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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Como funcionam os protocolos de IATF e qual devo utilizar? (Parte 01)

Os protocolos de IATF consistem em métodos para controlar o desenvolvimento folicular, sincronizando a emergência de uma nova onda folicular, regredir o corpo lúteo e provocar ovulação sincronizada ao final do tratamento.
Atualmente existem duas principais estratégias hormonais para sincronizar a emergência de uma nova onda folicular e sincronizar a ovulação durante o protocolo de IATF: (1) a indução da ovulação do folículo dominante com gonadotropinas (ex.: protocolo Ovsynch); (2) a indução da atresia folicular através da associação estrógeno + progesterona.
A estratégia com gonadotropinas é normalmente utilizada nos EUA para sincronização da onda folicular, pois lá os estrógenos não estão aprovados para o uso em gado leiteiro. Entretanto, esses protocolos são mais caros raramente resultam em resultados superiores aos protocolos com estrógeno + progesterona. É comum encontrar trabalhos científicos demonstrando melhora nas taxas de manifestação de cio e concepção quando vacas são suplementadas com estrógeno no final dos protocolos.
O que dita a decisão de qual protocolo utilizar é sua eficiência, considerando custos e resultados. Felizmente no Brasil ainda temos a possibilidade de usar estrógenos, e isso é uma grande vantagem para nossos sistemas de produção. Esse tema será discutido no nosso próximo post. Até lá!

Fonte: http://www.milkpoint.com.br/mypoint/pfizer/

FERTILIZAÇÃO IN VITRO

Artigo do Dr. Carlos Eduardo Gomez Martin:


A Fertilização in Vitro (FIV) é uma biotecnologia onde todos os processos fisiológicos: maturação folicular, fertilização e desenvolvimento embrionário são obtidos em laboratório (in vitro), fora do útero animal, ao contrário da clássica Transferência de Embriões (TE).
O primeiro terneiro resultante desta técnica nasceu em junho de 1981 nos EUA – Bracckett et al (1982). A produção de embriões in vitro (PIV) começa com a aspiração dos ovários das doadoras para coleta de ovócitos (óvulos imaturos aspirados com auxilio do aparelho de ultrasonografia). A coleta pode ser feita em animais de diferentes idades: pré-púberes (10 meses), púberes, adultos e senis; e nas mais diversas condições reprodutivas tais como: animais gestantes (até o 4° meses de gestação), animais com problemas reprodutivos adquiridos, fêmeas que não respondem aos processos normais de superovulação e etc. Em casos de morte súbita e ou sacrifício às fêmeas de alto valor zootécnico, poderão ter seus os ovários, imediatamente após a morte, retirados e enviados ao laboratório para que o processo de PIV seja iniciado com o objetivo de em uma última tentativa conseguir embriões e prenhes desta fêmea.
Posteriormente a coleta dos ovócitos estes passarão por um processos denominado de, maturação in vitro (MIV) seguidos pela fertilização in vitro 24h depois da punção dos foliculos (inseminação FIV) e depois cultivados por 7 dias em ambiente controlado de temperatura, umidade e quantidade de CO2 (estufas). Os embriões obtidos são classificados de acordo com a IETS (sociedade internacional de transferência de embriões) e os viáveis (aptos a produzirem uma prenhes) transferidos às receptoras.
Esta técnica permite ainda a obtenção de um grande avanço genético, através da coleta em animais pré-púberes, pela diminuição do intervalo entre gerações e ou pela rapidez na produção de descendentes. De uma mesma doadora poderão ser coletados em média 10 ovócitos por seção, onde 8 deles serão maturados, fertilizados e cultivados in vitro atingindo assim, aos 7 dias, o estágio próprio para a transferência. Neste momento ele é transferido a uma receptora previamente sincronizada obtendo-se então uma prenhes por vaca a cada seção também confirmada com o ultra-som aos 30 e 45 dias de gestação. As seções de punção podem ser repetidas a cada quinze dias, sem causar dano algum a fêmea doadora. A técnica permite o uso de uma única dose de sêmen para varias doadoras e não faz uso de hormônios (superovulação). Alguns animais podem produzir mais embriões/punção e por conseqüência mais prenhes por seção de punção. A cada dez embriões transferidos para as receptoras (barriga de aluguel), 40% vão levar a gestação a termo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

IATF: TÉCNICA CADA VEZ MAIS UTILIZADA NOS REBANHOS BRASILEIROS PERMITE ECONOMIA

É muito importante para os lucros de uma propriedade que o rebanho seja prolifero e que gere crias saudáveis. Para isso, atualmente, o produtor conta com uma série de ferramentas que possibilitam tornar seu gado mais fértil e de maneira controlada, de forma que auxilie no manejo e na gestão. Uma dessas ferramentas que se provou muito eficiente foi a Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF). Essa técnica consiste em ovular as vacas de forma induzida, todas na mesma época e na data que for melhor para o produtor. “A inseminação artificial simples já é conhecida por trazer melhoramento genético e de produção ao gado. A IATF, além dessas vantagens consegue emprenhar 50% das vacas, além de contar com o cio de retorno para inseminar as vacas restantes. Com isso, a inseminação atinge de 60 a 70% das vacas”, explica Sebastião Pereira de Faria Junior, Gerente Técnico de Pecuária da Schering-Plough.


Essa ferramenta tem movimentado o dia-a-dia das fazendas e dos grupos de pesquisa em reprodução animal. Pela técnica as vacas têm a ovulação induzida, e a inseminação pode ser feita com data marcada, tudo com a maior naturalidade, apenas com a utilização de produtos específicos, conforme explica Rodrigo Valarelli da Pfizer Saúde Animal. "A forma de aplicá-los nos animais depende de fatores como, a raça, a idade, a condição corporal e o número de crias. Além disso, a condição nutricional da vacada é fundamental para garantia dos resultados".

Valarellli diz que a IATF é uma tendência mundial e importante para o desenvolvimento da pecuária no Brasil. A adesão de usuários em todas as regiões do país é crescente e o número de cabeças inseminadas, só em 2004, superou 1,5 milhão. Com a técnica, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Desse modo, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe. Assim todas as vacas de um rebanho podem ser sincronizadas para serem inseminadas num único dia.

O sucesso do método se deve ao modo como ele é feito. Nele, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Assim, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe, possibilitando que todas as vacas de um rebanho sejam sincronizadas para serem inseminadas em poucos dias. Além da alta porcentagem de prenhezes positivas nas vacas, a IATF traz outras vantagens: “O método facilita o manejo nas fazendas já que as inseminações são feitas de modo programado. Dessa maneira é possível inseminar até 250 vacas em um único dia, poupando assim, tempo”, explica Pietro Baruselli, veterinário e professor da Universidade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP). Estes fatores garantem para a propriedade maior produtividade e a melhoria genética do seu plantel.

Outra vantagem da Inseminação Artificial por Tempo fixo, segundo Baruselli é a redução gradativa da baixa taxa de fêmeas inseminadas na estação de monta. Além disso, a técnica possibilita que o criador trabalhe com progênie superior, de animais com DEPs positivas para varias características fisiológicas e físicas desejadas.

Outra questão muito importante para os criadores são as vantagens econômicas que a IATF traz à propriedade. O custo da utilização da técnica por animal, incluindo o protocolo de sincronização, a compra do sêmen e a mão-de-obra é de R$ 45,00, contabilizando lotes de, no mínimo 100 fêmeas. De acordo com o professor da Universidade de São Paulo, o retorno desse investimento depende do uso correto da técnica. Experimentos realizados pelo Departamento de Reprodução Animal da USP mostram que os ganhos econômicos nos rebanhos que utilizaram a técnica são altos. A taxa de prenhes no final da estação de monta cresceu 8%, o que significa 8 bezerros a mais em um lote de 100 vacas.

O professor faz os cálculos, usando a média de preço dos bezerros no mercado de R$ 275,00 e o resultado é um total de R$ 2.200,00 a mais no bolso do criador, já no primeiro ano. "Esse, é o principal apelo para o criador, sobretudo o pequeno e o médio", declara. Além disso, a técnica possibilita o produtor economizar com touros de repasse. Estudos realizados em varias fazendas mostraram que, quando se usa a IATF, a taxa de prenhez, já no meio da estação de monta é de 50% a 75% das vacas, em média. O restante, que normalmente segue para o repasse, já está com o ovário funcionando, o que eleva essa média para mais de 90%. "Com isso o produtor, ao invés de comprar três tourinhos de campo, pode comprar somente dois, que vai dar conta de cobrir a vacada e economiza cerca de R$ 2.200,00", enfatiza.

Porém, algumas questões devem ser consideradas antes de se empregar a sincronização do cio. A técnica garante sucesso, mas somente se for corretamente realizada em todos os passos. Fatores nutricionais e corporais dos animais devem ser levados em conta, como explica Leandro Gofert, médico e veterinário do departamento técnico da empresa Tecnopec. “Somente animais com escore corporal igual ou acima de 2,5 (em uma escala de 1 a 5) estão em condições de entrarem no programa de IATF. Animais abaixo dessa condição não terão condições de manter a prenhez”, explica. Mesmo que o protocolo consiga fazer esse animal ovular e ocorrer a fertilização, a indisponibilidade de energia, levará a que essa prenhez seja perdida. “Porém, apenas o escore corporal é uma medida imprecisa”, explica Gofert, pois, em vacas com bom escore corporal, (p. ex: 3), mas que estejam perdendo peso rapidamente, o resultado tende a ser pior. O organismo da vaca, em balanço energético negativo, tende a evitar a prenhez como medida de conservação do indivíduo.“Precisamos, portanto, avaliar os lotes de animais em relação à sua condição corporal, mas também, avaliar como está o pasto em relação à disponibilidade de alimento aos animais”, explica Gofert.

O protocolo é outro fator muito importante. Ele sempre deve ser seguido à risca e com o acompanhamento de um veterinário especializado. “A imposição de um protocolo que excluir o veterinário pode comprometer a técnica”, explica Sebastião Júnior. “Isso vai ampliar o resultado de prenhez do rebanho”, explica Junior.

Uma prova de que a IATF é um excelente negócio para os produtores foi a prova feita pela Tecnopec em quatro fazendas. Nos testes, a Tecnopec trabalhou com 4.189 animais (quase todas zebuínas) em 50 lotes. O protocolo utilizado foi o mesmo em todos os lotes: dispositivo vaginal por 8 dias, e Benzoato de estradiol (RIC-BE) na inserção (2ml). Na retirada do dispositivo, aplicação de 300 UI de CG (novormon) e luteolítico (Prolise). 24 horas após, indução de ovulação com Benzoato de estradiol (RIC-BE-1ml) e IATF 30 horas após. Este não foi um experimento científico, mas os resultados mostraram dados consistentes. A média geral da IATF nas 4 fazendas foi de 53,2%. Houve diferença significativa nas categorias. A média de prenhez das novilhas foi de 48,7% (6 lotes), as primíparas obtiveram 45,5% (5 lotes) e as vacas 54,8% (39 lotes). Não houve diferença entre fazendas. Os resultados variaram entre 52% e 60%. Não houve diferença entre o 1°, 2º e 3º uso dos dispositivos vaginais. Os resultados foram respectivamente 55,4% (18 lotes); 50,8% (17 lotes) e 53,7% (15 lotes).

Todos os programas foram feitos com repasse de Inseminação Artificial com observação de cio entre os dias 18 e 23 após a IATF e repasse com touro por 2 a 3 meses. A Inseminação Artificial convencional acrescentou 19,4% de prenhez a mais no resultado. A soma do resultado da IATF com o repasse com IA convencional (total de animais prenhez de IA) foi de 72,6%. O repasse com touro acrescentou mais 15,8% de animais prenhes. A prenhez final do programa em 50 lotes foi de 88,4%.

O tamanho dos lotes variou entre 25 e 169 animais. Não houve relação entre tamanho do lote e taxa de prenhez na IATF (r=0,09). Lotes com menos de 50 fêmeas emprenharam em média 54%. Lotes entre 50 e 100 fêmeas: 52%, lotes acima de 100 fêmeas: 54%.

“Os dados mostram os bons resultados do programa de IATF a campo. Os programas têm se tornado mais abrangentes e os trabalhos de repasse com sêmen e com touro vêm recebendo atenção especial dos técnicos, que também aproveitam cada vez mais o cio de retorno e a indução de ciclicidade promovida pelo tratamento”, afirma Gofert.

Existem fatores ligados ao manejo de execução do programa IATF que devem ser levados em consideração para que o processo produza resultados satisfatórios: Abaixo, estão recomendações do médico veterinário e técnico da empresa Tecnopec, Leandro Gofert:

Os passos do protocolo de IATF são técnicas de controle farmacológico do ciclo estral, responsáveis, ao final, pela ovulação e a possibilidade da inseminação com hora marcada. “Dessa forma, se cada uma das etapas do protocolo não for bem executada, compromete-se todo o resultado do programa”, afirma Gofert.

Alguns erros freqüentemente observados no campo são o esquecimento da aplicação de um ou mais fármacos durante o programa, o desrespeito aos horários de aplicação recomendados no protocolo, erros de dosagem dos hormônios indicados, erro na via de aplicação indicada, erros de manipulação dos hormônios (não manter refrigerados hormônios que o necessitam, deixar hormônios expostos ao sol ou calor excessivo), ausência de marcação confiável nos animais (corre-se o risco de aplicar 2 vezes os hormônios num animal e não realizar a aplicação em outro), falta de organização da fazenda (mistura de lotes, presença de vacas prenhes junto de vazias, presença de touros nos lotes a sincronizar, etc), erros na execução do desmame temporário dos bezerros (também chamado Shang), mantendo os bezerros próximos do piquete das vacas, falhando em promover o estímulo da função ovariana e do crescimento folicular, currais inadequados ou pessoal despreparado, o que provoca estress nos animais (resistência ao passar no tronco, demora excessiva para realizar o programa, quedas e fraturas, etc) e colocar um número excessivo de animais para trabalhar de uma só vez.

Merece atenção especial também, a qualidade do sêmen utilizado nos programas de IATF. “Não adianta fazer uma vaca ovular, se a fertilização for comprometida por causa de sêmen inviável, ou de baixa fertilidade”, afirma Gofert. Freqüentemente observa-se na prática de campo o armazenamento inadequado do sêmen (deixar o nitrogênio atingir nível muito baixo). No manejo das racks, permitir exposição prolongada à temperatura ambiente e novamente mergulhá-las no nitrogênio “Causa estress térmico e perda da viabilidade do sêmen”, explica Gofert. Descongelamento inadequado, comprometendo a viabilidade dos espermatozóides, uso de sêmen sem procedência, sem controle sanitário e de fertilidade.

Segundo Gofert existe variação de fertilidade entre os diferentes touros disponíveis nas centrais, mesmo que as partidas estejam nos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura. “Alguns touros emprenham as vacas mais eficientemente que outros. Para evitar o risco de selecionar um touro menos eficiente, deve-se consultar fornecedores de confiança”, afirma Gofert.

Gofert ainda explica que se não é possível obter essa informação, deve-se utilizar pelo menos 3 touros diferentes no programa. Diminuindo assim a chance de baixos resultados por esse fator. “Em vista da pequena quantidade de informações a respeito do uso de sêmen sexado em programas de IATF, até o momento, não é aconselhável a sua utilização”, enfatiza o técnico da Tecnopec.

Outros problemas que podem afetar os resultados da IATF são os de ordem sanitária como a incidência de doenças reprodutivas (Brucelose, Leptospirose, IBR, BVD, etc), doenças sistêmicas ou parasitoses, levando a comprometimento físico e conseqüentemente reprodutivo, retenção de placenta e cistos foliculares. “Deve-se sempre monitorar o estado sanitário dos rebanhos, evitando prejuízos oriundos desses fatores” explica Gofert.

Outros fatores importantes que podem incidir no bom andamento da IATF são a escolha do protocolo mais adequado, levando-se em conta a categoria animal, a idade pós-parto e a condição ovariana dos animais que se irá trabalhar. “Cada caso é um caso. Existem diferentes protocolos para cada tipo de situação. Existem protocolos para quem foca na relação custo benefício, existem protocolos para fêmeas que não estão ovulando. É preciso conhecer cada situação para aplicar o protocolo mais adequado”, explica Sebastião Junior, da Schering-Plough. A mineralização adequada do rebanho, utilizando-se um sal mineral de boa qualidade e que atenda as requisições para vacas em reprodução, também é um fator de grande importância. Estar atento à dieta dos animais, se não existe excesso de proteína ou de nitrogênio não protéico. “Interferem no pH uterino, gerando dificuldade de concepção”, explica Gofert, da Tecnopec. O uso excessivo de caroço de algodão também pode comprometer a fertilidade das fêmeas. Não realizar mudanças bruscas de dietas, vacinações, marcações, ou eventos estressantes durante a execução do protocolo e nos 35 dias após a inseminação.

Na IATF de novilhas é fundamental que, apenas animais que já entraram na puberdade sejam colocados no programa. Gofert explica que um erro muito comum é a colocação de lotes de novilhas baseados apenas nos critérios, peso e/ou idade, julgando-se que esses animais já estariam púberes. “É fundamental realizar o exame ginecológico das novilhas e colocar-se em protocolo somente animais com presença de corpo lúteo no ovário, ou com cios já observados”, enfatiza. Animais pré-púberes, (que nunca ciclaram), não respondem ao programa IATF, porque não são capazes de ovular.

Dentro desses fatores, capazes de influenciar os resultados num programa de IATF, a maioria está sob controle de um veterinário meticuloso e experiente. “Assim, poderíamos concluir que o auxílio de um profissional, que seja capacitado e com postura ética e realista em relação à técnica, fará a diferença nos resultados conseguidos”, afirma.

Fonte: Revista Rural nº 114 - agosto 2007

terça-feira, 21 de junho de 2011

Frigorífico Quatro Marcos: assembleia é adiada mais uma vez

A assembleia de credores do frigorífico Quatro Marcos, marcada para esta segunda (20/06), em São Paulo, foi novamente adiada. A suspensão foi decidida por 95,98% dos presentes, entre eles advogados representantes de credores pecuaristas, trabalhistas e de bancos e de fundos de investimentos, que avaliaram a necessidade de encerrar processos para formulação final do novo plano de recuperação judicial da companhia.

O frigorífico está em recuperação judicial desde 2008. Nova assembleia foi marcada para o dia 8 de julho, às 11 horas, no hotel Panamericano, em São Paulo.

As informações são da Agência Estado, resumidas e adaptadas pela Equipe BeefPoint.
Fonte: BeefPoint

Caixas de leite ganham a batalha no mercado chinês

O rápido crescimento no mercado de leite da China é uma boa notícia para os fabricantes das caixas de leite, à medida que elas vêem sua dominância do setor aumentando, de acordo com o Euromonitor.

Em 2010, as embalagens de papel cartão Brik e Shaped juntas representaram dois terços do mercado de leite da China, com os sachês flexíveis de plástico ficando com 23%. As caixas deverão estender sua posição dominante nos próximos anos.

"As caixas com líquidos tomarão participação no mercado dos plásticos flexíveis, a outra principal embalagem usada para lácteos fluidos na China", disse o presidente de pesquisas em embalagens do Euromonitor, Benjamin Punchard. Ele explicou que as caixas repercutem bem com os clientes chineses. "As caixas sao consideradas um tipo de embalagem de qualidade que produz um sentimento de confiança no produto. Com o medo gerado pela contaminação do leite por melamina ainda na memória, a embalagem que demonstra qualidade, robustez e confiança estão bem posicionadas.

As embalagens plásticas flexíveis, por outro lado, são consideradas de menor qualidade e envolve mais inconvenientes aos consumidores, à medida que eles precisam colocar o leite em um jarro.

No entanto, Punchard disse que todos os tipos de embalagens deverão se beneficiar do maior consumo de leite nos próximos anos. O consumo per capita está atualmente baixo, mas com uma grande população e um momento positivo de mercado, o mercado de embalagens de leite se tornará um grande negócio na China.

Não é somente o leite tradicional que tem força significante - os leites com sabor são uma grande categoria no país. O Euromonitor disse que as bebidas lácteas com sabor representam a categoria mais dinâmica para as caixas de leite na Ásia Pacífico. A reportagem é do Dairy Reporter.
Fonte: Milkpoint

segunda-feira, 13 de junho de 2011

“O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto”

“O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto”

Trazida de sua origem, na Índia, a raça Gir tem chamado a atenção por sua distinção entre as demais raças zebuínas (Bos Taurus indicus).

A proposta de uma seleção artificial condenando o padrão de pureza de origem levantou aqueles que desejam preservá-la em sua essência a futuras gerações. Aqui vai mais uma contribuição do Blog WWW.girpontocom.blogspot.com a essa discussão.

Fenótipo é aquilo que é influenciado por genes. Ou seja, na prática, tudo o que diz respeito a um corpo. Mas há uma sutileza de ênfase, decorrente da etimologia da palavra. “Phaino” é palavra grega que significa “mostrar”, “trazer à luz”, “evidenciar”, “exibir”, “descobrir”, “revelar”, “manifestar”. O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto. O Oxford English Dictionary define genótipo como “o total das características observáveis de um indivíduo, visto como a conseqüência da interação de seu genótipo com o seu meio”, mas antes desta definição apresenta outra, mais sutil: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. (Dawkins, p. 230).

Em evolução torna-se inaceitável a ideia de uma raça advir de uma criação unilateral, e sim, dos cruzamentos entre os espécimes, o que nega inclusive o conceito de raça pura. “O que importa no sentido darwiniano é que diferenças entre os genes se traduzem em diferenças entre fenótipos. A seleção natural só quer saber de diferenças. E, de modo análogo, são as diferenças que interessam aos geneticistas”.

Lembremos a definição mais “sutil” de fenótipo dada pelo Oxford English Dictionary: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. A palavra chave é “distinguível”. (Dawkins, p.233).

Os cientistas quando começaram a estudar a vida, o fizeram pelo seu aspecto mais evidente, os organismos. Eventualmente descobriu os genes, aos quais atribuíram o papel de ajudar o corpo no processo de reprodução. Certo? Não! Errado. Os genes criam o corpo para ajudá-lo no processo de reprodução. A importância do indivíduo, reconhecida pelos geneticistas, é apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.

Luiz Humberto Carrião

sábado, 11 de junho de 2011

EM TEMPO, O TEMPO FAZ JUSTIÇA AO GIR

Certa vez, o físico norte-americano John Wheeler sugeriu que “o tempo é aquilo que impede que tudo aconteça de uma só vez”.

Quiçá, esta citação seja uma maneira de me justificar o porquê de não haver defendido a raça Gir através de uma argumentação científica há um tempo em que, o senso comum prevalecia sobre o caráter científico nas concessões que o Serviço de Registro Genealógico das raças zebuínas abria à vertente leiteira.

O tempo nos tem conduzido a todo tempo a busca de questões expressas pela razão sobre nossas posições. Às vezes o tempo exige tempo para o amadurecimento do entendimento.

A questão dicotonômica na raça Gir pouco me interessou até o momento em que a literatura agregou aos poucos conhecimentos que tinha sobre a raça de que, fenotipicamente, era única entre os zebuínos. O porquê disso? Foi então que me interessei a estudá-la, tomando por base a literatura existente e os conhecimentos de criadores pioneiros, levando-me a optar por um rebanho “puro de origem”.

A defesa desse padrão “puro de origem” se expressa na não concordância da criação de um novo padrão racial no Brasil, como se houvesse a possibilidade da existência de duas raças Gir. Padrão este, totalmente descaracterizado daquele estabelecido quando do início da escrituração zootécnica da raça pelo SRG/MAPA/ABCZ. Também, à tentativa dos criadores desse novo padrão em colocar “pureza de raça” como sinônima de “pureza de origem” para justificar a descaracterização de seus animais. E nesse quesito, é sabido que existe uma diferença reveladora entre as expressões. E não poderia ficar de fora dessas justificativas, incursões artificiais e falácias no processo de produção leiteira da raça, e mesmo, a defesa daqueles que consomem e nela acreditam.

Apesar de o tempo ter se atrasado no tempo, uma luz é acesa. Nunca acreditei na existência da escuridão, e sim, na ausência de luz.

A exigência do SRG/MAPA/ABCZ sobre o padrão racial estabelecido através de animais “puros de origem” indiana, isto é, zebuínos não deixa de ser uma luz. Aliás, que luz! Mas isso é só o primeiro passo diante da caminhada que temos pela frente.

Luiz Humberto Carrião

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O clamor da raça Gir ao senhor Deus dos desgraçados

O clamor da raça Gir ao senhor Deus dos desgraçados

Crise na Associação nacional da raça

O Modelo Ocidental de alternância de poder optou-se pela forma democrática de escolha, cabendo aos membros de uma nação em conformidade com sua Constituição, através do sufrágio universal escolher seus governantes e representantes. Em efeito cascata alcançou as mais simples instituições classistas. Mas alguns países e algumas entidades de classes insistem em caminhar pela contramão desse Modelo.

A Associação dos Criadores de Gir do Brasil através de prestigio político de um de seus diretores conseguiu uma sala no edifício Arnaldo Rosa Prata, que abriga a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, no Parque Fernando Costa, na cidade de Uberaba – MG, transferindo-se da cidade de São Paulo, oportunidade em que passou a sua denominação para Associação Brasileira dos Criadores de Gir – ASSOGIR –, que desde então por um período de 15 anos, aproximadamente, foi presidida pela mesma pessoa, com algumas alterações nos membros que compunham sua diretoria.

O final de sua administração, isto é, a alternância de poder não foi efetivada através de eleições, e sim, da aclamação de um novo presidente numa reunião na cidade de Belo Horizonte – MG, sem a convocação prévia de uma Assembléia Extraordinária com os fins especificados no seu Edital de Convocação, e inclusive, sem a presença do então presidente.

O novo presidente seguindo a tradição foi eleito à mesa diretiva da ABCZ. Nessa oportunidade o Ministério da Agricultura liberou para a raça Gir uma verba para ser aplicada em Melhoramento Genético no valor de R$50.000,00. Só que, a ASSOGIR não possuía um programa de melhoramento genético que pudesse fazer jus à verba. A saída, em um primeiro momento, seria uma parceria com a ABCGIL/EMBRAPA no Teste de Progênie desenvolvido por estas entidades. Todavia, não houve acerto entre a ASSOGIR e ABCGIL sobre a participação de dos touros/ASSOGIR no teste. Foi então imposta pelo presidente do Conselho Superior da Raça a comunicação ao presidente da ABCZ a negação da ASSOGIR.

O presidente da ASSOGIR ponderou que em não possuindo um programa de melhoramento genético não havia como participar da verba, e que, como diretor da ABCZ e não se sujeitaria ao que ele classificava como deselegância. Diante da pressão do Conselho, propôs um afastamento por 6 meses, então o vice-presidente cumpriria tais determinações. Incontinenti, o presidente do Conselho definiu: licença não! Ou o presidente cumpre as determinações do Conselho Superior, ou renuncia.

Ora, estatutariamente o Conselho Superior era um órgão consultivo e não deliberativo. Como aceitar uma posição dessas, ainda mais em tom de ameaças. O presidente de imediato apresentou sua carta renúncia, com o vice-presidente terminando o seu mandato e, inclusive, prorrogando-o no poder por um mandato tampão de 2 anos, com o objetivo de coincidir as eleições da ASSOGIR com as da ABCZ, uma vez que a entidade do Gir possuía, por tradição, na Chapa Oficial uma vice-presidência e uma diretoria, o que manteria uma consonância entre o período administrativo da ASSOGIR com o da ABCZ.

Nesse período ocorreu a implantação do Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir – PMGRG – através da utilização dessa verba em questão e de parcerias múltiplas, além da colaboração de abnegados criadores.

O então vice-presidente elegeu-se presidente em conformidade com os estatutos, porém, através de uma ação na justiça foi afastado do cargo, passando a entidade por uma intervenção judicial, até a determinação de eleições a trouxesse à legalidade. Há que se esclarecer que a referida ação judicial foi recusada pelo STJMG por falta de sustentação legal.

O novo presidente assinou seu Ato de Fé rumo à fogueira no momento em que deixou de compor a Chapa Oficial da ABCZ optando por uma Chapa saída das associações promotoras das raças, culminando com o seu afastamento numa Assembléia em que maioria substancial não pertencia ao quadro de sócios da entidade. Dos associados presentes, pouquíssimos em dia com as obrigações estatutárias, por conseguinte, impedidos de votarem e serem votados;
Um dos articuladores do movimento fazia pressão através de um voto por procuração, o que era vetado pelo Estatuto.

Como nas vezes anteriores, o presidente assinou sua carta renúncia e foi embora. A assembléia modificou o Estatuto, o organograma e um novo presidente eleito. Mas eleito por pouco tempo, pois uma nova articulação impõe a ele o instituto da renuncia. E mais uma vez, o presidente sairá de um grupo conspirador.

Como dar credibilidade a uma associação representativa de uma raça, com mais de 55 anos de atividade, das quais mais de 30 está tendo sua alternância de poder efetivada através de conspirações e arranjos em desrespeito ao seu Estatuto.

Melhoramento Genético

Atualmente três Programas de Melhoramento Genético envolvendo a raça: Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e Associação Goiana dos Criadores de Gir (AGCG) mais conhecida como GIRGOIÁS.

Primeiro e segundo fechados na linhagem de um único Touro

O primeiro através de seu Teste de Progênie (ABCGIL) fechou em C.A. Everest que trás no topo do ranking um filho, C. A. Sansão (PTA 923,09) e, em segundo lugar um neto, Brasão de Kuberas (PTA 881,51). Dificilmente a linhagem C.A. Everest será superada pelos números apresentados.

O segundo através de seu Sumário Nacional de Touros Gir de Aptidão Leiteira (ABCZ) acabou engolido pelo primeiro pela sua conformação. Todo animal que tiver acima de 4 filhas, acima de 3 propriedades diferentes que estejam em Controle Leiteiro Oficial (ABCZ) será avaliado. Isso demonstra que todos os animais pertencentes ao Teste de Progênie (ABCGIL) automaticamente são avaliados pelo Sumário (ABCZ) onde a diferença reside na publicação. A ABCGIL publica somente os touros participantes de seu teste, e a ABCZ, todos aqueles touros que possuem acima de 4 filhas, acima de 3 propriedades diferentes em Controle Leiteiro Oficial. Com isso, as chances dos Touros não pertencentes a vertente denominada “gir leiteiro”ter uma expressividade no ranking é mínima.

O terceiro ameaçado

O terceiro através de seu Teste de Progênie (GIRGOIÁS) optou por contemplar touros alternativos, isto é, que estejam dentro do padrão de “pureza de origem” e que possam abrir essa consangüinidade que ora ameaça o criatório brasileiro.

Responsabilidade da GIRGOIÁS

Assim, a constatação é obvia: a eleição na GIRGOIÁS não define somente o corpo diretivo da entidade para os próximos anos, e sim, o futuro da raça Gir no Brasil.

Luiz Humberto Carrião

terça-feira, 7 de junho de 2011

Produtores. Como realmente proteger preços e garantir Lucros?

A corrente safra 2010/2011 está sendo recorde de produção no estado, praticamente todas as culturas de grãos foram recordes. Porém o grande diferencial deste ano e que ajudou muito os produtores foi a alta das commodities que atingiram patamares de preços históricos e algumas até mesmo dobraram de preço em relação a safra anterior. Se movimento de preços ajudou bastante os produtores do estado que a pouco sofriam com estiagens, baixos preços e custo alto dos fertilizantes. A demanda por alimentos aumenta e este tem sido o principal fator da inflação que assusta governo e boa parte da população brasileira. Excelente, ano de boa produtividade, bons preços e agora, vindo a colheita, como será 2012, será que as commodities terão força para manter-se nestes níveis? Será que o fatores climáticos não poderão influenciar? Será que o alto custo dos fertilizantes não poderá impactar na margem caso os preços não se mantenham? Não devo aproveitar os bons preços e garantir preços mínimos de venda? Todas essas incertezas habitam a cabeça daquele que tem sua renda oriunda do campo. O bom momento das commodities dá a oportunidade garantir preços em um cenário de alta, pois este é o momento ideal. Grande parte dos produtores acompanha as cotações no mercado futuro e pensa que gostaria de saber mais e utilizar as ferramentas disponíveis, porém sempre desconfiam que seja um ambiente de especulação. Realmente existem muitos especuladores nos mercados futuros de commodities, que bom, pois sem eles nada funciona, eles são quem dão contraparte para produtores, tradings e etc. A BM&F já criou diversos contratos que não vingaram, pois não se tornaram atrativos para os especuladores, então acaba que nem produtores nem especuladores utilizam e acaba caindo no esquecimento. Os mercados futuros têm como principal intuíto ser ferramenta para produtores e demais envolvidos na cadeia produtiva de determinada commodities eliminarem o risco da oscilação de preços, o inicio desta história ocorreu em meados de 1890 com a criação da bolsa de Chicago CBOT, principal bolsa de futuros do mundo, pois os produtores sofriam muito com as oscilações de preço, alta na entressafra e queda na safra, então criou-se a bolsa como ferramenta de auxilio aos produtores e esta é a principal funcionalidade das principais bolsas de futuros do mundo. Existem diversas possibilidades a serem exploradas pelos produtores na bolsa, lembrando que devem utilizar a mesma para fins de proteção e não especulação, pois muito acabam desviando o foco por acreditarem ter um conhecimento sobre o mercado físico melhor que os demais e tentam obter ganhos especulativos, o que pode algumas vezes levar a prejuízos financeiros. Por maiores que sejam as possibilidades nos mercado futuros, uma das melhores alternativas para os produtores é a OPÇÃO DE VENDA, que limita os prejuízos e garante ganhos com a alta da commodity, veja como funciona:
Opção de Venda – ferramenta bastante semelhante ao seguro de um carro, onde você paga um prêmio anual (percentual do veículo) para garantir que em qualquer acidente seu veiculo esteja assegurado, mas para isto desembolsa o valor do prêmio. A opção de venda no mercado futuro é praticamente igual, você paga um prêmio (de 3% a 10%) do valor da saca, onde você tem o vencimento futuro e o valor de exercício, que nada mais é, que o preço que você está garantindo. Exemplo: Paga o prêmio de R$ 2,00 para garantir o preço de venda do milho setembro de 2011, ressaltando que você pode exercer seu direito a qualquer momento, a R$ 29,00. Resumidamente paga R$ 2,00 para garantir um preço MINIMO de venda a R$ 29,00, sendo assim vamos imaginar como funcionaria em cenário de alta e cenário de baixa.

Cenário de Alta:

Comprou o “seguro” a R$ 2,00, garantindo um preço mínimo de venda a R$ 29,00 até setembro de 2011. Imaginamos que em Setembro os preços estejam R$ 32,00, o produtor não exerce seu direito de venda na bolsa a R$ 29,00 e ganha com a alta no mercado físico, pois venderá mais cara sua produção. Lembrando que o mercado futuro é apenas financeiro e o produtor negocia sua produção normalmente no mercado físico.
Resumo da Operação:

Capital Investido: R$ 2,00/saca – Valor do Prêmio
Ganho Financeiro: R$ 3,00/saca (-R$2,00 investido) com a alta no mercado físico.
Capital como margem de garantia – essa modalidade não exige garantia ao contrário do hedge com contrato futuro.
Capital para ajuste diário – essa modalidade não exige ajuste diário, mesmo com a alta do mercado o prejuízo é limitado no custo da opção de venda, neste caso R$ 2,00.

Cenário de Baixa:

Comprou o “seguro” a R$ 2,00, garantindo um preço mínimo de venda a R$ 29,00 até setembro de 2011. Imaginamos que em Setembro os preços estejam R$ 22,00, o produtor exerce seu direito de venda na bolsa a R$ 29,00 e recebe crédito em sua conta de R$ 7,00/saca garantindo o preço mínimo de R$ 29,00.
Resumo da Operação:

Capital Investido: R$ 2,00/saca – Valor do Prêmio
Ganho Financeiro: R$ 7,00/saca porém perde no físico, garantiu o preço de R$ 29,00 – R$ 2,00( valor prêmio)= R$ 27,00/saca.
Capital como margem de garantia – essa modalidade não exige garantia ao contrário do hedge com contrato futuro.
Capital para ajuste diário – R$ 0,00 essa modalidade não exige ajuste diário, mesmo com a alta do mercado o prejuízo é limitado no custo da opção de venda, neste caso R$ 2,00.

Os preço de referência para mercado futuro são da praça de Campinas SP, então deve-se levar em consideração a diferença de base para tomada de decisão. Essa modalidade de proteção é mais simples e que não gera transtornos para os produtores, pois garante seu preço mínimo, “prejuízo” limitado e ganho ilimitado com a alta da commodity.
É bom já começarmos a pensar na próxima safra e se precaver para não ter surpresas, pois o custo de produção estão alto também e caso os preços não se sustentem os produtores podem se ver mal em 2012.





Leandro Martini Paz
TBCS Investimentos
Votorantim Corretora

Fonte: Leandro Martini Paz

1º Leilão Produção Gir Leiteiro Milk Center

1º Leilão Produção Gir Leiteiro Milk Center
Local: Agro Canal
Horário: terça, 14 de junho de 2011 20:00

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ABCZ exige rigor a seus Técnicos com relação ao padrão racial

ABCZ exige rigor a seus Técnicos com relação ao padrão racial

De 180 animais (machos) colocados a julgamento para o Registro genealógico somente 13 foram aprovados

O certificado de pureza de origem (PO) ou de pureza de origem importada (POI) acompanhado do pedigree do animal, e o certificado de categoria LA (Livro Aberto) aos animais “cara limpa” que contemplem as características referentes ao padrão-racial estabelecido pelo Serviço de Registro Genealógico (SRG) são expedido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), através de suas delegadas e escritórios técnicos regionais espalhados pelo país.

Aos animais registrados no LA, uma observação: após a segunda geração de cruzamento com animais PO, sua progênie é registrada na categoria de PO (puro de origem).

A genética mostra uma diferença reveladora entre “árvore de genes” e a “árvore genealógica”. Na primeira cada gene de um indivíduo tem de ter vindo de seu pai ou de sua mãe; de apenas um dos seus 4 avós; de apenas um de 8 oito bisavós; na segunda (pedigree), o indivíduo vem de seu pai e de sua mãe, de seus 4 avós, de seus 8 bisavós, e assim por diante. Como diria o filósofo Tim Maia, “uma coisa é uma coisa, outra coisa e outra coisa.”

No cruzamento absorvente entre espécies diferentes, por exemplo, pai (Bós Taurus taurus) e mãe( Bós Taurus indicus) um gene X responsável por uma característica tanto pode vir através do pai como da mãe; de somente um dos seus 4 avós; necessariamente, de um de seus 8 bisavós, e, assim por diante.

Os genes definem sua linhagem através de machos e fêmeas com igual probabilidade. Isto significa que um animal PO (puro de origem) através de cruzamento absorvente pode ter herdado, por exemplo, características produtivas do pai e fenotípicas da mãe, e vice-versa. Nisso o padrão racial é quem define.

O trabalho de descrição do padrão racial das raças zebuínas foi de uma meticulosidade impar por uma equipe chefiada pelo veterinário José Rodrigues Calheiros, com a colaboração de Waldemar Cruvinel Ratto, na década de 30 do século passado. Partiram de referências em animais vivos importados, passando por descrições de pessoas que estiveram na Índia, até análises de fotografias.

“A principal função do SRG é a fixação do patrimônio genético visando à melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos. Com isso, assegura-se a garantia de origem dos filhos dos reprodutores. O SRG executa esta função inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial. Os reprodutores registrados e controlados pelo SRG exercem importante função de aprimoramento racial de um plantel, sendo, pois, imprescindível a uma seleção criteriosa.” (Lopez, 2001, p. 73).

Atentem para as frases: “melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos” e “inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial.” A função do SRG objetiva a padronização racial aliada à produtividade.

Ora, se um indivíduo obtido entre duas espécies diferentes através de cruzamento absorvente pode herdar características produtivas de seu pai e fenotípicas de sua mãe, e vice-versa, somente o padrão racial estabelecido à raça pelo SRG poderá aproximá-lo o mais possível de sua pureza de origem. Ao contrário, se ao invés do padrão racial optar pela produtividade podem determinar em pouco tempo a redução populacional de pureza racial de determinadas subespécies ou raças, ameaçando-as inclusive de extinção.

Recentemente, consta que em um dos maiores rebanhos de “gir leiteiro” do Brasil, de 180 animais machos colocados à presença de um Técnico da ABCZ para classificação ao Registro Genealógico, 167 foram recusados por estarem fora do padrão racial estabelecido pelo SRG da ABCZ, somente 13 efetivados.

Se isso realmente ocorreu, tem sua significação.

Luiz Humberto Carrião

sábado, 4 de junho de 2011

Um breve estudo sobre a Raça Gir

Um breve estudo sobre a Raça Gir

Carl Von Linné (1707 – 1778) apresentou à sociedade científica do seu tempo a Taxonomia, ciência que classifica os organismos vivos, unificando a linguagem de numerosos taxonomistas em países diferentes. A Taxonomia estabelece regras para dar nomes aos animais, a partir do trabalho apresentado por Linné, botânico, zoólogo e médico sueco, em 1758.

Os nomes dos animais devem ser escritos em latim.

Todo animal tem obrigatoriamente dois nomes no mínimo. O primeiro é o gênero e o segundo o da espécie

O nome do gênero deve ser sempre escrito com inicial maiúscula e o da espécie com inicial minúscula

Quando se dá o nome específico em homenagem a uma pessoa, acrescenta-se a letra “i” no sobrenome do homenageado se for do sexo masculino

Quando o homenageado for feminino, acrescentam-se as letras “ae” ao sobrenome

Quando existe subgênero o seu nome deve ser escrito depois do nome do gênero, entre parêntesis, e sempre com inicial maiúscula

Se um gênero ou espécie foi descrito mais de uma vez, deve-se sempre usar o primeiro nome que o animal foi descrito, mesmo que seja errado. É a Lei da Prioridade

Quando existe subespécie, o seu nome deve ser escrito depois do da espécie e sempre com inicial minúscula.

O nome dos animais deve ser grifado ou deve se usar um tipo de letra diferente ao texto; em geral se usa o negrito ou caracteres itálicos.

Classificação taxonômica: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero, Espécie, Subespécie ou Raça.

Reino: Animalia (animal ou Metazoa) é composto por seres vivos pluricelulares, heterotróficos, cujas células formam tecidos biológicos, com capacidade de responder ao ambiente que os envolve ou, por outras palavras, pelos animais.

Filo: Chordata (abrange animais adaptados para a vida em água doce, salgada, terra e ar).

Classe: Mammalia (mamíferos) formam o grupo mais evoluído e mais conhecido dos Chordata.

Ordem: Artiodactyla (constitui uma ordem de mamíferos ungulados (divisão de mamíferos que compreende os animais de casco) com um número de par de dedos nas patas.

Família: Bovinae (constitui uma famílias de mamíferos ruminantes, a qual pertence animais domésticos como ovelha, cabra, boi e selvagens como antílopes e bisontes.

Gênero: agrupamento de organismos vivos/fósseis para agrupar um conjunto de espécies que partilham um conjunto muito alargado de características morfológicas e funcionais, um genoma com elevadíssimo grau de comunalidade e uma proximidade filogenética muito grande, refletida para existência de ancestrais comuns muito próximos.

Espécie: é um conceito fundamental da Biologia que designa a unidade básica do sistema taxonômico utilizado na classificação dos seres vivos. Estrutura-se em torno da constituição de agrupamentos de indivíduos (os espécimes) com profundas semelhanças estruturais e funcionais recíprocas, resultantes da partilha de um cariótipo idêntico, expresso numa estrutura cromossômica das células diplóides similar, que lhes confere acentuada uniformidade bioquímica e a capacidade de reprodução entre si, originando descendentes férteis e com o mesmo quadro geral de caracteres, num processo que, quando envolva um organismo sexuado deve permitir descendentes férteis de ambos os sexos.

Subespécie ou Raça: É uma subdivisão da espécie. Normalmente isso ocorre quando duas ou mais populações de uma mesma espécie se separam indo viver em regiões diferentes e por ficarem separados por barreiras geográficas por muitas gerações e não existindo trocas de genes entre essas populações isoladas umas das outras.

Os grupos isolados uns dos outros sofrem mutações com o tempo e assim aparecendo diferenciações genéticas e surgimento de novas subespécies ou raças nessa mesma espécie.

Então:

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Mammalia

Ordem: Artiodactyla

Família: Bovidae

Gênero: Bós

Espécie: Bós Taurus

Subespécie ou Raça: Bos Taurus indicus (Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian)

“Raça não é uma palavra claramente definida. Já com “espécie” é diferente. Existe um fato consensual de decidir se dois animais pertencem a uma mesma espécie: eles podem intercruzar-se? Obviamente não podem se pertencer ao mesmo sexo, ou se for jovem ou velho demais, ou se ainda por acaso um deles for estéril. Mas essas são filigranas, minúcias fáceis de contornar. [...]” (Dawkins, 2009, p. 464).

“O critério do intercruzamento confere a uma espécie um status único na hierarquia dos níveis taxonômicos. Acima do nível da espécie, o gênero é apenas um grupo de espécies bem semelhantes uma das outras. Não existe nenhum critério objetivo para decidir quanto elas têm de ser semelhantes, e o mesmo se aplica a todos os níveis superiores: família, ordem, classe, filo e os vários nomes como “sub” ou “super” que entremeiam essas categorias. Abaixo do nível das espécies, “raças” e “subespécie” são classificações usadas de modo mais ou menos permutável, e também nesse caso inexistem critérios objetivos que nos permitam decidir se dois indivíduos devem ou não ser considerados membros de uma mesma raça e que nos digam quantas raças existem. E temos ainda, obviamente, a complicação adicional, ausente acima do nível das espécies, de que as raças se intercruzam: por isso existem muitos indivíduos de raça mista.” (Dawkins, 2009, p. 464)

“Presume-se que as espécies, em sua trajetória para se tornarem suficientemente separadas a ponto de não poder intercruzar-se, passam em geral por um estágio intermediário no qual são raças separadas. Raças distintas poderiam ser consideradas espécies em formação, exceto pelo fato de que não existe necessariamente a expectativa de que o processo continue até o seu final - a especiação.” (Dawkins, 2009, p. 464).

Existem quatro tipos de especiação que os evolucionistas identificam como as explicações mais prováveis:

No caso da especiação alopátrica, as fronteiras geográficas reais separam as espécies fisicamente. Um rio ou uma cordilheira, por exemplo, podem causar a divergência de uma espécie.

Na especiação parapátrica, uma espécie se espalha em áreas grandes com ambientes diversificados. Eles se adaptam a essas novas áreas e, gradualmente, tornam-se espécies distintas. Não há uma característica geográfica definida que separe esses animais; eles podem se tornar espécies distintas simplesmente por causa da distância entre os grupos.

A especiação peripátrica ocorre quando um pequeno grupo se isola do núcleo principal da espécie. Como esse grupo é apenas uma pequena parte da população total da espécie, todas as diferenças genéticas que tornam a espécie robusta podem estar ausentes. Isso constitui o que os biologistas evolucionários denominam efeito gargalo. Alguns dos genes que fluem dentro de uma espécie foram eliminados e separados do conjunto genético.

No caso da especiação simpátrica, os membros de uma espécie continuam vivendo lado a lado, mas separados em espécies diferentes.

Em cada um desses tipos de especiação, a espécie deve passar pelo processo de isolamento reprodutivo. Ora esse isolamento, por qual seja a causa, definiu características visuais capazes de identificar o que se convencionou chamar de raça zebuína, Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian etc.

O conceito da superioridade racial do povo alemão exaltada pelo nazismo hitleriano através da associação com a raça ariana (do sânscrito Arya = nobre) provocou traumas irreparáveis e profundos à Humanidade, dentre os quais as experiências genéticas de Josef Mengele, em Auschwitz. Isto de certa forma ascendeu a chama da Ética sobre a ciência levando a “questão raça” como algo destrutivo às relações sociais e humanas. Dawkins coloca o dedo na ferida:

“Todos nós podemos concordar tranquilamente em que a classificação racial dos humanos não tem valor social e é inegavelmente destrutiva para as relações sociais e humanas. Essa é uma das razões da minha objeção a assinalar alternativas em formulários e á discriminação nas seleções de emprego. Mas isso não significa que raça “praticamente não tem significância genética ou taxonômica”. É isso que Edwars está querendo dizer, e sua argumentação é que, por menor que seja a parcela racial na variação total, se as características raciais que existem forem altamente correlacionadas com outras características raciais, elas são por definição, informativas e, portanto, têm significância taxonômica.” (Dawkins, 2008, p. 472)

“Informativas têm aqui uma acepção bem precisa. Uma afirmação informativa é aquela que nos diz algo que desconhecíamos. O teor de informação existente em uma afirmação é medido pelo quanto ela reduz a incerteza prévia. Por sua vez, a redução da incerteza prévia é a medida com base na mudança das probabilidades. Isto nos dá um modo de tornar matematicamente preciso o conteúdo informativo de uma mensagem, mas não precisamos nos incomodar com isso. Se eu disser que João é do sexo masculino, você saberá de imediato uma porção de coisas sobre ele. Sua incerteza prévia sobre a forma de genitália de João será reduzida (embora não eliminada). Você saberá fatos que antes desconhecia a respeito dos cromossomos, dos hormônios e de outros aspectos da bioquímica desse indivíduo, e haverá uma redução quantitativa em sua incerteza prévia quanto ao tom de voz, a distribuição dos pelos faciais, da gordura corporal e da musculatura de João. [...]” (Dawkins, 2009, p. 473)

“Agora, a questão da raça. E se disser que Suzana é chinesa, em quanto a sua certeza prévia se reduzirá? Agora você apostará que ela tem cabelos lisos e pretos (ou que um dia foram preto), uma prega de pele epicântica na extremidade interna das sobrancelhas e mais algumas outras características.” (Dawkins, 2009, p. 473).

Se eu disser a um pecuarista que sou criador de Zebu, muitas das incertezas prévias com relação a mim serão reduzidas. Por exemplo, que crio gado de origem indiana, caracterizado pelos chifres e a giba. Se indagado se é “gir leiteiro” e eu digo não, crio Gir, mais incertezas reduzidas, ou seja, seus conhecimentos mostrarão que crio um animal que morfologicamente apresenta uma convexidade de crânio ao formato de um ovo; chifres saindo na linha dos olhos, para baixo e para trás, orelha em forma de cartucho com uma dobra acentuada na ponta, o gavião; olhos serpenteados; chanfro médio, narinas e bocas grandes, mucosas pigmentadas, barbela, cupim avantajado nos machos, e delicado nas fêmeas, ambos em forma de castanha; diversidade de pelagem, temperamento dócil, de andar sincopado onde os rastos dianteiros servem de referência aos traseiros; rabo fino e longo, onde a vassoura varre os rastos; cisterna (depósito animal de leite) acima dos jarretes, etc..

Por que essa definição por parte de meu interlocutor? Por ser este o padrão racial elaborado pelos Técnicos do Registro Genealógico para servir de referência ao julgamento para o registro efetivado a partir de 1938. Porque este foi o Gir que veio da índia. Provavelmente, criado pelo seu pai e por seu avô.

Suzana e o Gir foram incertezas prévias reduzidas na questão raça, em função da presença visual de caracteres por eles herdados presentes na maioria da população as quais pertencem e que, encontram-se armazenados no inconsciente coletivo.

Caracteres visuais que fogem ao padrão racial não podem ser considerados filigranas, algo sem importância, porque podem aparecer em progênies futuras. O mesmo se pode dizer aos animais efetivados através de cruzamentos absorventes. Nestes casos, especificamente, esse indivíduo volta a compor a classificação taxonômica contextualizada na espécie, que se isolada reprodutivamente, irão fixar esses caracteres dando origem a outro padrão visual, originando outra raça.

Com isso, qual a conclusão que se chega com relação ao padrão racial criado pelos selecionadores de “gir leiteiro”? Num primeiro plano, o retrocesso à classificação taxonômica denominada espécie, e, assim que efetivado esses caracteres através do isolamento reprodutivo de sua população, esse padrão será fixado criando assim uma nova raça que não a Gir.

Se esse padrão adveio através de cruzamentos absorventes com a espécie Bós Taurus taurus (européia) trata-se de um subproduto da raça Gir, obtido através do que se denomina cruzamento industrial, que também o exclui como raça Gir.

“O DNA mitocondrial também pode ser revelador, particularmente para padrões muito antigos. Se compararmos o DNA mitocondrial do leitor com o meu, poderemos determinar há quanto tempo eles compartilham uma mitocôndria ancestral. Como todos nós herdamos nossas mitocôndrias de nossa mãe, e, portanto, das avós maternas, bisavós maternas etc., as comparações mitocondriais podem nos dizer quando viveu nossa ancestral mais recente pela linha feminina. O mesmo pode ser feito com os cromossomos Y para determinar quando viveu nosso ancestral mais recente pela linha masculina, mas, por razões técnicas, isso não é fácil. A beleza do DNA do cromossomo Y e do DNA mitocondrial está em que nenhum deles é contaminado por mistura sexual. Isso facilita buscar a origem dessas classes especificas de ancestral.” (Dawkins, 2009, p. 77)

Na comparação do DNA mitocondrial e do cromossomo Y de dois “indivíduos ditos gir”, o que se pode determinar é o quanto de tempo que eles compartilham uma mitocôndria ancestral e quando viveu a ancestral mais recente pela linha feminina, o mesmo podendo ser feito com o cromossomo Y com relação à ancestralidade masculina.

Tomando como probabilidade de que toda espécie zebuína (Bos Taurus índicos) veio de uma ancestralidade comum, é pouco provável que o DNA mitocondrial e do cromossomo Y venham determinar sobre o fator racial.

Mais uma vez, o quesito raça passa a ser efetivado a partir de caracteres externos expressos em um indivíduo. O que se pode aferir através do DNA mitocondrial e do cromossomo Y é se esse indivíduo possui miscigenação entre as espécies Bós Taurus indicus e Bós Taurus taurus.

A importância do indivíduo é reconhecida pelos geneticistas, apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.

Como se pode ter reprodução e linhagem, esta no sentido de linha de parentesco ascendente e descendente, mas não hereditariedade? Essa é a lição que o fogo nos ensina.

“A verdadeira hereditariedade significaria a herança não do fogo em si, mas das variações entre os fagos. Alguns são mais amarelos, outros mais avermelhados. Alguns rugem, outros crepitam, outros ainda sibilam, soltam fumaça, cospem. Há os que possuem laivos de azul ou verde nas chamas. Nossos ancestrais, caso tenham estudados seus lobos domesticados, hão de ter notado uma diferença reveladora entre as linhagens de cães e linhagens de fogo. Nos cães, semelhante gera semelhante. Pelo menos parte que distingue um cão de outro é transmitida por seus pais. É obvio que existem também as influências externas: alimentação, doenças e acidentes. No caso do fogo, todas as variações provêm do meio, nenhum descendente de uma fagulha progenitora. As variações resultam da qualidade e umidade do combustível, da direção e força do vento, da tiragem da lareira, do solo, de vestígios de cobre e potássio que adicionam toques verde-azulados e lilases à chama amarela do sódio. Em contraste com o cão, nada na qualidade de um fogo adulto chega por intermédio da fagulha que o originou. Fogos azuis não geram fogos azuis. Fogos crepitantes não herdam a crepitação do fogo-pai que cuspiu sua fagulha iniciadora. Os fogos apresentam reprodução sem hereditariedade.” (Dawkins, 2009, p.646).

“A história é a majestosa Torre da Experiência que o tempo erigiu no espaço infindo dos anos decorridos. Não é fácil tarefa alcançar o cimo desse antigo edifício e gozar da vista dum panorama completo; não há ali elevador, mas os moços têm os pés fortes e podem tentar-lhe a ascensão. Aqui vos dou a chave que vós abrirá a porta. Quando voltardes, compreendereis a razão do meu entusiasmo”. (Loon, 1953, p. 9)
Referências Bibliográficas

Dawkins, Richard. A grande história da evolução: na trilha dos nossos ancestrais / Richard Dawkins ; com colaboração de Yan Wong ; tradução Laura Teixeira Motta. – São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Loo, Hendrick Willen Van. História da Humanidade / Hendrick Willen Van Loo ; Tradução Marina Guaspari. – Porto Alegre, 1953.

Luiz Humberto Carrião
Publicado no www.girpontocom.blogspot.com em 4/junho/2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Artigo confeccionado para a revista AG “Longevidade no gado de leite”

Longevidade

A longevidade é uma característica que deve ser almejada por muitos produtores. Não se trata especificamente da idade avançada, mas, sim, da capacidade de permanência produtiva da vaca em um rebanho. A longevidade pode ser medida com base na vida produtiva de uma matriz, que é a diferença em dias entre o seu primeiro parto e os dias de lactação em sua vida produtiva total. A vida produtiva, portanto, poderia ser definida como o número de lactações que uma vaca completa até ser descartada do rebanho.

O valor genético para a longevidade deve ser baseado em informações como profundidade do úbere, aparelho locomotor (pernas e pés) e qualidade do leite. Da mesma forma, alguns atributos ganham importância como critério de descarte de animais em lactação. São eles: baixa produção de leite, presença de mastite crônica, problemas de fertilidade ou reprodução, bem como dificuldade de parto; anormalidades nas pernas/pés e a necessidade do uso intensivo de medicamentos, provocado por problemas veterinários frequentes. Por fim, é desejável avaliar-se todo o custo/benefício de permanência do animal junto ao rebanho.

A longevidade é verificada em vacas de lactação constante, que são mais “duráveis” e geralmente são melhores matrizes, sendo também mais eficientes na produção de leite. Existe uma correlação direta entre estas características. A equação resulta no valor econômico da longevidade, a qual objetiva a obtenção do menor número possível de descartes involuntários do plantel. Com isso, melhora-se a renda do produtor e também a qualidade das futuras vacas que agregarão valor comercial ao rebanho.

A vantagem econômica de manter-se uma vaca rentável longeva em produção é que esta ficará mais tempo em lactação no rebanho e, desta forma, não será necessária a aquisição de mais novilhas para reposição. Vacas longevas vão gerar lucro em toda sua vida produtiva. Afinal, este animal estará consumindo alimento e em troca estará produzindo leite, enquanto as novilhas ou bezerras ainda estarão apenas consumindo alimentos, sem gerar receita e ainda gerando despesas diretas e indiretas com manejo, mão de obra, medicamentos, estrutura etc. E os maiores custos da propriedade estão, justamente, relacionados à criação das bezerras até o ponto em que estas se tornam vacas em lactação.

A influência da longevidade sobre o lucro de uma fazenda é demasiadamente significativa e precisa ser muito bem observada para que o produtor não tenha surpresas com o descarte excessivo de vacas no plantel. A observação desta característica permitirá ao produtor concentrar o descarte nas vacas com baixa produtividade, fazendo com que ele tenha a cada ano um número de substituições menores, otimizando os resultados do rebanho.

Conformação é outro componente importante nas decisões de seleção do rebanho leiteiro, a fim de aumentar a rentabilidade, tornar a vida das vacas mais prolongada (“durável”). Mas, por sua vez, cascos – enquadrados em pernas e pés – podem ter efeitos econômicos diretos no custo do tratamento dos problemas relacionados à redução da produção de leite. A dificuldade de locomoção, por exemplo, pode causar baixa ingestão de alimentos.

Observações que o produtor deve levar em conta na seleção:

Pernas e Pés
Devemos avaliar a posição das pernas e pés para verificar se o animal caminha com facilidade e sustenta bem toda sua estrutura corporal. O ângulo de casco determina a longevidade dos animais e a durabilidade dos aprumos. Pés corretos são muito importantes para o funcionamento das pernas. Os pés devem ser conformados, com talões profundos (altos) e sola nivelada.

Úbere
Não deve ultrapassar o jarrete. Precisa ter comprimento moderado e estar firmemente aderido (úbere anterior). O mesmo deve ser considerado no úbere posterior, além de ser alto e largo. Ligamentos suspensores fortes e separação bem marcada conduzem a uma boa sustentação e piso do úbere.

Tetos
Ideal os verticais, com comprimento e tamanhos desejáveis.

Administração
A longevidade pode ser melhorada se os fatores de gestão sobre pés e pernas, reprodução e mastite forem identificados precocemente e medidas corretivas forem tomadas de forma adequada, fazendo com que as vacas fiquem por mais tempo no rebanho, prevenindo o descarte prematuro.

Os cascos juntamente com o tratamento da mastite estão entre os maiores custos que podem afetar o rebanho leiteiro. Demandam mão de obra e medicamentos. Estão ligados diretamente ao desempenho produtivo e à diminuição da eficiência reprodutiva dos animais. A mastite, em particular, pode ser uma das principais causas de descarte involuntário, sendo que ainda causa aumento de outros prejuízos, como redução da produção, descarte de leite, custo elevado com medicamentos e redução da qualidade do leite.

A seleção baseada na longevidade é extremamente rentável. Sabemos agora que uma alta taxa de descarte é financeiramente prejudicial. Com uma boa estratégia de melhoramento, visando longevidade, a taxa de descarte pode ser reduzida, revertendo-se em lucro no médio e longo prazos. Para tanto, o pecuarista deve sempre ter em mente:

Manejo – Alta produção e longevidade
Durabilidade – Resistência, fertilidade, saúde, vacas longevas e livres de problemas
Ênfase no Úbere – Prioridade no melhoramento dos úberes
Pernas e Pés – Primazia no melhoramento de aprumos do rebanho

Willy Groot
Estância Futurama Melhoramento Genético e Bonsmara Holambra
Holambra 1 SP

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Você utilizaria um touro Gir obtido através de cruzamento absorvente?

Você utilizaria um touro Gir obtido através de cruzamento absorvente?

Sim, eu o utilizaria, Francisco Ponces Cárdenas (pesquisador mexicano, criador de Gir Leiteiro)

Não o utilizaria, Edmardo Neves Pereira (professor universitário brasileiro, criador de Gir)

Em texto veiculado pelo espaço Planeta Cebu, o ex-professor e pesquisador da UNAM – Universidade Nacional Autônoma do México, criador de Gir Leiteiro desde 1978, no Rancho Jalpa, município de Buena vista Tomatlan, Michoacán, no México, faz o questionamento: Você utilizaria um touro gir obtido através de cruzamento absorvente? Sim, eu o utilizaria responde Cárdenas utilizando-se da seguinte argumentação.

Um geneticista americano cruzou um cão Dálmata que trazia patologias como: surdez, problemas de pele e cálculos renais com um Pointer Inglês que não padecia desses males. O resultado foi que os descendentes depois da quinta geração não apresentavam os males inerentes à raça Dálmata e não se diferenciavam em nada dos puros. Os criadores da raça Dálmata não os aceitaram como reprodutores alegando prejuízos para a pureza da raça.

O que há neste fato?, questiona Cárdenas. Ele mesmo responde: por um lado, um feito experimental muito interessante e instrutivo; por outro, uma atitude irracional devido ao apego a idéias muito questionáveis. Afirma ainda, que é na saúde, reprodução, viabilidade de crias, crescimento e eficiência de conversão que brilha a heterose, e, onde fraquejam as raças está presente a endogamia.

O que está por trás das idéias de pureza racial? Questiona novamente o pesquisador mexicano seguido de suas posições: equívocos, confusões e contradições.

Para Cárdenas, em genética não cabem palavras como: pureza, contaminações, certificados de origem, direitos e antiguidade. Estes vocábulos, continua, estão relacionados com a moral religiosa, substâncias químicas, alimentos, os corpos de água e ar na natureza, nas bebidas finas e nos direitos trabalhistas; e exemplifica: um composto é quimicamente puro quando somente os elementos que compõe o arranjo molecular que o caracteriza esteja presente sem que apareça nenhum outro elemento distinto. Se aplicarmos essa idéia a uma raça pura, esta teria que ter todos seus genes diferentes aos genes dos demais membros de sua espécie não compartilhando nenhum o que levaria a todos os membros desse grupo a ter uma composição genética entre eles. Não há teoria que assim o considere. Seguindo essa mesma linha de pensamento, existem aqueles que pensam no extermínio de uma raça cruzando-a com outra, como se os genes fundissem entre si e não houvesse possibilidade de separá-los novamente. Os genes se desintegram e se recombinam guardando sua identidade.

Para Cárdenas, existem raças e ponto. Antigas e novas; retilíneas e mistas em distintos percentuais, que, mediante a seleção, se pode convergir em novas raças; todas cumprem uma função importante e devem ser vistas ao mesmo nível. Criadores de raças que vendem em seus produtos o gene, e criadores que vedem carne e leite para o consumidor, sendo que este é o objetivo final da maioria dos criadores.

Sobre pureza racial afirma que o vigor híbrido não se deve a ela. Exemplifica a Girolando na produção de leite em função da heterose. Vai mais além: a pureza racial não pode perpetuar, pois a “pureza” implica certo grau de consangüinidade, e arremata: as idéias de que reproduzindo o melhor com o melhor e perpetuando a pureza, se chega a algo superior são idéias totalmente desacreditadas na atualidade, e que, já deveriam ter sido erradicadas em pleno século XXI, porém, não defende a idéia de cruzar tudo com todos para acabar com as raças, e sim preservar a diversidade genética para ser utilizada quando conveniente e de maneira adequada.

Por tudo isso, é que em resposta a indagação se utilizaria um touro obtido através de um cruzamento absorvente, disse que sim, o utilizaria, se esse touro de uma Girolanda de boa produção, cruzada em três gerações, mas com touros Gir Leiteiros PROVADOS e com boa progênie. Este touro tenderia seguramente a uma boa adaptação ao trópico e uma boa probabilidade de herdar produção leiteira. Por meio de seleção adequada se pode fixar estas características. Que mais se pode pedir?

Os seres humanos compartilham genes com os vegetais, as bactérias, os peixes, os monos e com o “Gir puro de origem”, concluiu Cárdenas.

Em texto veiculado no mesmo espaço, Planeta Cebu, o Professor Titular de Física da Universidade Federal de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, Brasil, Edmardo Naves Pereira, criador de Gir desde 1979, na Fazenda Cocal, Município de Indianópolis, a 14 quilômetros de Uberlândia, vai à réplica afirmando que não usaria um touro Gir obtido por cruzamento absorvente.

Não usaria um touro mesclado com outras raças, afirma Edmardo. Quero manter o modelo vivo do Gir da região de kathiawar, que trás consigo milhares de anos de seleção funcional e racial. Sinto em mim a responsabilidade de cuidar e conservar da melhor maneira possível para que o Gir deixe de evoluir em funcionalidade e pureza racial. Trabalhar com touros Gir puros não significa destruir o enorme potencial leiteiro que a raça possui. São todas as vacas do mesmo Gir boas para leite, tanto do Gir leiteiro como o de dupla aptidão. É comum dizer que os criadores tachados de puristas estão parados no tempo; que são arcaicos. Ao contrário, estamos atentos no que se refere a potencialidade leiteira sem perder a pureza racial. Se não fosse a abnegação de alguns criadores de animais puros a raça havia desaparecido (abnegação tanto dos leiteiros como de os de dupla-aptidão).

Manter o Gir em sua pureza, é a garantia para a manutenção das cruzas com outras raças, coisa que vem ocorrendo em grande escala com a raça holandesa. Não sou partidário de obtenção de um touro Gir em cruzamentos absorventes, por exemplo, partindo de holandês puro, com certeza ressucitará a pelagem e a caracterização da raça Gir. A pureza racial precede a absorção, pois a absorção tem como ponto de partida a pureza racial.

O gado Gir saiu dos “santuários indianos”? Por que preservar sua pureza racial? Tem que existir alguém que preserve a pureza para não deixar sucumbir a raça. São essas pessoas abnegadas quem garantem a semente para manter o Gir puro, para aqueles que praticam os trabalhos de absorção. Vários animais que vieram para o Brasil tinham raça pura, pois, estiveram confinados nos terrenos de alguns marajás. Por exemplo, na importação de Celso Garcia é aonde concentro a maior parte do eu trabalho. O Gir puro nunca entrará em crise, pois sempre haverá vendedores de leite. Um touro Gir obtido por absorção pode ser um bom produtor de leite, mas, não significa garantia de leite e caracterização racial em sua descendência (pode levar a degeneração da raça). Quero dizer, que não estou contra quem use um touro por absorção. Como defensor da raça pura, eu não o usaria.

Antes de um comentário sobre ambos os textos gostaria de fazer algumas considerações:

A – Não domino a língua espanhola em que os textos foram escritos;
B – Não sou habilitado ou graduado nos saberes genéticos;
C – Criador de Gir desde o ano de 1985 e Nelore 2007, bibliófilo e professor de História.

A idéia defendida pelo pesquisador Cárdenas contextualiza-se na visão americana para a qual o melhoramento genético tem como objetivo, em absoluto, o lado comercial. Na América não existe a cultura da preservação muito bem explicitada pelo professor Edmardo.

Cárdenas parte da experiência de um geneticista americano utilizando-se de duas raças de cães: uma de patologia congênita em cruza com outra sem essa patologia e que, após a quinta geração, em nada se diferencia fenotipicamente (os indivíduos) da primeira, com uma vantagem na visão do pesquisador, sem a patologia congênita.

Com relação à zootecnia coloca o vigor hibrido como a incontestável ferramenta para o melhoramento genético, todavia, observando que não defende a idéia de cruzar tudo com todos para acabar com as raças, mesmo porque isso seria um crime contra as gerações futuras e porque não dizer contra a humanidade. Conscientes que somos de que a morte humana é uma situação “sine qua non” para a perpetuação da espécie é que surgiu na ciência o que denominamos de ética. Valor este ao qual o professor Edmardo não abre mão.

Um Banco de Germoplasma Gir se faz necessário, mas não a ponto de liberar geral. Hoje o Planeta depende de vários biomas para a sua sobrevivência. E por que essa pressão sobre o bioma amazônico? Se através de um Banco de Germoplasma pode-se reconstituir o que foi destruído, por que as comunidades do hemisfério norte não reconstroem os seus? O processo não é bem simplista assim.

Concordo com o pesquisador Cárdenas quando diz que criadores de raça vendem genética e os criadores de cruzamentos vendem leite e carne para o consumidor, e que este é objetivo final da maioria dos criadores. Inquestionável!

A fala do pesquisador Cárdenas me leva a uma posição assumida pelo doutor João Gilberto Rodrigues da Cunha, então presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), no ano de 1989, na abertura do Simpósio Especial Sobre a Raça Gir, promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Gir (ASSOGIR), na cidade de Uberaba, Minas Gerais:

“a toda essa pecuária zebuína, cujo passado extraordinário conseguiu firmar racialmente todas as raças eu diria: o passado consolidou posições de pureza racial, o futuro nos reserva a eficiência racial. Espero que todos aqui, no estudo da raça Gir, tenham presentes esses objetivos futuros. A outra convicção pessoal é que, no final deste século, grandes mudanças vão ocorrer na destinação da pecuária seletiva. É impossível um país tropical como o nosso pretender ter um milhão de selecionadores de sementes zebuínas puras. Aqueles que se dedicam ao Zebu selecionado sabem que a semente pura exige um trabalho de dedicação, um trabalho artesanal, aquilo que o velho Rodolfo machado fazia assistindo a vaca parir o seu bezerro, assistindo os seus primeiros passos e a primeira mamada. Era aquela presença constante dentro de seu negócio, aquela participação nos resultados! Esse trabalho artesanal é impossível para um milhão de criadores e nem é necessário. Nós sabemos que a grande necessidade do final do século vai ser a quantidade de produção: a produtividade! Eu tenho a convicção de que o numero de selecionadores de animais puros vai diminuir, em benefício dos criadores de cruzamentos, quer industriais para corte, quer para a finalidade leiteira, e, nos dois sentidos, eu acredito que a raça Gir tem importante colaboração a dar. Isso já aconteceu na agricultura. Aqueles que estiveram acompanhando a vida do milho híbrido sabem que o milhozinho Cateto abandonado no passado, passou a ser essencial na produção de um milho híbrido resistente. Coisas desse tipo certamente acontecerão na pecuária. Nós temos necessidade de presenciar todas as sementes puras, pois, às vezes, aquela que não é necessariamente a mais eficiente quando isolada, poderá transportar resultados extremamente desejáveis nos cruzamentos.” Um vaticínio!

O conceito de raça pura pode até ser contestado, com o fez o pesquisador Cárdenas, mas o de raça não. A lógica não aceita duas raças iguais. Só existe uma raça Gir sobre a qual as expressões, “dupla-aptidão” e “leiteira”, são utilizadas para designar sua finalidade econômica. Tanto uma como outra, se utilizado o cruzamento absorvente para a conquista de sua atividade econômica, não deveria utilizar-se do nome GIR. Um simples exame de DNA aferindo o grau de sangue zebuíno resolveria o problema. Com a palavra os criadores de gir.

Luiz Humberto Carrião

Tradição por Luiz Humberto Carrião

Os criadores de Gir de tradição e por tradição tem que continuar sendo “puristas” sob pena de negar a Tradição, que para Ananda Coomaraswamy, “representa a doutrina dos princípios primeiros, os quais são inalteráveis.”

A palavra tradição deriva do latim “traditio” que significa transmissão; algo que é transmitido ou transferido do passado para o presente, seguido e partilhado durante gerações.

Os criadores de vanguarda que estão ou procuram estar à frente de seu tempo, através de idéias, ações e experiências científicas, têm que continuar sendo de vanguarda sob pena de admitir a existência fixista da tradição.

São posições antes de qualquer outra, Ideológicas.

Criada no século XIX por Tracy, a palavra ideologia, significa, etimologicamente, ciência das idéias. Pressupõe ação, ao exortar e orientar o grupo a agir no sentido da consecução dos objetivos que se propõe e que considera seus, de direito [royalties à Escola Secundária de Alberto Sampaio].

Em ideologia o errado não existe. Existe sim o contrário. Respeitar o contrário é uma questão de democracia, isto é, a cidadania exercida de maneira soberana, direta ou indiretamente.

Tais concepções, infelizmente, o homem só vem tomá-las em consciência depois de muitos caminhos percorridos. Só então, vem conceber que antanho a essa descoberta serviu mais aos interesses desses ou daqueles, do que a si próprio. Chega então o momento da reflexão. Aí reside o aprendizado da vida.

A escrita como fonte histórica eterniza o pensamento. E este pode advir do senso comum, opiniões que manifestamos ao longo da vida, sem ter a visão do todo, ignorando que as coisas relacionam entre si; ou, pelo senso crítico baseado na Episteme (ciência) buscando um olhar totalizante para os fenômenos contextualizados cada vez mais na especialização da ciência. Permanecer no senso comum é ter uma visão fragmentada da realidade que pode a qualquer instante ser superada através de uma práxis-científica.

E na gir, a práxis-científica já surpreendeu o senso comum. Quando da segunda bateria de touros a serem selecionados para o PMGRG – Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir – foi inscrito um animal contextualizado no “gir leiteiro”. As críticas foram avassaladoras. Todavia, no exame de DNA para auferir o percentual de sangue zebuíno, o animal era 100% sangue indiano, ao contrário de um animal daqueles que o criticaram.

O padrão racial por si só não garante a ancestralidade genuína de um animal. Principalmente, num rebanho formado por absorvência. O exemplo acima é uma prova disso. Nem tão pouco a produtividade de uma raça pode ser auferida sobre artificialidades de manejo (alimentação, nutrição e produtos farmacológicos) e trabalhando com indivíduos, não com média de rebanho.

Ao final, em ideologia, a História tem mostrado que sempre um dos contrários acaba como dominante. Neste caso, resta saber o qual.

Luiz Humberto Carrião

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um pouco da História de Criadores da raça GIR

Repaginado no Grupo "Giristas de Carteirinha" (Grupo do Facebook) por Luiz Humberto Carrião, na qual, compartilho na íntegra:

"Texto publicado na Revista Gir & seus cruzamentos [órgão oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Gir – ASSOGIR]. Ano 1, nº 6 – Agosto/setembro/2003

"[Aqui repaginado por solicitação do criador-diretor da ASSOGIR, Waldir Barbosa de Oliveira Junior]

O Gir entristeceu: morreu Jairo de Andrade

“Quando ele próprio se libertou de todo desejo de seu coração, o mortal deste mundo, tornou-se imortal em Brahman. Na verdade, tudo é Brahman.”

Apesar de estar localizado na maior cidade brasileira, o ambiente traduz a beatitude divina.

Um pórtico esboçado na arquitetura oriental dá passagem àqueles que vão ao reencontro da Divindade. Ali, o silêncio é como a música, não atua pelo que diz, e sim, pelo que é – uma linguagem universal.

Um estreito caminho calçado com bloquetes, arborizado de ambos os lados leva a uma capela não muito distante da entrada. Uma plataforma de concreto em formato de mesa retangular aguarda sempre o próximo sarcófago. É necessário pela legislação que se aguarde no mínimo 48 horas para o início do ritual.

Um forno de altíssima potencialidade calórica é acoplado à reduzida Capela por um túnel equipado por uma esteira rolante. Uma pequenina urna de porcelana abriga o que restou da menor individuação de Deus na Terra.

A Alma, agora Espírito, com a volatilidade ao desligar-se de seu invólucro biológico dirige-se a algures inimagináveis nesta amplitude infinita diante de nossos olhos. E foi ali, aos acordes do Prelúdio nº 1 para Cravo, de Johann Sebastian Bach, seguido pela Ave Maria de Charles Gounot, que se cumpriu a seu pedido o ritual hindu.

O grande jequitibá, o homem que muitos consideravam imortal, de sorriso leve, cabelos grisalhos a farfalhar, sempre vestido de branco e com uma paixão inigualável pelo Gir, em poucos segundos foi reduzido a um punhado de cinzas, que no dia seguinte, carregado pelos netos, numa sepultura simples no Cemitério Jardim das Palmeiras, foi depositado para ficar na saudade de todos nós.

Na última visita ao casal Góes, Leda e Aderbal, na Chácara Canaã D’Gal relembrava das odisséias pelas exposições por este Brasil afora; das brigas por melhores pavilhões para a raça Gir; das influências nos julgamentos dos animais; de suas paradas em Corumbaíba para tomar sorvete no Pingo de Mel; de sua luta pra manter-se vivo; já cansado e bastante emotivo, sempre enxugando as lágrimas em meio aos versos que declamava dizia a Aderbal que deveriam a partir de então, encontrar-se ao menos quinzenalmente, pois o tempo cumpria a cada dia o seu papel. Era uma despedida.

Homem de determinação ímpar que sempre deixou de lado o passado, arquitetando no presente os planos para o futuro.

Na véspera de sua morte lá estava ele na Fazenda Forquilha, em Redenção, no sul do Pará, juntamente com os empregados dentro do curral apartando gado.

A garra e a determinação de viver sempre falaram mais alto até o dia 4 de agosto último (2003), quando encontrou no Nirvana – o paraíso – abandonado Maya – a ilusão – em busca de seu encontro com Brahman – a Divindade – para integrar-se ao imenso mar celestial, que na adversidade, estabelece e mantém a harmonia do Universo.

Se a sua partida deixou um rasto de saudade entre aqueles que ficaram, lá em cima a coisa foi diferente quando se encontrou com Rodolfo Machado Borges, Celso Garcia Cid, Tarley Vilela, Evaristo Soares de Paula, Ene Sab, Vicente de Souza Araujo Junior, e tantos outros.

Luiz Humberto Carrião

sábado, 14 de maio de 2011

Seleção genômica, o novo desafio da pecuária brasileira

Seleção genômica, o novo desafio da pecuária brasileira
22 de março de 2011 - 15:59h
Autor: Assessoria

Marcadores moleculares, análise de DNA, seleção genômica. O melhoramento genético na pecuária está incorporando novos conceitos e acelerando o ganho de produtividade e de qualidade da carne e do leite. O tema é tão relevante que atraiu cerca de 350 pesquisadores, técnicos, pecuaristas e profissionais de empresas ligadas à cadeia produtiva para o I Workshop Internacional: Genômica Aplicada à Pecuária, realizado em 14 de março de 2011, em Araçatuba (SP). O evento foi iniciativa da Unesp – campus Araçatuba e da Conexão Delta G -, com organização da DeoXi Biotecnologia.

“A aplicação da genômica na pecuária brasileira impulsionará a atividade como nunca foi visto. As novas tecnologias acelerarão num ritmo impressionante os ganhos produtivos de carne e leite, potencializando a oferta de proteínas animais no país”, assinalou o prof. José Fernando Garcia, da UNESP e responsável pela programação do evento. “Tenho confiança que nos próximos cinco anos o Brasil terá o mesmo padrão genético e produtivo dos Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália e Nova Zelândia”, complementou.

A importância do tema trouxe ao Brasil os cinco mais importantes especialistas internacionais em marcadores moleculares. Curtis Van Tassell e Tad Sonstegard, pesquisadores do USDA, falaram sobre o trabalho feito pela entidade norte-americana no programa de seleção genômica para gado de leite, primeiramente no Holandês e atualmente no Pardo-Suíço e Jersey. O cientista John McEwan também abordou em sua apresentação a aplicação do mesmo tipo de tecnologia na Nova Zelândia em gado de leite e ovinos e o pesquisador Johann Solkner comentou o trabalho desenvolvido nas raças Simental-Fleckvieh na Áustria e Alemanha. Já o professor brasileiro Flávio Schenkel, da Universidade de Guelph, comentou o trabalho desenvolvido no Canadá.

“Em 40 anos será preciso dobrar a oferta de proteína animal para que a demanda mundial por alimentos seja atendida. Para isso, torna-se necessário o aumento do número de animais genotipados e adaptados. O Brasil tem papel fundamental nesse processo já que é um dos principais produtores de carne e leite e possui grande potencial para avançar na produtividade de seu rebanho”, disse o pesquisador norte-americano Tad Sonstegard.

Francine Campagnari, diretora da DeoXi, entende que o I Workshop Internacional: Genômica Aplicada à Pecuária será um marco na história do melhoramento genético da pecuária brasileira. “Programas de seleção na pecuária e empresas envolvidas nesse avanço da atividade saíram do evento com muitas respostas. Mas também com um grande desafio: acelerar os ganhos de produtividade”, assinalou Daniel Biluca, diretor executivo da Conexão Delta G.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Eficiência na pecuária é resultado do sistema de gestão profissional

O Brasil é o país com melhores condições de aumentar rapidamente sua oferta de gado para abate, conquistando espaços ainda mais expressivos no cenário global

TEXTO ASSESSORIA DE COMUNICAÇÕES







A pecuária brasileira tem um importante desafio pela frente. Segundo dados da FAO, nos próximos 40 anos a produção de carne bovina precisa crescer e dobrar para atender à crescente demanda mundial, saltando de 230 milhões de toneladas/ano para mais de 450 milhões/t.

“Para isso, o processo de profissionalização da pecuária tem de ser acelerado”, ressalta Edson de Carvalho, diretor da Compu-Software Sistemas Corporativos, empresa especializada em sistemas de gestão de negócios voltados para o agronegócio, inclusive a pecuária (corte e leite).

“O produtor precisa entender que não basta somente investir em áreas de pastagem, genética, nutrição, saúde animal e mão de obra. O projeto pecuário tem de estar integrado. Todas as áreas devem ‘se conversar’ e assim contribuir para o necessário aumento de produtividade e eficácia”, assinala Carvalho.

Com a integração dos processos e das várias áreas, as informações do projeto pecuário – mesmo se houver mais de uma unidade de produção – tornam-se claros para toda a empresa. “Isso proporciona agilidade na tomada de decisão do empresário rural e possibilita o aumento da eficiência”, diz Edson de Carvalho, mencionando ganhos adicionais, como comparação de custos entre diferentes fornecedores, além de tempo de entrega, preço do gado comercializado por regiões, custos diretos e indiretos.

“A pecuária é uma atividade extremamente dinâmica. Os preços de venda hoje de bezerros, matrizes ou boi gordo podem ser melhores ou piores do que os praticados ontem. Isso significa que a informação tem de circular na empresa pecuária rapidamente para agilizar a tomada de decisões”, explica o especialista da Compu-Software.

A Compu-Software desenvolveu o sistema de gestão Compusoft ERP, perfeitamente adequado às várias áreas de uma organização rural. O foco no agronegócio explica a rápida expansão da empresa, que tem em sua carteira mais de 50 clientes espalhados por todas as regiões do Brasil.

Mais informações: www.compusoft-info.com.br, pelo telefone (18) 3636-3800 ou e-mail: comercial@compusoft-info.com.br