrizes, sendo também mais eficientes na produção de leite. Existe uma correlação direta entre estas características. A equação resulta no valor econômico da longevidade, a qual objetiva a obtenção do menor número possível de descartes involuntários do plantel. Com isso, melhora-se a renda do produtor e também a qualidade das futuras vacas que agregarão valor comercial ao rebanho.
A vantagem econômica de manter-se uma vaca rentável longeva em produção é que esta ficará mais tempo em lactação no rebanho e, desta forma, não será necessária a aquisição de mais novilhas para reposição. Vacas longevas vão gerar lucro em toda sua vida produtiva. Afinal, este animal estará consumindo alimento e em troca estará produzindo leite, enquanto as novilhas ou bezerras ainda estarão apenas consumindo alimentos, sem gerar receita e ainda gerando despesas diretas e indiretas com manejo, mão de obra, medicamentos, estrutura etc. E os maiores custos da propriedade estão, justamente, relacionados à criação das bezerras até o ponto em que estas se tornam vacas em lactação.
A influência da longevidade sobre o lucro de uma fazenda é demasiadamente significativa e precisa ser muito bem observada para que o produtor não tenha surpresas com o descarte excessivo de vacas no plantel. A observação desta característica permitirá ao produtor concentrar o descarte nas vacas com baixa produtividade, fazendo com que ele tenha a cada ano um número de substituições menores, otimizando os resultados do rebanho.
Conformação é outro componente importante nas decisões de seleção do rebanho leiteiro, a fim de aumentar a rentabilidade, tornar a vida das vacas mais prolongada (“durável”). Mas, por sua vez, cascos – enquadrados em pernas e pés – podem ter efeitos econômicos diretos no custo do tratamento dos problemas relacionados à redução da produção de leite. A dificuldade de locomoção, por exemplo, pode causar baixa ingestão de alimentos.
Observações que o produtor deve levar em conta na seleção:
Pernas e Pés
Devemos avaliar a posição das pernas e pés para verificar se o animal caminha com facilidade e sustenta bem toda sua estrutura corporal. O ângulo de casco determina a longevidade dos animais e a durabilidade dos aprumos. Pés corretos são muito importantes para o funcionamento das pernas. Os pés devem ser conformados, com talões profundos (altos) e sola nivelada.
Úbere
Não deve ultrapassar o jarrete. Precisa ter comprimento moderado e estar firmemente aderido (úbere anterior). O mesmo deve ser considerado no úbere posterior, além de ser alto e largo. Ligamentos suspensores fortes e separação bem marcada conduzem a uma boa sustentação e piso do úbere.
Tetos
Ideal os verticais, com comprimento e tamanhos desejáveis.
Administração
A longevidade pode ser melhorada se os fatores de gestão sobre pés e pernas, reprodução e mastite forem identificados precocemente e medidas corretivas forem tomadas de forma adequada, fazendo com que as vacas fiquem por mais tempo no rebanho, prevenindo o descarte prematuro.
Os cascos juntamente com o tratamento da mastite estão entre os maiores custos que podem afetar o rebanho leiteiro. Demandam mão de obra e medicamentos. Estão ligados diretamente ao desempenho produtivo e à diminuição da eficiência reprodutiva dos animais. A mastite, em particular, pode ser uma das principais causas de descarte involuntário, sendo que ainda causa aumento de outros prejuízos, como redução da produção, descarte de leite, custo elevado com medicamentos e redução da qualidade do leite.
A seleção baseada na longevidade é extremamente rentável. Sabemos agora que uma alta taxa de descarte é financeiramente prejudicial. Com uma boa estratégia de melhoramento, visando longevidade, a taxa de descarte pode ser reduzida, revertendo-se em lucro no médio e longo prazos. Para tanto, o pecuarista deve sempre ter em mente:
Manejo – Alta produção e longevidade
Durabilidade – Resistência, fertilidade, saúde, vacas longevas e livres de problemas
Ênfase no Úbere – Prioridade no melhoramento dos úberes
Pernas e Pés – Primazia no melhoramento de aprumos do rebanho
Willy Groot
Estância Futurama Melhoramento Genético e Bonsmara Holambra
Holambra 1 SP
A longevidade é uma característica que deve ser almejada por muitos produtores. Não se trata especificamente da idade avançada, mas, sim, da capacidade de permanência produtiva da vaca em um rebanho. A longevidade pode ser medida com base na vida produtiva de uma matriz, que é a diferença em dias entre o seu primeiro parto e os dias de lactação em sua vida produtiva total. A vida produtiva, portanto, poderia ser definida como o número de lactações que uma vaca completa até ser descartada do rebanho.
O valor genético para a longevidade deve ser baseado em informações como profundidade do úbere, aparelho locomotor (pernas e pés) e qualidade do leite. Da mesma forma, alguns atributos ganham importância como critério de descarte de animais em lactação. São eles: baixa produção de leite, presença de mastite crônica, problemas de fertilidade ou reprodução, bem como dificuldade de parto; anormalidades nas pernas/pés e a necessidade do uso intensivo de medicamentos, provocado por problemas veterinários frequentes. Por fim, é desejável avaliar-se todo o custo/benefício de permanência do animal junto ao rebanho.
A longevidade é verificada em vacas de lactação constante, que são mais “duráveis” e geralmente são melhores matrizes, sendo também mais eficientes na produção de leite. Existe uma correlação direta entre estas características. A equação resulta no valor econômico da longevidade, a qual objetiva a obtenção do menor número possível de descartes involuntários do plantel. Com isso, melhora-se a renda do produtor e também a qualidade das futuras vacas que agregarão valor comercial ao rebanho.
A vantagem econômica de manter-se uma vaca rentável longeva em produção é que esta ficará mais tempo em lactação no rebanho e, desta forma, não será necessária a aquisição de mais novilhas para reposição. Vacas longevas vão gerar lucro em toda sua vida produtiva. Afinal, este animal estará consumindo alimento e em troca estará produzindo leite, enquanto as novilhas ou bezerras ainda estarão apenas consumindo alimentos, sem gerar receita e ainda gerando despesas diretas e indiretas com manejo, mão de obra, medicamentos, estrutura etc. E os maiores custos da propriedade estão, justamente, relacionados à criação das bezerras até o ponto em que estas se tornam vacas em lactação.
A influência da longevidade sobre o lucro de uma fazenda é demasiadamente significativa e precisa ser muito bem observada para que o produtor não tenha surpresas com o descarte excessivo de vacas no plantel. A observação desta característica permitirá ao produtor concentrar o descarte nas vacas com baixa produtividade, fazendo com que ele tenha a cada ano um número de substituições menores, otimizando os resultados do rebanho.
Conformação é outro componente importante nas decisões de seleção do rebanho leiteiro, a fim de aumentar a rentabilidade, tornar a vida das vacas mais prolongada (“durável”). Mas, por sua vez, cascos – enquadrados em pernas e pés – podem ter efeitos econômicos diretos no custo do tratamento dos problemas relacionados à redução da produção de leite. A dificuldade de locomoção, por exemplo, pode causar baixa ingestão de alimentos.
Observações que o produtor deve levar em conta na seleção:
Pernas e Pés
Devemos avaliar a posição das pernas e pés para verificar se o animal caminha com facilidade e sustenta bem toda sua estrutura corporal. O ângulo de casco determina a longevidade dos animais e a durabilidade dos aprumos. Pés corretos são muito importantes para o funcionamento das pernas. Os pés devem ser conformados, com talões profundos (altos) e sola nivelada.
Úbere
Não deve ultrapassar o jarrete. Precisa ter comprimento moderado e estar firmemente aderido (úbere anterior). O mesmo deve ser considerado no úbere posterior, além de ser alto e largo. Ligamentos suspensores fortes e separação bem marcada conduzem a uma boa sustentação e piso do úbere.
Tetos
Ideal os verticais, com comprimento e tamanhos desejáveis.
Administração
A longevidade pode ser melhorada se os fatores de gestão sobre pés e pernas, reprodução e mastite forem identificados precocemente e medidas corretivas forem tomadas de forma adequada, fazendo com que as vacas fiquem por mais tempo no rebanho, prevenindo o descarte prematuro.
Os cascos juntamente com o tratamento da mastite estão entre os maiores custos que podem afetar o rebanho leiteiro. Demandam mão de obra e medicamentos. Estão ligados diretamente ao desempenho produtivo e à diminuição da eficiência reprodutiva dos animais. A mastite, em particular, pode ser uma das principais causas de descarte involuntário, sendo que ainda causa aumento de outros prejuízos, como redução da produção, descarte de leite, custo elevado com medicamentos e redução da qualidade do leite.
A seleção baseada na longevidade é extremamente rentável. Sabemos agora que uma alta taxa de descarte é financeiramente prejudicial. Com uma boa estratégia de melhoramento, visando longevidade, a taxa de descarte pode ser reduzida, revertendo-se em lucro no médio e longo prazos. Para tanto, o pecuarista deve sempre ter em mente:
Manejo – Alta produção e longevidade
Durabilidade – Resistência, fertilidade, saúde, vacas longevas e livres de problemas
Ênfase no Úbere – Prioridade no melhoramento dos úberes
Pernas e Pés – Primazia no melhoramento de aprumos do rebanho
Willy Groot
Estância Futurama Melhoramento Genético e Bonsmara Holambra
Holambra 1 SP
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Tradição por Luiz Humberto Carrião
Os criadores de Gir de tradição e por tradição tem que continuar sendo “puristas” sob pena de negar a Tradição, que para Ananda Coomaraswamy, “representa a doutrina dos princípios primeiros, os quais são inalteráveis.”
A palavra tradição deriva do latim “traditio” que significa transmissão; algo que é transmitido ou transferido do passado para o presente, seguido e partilhado durante gerações.
Os criadores de vanguarda que estão ou procuram estar à frente de seu tempo, através de idéias, ações e experiências científicas, têm que continuar sendo de vanguarda sob pena de admitir a existência fixista da tradição.
São posições antes de qualquer outra, Ideológicas.
Criada no século XIX por Tracy, a palavra ideologia, significa, etimologicamente, ciência das idéias. Pressupõe ação, ao exortar e orientar o grupo a agir no sentido da consecução dos objetivos que se propõe e que considera seus, de direito [royalties à Escola Secundária de Alberto Sampaio].
Em ideologia o errado não existe. Existe sim o contrário. Respeitar o contrário é uma questão de democracia, isto é, a cidadania exercida de maneira soberana, direta ou indiretamente.
Tais concepções, infelizmente, o homem só vem tomá-las em consciência depois de muitos caminhos percorridos. Só então, vem conceber que antanho a essa descoberta serviu mais aos interesses desses ou daqueles, do que a si próprio. Chega então o momento da reflexão. Aí reside o aprendizado da vida.
A escrita como fonte histórica eterniza o pensamento. E este pode advir do senso comum, opiniões que manifestamos ao longo da vida, sem ter a visão do todo, ignorando que as coisas relacionam entre si; ou, pelo senso crítico baseado na Episteme (ciência) buscando um olhar totalizante para os fenômenos contextualizados cada vez mais na especialização da ciência. Permanecer no senso comum é ter uma visão fragmentada da realidade que pode a qualquer instante ser superada através de uma práxis-científica.
E na gir, a práxis-científica já surpreendeu o senso comum. Quando da segunda bateria de touros a serem selecionados para o PMGRG – Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir – foi inscrito um animal contextualizado no “gir leiteiro”. As críticas foram avassaladoras. Todavia, no exame de DNA para auferir o percentual de sangue zebuíno, o animal era 100% sangue indiano, ao contrário de um animal daqueles que o criticaram.
O padrão racial por si só não garante a ancestralidade genuína de um animal. Principalmente, num rebanho formado por absorvência. O exemplo acima é uma prova disso. Nem tão pouco a produtividade de uma raça pode ser auferida sobre artificialidades de manejo (alimentação, nutrição e produtos farmacológicos) e trabalhando com indivíduos, não com média de rebanho.
Ao final, em ideologia, a História tem mostrado que sempre um dos contrários acaba como dominante. Neste caso, resta saber o qual.
Luiz Humberto Carrião
A palavra tradição deriva do latim “traditio” que significa transmissão; algo que é transmitido ou transferido do passado para o presente, seguido e partilhado durante gerações.
Os criadores de vanguarda que estão ou procuram estar à frente de seu tempo, através de idéias, ações e experiências científicas, têm que continuar sendo de vanguarda sob pena de admitir a existência fixista da tradição.
São posições antes de qualquer outra, Ideológicas.
Criada no século XIX por Tracy, a palavra ideologia, significa, etimologicamente, ciência das idéias. Pressupõe ação, ao exortar e orientar o grupo a agir no sentido da consecução dos objetivos que se propõe e que considera seus, de direito [royalties à Escola Secundária de Alberto Sampaio].
Em ideologia o errado não existe. Existe sim o contrário. Respeitar o contrário é uma questão de democracia, isto é, a cidadania exercida de maneira soberana, direta ou indiretamente.
Tais concepções, infelizmente, o homem só vem tomá-las em consciência depois de muitos caminhos percorridos. Só então, vem conceber que antanho a essa descoberta serviu mais aos interesses desses ou daqueles, do que a si próprio. Chega então o momento da reflexão. Aí reside o aprendizado da vida.
A escrita como fonte histórica eterniza o pensamento. E este pode advir do senso comum, opiniões que manifestamos ao longo da vida, sem ter a visão do todo, ignorando que as coisas relacionam entre si; ou, pelo senso crítico baseado na Episteme (ciência) buscando um olhar totalizante para os fenômenos contextualizados cada vez mais na especialização da ciência. Permanecer no senso comum é ter uma visão fragmentada da realidade que pode a qualquer instante ser superada através de uma práxis-científica.
E na gir, a práxis-científica já surpreendeu o senso comum. Quando da segunda bateria de touros a serem selecionados para o PMGRG – Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir – foi inscrito um animal contextualizado no “gir leiteiro”. As críticas foram avassaladoras. Todavia, no exame de DNA para auferir o percentual de sangue zebuíno, o animal era 100% sangue indiano, ao contrário de um animal daqueles que o criticaram.
O padrão racial por si só não garante a ancestralidade genuína de um animal. Principalmente, num rebanho formado por absorvência. O exemplo acima é uma prova disso. Nem tão pouco a produtividade de uma raça pode ser auferida sobre artificialidades de manejo (alimentação, nutrição e produtos farmacológicos) e trabalhando com indivíduos, não com média de rebanho.
Ao final, em ideologia, a História tem mostrado que sempre um dos contrários acaba como dominante. Neste caso, resta saber o qual.
Luiz Humberto Carrião
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
Um pouco da História de Criadores da raça GIR
Repaginado no Grupo "Giristas de Carteirinha" (Grupo do Facebook) por Luiz Humberto Carrião, na qual, compartilho na íntegra:
"Texto publicado na Revista Gir & seus cruzamentos [órgão oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Gir – ASSOGIR]. Ano 1, nº 6 – Agosto/setembro/2003
"[Aqui repaginado por solicitação do criador-diretor da ASSOGIR, Waldir Barbosa de Oliveira Junior]
O Gir entristeceu: morreu Jairo de Andrade
“Quando ele próprio se libertou de todo desejo de seu coração, o mortal deste mundo, tornou-se imortal em Brahman. Na verdade, tudo é Brahman.”
Apesar de estar localizado na maior cidade brasileira, o ambiente traduz a beatitude divina.
Um pórtico esboçado na arquitetura oriental dá passagem àqueles que vão ao reencontro da Divindade. Ali, o silêncio é como a música, não atua pelo que diz, e sim, pelo que é – uma linguagem universal.
Um estreito caminho calçado com bloquetes, arborizado de ambos os lados leva a uma capela não muito distante da entrada. Uma plataforma de concreto em formato de mesa retangular aguarda sempre o próximo sarcófago. É necessário pela legislação que se aguarde no mínimo 48 horas para o início do ritual.
Um forno de altíssima potencialidade calórica é acoplado à reduzida Capela por um túnel equipado por uma esteira rolante. Uma pequenina urna de porcelana abriga o que restou da menor individuação de Deus na Terra.
A Alma, agora Espírito, com a volatilidade ao desligar-se de seu invólucro biológico dirige-se a algures inimagináveis nesta amplitude infinita diante de nossos olhos. E foi ali, aos acordes do Prelúdio nº 1 para Cravo, de Johann Sebastian Bach, seguido pela Ave Maria de Charles Gounot, que se cumpriu a seu pedido o ritual hindu.
O grande jequitibá, o homem que muitos consideravam imortal, de sorriso leve, cabelos grisalhos a farfalhar, sempre vestido de branco e com uma paixão inigualável pelo Gir, em poucos segundos foi reduzido a um punhado de cinzas, que no dia seguinte, carregado pelos netos, numa sepultura simples no Cemitério Jardim das Palmeiras, foi depositado para ficar na saudade de todos nós.
Na última visita ao casal Góes, Leda e Aderbal, na Chácara Canaã D’Gal relembrava das odisséias pelas exposições por este Brasil afora; das brigas por melhores pavilhões para a raça Gir; das influências nos julgamentos dos animais; de suas paradas em Corumbaíba para tomar sorvete no Pingo de Mel; de sua luta pra manter-se vivo; já cansado e bastante emotivo, sempre enxugando as lágrimas em meio aos versos que declamava dizia a Aderbal que deveriam a partir de então, encontrar-se ao menos quinzenalmente, pois o tempo cumpria a cada dia o seu papel. Era uma despedida.
Homem de determinação ímpar que sempre deixou de lado o passado, arquitetando no presente os planos para o futuro.
Na véspera de sua morte lá estava ele na Fazenda Forquilha, em Redenção, no sul do Pará, juntamente com os empregados dentro do curral apartando gado.
A garra e a determinação de viver sempre falaram mais alto até o dia 4 de agosto último (2003), quando encontrou no Nirvana – o paraíso – abandonado Maya – a ilusão – em busca de seu encontro com Brahman – a Divindade – para integrar-se ao imenso mar celestial, que na adversidade, estabelece e mantém a harmonia do Universo.
Se a sua partida deixou um rasto de saudade entre aqueles que ficaram, lá em cima a coisa foi diferente quando se encontrou com Rodolfo Machado Borges, Celso Garcia Cid, Tarley Vilela, Evaristo Soares de Paula, Ene Sab, Vicente de Souza Araujo Junior, e tantos outros.
Luiz Humberto Carrião
"Texto publicado na Revista Gir & seus cruzamentos [órgão oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Gir – ASSOGIR]. Ano 1, nº 6 – Agosto/setembro/2003
"[Aqui repaginado por solicitação do criador-diretor da ASSOGIR, Waldir Barbosa de Oliveira Junior]
O Gir entristeceu: morreu Jairo de Andrade
“Quando ele próprio se libertou de todo desejo de seu coração, o mortal deste mundo, tornou-se imortal em Brahman. Na verdade, tudo é Brahman.”
Apesar de estar localizado na maior cidade brasileira, o ambiente traduz a beatitude divina.
Um pórtico esboçado na arquitetura oriental dá passagem àqueles que vão ao reencontro da Divindade. Ali, o silêncio é como a música, não atua pelo que diz, e sim, pelo que é – uma linguagem universal.
Um estreito caminho calçado com bloquetes, arborizado de ambos os lados leva a uma capela não muito distante da entrada. Uma plataforma de concreto em formato de mesa retangular aguarda sempre o próximo sarcófago. É necessário pela legislação que se aguarde no mínimo 48 horas para o início do ritual.
Um forno de altíssima potencialidade calórica é acoplado à reduzida Capela por um túnel equipado por uma esteira rolante. Uma pequenina urna de porcelana abriga o que restou da menor individuação de Deus na Terra.
A Alma, agora Espírito, com a volatilidade ao desligar-se de seu invólucro biológico dirige-se a algures inimagináveis nesta amplitude infinita diante de nossos olhos. E foi ali, aos acordes do Prelúdio nº 1 para Cravo, de Johann Sebastian Bach, seguido pela Ave Maria de Charles Gounot, que se cumpriu a seu pedido o ritual hindu.
O grande jequitibá, o homem que muitos consideravam imortal, de sorriso leve, cabelos grisalhos a farfalhar, sempre vestido de branco e com uma paixão inigualável pelo Gir, em poucos segundos foi reduzido a um punhado de cinzas, que no dia seguinte, carregado pelos netos, numa sepultura simples no Cemitério Jardim das Palmeiras, foi depositado para ficar na saudade de todos nós.
Na última visita ao casal Góes, Leda e Aderbal, na Chácara Canaã D’Gal relembrava das odisséias pelas exposições por este Brasil afora; das brigas por melhores pavilhões para a raça Gir; das influências nos julgamentos dos animais; de suas paradas em Corumbaíba para tomar sorvete no Pingo de Mel; de sua luta pra manter-se vivo; já cansado e bastante emotivo, sempre enxugando as lágrimas em meio aos versos que declamava dizia a Aderbal que deveriam a partir de então, encontrar-se ao menos quinzenalmente, pois o tempo cumpria a cada dia o seu papel. Era uma despedida.
Homem de determinação ímpar que sempre deixou de lado o passado, arquitetando no presente os planos para o futuro.
Na véspera de sua morte lá estava ele na Fazenda Forquilha, em Redenção, no sul do Pará, juntamente com os empregados dentro do curral apartando gado.
A garra e a determinação de viver sempre falaram mais alto até o dia 4 de agosto último (2003), quando encontrou no Nirvana – o paraíso – abandonado Maya – a ilusão – em busca de seu encontro com Brahman – a Divindade – para integrar-se ao imenso mar celestial, que na adversidade, estabelece e mantém a harmonia do Universo.
Se a sua partida deixou um rasto de saudade entre aqueles que ficaram, lá em cima a coisa foi diferente quando se encontrou com Rodolfo Machado Borges, Celso Garcia Cid, Tarley Vilela, Evaristo Soares de Paula, Ene Sab, Vicente de Souza Araujo Junior, e tantos outros.
Luiz Humberto Carrião
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