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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Registro de descendentes do touro gir Radar dos Poções
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) aprovou novos procedimentos para a concessão do Registro Genealógico (RGN e RGD) aos animais registrados pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) como filhos do reprodutor da raça Gir, Radar dos Poções. A proposta, apresentada pela Comissão da Raça Gir, também havia sido aprovada pelo Conselho Deliberativo Técnico durante reunião realizada no dia 27 de julho de 2011.
As alterações referem-se exclusivamente aos casos em que não for possível identificar a paternidade do zebuíno anteriormente registrado como descendente do touro Radar dos Poções. No caso da paternidade indefinida, o animal terá a linha paterna (Radar dos Poções) eliminada, mas manterá a linha materna. O produto, seja ele macho ou fêmea, passa a ser considerado como Livro Aberto de primeira geração (LA1), porém terá garantido o direito de ser utilizado na seleção. Vale ressaltar que o uso de touros LA se restringe apenas a esse caso, além daquelas exceções previstas no Regulamento do Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas.
A confirmação da paternidade em todos os casos envolvendo filhos do touro Gir só poderá ser feita por meio do exame de DNA, realizado a partir do perfil genético oficial estabelecido pelo MAPA.
Para os demais casos, continuam valendo os procedimentos comunicados oficialmente em 11 de março de 2011. Leia em anexo, na íntegra, o Comunicado Técnico da ABCZ e os fluxogramas indicando quais os procedimentos que devem ser adotados em cada situação.
Click aqui e faça o download do comunicado:
http://issuu.com/grupopublique/docs/comunicado_te_cnico__ok__final
Fonte: Laura Pimenta / Assessoria de Imprensa da ABCZ
terça-feira, 9 de agosto de 2011
O óbvio ululante e as meias verdades na Gir, por Luiz Humberto Carrião
Não existe nada de mal em constatar o óbvio ululante. Afinal, o óbvio só veio a se tornar óbvio porque ele precisou ser reafirmado e reconhecido muitas vezes. O que não dá mesmo é contemplar o óbvio para sorrateiramente escorregar para as meias verdades. O problema é que as meias verdades nunca andam sozinhas: elas precisam se apoiar ora numa mentira, ora numa omissão. Juliana Santos Botelho/cronicasdejuvenal.blogspot.com.
Discutir a aptidão leiteira da raça Gir é discutir o óbvio. Afirmar que essa aptidão vem desde a origem, Índia, é constatar o óbvio. Com a tradição religiosa impedindo o consumo de proteína vermelha bovina por considerar a espécie sagrada coube-lhe duas funções: produção de leite e tração.
No Brasil as raças zebuínas aos poucos ganharam suas especificidades entre a carne e o leite. Todavia, aqueles que preconizaram seu rebanho para a produção leiteira, não deixaram de utilizar-se do abate comercial para eliminar animais com baixa produtividade, defeituosos, refugados pelo mercado, ou com idade avançada. Valor carne agregado ao empreendimento leiteiro. Ocorre que ao dar um posicionamento exclusivo e diferenciado à raça indicando uma funcionalidade, que significou um sinal de qualidade e um fator de diferenciação, definiu. O Gir é leiteiro!
Ao afirmar que um animal é “gir leiteiro” significa que o mesmo pertence à raça Gir ao qual foi acrescida uma palavra de domínio público “leiteiro”, como poderia ser “carne”. E isso não parece muito claro àqueles que se digladiam em meias verdades. De acordo com o Serviço de Registro das Raças Zebuínas, a raça é Gir. No registro expedido pela ABCZ, a raça é Gir. Agora a adjetivação dessa raça, cada criador, entidade promotora da raça que utilize a sua.
A toda essa pecuária zebuína, cujo passado extraordinário conseguiu firmar racialmente todas as raças zebuínas eu diria: “O passado consolidou posições de pureza racial, o futuro nos reserva a eficiência racial.” João Gilberto Rodrigues da Cunha, ex-presidente da ABCZ, 1989.
Foi necessário corrigir o tamanho dos tetos para um bom trânsito nas pastagens, o mesmo com relação ao umbigo dos machos; os chifres para um melhor manejo, mas, sempre preservando a “pureza racial de origem”. Todavia, quando se buscou a “eficiência racial” não se deu muita importância a essa “pureza racial de origem”. No entendimento de alguns o importante era o balde, e aos que não concordavam com esse posicionamento, a balança, como se não houvesse o caminho do meio.
Ao admitir que o animal enquadrado no “padrão racial de origem” não possui aptidão leiteira, havendo a necessidade da ingerência de um indivíduo “leiteiro” para esse tipo de exploração, é o mesmo que negar a raça como leiteira. E, com isso, também a possibilidade de existência de animais melhoradores dentro do “padrão racial”. Ou não? Se o denominado “gir leiteiro” é Gir, esses animais melhoradores só podem ter saído de dentro da própria raça. Ou não?
Por que a sugestão ao Conselho Técnico das Raças Zebuínas de proibição de uso da expressão “gir leiteiro” aos animais da raça Gir? O marketing do “gir leiteiro” incomoda quem? Por que esse absurdo de sugerir duas raças Gir no Brasil, algo inexeqüível do ponto de vista constitucional? O Congresso Nacional não vai revogar toda a legislação pertinente desde 1936, ferindo inclusive a Convenção Internacional de Unificação do Registro Genealógico Bovino (Tratado de Roma), onde o Brasil é signatário ao lado de mais de 160 países.
“Em princípio, não poderá haver em cada Estado, mais do que um Registro Genealógico para uma mesma raça. No caso em que houver um só Registro para raças que têm características étnicas e funcionais diferentes, assim como as raças cuja área geográfica é particularmente extensa e que estão sujeitas a condições diferentes de clima, de habitat ou de alimentação suscetíveis de provocar diferenças de conformação, poderão ser abertas no mesmo Registro diversas seções, cada uma correspondendo a um tipo de raça ou a uma região por ela povoada. A criação de diversos Registros e a abertura de Seções não se poderá fazer sem autorização e, somente sob o controle de órgão especial previsto na letra D do Protocolo de assinatura anexo a esta Convenção para a organização do Registro Genealógico Nacional, e disso, terá dado conhecimento ao Instituto Internacional de Agricultura.” Convenção Internacional de Unificação do Registro Genealógico Bovino (Tratado de Roma) promulgada no Brasil pelo decreto 3.457, de 15 de dezembro de 1938, publicado no DOU de 18/01/1939.
Na primeira frase fica claro a impossibilidade de em um mesmo país haver “mais que um Registro Genealógico para uma mesma raça”. Porém, a possibilidade de “ser abertas no mesmo Registro diversas seções”, como o já existente com o Gir Mocho: raça Gir, variedade mocha. No caso específico, raça Gir, variedade leiteira; raça gir, variedade frigorífica; raça Gir, variedade dupla aptidão; e, finalmente, aos “puristas” simplesmente Raça Gir, inexistindo a variedade, uma vez que Gir, variedade padrão seria redundância.
Discutir a aptidão leiteira da raça Gir é discutir o óbvio. Afirmar que essa aptidão vem desde a origem, Índia, é constatar o óbvio. Com a tradição religiosa impedindo o consumo de proteína vermelha bovina por considerar a espécie sagrada coube-lhe duas funções: produção de leite e tração.
No Brasil as raças zebuínas aos poucos ganharam suas especificidades entre a carne e o leite. Todavia, aqueles que preconizaram seu rebanho para a produção leiteira, não deixaram de utilizar-se do abate comercial para eliminar animais com baixa produtividade, defeituosos, refugados pelo mercado, ou com idade avançada. Valor carne agregado ao empreendimento leiteiro. Ocorre que ao dar um posicionamento exclusivo e diferenciado à raça indicando uma funcionalidade, que significou um sinal de qualidade e um fator de diferenciação, definiu. O Gir é leiteiro!
Ao afirmar que um animal é “gir leiteiro” significa que o mesmo pertence à raça Gir ao qual foi acrescida uma palavra de domínio público “leiteiro”, como poderia ser “carne”. E isso não parece muito claro àqueles que se digladiam em meias verdades. De acordo com o Serviço de Registro das Raças Zebuínas, a raça é Gir. No registro expedido pela ABCZ, a raça é Gir. Agora a adjetivação dessa raça, cada criador, entidade promotora da raça que utilize a sua.
A toda essa pecuária zebuína, cujo passado extraordinário conseguiu firmar racialmente todas as raças zebuínas eu diria: “O passado consolidou posições de pureza racial, o futuro nos reserva a eficiência racial.” João Gilberto Rodrigues da Cunha, ex-presidente da ABCZ, 1989.
Foi necessário corrigir o tamanho dos tetos para um bom trânsito nas pastagens, o mesmo com relação ao umbigo dos machos; os chifres para um melhor manejo, mas, sempre preservando a “pureza racial de origem”. Todavia, quando se buscou a “eficiência racial” não se deu muita importância a essa “pureza racial de origem”. No entendimento de alguns o importante era o balde, e aos que não concordavam com esse posicionamento, a balança, como se não houvesse o caminho do meio.
Ao admitir que o animal enquadrado no “padrão racial de origem” não possui aptidão leiteira, havendo a necessidade da ingerência de um indivíduo “leiteiro” para esse tipo de exploração, é o mesmo que negar a raça como leiteira. E, com isso, também a possibilidade de existência de animais melhoradores dentro do “padrão racial”. Ou não? Se o denominado “gir leiteiro” é Gir, esses animais melhoradores só podem ter saído de dentro da própria raça. Ou não?
Por que a sugestão ao Conselho Técnico das Raças Zebuínas de proibição de uso da expressão “gir leiteiro” aos animais da raça Gir? O marketing do “gir leiteiro” incomoda quem? Por que esse absurdo de sugerir duas raças Gir no Brasil, algo inexeqüível do ponto de vista constitucional? O Congresso Nacional não vai revogar toda a legislação pertinente desde 1936, ferindo inclusive a Convenção Internacional de Unificação do Registro Genealógico Bovino (Tratado de Roma), onde o Brasil é signatário ao lado de mais de 160 países.
“Em princípio, não poderá haver em cada Estado, mais do que um Registro Genealógico para uma mesma raça. No caso em que houver um só Registro para raças que têm características étnicas e funcionais diferentes, assim como as raças cuja área geográfica é particularmente extensa e que estão sujeitas a condições diferentes de clima, de habitat ou de alimentação suscetíveis de provocar diferenças de conformação, poderão ser abertas no mesmo Registro diversas seções, cada uma correspondendo a um tipo de raça ou a uma região por ela povoada. A criação de diversos Registros e a abertura de Seções não se poderá fazer sem autorização e, somente sob o controle de órgão especial previsto na letra D do Protocolo de assinatura anexo a esta Convenção para a organização do Registro Genealógico Nacional, e disso, terá dado conhecimento ao Instituto Internacional de Agricultura.” Convenção Internacional de Unificação do Registro Genealógico Bovino (Tratado de Roma) promulgada no Brasil pelo decreto 3.457, de 15 de dezembro de 1938, publicado no DOU de 18/01/1939.
Na primeira frase fica claro a impossibilidade de em um mesmo país haver “mais que um Registro Genealógico para uma mesma raça”. Porém, a possibilidade de “ser abertas no mesmo Registro diversas seções”, como o já existente com o Gir Mocho: raça Gir, variedade mocha. No caso específico, raça Gir, variedade leiteira; raça gir, variedade frigorífica; raça Gir, variedade dupla aptidão; e, finalmente, aos “puristas” simplesmente Raça Gir, inexistindo a variedade, uma vez que Gir, variedade padrão seria redundância.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Tramelas ou taramelas zebuínas?
No Brasil só preocupa-se com a tramela depois que o ladrão invade a casa. Foi sempre assim e assim sempre será. No caso específico do padrão racial de origem da raça gir não foi diferente. Foi preciso que um animal descaracterizado excessivamente ganhasse um Torneio Leiteiro numa dessas exposições ranqueadas para que houvesse a preocupação com a tramela e tomasse uma atitude com relação as permissividades de seus técnicos com relação ao julgamento para o registro definitivo.
Mas o descuido com a porta continua. Durante a EXPOZEBU/2011 mais uma fêmea foi a óbito vítima de produtos farmacológicos para acelerar seu metabolismo; Mais uma vez uma vaca zebuína alcança uma lactação de fazer inveja a qualquer vaca holandesa com 250 anos de seleção leiteira. E tudo isso aos olhos daquela que tem como obrigação ser a guardiã das raças zebuínas no Brasil. A “coisa” chegou a um ponto tal que estão querendo encher os humildes currais leiteiros desse país com Brahman, Tabapuã e Nelore, raças comprovadamente de aptidão frigorífica. Mas não há o que se desesperar, num momento desses, serão tantos os animais mortos num Torneio Leiteiro que alguma atitude deverá ser tomada.
Com as medidas tomadas pela ABCZ no que diz respeito ao cumprimento do “batistério” como dizia Zeid Sab, com certeza outro problema se intensificará na Gir, a questão do DNA – data de nascimento alterada -. Não tenho dúvida disso! Mas também não há o que se desesperar. Será chegado o momento em que um bezerro será desmamado já pronto para trabalhar, e no caso das fêmeas, parindo quando deveriam estar sendo enxertadas.
Sempre defendi a ideia de que para solucionar esses problemas basta liberar geral. O egocentrismo irá roubar o bom senso e os absurdos se responsabilizarão pela moralidade. Lembro-me que sobre esse caso do DNA o saudoso Antônio Ernesto de Salvo, presidente da CNA, com quem tive o prazer de conviver na mesa diretora da ABCZ, certa feita, contratou um grupo de estatísticos na tentativa de buscar uma solução para o problema. A proposta era boa e aplicável, por isso foi esquecida.
Sempre ouvi a máxima de que dentro de seu curral cada criador tem a liberdade de “trabalhar” da maneira que melhor lhe prouver. Isso é fato! Todavia, os anos tem mostrado que os meios de comunicação, notadamente a internet tem trazido produtores à realidade que nem sempre o marketing mercadológico satisfaz. É preciso entender isso.
O futuro sinaliza para um trabalho coletivo, de rebanho, e não individual como está sendo feito sobre animal A ou B. Se olharmos para os empresários do setor que se utilizam do gado holandês ou Jersey, falam em média de rebanho e não de indivíduos.
Se queremos realmente projetar a raça Gir como produtora de leite nos trópicos pelas vantagens que possui é preciso rever certas posições. Quando afirmei em um texto aqui neste blog que o gir brasileiro não diferenciava da equinocultura de elite, fui “apedrejado” como a adúltera do Livro Sagrado. Mas entendo que ao invés de tratar de um rebanho leiteiro, ele é que tem que tratar de mim, caso contrário não justifica o empreendimento. Prazer se obtém através de hobby!
Aqui mesmo neste blog também diferenciava a posição entre ser fiel e ser leal. Fidelidade tem a ver com subserviência, enquanto lealdade vislumbra responsabilidade. Por isso, utilizo-me desse espaço para opor àquilo que penso não ser o correto. Sou o “dono da verdade”? Não! Mas ao menos não peco por omissão.
Por Luiz Humberto Carrião no Blog girpontocom
Mas o descuido com a porta continua. Durante a EXPOZEBU/2011 mais uma fêmea foi a óbito vítima de produtos farmacológicos para acelerar seu metabolismo; Mais uma vez uma vaca zebuína alcança uma lactação de fazer inveja a qualquer vaca holandesa com 250 anos de seleção leiteira. E tudo isso aos olhos daquela que tem como obrigação ser a guardiã das raças zebuínas no Brasil. A “coisa” chegou a um ponto tal que estão querendo encher os humildes currais leiteiros desse país com Brahman, Tabapuã e Nelore, raças comprovadamente de aptidão frigorífica. Mas não há o que se desesperar, num momento desses, serão tantos os animais mortos num Torneio Leiteiro que alguma atitude deverá ser tomada.
Com as medidas tomadas pela ABCZ no que diz respeito ao cumprimento do “batistério” como dizia Zeid Sab, com certeza outro problema se intensificará na Gir, a questão do DNA – data de nascimento alterada -. Não tenho dúvida disso! Mas também não há o que se desesperar. Será chegado o momento em que um bezerro será desmamado já pronto para trabalhar, e no caso das fêmeas, parindo quando deveriam estar sendo enxertadas.
Sempre defendi a ideia de que para solucionar esses problemas basta liberar geral. O egocentrismo irá roubar o bom senso e os absurdos se responsabilizarão pela moralidade. Lembro-me que sobre esse caso do DNA o saudoso Antônio Ernesto de Salvo, presidente da CNA, com quem tive o prazer de conviver na mesa diretora da ABCZ, certa feita, contratou um grupo de estatísticos na tentativa de buscar uma solução para o problema. A proposta era boa e aplicável, por isso foi esquecida.
Sempre ouvi a máxima de que dentro de seu curral cada criador tem a liberdade de “trabalhar” da maneira que melhor lhe prouver. Isso é fato! Todavia, os anos tem mostrado que os meios de comunicação, notadamente a internet tem trazido produtores à realidade que nem sempre o marketing mercadológico satisfaz. É preciso entender isso.
O futuro sinaliza para um trabalho coletivo, de rebanho, e não individual como está sendo feito sobre animal A ou B. Se olharmos para os empresários do setor que se utilizam do gado holandês ou Jersey, falam em média de rebanho e não de indivíduos.
Se queremos realmente projetar a raça Gir como produtora de leite nos trópicos pelas vantagens que possui é preciso rever certas posições. Quando afirmei em um texto aqui neste blog que o gir brasileiro não diferenciava da equinocultura de elite, fui “apedrejado” como a adúltera do Livro Sagrado. Mas entendo que ao invés de tratar de um rebanho leiteiro, ele é que tem que tratar de mim, caso contrário não justifica o empreendimento. Prazer se obtém através de hobby!
Aqui mesmo neste blog também diferenciava a posição entre ser fiel e ser leal. Fidelidade tem a ver com subserviência, enquanto lealdade vislumbra responsabilidade. Por isso, utilizo-me desse espaço para opor àquilo que penso não ser o correto. Sou o “dono da verdade”? Não! Mas ao menos não peco por omissão.
Por Luiz Humberto Carrião no Blog girpontocom
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Conselho Técnico da ABCZ continua na linha de restauração do padrão racial de origem na GIR
A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu – ABCZ – ainda não se manifestou oficialmente sobre as decisões aprovadas na reunião do Conselho Técnico da entidade a serem submetidas ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA – para homologação.
De praxe todas as decisões aprovadas pelo Conselho Técnico da ABCZ são homologadas pelo Ministério. Com isso, o avanço da ABCZ na restauração do padrão racial de origem na raça Gir tem sua continuidade.
Não concordo com a leitura de determinados Técnicos que essas “pequenas” alterações no padrão de origem racial estão enquadradas no que denominam de “evolução da raça Gir”. Nada disso! Foram abertas concessões no Serviço Genealógico das Raças Zebuínas no que se refere ao padrão racial de origem até que as distorções chegaram ao ápice. Ou se tomava uma posição em relação a essas concessões, ou a raça acabaria totalmente descaracterizada racialmente.
Ultimamente nos leilões e julgamentos já se referia ao “padrão racial gir leiteiro” como houvesse outra raça Gir no Brasil. As ações da ASSOGIR junto ao Conselho Técnico da ABCZ foi uma identificação com a luta de antanho: preservar o padrão da raça. Com isso, caminha para restaurar também sua identidade de guardiã da raça no Brasil. Todavia, isso não significa que os criadores ligados à ASSOGIR irão desprezar a funcionalidade leiteira da raça, com o valor carne agregado.
Muito sensata a posição do presidente da ABCGIL, doutor Silvio Queiroz, “não houve nem vendidos nem vencedores” no embate diante das propostas levadas a efeito no Conselho Técnico. O mesmo pode-se dizer do presidente da ASSOGIR, José Sab Neto, “a maioria dos criadores sérios de gir leiteiro está preocupada com o padrão da raça e a cada ano a qualidade do gir leiteiro bem melhorando, o que não podemos permitir é que a seleção de gir no país tenha como único foco a funcionalidade para a produção de leite esquecendo-se os padrões da raça”.
Prevaleceu a sensatez, com ela a vitória de uma raça que cresce vertiginosamente na pecuária brasileira, e com relação à ASSOGIR, voltou a ser a guardiã na raça no Brasil.
Entendo que, embora a ABCZ detenha o registro das raças zebuínas no Brasil, é papel da associação promotora específica da raça fiscalizar suas ações, notadamente, de seus técnicos de campo. Isto não significa ingerência do presidente da ASSOGIR junto ao Serviço de Registro Genealógico, e sim defesa da raça em conformidade com seu Estatuto Social de fundação e os anseios manifestos por criadores e pela atual diretoria da ABCZ.
Luiz Humberto Carrião
De praxe todas as decisões aprovadas pelo Conselho Técnico da ABCZ são homologadas pelo Ministério. Com isso, o avanço da ABCZ na restauração do padrão racial de origem na raça Gir tem sua continuidade.
Não concordo com a leitura de determinados Técnicos que essas “pequenas” alterações no padrão de origem racial estão enquadradas no que denominam de “evolução da raça Gir”. Nada disso! Foram abertas concessões no Serviço Genealógico das Raças Zebuínas no que se refere ao padrão racial de origem até que as distorções chegaram ao ápice. Ou se tomava uma posição em relação a essas concessões, ou a raça acabaria totalmente descaracterizada racialmente.
Ultimamente nos leilões e julgamentos já se referia ao “padrão racial gir leiteiro” como houvesse outra raça Gir no Brasil. As ações da ASSOGIR junto ao Conselho Técnico da ABCZ foi uma identificação com a luta de antanho: preservar o padrão da raça. Com isso, caminha para restaurar também sua identidade de guardiã da raça no Brasil. Todavia, isso não significa que os criadores ligados à ASSOGIR irão desprezar a funcionalidade leiteira da raça, com o valor carne agregado.
Muito sensata a posição do presidente da ABCGIL, doutor Silvio Queiroz, “não houve nem vendidos nem vencedores” no embate diante das propostas levadas a efeito no Conselho Técnico. O mesmo pode-se dizer do presidente da ASSOGIR, José Sab Neto, “a maioria dos criadores sérios de gir leiteiro está preocupada com o padrão da raça e a cada ano a qualidade do gir leiteiro bem melhorando, o que não podemos permitir é que a seleção de gir no país tenha como único foco a funcionalidade para a produção de leite esquecendo-se os padrões da raça”.
Prevaleceu a sensatez, com ela a vitória de uma raça que cresce vertiginosamente na pecuária brasileira, e com relação à ASSOGIR, voltou a ser a guardiã na raça no Brasil.
Entendo que, embora a ABCZ detenha o registro das raças zebuínas no Brasil, é papel da associação promotora específica da raça fiscalizar suas ações, notadamente, de seus técnicos de campo. Isto não significa ingerência do presidente da ASSOGIR junto ao Serviço de Registro Genealógico, e sim defesa da raça em conformidade com seu Estatuto Social de fundação e os anseios manifestos por criadores e pela atual diretoria da ABCZ.
Luiz Humberto Carrião
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Resultados de pesquisas com o sêmen sexado divulgados pela SBTE
Resultados de pesquisas com o sêmen sexado divulgados pela SBTE
A Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne profissionais graduados ligados a biotécnicas reprodutivas, principalmente a produção e manipulação de embriões. Esta Sociedade promove anualmente uma reunião de especialistas nacionais e internacionais, onde são apresentados os principais avanços nas áreas da embriologia experimental e aplicada.
Este ano a XIX Reunião Anual da SBTE teve como sede a cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Entre os temas discutidos está a utilização do sêmen sexado em programas de Fecundação in vitro (FIV). A seguir você poderá ler os resumos dos trabalhos apresentados, com as conclusões dos pesquisadores.
Macho ou Fêmea: as vantagens do sêmen sexado
Entenda como funciona a técnica que permite ao criador escolher o sexo da cria antes de aplicar a inseminação artificial, TE ou FIV.
O pecuarista brasileiro já conta com uma nova tecnologia que possibilita melhorar a rentabilidade na produção de carne e leite: a sexagem de sêmen. Através dessa técnica é possível escolher o sexo do bezerro antes mesmo da gestação ou da produção do embrião por qualquer técnica de reprodução. A grande vantagem está na possibilidade de “planejar” os nascimentos de machos e fêmeas de acordo com as necessidades do rebanho e do mercado. Na pecuária de corte é possível produzir, por exemplo, touros de animais de maior mérito para determinadas características como crescimento e conversão de alimentos. Em rebanhos de leite é intensificada a melhora genética sobre as fêmeas, programando a quantidade anual de novilhas de reposição. O gerente da Central ABS em Uberaba, Dr. Fernando Vilella, aponta os principais benefícios da técnica. “Ganhos genéticos, redução de tempo de seleção e direcionamento nos testes de progênie”, resume.
Como funciona
A sexagem de sêmen, ou separação de células por citometria de fluxo, foi trazida ao país pioneiramente pela ABS Pecplan em parceria com o Goyaike, laboratório argentino de biotecnologias que tem 15 anos de pesquisas em reprodução animal. O equipamento que possibilita a separação dos espermatozóides que darão origem a bezerros machos ou fêmeas é o único em toda América Latina capaz de analisar de três a quatro mil espermatozóides por segundo, sem danificar a estrutura celular. Todas as partidas produzidas são avaliadas e, de acordo com a empresa, somente são liberadas aquelas com padrões mínimos de qualidade e segurança, ou seja, padrões que garantam a fertilidade do sêmen. Em relação à confiabilidade para a escolha do sexo, a garantia é de um valor mínimo de 85% de pureza. André Galassi, gerente da Goyaike Brasil, explica a importância desse novo método de concepção e como ele pode dar ainda maior impulso ao setor pecuário do país. “O produtor que utilizar esse mecanismo terá em mãos um potencial gigantesco para incrementar seu empreendimento”, comenta. Alexandre Lima, gerente Comercial da ABS Pecplan, pondera que o custo desse empreendimento deve ser pensado como uma forma de investimento. “Estamos dando ao criador justamente o que ele precisava para se programar melhor. Antes era muito difícil gerenciar as possibilidades que teria no mercado, uma vez que ainda não tinha como interferir de forma eficiente na porcentagem de machos e fêmeas que nasceriam em seu rebanho”, conclui.
Outros resultados:
Inseminação Artificial em 427 novilhas
• 1 dose apenas - IATF
• 241 I.A. com sêmen sexado
• 186 I.A. com sêmen convencional
• Índices de prenhez ( 51,4% e 58,6% )
• 92.4% acurácia na determinação do sexo
FIV
Total de oócitos Clivados % clivados Embriões produzidos % embriões
Total 3418 1770 51,78 808 23,64
Média da melhor central 1357 745 54,90 435 32,06
Melhor resultado 11 8 72,73 8 72,73
Fatores que afetam a fertilidade do sêmen
Manuseio incorreto
Stress nas vacas - temperatura, alimentação, dor, etc.
Descongelamento incorreto
Técnica correta de inseminação
Higiene / Instalações
Mineralização, vermifugação e vacinação
Problema clínico - Surto IBR
Falta nitrogênio
Problemas ginecológicos
Uso de hormônios
Erro na detecção do cio
Horário de inseminação
Falta assistência técnica
Variáveis que afetam TE / FIV
Luminosidade, seca, calor, umidade, parasitos
Nutrição
Hormônios e onda ovulatória
Detecção de cio e horário inseminação artificial
Qualidade do sêmen
Número de doses utilizadas
Estresse das doadoras
Descongelamento incorreto do sêmen
Problemas na centrifugação do sêmen
Problemas nas coletas
Resposta diferente de doadoras
Problemas clínicos, reprodutivos e sanitários
Manejo incorreto do rebanho (vacinações e vermifugações)
Contaminação de materiais e meios de cultivo
Problemas com receptoras
Inflamação dos ovários
Transporte e contaminação dos oócitos
Fonte: Site ABS Pecplan
A Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne profissionais graduados ligados a biotécnicas reprodutivas, principalmente a produção e manipulação de embriões. Esta Sociedade promove anualmente uma reunião de especialistas nacionais e internacionais, onde são apresentados os principais avanços nas áreas da embriologia experimental e aplicada.
Este ano a XIX Reunião Anual da SBTE teve como sede a cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Entre os temas discutidos está a utilização do sêmen sexado em programas de Fecundação in vitro (FIV). A seguir você poderá ler os resumos dos trabalhos apresentados, com as conclusões dos pesquisadores.
Macho ou Fêmea: as vantagens do sêmen sexado
Entenda como funciona a técnica que permite ao criador escolher o sexo da cria antes de aplicar a inseminação artificial, TE ou FIV.
O pecuarista brasileiro já conta com uma nova tecnologia que possibilita melhorar a rentabilidade na produção de carne e leite: a sexagem de sêmen. Através dessa técnica é possível escolher o sexo do bezerro antes mesmo da gestação ou da produção do embrião por qualquer técnica de reprodução. A grande vantagem está na possibilidade de “planejar” os nascimentos de machos e fêmeas de acordo com as necessidades do rebanho e do mercado. Na pecuária de corte é possível produzir, por exemplo, touros de animais de maior mérito para determinadas características como crescimento e conversão de alimentos. Em rebanhos de leite é intensificada a melhora genética sobre as fêmeas, programando a quantidade anual de novilhas de reposição. O gerente da Central ABS em Uberaba, Dr. Fernando Vilella, aponta os principais benefícios da técnica. “Ganhos genéticos, redução de tempo de seleção e direcionamento nos testes de progênie”, resume.
Como funciona
A sexagem de sêmen, ou separação de células por citometria de fluxo, foi trazida ao país pioneiramente pela ABS Pecplan em parceria com o Goyaike, laboratório argentino de biotecnologias que tem 15 anos de pesquisas em reprodução animal. O equipamento que possibilita a separação dos espermatozóides que darão origem a bezerros machos ou fêmeas é o único em toda América Latina capaz de analisar de três a quatro mil espermatozóides por segundo, sem danificar a estrutura celular. Todas as partidas produzidas são avaliadas e, de acordo com a empresa, somente são liberadas aquelas com padrões mínimos de qualidade e segurança, ou seja, padrões que garantam a fertilidade do sêmen. Em relação à confiabilidade para a escolha do sexo, a garantia é de um valor mínimo de 85% de pureza. André Galassi, gerente da Goyaike Brasil, explica a importância desse novo método de concepção e como ele pode dar ainda maior impulso ao setor pecuário do país. “O produtor que utilizar esse mecanismo terá em mãos um potencial gigantesco para incrementar seu empreendimento”, comenta. Alexandre Lima, gerente Comercial da ABS Pecplan, pondera que o custo desse empreendimento deve ser pensado como uma forma de investimento. “Estamos dando ao criador justamente o que ele precisava para se programar melhor. Antes era muito difícil gerenciar as possibilidades que teria no mercado, uma vez que ainda não tinha como interferir de forma eficiente na porcentagem de machos e fêmeas que nasceriam em seu rebanho”, conclui.
Outros resultados:
Inseminação Artificial em 427 novilhas
• 1 dose apenas - IATF
• 241 I.A. com sêmen sexado
• 186 I.A. com sêmen convencional
• Índices de prenhez ( 51,4% e 58,6% )
• 92.4% acurácia na determinação do sexo
FIV
Total de oócitos Clivados % clivados Embriões produzidos % embriões
Total 3418 1770 51,78 808 23,64
Média da melhor central 1357 745 54,90 435 32,06
Melhor resultado 11 8 72,73 8 72,73
Fatores que afetam a fertilidade do sêmen
Manuseio incorreto
Stress nas vacas - temperatura, alimentação, dor, etc.
Descongelamento incorreto
Técnica correta de inseminação
Higiene / Instalações
Mineralização, vermifugação e vacinação
Problema clínico - Surto IBR
Falta nitrogênio
Problemas ginecológicos
Uso de hormônios
Erro na detecção do cio
Horário de inseminação
Falta assistência técnica
Variáveis que afetam TE / FIV
Luminosidade, seca, calor, umidade, parasitos
Nutrição
Hormônios e onda ovulatória
Detecção de cio e horário inseminação artificial
Qualidade do sêmen
Número de doses utilizadas
Estresse das doadoras
Descongelamento incorreto do sêmen
Problemas na centrifugação do sêmen
Problemas nas coletas
Resposta diferente de doadoras
Problemas clínicos, reprodutivos e sanitários
Manejo incorreto do rebanho (vacinações e vermifugações)
Contaminação de materiais e meios de cultivo
Problemas com receptoras
Inflamação dos ovários
Transporte e contaminação dos oócitos
Fonte: Site ABS Pecplan
sábado, 16 de julho de 2011
Empreendedorismo na raça Gir
Ao contrário dos agricultores e pecuaristas do nosso tempo, nossos antepassados da Revolução Agrícola NÃO teriam praticado conscientemente a SELEÇÃO ARTIFICIAL com vistas a características desejáveis. Duvido que eles se dessem conta de que, para aumentar a produção de leite, é preciso cruzar vacas boas produtoras com touros nascidos de OUTRAS vacas boas produtoras e DESCARTAR a cria dos animais que não produzem bem.”, Richard Dawkins, 2009.
Criou-se a cultura de que o mercado é a referência para o sucesso de todo empreendimento. A partir de então, o produto campeão de venda é sustentado pelo que se define de marketing, que consiste na performance de atividades que buscam realizar antecipadamente às necessidades e tendências do consumidor. Muda conforme a mudança do consumidor; conforme a alternância dos anos ou a transformação de tendência. Marketing é o mercado em movimento.
Não basta simplesmente conhecer o mercado; é necessário identificar as oportunidades, estimular o interesse sobre o produto que se pretende vender, avaliar as forças dos concorrentes, calcular a demanda e definir o consumidor alvo.
O sucesso da raça Gir se deve dentre outros fatores ao posicionamento exclusivo e diferenciado que lhe foi dado através da poderosa expressão “gir leiteiro”. Ao indicar a funcionalidade leiteira para a raça trazendo um sinal de qualidade e um fator de diferenciação, transformou a raça no que os americanos chamam de trustmark: absoluta confiança que acaba por gerar uma relação de cumplicidade com os consumidores. A satisfação e compensação oferecida ao consumidor pela cumplicidade incorporou culturalmente o que é ser criador de “gir leiteiro” e o que isto representa em forma de prazer.
Sempre digo que a expressão “gir leiteiro” passou a funcionar holisticamente possibilitando ao seu criador/consumidor autoafirmar sua identidade na raça, e, simultaneamente, o integrou em sociedade passando a definir consciente e inconscientemente suas atitudes de consumo. O feedback de relações/ experiências positivas com a "expressão" e melhores preços no mercado geraram outro tipo de cumplicidade, tornando o criador/consumidor um advogado da causa.
Chega um momento em que a mudança no criador/consumidor não só virá com a alternância dos anos ou pela transformação de tendência, mas pela necessidade de sobrevivência no negócio. E isso, já começa a acontecer. Toda pressão seletiva sobre o leite na Gir fechou em C.A. Everest. Animal que, onde lhe houve uma predominância no acasalamento, aconteceu. Filhos e filhas, netos e netas estão aí para comprovar sua eficiência genética para a produção de leite. Na pressão seletiva leiteira brasileira, sem C.A. Everest não há salvação? Não é bem assim.
Dawkins define: “é preciso cruzar vacas BOAS produtoras com touros nascidos de OUTRAS vacas BOAS produtoras e DESCARTAR a cria dos animais que não produzem bem.” Atentem para a palavra OUTRAS. Vamos ver o que diz Rinaldo dos Santos, 1996: “Diz a Zootecnia que o máximo de melhoramento é conseguido pela união de extremos. Assim, para obter um melhoramento em leite, basta acasalar duas famílias leiteiras diferentes. O produto F-1 é a expressão máxima de heterose nos cruzamentos […] A heterose pode ser obtida, também, pelo uso de raças diferentes, ao invés de famílias da mesma raça […] tem-se o máximo de heterose inter-racial.
Vale lembra que heterose é o estado em que a primeira geração dum híbrido é mais forte do que qualquer das famílias ou raças paternas. Contudo, não devemos esquecer que o gene não contamina sexualmente. "Um indivíduo descende de dois genitores, mas um gene tem apenas um genitor. Cada um de seus genes tem de ter vindo ou de sua mãe ou de seu pai, de um e apenas um dos seus quatro avós, de um e apenas um de seus oito bisavós, e assim por diante." Richard Dawkins, 2009.
Agora vamos atentar para a palavra DESCARTAR utilizada por Dawkins. Ela significa no processo seletivo ELIMINAR e não DESFAZER-SE do animal menos produtivo. A credibilidade de um processo de melhoramento genético inicia-se pela identificação correta dos animais; depois pela veracidade dos dados coletados a campo, vez que o técnico responsável pelo melhoramento genético trabalha com dados a ele apresentados; e, finalmente, a seriedade de descarte (abate) dos animais considerados improdutivos para o trabalho que se deseja. Com isso, a mudança no criador/consumidor não virá com a alternância dos anos ou alteração de tendência, e sim, pela necessidade de continuidade no negócio, que muita das vezes ocorre de maneira compulsória pelo investimento já ocorrido.
Citado C.A. Everest por ser o representante dentro da raça que predomina nos Sumários de Touros Leiteiros, contudo, isto não significa que não haverão outros. Claro que sim! Ainda não apareceram por falta de um trabalho de melhoramento genético, onde os resultados financeiros sejam consequência do trabalho de pesquisa, e não ao contrário, como costumeiramente esse "desafio" cientifico é trabalhado no Brasil.
Por isso, acredito numa premência de pesquisas sobre animais que fogem ao lugar comum já pesquisados e com largo material genético disponível no mercado, para que a EVOLUÇÃO DA RAÇA sobreponha de maneira universalizada sobre marcas e rótulos.
Luiz Humberto Carrião
Criou-se a cultura de que o mercado é a referência para o sucesso de todo empreendimento. A partir de então, o produto campeão de venda é sustentado pelo que se define de marketing, que consiste na performance de atividades que buscam realizar antecipadamente às necessidades e tendências do consumidor. Muda conforme a mudança do consumidor; conforme a alternância dos anos ou a transformação de tendência. Marketing é o mercado em movimento.
Não basta simplesmente conhecer o mercado; é necessário identificar as oportunidades, estimular o interesse sobre o produto que se pretende vender, avaliar as forças dos concorrentes, calcular a demanda e definir o consumidor alvo.
O sucesso da raça Gir se deve dentre outros fatores ao posicionamento exclusivo e diferenciado que lhe foi dado através da poderosa expressão “gir leiteiro”. Ao indicar a funcionalidade leiteira para a raça trazendo um sinal de qualidade e um fator de diferenciação, transformou a raça no que os americanos chamam de trustmark: absoluta confiança que acaba por gerar uma relação de cumplicidade com os consumidores. A satisfação e compensação oferecida ao consumidor pela cumplicidade incorporou culturalmente o que é ser criador de “gir leiteiro” e o que isto representa em forma de prazer.
Sempre digo que a expressão “gir leiteiro” passou a funcionar holisticamente possibilitando ao seu criador/consumidor autoafirmar sua identidade na raça, e, simultaneamente, o integrou em sociedade passando a definir consciente e inconscientemente suas atitudes de consumo. O feedback de relações/ experiências positivas com a "expressão" e melhores preços no mercado geraram outro tipo de cumplicidade, tornando o criador/consumidor um advogado da causa.
Chega um momento em que a mudança no criador/consumidor não só virá com a alternância dos anos ou pela transformação de tendência, mas pela necessidade de sobrevivência no negócio. E isso, já começa a acontecer. Toda pressão seletiva sobre o leite na Gir fechou em C.A. Everest. Animal que, onde lhe houve uma predominância no acasalamento, aconteceu. Filhos e filhas, netos e netas estão aí para comprovar sua eficiência genética para a produção de leite. Na pressão seletiva leiteira brasileira, sem C.A. Everest não há salvação? Não é bem assim.
Dawkins define: “é preciso cruzar vacas BOAS produtoras com touros nascidos de OUTRAS vacas BOAS produtoras e DESCARTAR a cria dos animais que não produzem bem.” Atentem para a palavra OUTRAS. Vamos ver o que diz Rinaldo dos Santos, 1996: “Diz a Zootecnia que o máximo de melhoramento é conseguido pela união de extremos. Assim, para obter um melhoramento em leite, basta acasalar duas famílias leiteiras diferentes. O produto F-1 é a expressão máxima de heterose nos cruzamentos […] A heterose pode ser obtida, também, pelo uso de raças diferentes, ao invés de famílias da mesma raça […] tem-se o máximo de heterose inter-racial.
Vale lembra que heterose é o estado em que a primeira geração dum híbrido é mais forte do que qualquer das famílias ou raças paternas. Contudo, não devemos esquecer que o gene não contamina sexualmente. "Um indivíduo descende de dois genitores, mas um gene tem apenas um genitor. Cada um de seus genes tem de ter vindo ou de sua mãe ou de seu pai, de um e apenas um dos seus quatro avós, de um e apenas um de seus oito bisavós, e assim por diante." Richard Dawkins, 2009.
Agora vamos atentar para a palavra DESCARTAR utilizada por Dawkins. Ela significa no processo seletivo ELIMINAR e não DESFAZER-SE do animal menos produtivo. A credibilidade de um processo de melhoramento genético inicia-se pela identificação correta dos animais; depois pela veracidade dos dados coletados a campo, vez que o técnico responsável pelo melhoramento genético trabalha com dados a ele apresentados; e, finalmente, a seriedade de descarte (abate) dos animais considerados improdutivos para o trabalho que se deseja. Com isso, a mudança no criador/consumidor não virá com a alternância dos anos ou alteração de tendência, e sim, pela necessidade de continuidade no negócio, que muita das vezes ocorre de maneira compulsória pelo investimento já ocorrido.
Citado C.A. Everest por ser o representante dentro da raça que predomina nos Sumários de Touros Leiteiros, contudo, isto não significa que não haverão outros. Claro que sim! Ainda não apareceram por falta de um trabalho de melhoramento genético, onde os resultados financeiros sejam consequência do trabalho de pesquisa, e não ao contrário, como costumeiramente esse "desafio" cientifico é trabalhado no Brasil.
Por isso, acredito numa premência de pesquisas sobre animais que fogem ao lugar comum já pesquisados e com largo material genético disponível no mercado, para que a EVOLUÇÃO DA RAÇA sobreponha de maneira universalizada sobre marcas e rótulos.
Luiz Humberto Carrião
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Pensamentos intelectuais notívagos sobre o Gir
Na juventude os dias são longos e as noites curtas, na velhice os dias curtos e as noites longas. Está longevidade noturna acaba transformando pensamentos em notívagos intelectuais, cujo papel é incomodar.
Em uma delas meus pensamentos vaguearam e ao retornarem ao amanhecer trouxeram-me a seguinte questão: a problemática envolvendo a raça no Brasil teve sua origem na concessão por parte do Serviço de Registro Genealógico (SRG/MAPA/ABCZ) ao padrão de origem que agora voltou a ser exigido como antanho. Enquadrou no “batistério”, nome dado ao livro que define o padrão ABCZ das raças zebuínas, registrado; se não, recusado. Para obtenção do Registro Genealógico tem, necessariamente, que estar dentro do padrão. Isto, por si só, irá satisfazer os denominados “puristas”? E para o mercado, todo Gir será leiteiro?
São questões que dependem de muita reflexão por parte de quem sempre optou pelo purismo de origem, e que agora tem diante de si realizadas suas reivindicações. Penso que o momento propiciado à História da raça Gir no Brasil, pela ABCZ, deve merecer de todos nós “puristas” as mais dignas referências.
O fim do “fundamentalismo girista” no Brasil está agora em nossas mãos, os “puristas”.
"Alea jacta Est".
• Estou aberto ao debate.
Luiz Humberto Carrião
Em uma delas meus pensamentos vaguearam e ao retornarem ao amanhecer trouxeram-me a seguinte questão: a problemática envolvendo a raça no Brasil teve sua origem na concessão por parte do Serviço de Registro Genealógico (SRG/MAPA/ABCZ) ao padrão de origem que agora voltou a ser exigido como antanho. Enquadrou no “batistério”, nome dado ao livro que define o padrão ABCZ das raças zebuínas, registrado; se não, recusado. Para obtenção do Registro Genealógico tem, necessariamente, que estar dentro do padrão. Isto, por si só, irá satisfazer os denominados “puristas”? E para o mercado, todo Gir será leiteiro?
São questões que dependem de muita reflexão por parte de quem sempre optou pelo purismo de origem, e que agora tem diante de si realizadas suas reivindicações. Penso que o momento propiciado à História da raça Gir no Brasil, pela ABCZ, deve merecer de todos nós “puristas” as mais dignas referências.
O fim do “fundamentalismo girista” no Brasil está agora em nossas mãos, os “puristas”.
"Alea jacta Est".
• Estou aberto ao debate.
Luiz Humberto Carrião
domingo, 19 de junho de 2011
1° FORUM ZEBU LEITEIRO
Será realizado pela equipe da ABCZ que coordena o PMGZ - Leite - e aberto ao público.
Seguem os temas a serem debatidos: avaliação genética, aptidão leiteira do zebu, metodologia de controle leiteiro, qualidade do leite, genômica, sustentabilidade e demanda internacional.
Estão confirmados na composição da mesa Aníbal Vercessi (ABCGIL/APTA), Beatriz Cordenonsi Lopes (Pólo de Excelência em Genética Bovina/EPAMIG), Carlos Henrique Cavallari Machado (ABCZ), Ice Cristina Cadette Garbelline (ABCZ/Brazilian Cattle), Maria Gabriela Peixoto (Embrapa Gado de Leite) e Vania Maldini Pena (UFMG/CBMG).
O encontro está marcado para o dia 30 de junho, durante a Megaleite 2011, na Sala do Mérito ABCZ, às 17h.
Créditos da notícia aqui compartilhada à Luiz Humberto Carrião.
Seguem os temas a serem debatidos: avaliação genética, aptidão leiteira do zebu, metodologia de controle leiteiro, qualidade do leite, genômica, sustentabilidade e demanda internacional.
Estão confirmados na composição da mesa Aníbal Vercessi (ABCGIL/APTA), Beatriz Cordenonsi Lopes (Pólo de Excelência em Genética Bovina/EPAMIG), Carlos Henrique Cavallari Machado (ABCZ), Ice Cristina Cadette Garbelline (ABCZ/Brazilian Cattle), Maria Gabriela Peixoto (Embrapa Gado de Leite) e Vania Maldini Pena (UFMG/CBMG).
O encontro está marcado para o dia 30 de junho, durante a Megaleite 2011, na Sala do Mérito ABCZ, às 17h.
Créditos da notícia aqui compartilhada à Luiz Humberto Carrião.
GIRGOIÁS tem novo presidente, Luiz Alberto de Paula e Souza
Poder não se entrega! Quantas vezes ouvi essa frase. Inúmeras. Esse é o pensamento daqueles que trazem consigo a idéia de que sempre estão fazendo o melhor de si dentro de um projeto, ou mesmo, por parte de outros que o utilizam como um palco para sua sobrevivência política.
Depois de Einstein tudo se relativizou. Inclusive a verdade de cada um. O grande legado grego, a democracia, avança de maneira firme e segura entre as sociedades humanas. Quiçá, esse seja o grande marco na História humana desde seu aparecimento. Conviver harmonicamente dentro de instituições humanas tem sido o grande desafio.
Se por um lado o poder engravida, por outro o sofrimento faz parir. A condição de parturiente muita das vezes leva o homem expressar “seus instintos mais selvagens”, e daí uma indagação: o que é pior, a violência da vingança ou a hipocrisia do perdão? Nenhuma das duas. O avanço democrático não exige nem a vingança ou menos o perdão. Exige sim, maturidade em busca do que é melhor e mais real para o projeto que se deseja.
A oposição existe não para deflagrar uma prática destrutiva a um processo em andamento, e sim, criticar erros ao tempo em que aponta para os acertos e, principalmente, trazer aos cidadãos opção de escolha. A alternância de poder contextualizada no modelo democrático é o caminho que evita os dissabores das truculências que maculam a História.
Ontem, 16, definiram o comando da GIRGOIÁS para o próximo biênio. Instituição que trouxe no seu Teste de Progênie oportunidade a touros que não tivessem parentesco com animais já avaliados em outro teste. Houve derrapagens? Sim. Houve desentendimento sobre a execução do mesmo? Sim. Mas a necessidade de trazê-lo à filosofia ao qual foi criado se impôs. Isso é o mais importante. O momento é de muita responsabilidade dos que entram e não menos diferentes com relação aos que saem.
Aberta da Assembléia Geral Ordinária, foi delegada ao então presidente, senhor Rosimar Silva, a presidência da mesma, que, fazendo uso da palavra discorreu sobre o Teste de Progênie GIRGOIÁS desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Gir (ASSOGIR) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), com o apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
Depois passou à prestação de contas, discorrendo sobre as dificuldades financeiras em que recebeu a instituição de seu antecessor, principalmente, no que diz respeito aos encargos federais, e que, nesse momento a deixava numa condição extraordinária sob o aspecto financeiro, a ponto de ser feita uma observação por um dos presentes “como sendo uma coisa inédita no Brasil”. Todavia, embora com o parecer favorável do Conselho Fiscal da entidade, não se chegou a um denominador comum sobre a aprovação das contas referentes ao período que ali se encerrava. Foi então que um dos associados presentes, doutor Eni Cabral sugeriu, no que foi acatado de maneira unânime pela Assembléia, de que fosse a prestação de contas aprovada em outra Assembléia Extraordinária, uma vez que os balanços referentes aos dois últimos meses ainda se encontravam em aberto.
Num terceiro momento colocou-se em votação, por aclamação, por se tratar de uma única Chapa “Alberto Pereira Nunes Filho” que, pela manifestação dos presentes alcançará 100% de aprovação, elegendo como presidente Luiz Alberto de Paula e Souza.
O ex-presidente fez os agradecimentos aos seus diretores e funcionários, passando a palavra ao presidente eleito, que iniciou seu discurso agradecendo aos presentes, conclamando a todos para estarem juntos nessa caminhada, pois o objetivo é único, o Gir. Afirmou estar ali como presidente de todos os criadores de Gir de Goiás extensivo a todos os criadores brasileiros através do Teste de Progênie, que hoje é uma realidade, e com os projetos em andamentos como o MOET (Multiplication Ovulation Embryo Transfer) e a Prova de Produção de Leite.
Luiz Humberto Carrião
Depois de Einstein tudo se relativizou. Inclusive a verdade de cada um. O grande legado grego, a democracia, avança de maneira firme e segura entre as sociedades humanas. Quiçá, esse seja o grande marco na História humana desde seu aparecimento. Conviver harmonicamente dentro de instituições humanas tem sido o grande desafio.
Se por um lado o poder engravida, por outro o sofrimento faz parir. A condição de parturiente muita das vezes leva o homem expressar “seus instintos mais selvagens”, e daí uma indagação: o que é pior, a violência da vingança ou a hipocrisia do perdão? Nenhuma das duas. O avanço democrático não exige nem a vingança ou menos o perdão. Exige sim, maturidade em busca do que é melhor e mais real para o projeto que se deseja.
A oposição existe não para deflagrar uma prática destrutiva a um processo em andamento, e sim, criticar erros ao tempo em que aponta para os acertos e, principalmente, trazer aos cidadãos opção de escolha. A alternância de poder contextualizada no modelo democrático é o caminho que evita os dissabores das truculências que maculam a História.
Ontem, 16, definiram o comando da GIRGOIÁS para o próximo biênio. Instituição que trouxe no seu Teste de Progênie oportunidade a touros que não tivessem parentesco com animais já avaliados em outro teste. Houve derrapagens? Sim. Houve desentendimento sobre a execução do mesmo? Sim. Mas a necessidade de trazê-lo à filosofia ao qual foi criado se impôs. Isso é o mais importante. O momento é de muita responsabilidade dos que entram e não menos diferentes com relação aos que saem.
Aberta da Assembléia Geral Ordinária, foi delegada ao então presidente, senhor Rosimar Silva, a presidência da mesma, que, fazendo uso da palavra discorreu sobre o Teste de Progênie GIRGOIÁS desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Gir (ASSOGIR) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), com o apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
Depois passou à prestação de contas, discorrendo sobre as dificuldades financeiras em que recebeu a instituição de seu antecessor, principalmente, no que diz respeito aos encargos federais, e que, nesse momento a deixava numa condição extraordinária sob o aspecto financeiro, a ponto de ser feita uma observação por um dos presentes “como sendo uma coisa inédita no Brasil”. Todavia, embora com o parecer favorável do Conselho Fiscal da entidade, não se chegou a um denominador comum sobre a aprovação das contas referentes ao período que ali se encerrava. Foi então que um dos associados presentes, doutor Eni Cabral sugeriu, no que foi acatado de maneira unânime pela Assembléia, de que fosse a prestação de contas aprovada em outra Assembléia Extraordinária, uma vez que os balanços referentes aos dois últimos meses ainda se encontravam em aberto.
Num terceiro momento colocou-se em votação, por aclamação, por se tratar de uma única Chapa “Alberto Pereira Nunes Filho” que, pela manifestação dos presentes alcançará 100% de aprovação, elegendo como presidente Luiz Alberto de Paula e Souza.
O ex-presidente fez os agradecimentos aos seus diretores e funcionários, passando a palavra ao presidente eleito, que iniciou seu discurso agradecendo aos presentes, conclamando a todos para estarem juntos nessa caminhada, pois o objetivo é único, o Gir. Afirmou estar ali como presidente de todos os criadores de Gir de Goiás extensivo a todos os criadores brasileiros através do Teste de Progênie, que hoje é uma realidade, e com os projetos em andamentos como o MOET (Multiplication Ovulation Embryo Transfer) e a Prova de Produção de Leite.
Luiz Humberto Carrião
segunda-feira, 13 de junho de 2011
“O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto”
“O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto”
Trazida de sua origem, na Índia, a raça Gir tem chamado a atenção por sua distinção entre as demais raças zebuínas (Bos Taurus indicus).
A proposta de uma seleção artificial condenando o padrão de pureza de origem levantou aqueles que desejam preservá-la em sua essência a futuras gerações. Aqui vai mais uma contribuição do Blog WWW.girpontocom.blogspot.com a essa discussão.
Fenótipo é aquilo que é influenciado por genes. Ou seja, na prática, tudo o que diz respeito a um corpo. Mas há uma sutileza de ênfase, decorrente da etimologia da palavra. “Phaino” é palavra grega que significa “mostrar”, “trazer à luz”, “evidenciar”, “exibir”, “descobrir”, “revelar”, “manifestar”. O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto. O Oxford English Dictionary define genótipo como “o total das características observáveis de um indivíduo, visto como a conseqüência da interação de seu genótipo com o seu meio”, mas antes desta definição apresenta outra, mais sutil: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. (Dawkins, p. 230).
Em evolução torna-se inaceitável a ideia de uma raça advir de uma criação unilateral, e sim, dos cruzamentos entre os espécimes, o que nega inclusive o conceito de raça pura. “O que importa no sentido darwiniano é que diferenças entre os genes se traduzem em diferenças entre fenótipos. A seleção natural só quer saber de diferenças. E, de modo análogo, são as diferenças que interessam aos geneticistas”.
Lembremos a definição mais “sutil” de fenótipo dada pelo Oxford English Dictionary: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. A palavra chave é “distinguível”. (Dawkins, p.233).
Os cientistas quando começaram a estudar a vida, o fizeram pelo seu aspecto mais evidente, os organismos. Eventualmente descobriu os genes, aos quais atribuíram o papel de ajudar o corpo no processo de reprodução. Certo? Não! Errado. Os genes criam o corpo para ajudá-lo no processo de reprodução. A importância do indivíduo, reconhecida pelos geneticistas, é apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.
Luiz Humberto Carrião
Trazida de sua origem, na Índia, a raça Gir tem chamado a atenção por sua distinção entre as demais raças zebuínas (Bos Taurus indicus).
A proposta de uma seleção artificial condenando o padrão de pureza de origem levantou aqueles que desejam preservá-la em sua essência a futuras gerações. Aqui vai mais uma contribuição do Blog WWW.girpontocom.blogspot.com a essa discussão.
Fenótipo é aquilo que é influenciado por genes. Ou seja, na prática, tudo o que diz respeito a um corpo. Mas há uma sutileza de ênfase, decorrente da etimologia da palavra. “Phaino” é palavra grega que significa “mostrar”, “trazer à luz”, “evidenciar”, “exibir”, “descobrir”, “revelar”, “manifestar”. O fenótipo é a manifestação externa e visível do genótipo oculto. O Oxford English Dictionary define genótipo como “o total das características observáveis de um indivíduo, visto como a conseqüência da interação de seu genótipo com o seu meio”, mas antes desta definição apresenta outra, mais sutil: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. (Dawkins, p. 230).
Em evolução torna-se inaceitável a ideia de uma raça advir de uma criação unilateral, e sim, dos cruzamentos entre os espécimes, o que nega inclusive o conceito de raça pura. “O que importa no sentido darwiniano é que diferenças entre os genes se traduzem em diferenças entre fenótipos. A seleção natural só quer saber de diferenças. E, de modo análogo, são as diferenças que interessam aos geneticistas”.
Lembremos a definição mais “sutil” de fenótipo dada pelo Oxford English Dictionary: “um tipo de organismo distinguível de outros por características observáveis”. A palavra chave é “distinguível”. (Dawkins, p.233).
Os cientistas quando começaram a estudar a vida, o fizeram pelo seu aspecto mais evidente, os organismos. Eventualmente descobriu os genes, aos quais atribuíram o papel de ajudar o corpo no processo de reprodução. Certo? Não! Errado. Os genes criam o corpo para ajudá-lo no processo de reprodução. A importância do indivíduo, reconhecida pelos geneticistas, é apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.
Luiz Humberto Carrião
sábado, 11 de junho de 2011
EM TEMPO, O TEMPO FAZ JUSTIÇA AO GIR
Certa vez, o físico norte-americano John Wheeler sugeriu que “o tempo é aquilo que impede que tudo aconteça de uma só vez”.
Quiçá, esta citação seja uma maneira de me justificar o porquê de não haver defendido a raça Gir através de uma argumentação científica há um tempo em que, o senso comum prevalecia sobre o caráter científico nas concessões que o Serviço de Registro Genealógico das raças zebuínas abria à vertente leiteira.
O tempo nos tem conduzido a todo tempo a busca de questões expressas pela razão sobre nossas posições. Às vezes o tempo exige tempo para o amadurecimento do entendimento.
A questão dicotonômica na raça Gir pouco me interessou até o momento em que a literatura agregou aos poucos conhecimentos que tinha sobre a raça de que, fenotipicamente, era única entre os zebuínos. O porquê disso? Foi então que me interessei a estudá-la, tomando por base a literatura existente e os conhecimentos de criadores pioneiros, levando-me a optar por um rebanho “puro de origem”.
A defesa desse padrão “puro de origem” se expressa na não concordância da criação de um novo padrão racial no Brasil, como se houvesse a possibilidade da existência de duas raças Gir. Padrão este, totalmente descaracterizado daquele estabelecido quando do início da escrituração zootécnica da raça pelo SRG/MAPA/ABCZ. Também, à tentativa dos criadores desse novo padrão em colocar “pureza de raça” como sinônima de “pureza de origem” para justificar a descaracterização de seus animais. E nesse quesito, é sabido que existe uma diferença reveladora entre as expressões. E não poderia ficar de fora dessas justificativas, incursões artificiais e falácias no processo de produção leiteira da raça, e mesmo, a defesa daqueles que consomem e nela acreditam.
Apesar de o tempo ter se atrasado no tempo, uma luz é acesa. Nunca acreditei na existência da escuridão, e sim, na ausência de luz.
A exigência do SRG/MAPA/ABCZ sobre o padrão racial estabelecido através de animais “puros de origem” indiana, isto é, zebuínos não deixa de ser uma luz. Aliás, que luz! Mas isso é só o primeiro passo diante da caminhada que temos pela frente.
Luiz Humberto Carrião
Quiçá, esta citação seja uma maneira de me justificar o porquê de não haver defendido a raça Gir através de uma argumentação científica há um tempo em que, o senso comum prevalecia sobre o caráter científico nas concessões que o Serviço de Registro Genealógico das raças zebuínas abria à vertente leiteira.
O tempo nos tem conduzido a todo tempo a busca de questões expressas pela razão sobre nossas posições. Às vezes o tempo exige tempo para o amadurecimento do entendimento.
A questão dicotonômica na raça Gir pouco me interessou até o momento em que a literatura agregou aos poucos conhecimentos que tinha sobre a raça de que, fenotipicamente, era única entre os zebuínos. O porquê disso? Foi então que me interessei a estudá-la, tomando por base a literatura existente e os conhecimentos de criadores pioneiros, levando-me a optar por um rebanho “puro de origem”.
A defesa desse padrão “puro de origem” se expressa na não concordância da criação de um novo padrão racial no Brasil, como se houvesse a possibilidade da existência de duas raças Gir. Padrão este, totalmente descaracterizado daquele estabelecido quando do início da escrituração zootécnica da raça pelo SRG/MAPA/ABCZ. Também, à tentativa dos criadores desse novo padrão em colocar “pureza de raça” como sinônima de “pureza de origem” para justificar a descaracterização de seus animais. E nesse quesito, é sabido que existe uma diferença reveladora entre as expressões. E não poderia ficar de fora dessas justificativas, incursões artificiais e falácias no processo de produção leiteira da raça, e mesmo, a defesa daqueles que consomem e nela acreditam.
Apesar de o tempo ter se atrasado no tempo, uma luz é acesa. Nunca acreditei na existência da escuridão, e sim, na ausência de luz.
A exigência do SRG/MAPA/ABCZ sobre o padrão racial estabelecido através de animais “puros de origem” indiana, isto é, zebuínos não deixa de ser uma luz. Aliás, que luz! Mas isso é só o primeiro passo diante da caminhada que temos pela frente.
Luiz Humberto Carrião
O GRANDE EQUÍVOCO: PUREZA RACIAL x PUREZA DE ORIGEM
Existe uma diferença reveladora entre “pureza de raça” e “pureza de origem”. Conscientemente, ou inconscientemente, uma tem sido colocada como sinônimo da outra, o que não é correto. Taxonomicamente, os indivíduos passam a cruzarem entre si a partir do que é classificado como Espécie e a classificação de subespécie ou raça são conferidas a grupos de espécimes que se separam em regiões diferentes, e, por ficarem isolados por muitas gerações fixam caracteres semelhantes. Uma subespécie ou raça não adveio de uma criação unilateral, e sim, de cruzamentos entre os espécimes, negando o conceito de “raça pura”. Contudo o conceito de “pureza de origem” implica a certeza de que indivíduo A ou B vieram da mesma origem: se européia Bós Taurus taurus e se indiana, Bós Taurus indicus.
Uma espécie pode possuir diversas subespécies ou raças que isoladas sofrem mutações aparecendo diferenciações genotípicas e fenotípicas atribuídas à interferência do meio. Para alguns biólogos aí reside o fator raça. Diferencia-se um individuo Guzerá de um Gir por uma série de caracteres como crânio, orelhas, chifres, pelagem, etc..
O trabalho de descrição do padrão racial para a expedição do certificado de “Pureza de Origem” (PO) não surgiu de maneira aleatória, nem tampouco tem alguma implicação com “pureza racial”. Partiu de referências em animais vivos importados, passando por descrições de pessoas que estiveram na Índia e análises de animais indianos em fotografia. Foi traçado um conjunto de características que pudessem identificar essa “pureza de origem” em cada raça, que depois foi facilitada pela escrituração zootécnica por parte do SRG. Normalmente a recusa pelo Técnico do SRG está ligada a caracteres que fogem a esse padrão racial de origem ocorre numa tentativa de evitar a dominância de caracteres trazidos da ancestralidade remontada à espécie, ou mesmo de defeitos transmissíveis, chegando ao aleijão.
Por questões sobejamente conhecidas a ABCZ abriu concessões ao padrão de “pureza de origem” na Gir provocando o aparecimento de indivíduos alheios ao padrão oficial, criando uma dicotomia entre os criadores, onde de um lado figuram aqueles adeptos à “pureza de origem” e de outro, os que priorizam a “produção individual.”
Atualmente, criadores da segunda opção estão criando um padrão racial para o que chamam de “gir leiteiro” muito distante do padrão estabelecido pela “pureza de origem”, dando a entender que existem duas raças Gir no Brasil.
Luiz Humberto Carrião
Uma espécie pode possuir diversas subespécies ou raças que isoladas sofrem mutações aparecendo diferenciações genotípicas e fenotípicas atribuídas à interferência do meio. Para alguns biólogos aí reside o fator raça. Diferencia-se um individuo Guzerá de um Gir por uma série de caracteres como crânio, orelhas, chifres, pelagem, etc..
O trabalho de descrição do padrão racial para a expedição do certificado de “Pureza de Origem” (PO) não surgiu de maneira aleatória, nem tampouco tem alguma implicação com “pureza racial”. Partiu de referências em animais vivos importados, passando por descrições de pessoas que estiveram na Índia e análises de animais indianos em fotografia. Foi traçado um conjunto de características que pudessem identificar essa “pureza de origem” em cada raça, que depois foi facilitada pela escrituração zootécnica por parte do SRG. Normalmente a recusa pelo Técnico do SRG está ligada a caracteres que fogem a esse padrão racial de origem ocorre numa tentativa de evitar a dominância de caracteres trazidos da ancestralidade remontada à espécie, ou mesmo de defeitos transmissíveis, chegando ao aleijão.
Por questões sobejamente conhecidas a ABCZ abriu concessões ao padrão de “pureza de origem” na Gir provocando o aparecimento de indivíduos alheios ao padrão oficial, criando uma dicotomia entre os criadores, onde de um lado figuram aqueles adeptos à “pureza de origem” e de outro, os que priorizam a “produção individual.”
Atualmente, criadores da segunda opção estão criando um padrão racial para o que chamam de “gir leiteiro” muito distante do padrão estabelecido pela “pureza de origem”, dando a entender que existem duas raças Gir no Brasil.
Luiz Humberto Carrião
quarta-feira, 8 de junho de 2011
O clamor da raça Gir ao senhor Deus dos desgraçados
O clamor da raça Gir ao senhor Deus dos desgraçados
Crise na Associação nacional da raça
O Modelo Ocidental de alternância de poder optou-se pela forma democrática de escolha, cabendo aos membros de uma nação em conformidade com sua Constituição, através do sufrágio universal escolher seus governantes e representantes. Em efeito cascata alcançou as mais simples instituições classistas. Mas alguns países e algumas entidades de classes insistem em caminhar pela contramão desse Modelo.
A Associação dos Criadores de Gir do Brasil através de prestigio político de um de seus diretores conseguiu uma sala no edifício Arnaldo Rosa Prata, que abriga a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, no Parque Fernando Costa, na cidade de Uberaba – MG, transferindo-se da cidade de São Paulo, oportunidade em que passou a sua denominação para Associação Brasileira dos Criadores de Gir – ASSOGIR –, que desde então por um período de 15 anos, aproximadamente, foi presidida pela mesma pessoa, com algumas alterações nos membros que compunham sua diretoria.
O final de sua administração, isto é, a alternância de poder não foi efetivada através de eleições, e sim, da aclamação de um novo presidente numa reunião na cidade de Belo Horizonte – MG, sem a convocação prévia de uma Assembléia Extraordinária com os fins especificados no seu Edital de Convocação, e inclusive, sem a presença do então presidente.
O novo presidente seguindo a tradição foi eleito à mesa diretiva da ABCZ. Nessa oportunidade o Ministério da Agricultura liberou para a raça Gir uma verba para ser aplicada em Melhoramento Genético no valor de R$50.000,00. Só que, a ASSOGIR não possuía um programa de melhoramento genético que pudesse fazer jus à verba. A saída, em um primeiro momento, seria uma parceria com a ABCGIL/EMBRAPA no Teste de Progênie desenvolvido por estas entidades. Todavia, não houve acerto entre a ASSOGIR e ABCGIL sobre a participação de dos touros/ASSOGIR no teste. Foi então imposta pelo presidente do Conselho Superior da Raça a comunicação ao presidente da ABCZ a negação da ASSOGIR.
O presidente da ASSOGIR ponderou que em não possuindo um programa de melhoramento genético não havia como participar da verba, e que, como diretor da ABCZ e não se sujeitaria ao que ele classificava como deselegância. Diante da pressão do Conselho, propôs um afastamento por 6 meses, então o vice-presidente cumpriria tais determinações. Incontinenti, o presidente do Conselho definiu: licença não! Ou o presidente cumpre as determinações do Conselho Superior, ou renuncia.
Ora, estatutariamente o Conselho Superior era um órgão consultivo e não deliberativo. Como aceitar uma posição dessas, ainda mais em tom de ameaças. O presidente de imediato apresentou sua carta renúncia, com o vice-presidente terminando o seu mandato e, inclusive, prorrogando-o no poder por um mandato tampão de 2 anos, com o objetivo de coincidir as eleições da ASSOGIR com as da ABCZ, uma vez que a entidade do Gir possuía, por tradição, na Chapa Oficial uma vice-presidência e uma diretoria, o que manteria uma consonância entre o período administrativo da ASSOGIR com o da ABCZ.
Nesse período ocorreu a implantação do Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir – PMGRG – através da utilização dessa verba em questão e de parcerias múltiplas, além da colaboração de abnegados criadores.
O então vice-presidente elegeu-se presidente em conformidade com os estatutos, porém, através de uma ação na justiça foi afastado do cargo, passando a entidade por uma intervenção judicial, até a determinação de eleições a trouxesse à legalidade. Há que se esclarecer que a referida ação judicial foi recusada pelo STJMG por falta de sustentação legal.
O novo presidente assinou seu Ato de Fé rumo à fogueira no momento em que deixou de compor a Chapa Oficial da ABCZ optando por uma Chapa saída das associações promotoras das raças, culminando com o seu afastamento numa Assembléia em que maioria substancial não pertencia ao quadro de sócios da entidade. Dos associados presentes, pouquíssimos em dia com as obrigações estatutárias, por conseguinte, impedidos de votarem e serem votados;
Um dos articuladores do movimento fazia pressão através de um voto por procuração, o que era vetado pelo Estatuto.
Como nas vezes anteriores, o presidente assinou sua carta renúncia e foi embora. A assembléia modificou o Estatuto, o organograma e um novo presidente eleito. Mas eleito por pouco tempo, pois uma nova articulação impõe a ele o instituto da renuncia. E mais uma vez, o presidente sairá de um grupo conspirador.
Como dar credibilidade a uma associação representativa de uma raça, com mais de 55 anos de atividade, das quais mais de 30 está tendo sua alternância de poder efetivada através de conspirações e arranjos em desrespeito ao seu Estatuto.
Melhoramento Genético
Atualmente três Programas de Melhoramento Genético envolvendo a raça: Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e Associação Goiana dos Criadores de Gir (AGCG) mais conhecida como GIRGOIÁS.
Primeiro e segundo fechados na linhagem de um único Touro
O primeiro através de seu Teste de Progênie (ABCGIL) fechou em C.A. Everest que trás no topo do ranking um filho, C. A. Sansão (PTA 923,09) e, em segundo lugar um neto, Brasão de Kuberas (PTA 881,51). Dificilmente a linhagem C.A. Everest será superada pelos números apresentados.
O segundo através de seu Sumário Nacional de Touros Gir de Aptidão Leiteira (ABCZ) acabou engolido pelo primeiro pela sua conformação. Todo animal que tiver acima de 4 filhas, acima de 3 propriedades diferentes que estejam em Controle Leiteiro Oficial (ABCZ) será avaliado. Isso demonstra que todos os animais pertencentes ao Teste de Progênie (ABCGIL) automaticamente são avaliados pelo Sumário (ABCZ) onde a diferença reside na publicação. A ABCGIL publica somente os touros participantes de seu teste, e a ABCZ, todos aqueles touros que possuem acima de 4 filhas, acima de 3 propriedades diferentes em Controle Leiteiro Oficial. Com isso, as chances dos Touros não pertencentes a vertente denominada “gir leiteiro”ter uma expressividade no ranking é mínima.
O terceiro ameaçado
O terceiro através de seu Teste de Progênie (GIRGOIÁS) optou por contemplar touros alternativos, isto é, que estejam dentro do padrão de “pureza de origem” e que possam abrir essa consangüinidade que ora ameaça o criatório brasileiro.
Responsabilidade da GIRGOIÁS
Assim, a constatação é obvia: a eleição na GIRGOIÁS não define somente o corpo diretivo da entidade para os próximos anos, e sim, o futuro da raça Gir no Brasil.
Luiz Humberto Carrião
Crise na Associação nacional da raça
O Modelo Ocidental de alternância de poder optou-se pela forma democrática de escolha, cabendo aos membros de uma nação em conformidade com sua Constituição, através do sufrágio universal escolher seus governantes e representantes. Em efeito cascata alcançou as mais simples instituições classistas. Mas alguns países e algumas entidades de classes insistem em caminhar pela contramão desse Modelo.
A Associação dos Criadores de Gir do Brasil através de prestigio político de um de seus diretores conseguiu uma sala no edifício Arnaldo Rosa Prata, que abriga a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, no Parque Fernando Costa, na cidade de Uberaba – MG, transferindo-se da cidade de São Paulo, oportunidade em que passou a sua denominação para Associação Brasileira dos Criadores de Gir – ASSOGIR –, que desde então por um período de 15 anos, aproximadamente, foi presidida pela mesma pessoa, com algumas alterações nos membros que compunham sua diretoria.
O final de sua administração, isto é, a alternância de poder não foi efetivada através de eleições, e sim, da aclamação de um novo presidente numa reunião na cidade de Belo Horizonte – MG, sem a convocação prévia de uma Assembléia Extraordinária com os fins especificados no seu Edital de Convocação, e inclusive, sem a presença do então presidente.
O novo presidente seguindo a tradição foi eleito à mesa diretiva da ABCZ. Nessa oportunidade o Ministério da Agricultura liberou para a raça Gir uma verba para ser aplicada em Melhoramento Genético no valor de R$50.000,00. Só que, a ASSOGIR não possuía um programa de melhoramento genético que pudesse fazer jus à verba. A saída, em um primeiro momento, seria uma parceria com a ABCGIL/EMBRAPA no Teste de Progênie desenvolvido por estas entidades. Todavia, não houve acerto entre a ASSOGIR e ABCGIL sobre a participação de dos touros/ASSOGIR no teste. Foi então imposta pelo presidente do Conselho Superior da Raça a comunicação ao presidente da ABCZ a negação da ASSOGIR.
O presidente da ASSOGIR ponderou que em não possuindo um programa de melhoramento genético não havia como participar da verba, e que, como diretor da ABCZ e não se sujeitaria ao que ele classificava como deselegância. Diante da pressão do Conselho, propôs um afastamento por 6 meses, então o vice-presidente cumpriria tais determinações. Incontinenti, o presidente do Conselho definiu: licença não! Ou o presidente cumpre as determinações do Conselho Superior, ou renuncia.
Ora, estatutariamente o Conselho Superior era um órgão consultivo e não deliberativo. Como aceitar uma posição dessas, ainda mais em tom de ameaças. O presidente de imediato apresentou sua carta renúncia, com o vice-presidente terminando o seu mandato e, inclusive, prorrogando-o no poder por um mandato tampão de 2 anos, com o objetivo de coincidir as eleições da ASSOGIR com as da ABCZ, uma vez que a entidade do Gir possuía, por tradição, na Chapa Oficial uma vice-presidência e uma diretoria, o que manteria uma consonância entre o período administrativo da ASSOGIR com o da ABCZ.
Nesse período ocorreu a implantação do Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir – PMGRG – através da utilização dessa verba em questão e de parcerias múltiplas, além da colaboração de abnegados criadores.
O então vice-presidente elegeu-se presidente em conformidade com os estatutos, porém, através de uma ação na justiça foi afastado do cargo, passando a entidade por uma intervenção judicial, até a determinação de eleições a trouxesse à legalidade. Há que se esclarecer que a referida ação judicial foi recusada pelo STJMG por falta de sustentação legal.
O novo presidente assinou seu Ato de Fé rumo à fogueira no momento em que deixou de compor a Chapa Oficial da ABCZ optando por uma Chapa saída das associações promotoras das raças, culminando com o seu afastamento numa Assembléia em que maioria substancial não pertencia ao quadro de sócios da entidade. Dos associados presentes, pouquíssimos em dia com as obrigações estatutárias, por conseguinte, impedidos de votarem e serem votados;
Um dos articuladores do movimento fazia pressão através de um voto por procuração, o que era vetado pelo Estatuto.
Como nas vezes anteriores, o presidente assinou sua carta renúncia e foi embora. A assembléia modificou o Estatuto, o organograma e um novo presidente eleito. Mas eleito por pouco tempo, pois uma nova articulação impõe a ele o instituto da renuncia. E mais uma vez, o presidente sairá de um grupo conspirador.
Como dar credibilidade a uma associação representativa de uma raça, com mais de 55 anos de atividade, das quais mais de 30 está tendo sua alternância de poder efetivada através de conspirações e arranjos em desrespeito ao seu Estatuto.
Melhoramento Genético
Atualmente três Programas de Melhoramento Genético envolvendo a raça: Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e Associação Goiana dos Criadores de Gir (AGCG) mais conhecida como GIRGOIÁS.
Primeiro e segundo fechados na linhagem de um único Touro
O primeiro através de seu Teste de Progênie (ABCGIL) fechou em C.A. Everest que trás no topo do ranking um filho, C. A. Sansão (PTA 923,09) e, em segundo lugar um neto, Brasão de Kuberas (PTA 881,51). Dificilmente a linhagem C.A. Everest será superada pelos números apresentados.
O segundo através de seu Sumário Nacional de Touros Gir de Aptidão Leiteira (ABCZ) acabou engolido pelo primeiro pela sua conformação. Todo animal que tiver acima de 4 filhas, acima de 3 propriedades diferentes que estejam em Controle Leiteiro Oficial (ABCZ) será avaliado. Isso demonstra que todos os animais pertencentes ao Teste de Progênie (ABCGIL) automaticamente são avaliados pelo Sumário (ABCZ) onde a diferença reside na publicação. A ABCGIL publica somente os touros participantes de seu teste, e a ABCZ, todos aqueles touros que possuem acima de 4 filhas, acima de 3 propriedades diferentes em Controle Leiteiro Oficial. Com isso, as chances dos Touros não pertencentes a vertente denominada “gir leiteiro”ter uma expressividade no ranking é mínima.
O terceiro ameaçado
O terceiro através de seu Teste de Progênie (GIRGOIÁS) optou por contemplar touros alternativos, isto é, que estejam dentro do padrão de “pureza de origem” e que possam abrir essa consangüinidade que ora ameaça o criatório brasileiro.
Responsabilidade da GIRGOIÁS
Assim, a constatação é obvia: a eleição na GIRGOIÁS não define somente o corpo diretivo da entidade para os próximos anos, e sim, o futuro da raça Gir no Brasil.
Luiz Humberto Carrião
segunda-feira, 6 de junho de 2011
ABCZ exige rigor a seus Técnicos com relação ao padrão racial
ABCZ exige rigor a seus Técnicos com relação ao padrão racial
De 180 animais (machos) colocados a julgamento para o Registro genealógico somente 13 foram aprovados
O certificado de pureza de origem (PO) ou de pureza de origem importada (POI) acompanhado do pedigree do animal, e o certificado de categoria LA (Livro Aberto) aos animais “cara limpa” que contemplem as características referentes ao padrão-racial estabelecido pelo Serviço de Registro Genealógico (SRG) são expedido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), através de suas delegadas e escritórios técnicos regionais espalhados pelo país.
Aos animais registrados no LA, uma observação: após a segunda geração de cruzamento com animais PO, sua progênie é registrada na categoria de PO (puro de origem).
A genética mostra uma diferença reveladora entre “árvore de genes” e a “árvore genealógica”. Na primeira cada gene de um indivíduo tem de ter vindo de seu pai ou de sua mãe; de apenas um dos seus 4 avós; de apenas um de 8 oito bisavós; na segunda (pedigree), o indivíduo vem de seu pai e de sua mãe, de seus 4 avós, de seus 8 bisavós, e assim por diante. Como diria o filósofo Tim Maia, “uma coisa é uma coisa, outra coisa e outra coisa.”
No cruzamento absorvente entre espécies diferentes, por exemplo, pai (Bós Taurus taurus) e mãe( Bós Taurus indicus) um gene X responsável por uma característica tanto pode vir através do pai como da mãe; de somente um dos seus 4 avós; necessariamente, de um de seus 8 bisavós, e, assim por diante.
Os genes definem sua linhagem através de machos e fêmeas com igual probabilidade. Isto significa que um animal PO (puro de origem) através de cruzamento absorvente pode ter herdado, por exemplo, características produtivas do pai e fenotípicas da mãe, e vice-versa. Nisso o padrão racial é quem define.
O trabalho de descrição do padrão racial das raças zebuínas foi de uma meticulosidade impar por uma equipe chefiada pelo veterinário José Rodrigues Calheiros, com a colaboração de Waldemar Cruvinel Ratto, na década de 30 do século passado. Partiram de referências em animais vivos importados, passando por descrições de pessoas que estiveram na Índia, até análises de fotografias.
“A principal função do SRG é a fixação do patrimônio genético visando à melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos. Com isso, assegura-se a garantia de origem dos filhos dos reprodutores. O SRG executa esta função inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial. Os reprodutores registrados e controlados pelo SRG exercem importante função de aprimoramento racial de um plantel, sendo, pois, imprescindível a uma seleção criteriosa.” (Lopez, 2001, p. 73).
Atentem para as frases: “melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos” e “inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial.” A função do SRG objetiva a padronização racial aliada à produtividade.
Ora, se um indivíduo obtido entre duas espécies diferentes através de cruzamento absorvente pode herdar características produtivas de seu pai e fenotípicas de sua mãe, e vice-versa, somente o padrão racial estabelecido à raça pelo SRG poderá aproximá-lo o mais possível de sua pureza de origem. Ao contrário, se ao invés do padrão racial optar pela produtividade podem determinar em pouco tempo a redução populacional de pureza racial de determinadas subespécies ou raças, ameaçando-as inclusive de extinção.
Recentemente, consta que em um dos maiores rebanhos de “gir leiteiro” do Brasil, de 180 animais machos colocados à presença de um Técnico da ABCZ para classificação ao Registro Genealógico, 167 foram recusados por estarem fora do padrão racial estabelecido pelo SRG da ABCZ, somente 13 efetivados.
Se isso realmente ocorreu, tem sua significação.
Luiz Humberto Carrião
De 180 animais (machos) colocados a julgamento para o Registro genealógico somente 13 foram aprovados
O certificado de pureza de origem (PO) ou de pureza de origem importada (POI) acompanhado do pedigree do animal, e o certificado de categoria LA (Livro Aberto) aos animais “cara limpa” que contemplem as características referentes ao padrão-racial estabelecido pelo Serviço de Registro Genealógico (SRG) são expedido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), através de suas delegadas e escritórios técnicos regionais espalhados pelo país.
Aos animais registrados no LA, uma observação: após a segunda geração de cruzamento com animais PO, sua progênie é registrada na categoria de PO (puro de origem).
A genética mostra uma diferença reveladora entre “árvore de genes” e a “árvore genealógica”. Na primeira cada gene de um indivíduo tem de ter vindo de seu pai ou de sua mãe; de apenas um dos seus 4 avós; de apenas um de 8 oito bisavós; na segunda (pedigree), o indivíduo vem de seu pai e de sua mãe, de seus 4 avós, de seus 8 bisavós, e assim por diante. Como diria o filósofo Tim Maia, “uma coisa é uma coisa, outra coisa e outra coisa.”
No cruzamento absorvente entre espécies diferentes, por exemplo, pai (Bós Taurus taurus) e mãe( Bós Taurus indicus) um gene X responsável por uma característica tanto pode vir através do pai como da mãe; de somente um dos seus 4 avós; necessariamente, de um de seus 8 bisavós, e, assim por diante.
Os genes definem sua linhagem através de machos e fêmeas com igual probabilidade. Isto significa que um animal PO (puro de origem) através de cruzamento absorvente pode ter herdado, por exemplo, características produtivas do pai e fenotípicas da mãe, e vice-versa. Nisso o padrão racial é quem define.
O trabalho de descrição do padrão racial das raças zebuínas foi de uma meticulosidade impar por uma equipe chefiada pelo veterinário José Rodrigues Calheiros, com a colaboração de Waldemar Cruvinel Ratto, na década de 30 do século passado. Partiram de referências em animais vivos importados, passando por descrições de pessoas que estiveram na Índia, até análises de fotografias.
“A principal função do SRG é a fixação do patrimônio genético visando à melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos. Com isso, assegura-se a garantia de origem dos filhos dos reprodutores. O SRG executa esta função inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial. Os reprodutores registrados e controlados pelo SRG exercem importante função de aprimoramento racial de um plantel, sendo, pois, imprescindível a uma seleção criteriosa.” (Lopez, 2001, p. 73).
Atentem para as frases: “melhoria da qualidade e da produtividade dos rebanhos” e “inscrevendo, em livro próprio, todo animal considerado enquadrado no seu padrão racial.” A função do SRG objetiva a padronização racial aliada à produtividade.
Ora, se um indivíduo obtido entre duas espécies diferentes através de cruzamento absorvente pode herdar características produtivas de seu pai e fenotípicas de sua mãe, e vice-versa, somente o padrão racial estabelecido à raça pelo SRG poderá aproximá-lo o mais possível de sua pureza de origem. Ao contrário, se ao invés do padrão racial optar pela produtividade podem determinar em pouco tempo a redução populacional de pureza racial de determinadas subespécies ou raças, ameaçando-as inclusive de extinção.
Recentemente, consta que em um dos maiores rebanhos de “gir leiteiro” do Brasil, de 180 animais machos colocados à presença de um Técnico da ABCZ para classificação ao Registro Genealógico, 167 foram recusados por estarem fora do padrão racial estabelecido pelo SRG da ABCZ, somente 13 efetivados.
Se isso realmente ocorreu, tem sua significação.
Luiz Humberto Carrião
sábado, 4 de junho de 2011
Um breve estudo sobre a Raça Gir
Um breve estudo sobre a Raça Gir
Carl Von Linné (1707 – 1778) apresentou à sociedade científica do seu tempo a Taxonomia, ciência que classifica os organismos vivos, unificando a linguagem de numerosos taxonomistas em países diferentes. A Taxonomia estabelece regras para dar nomes aos animais, a partir do trabalho apresentado por Linné, botânico, zoólogo e médico sueco, em 1758.
Os nomes dos animais devem ser escritos em latim.
Todo animal tem obrigatoriamente dois nomes no mínimo. O primeiro é o gênero e o segundo o da espécie
O nome do gênero deve ser sempre escrito com inicial maiúscula e o da espécie com inicial minúscula
Quando se dá o nome específico em homenagem a uma pessoa, acrescenta-se a letra “i” no sobrenome do homenageado se for do sexo masculino
Quando o homenageado for feminino, acrescentam-se as letras “ae” ao sobrenome
Quando existe subgênero o seu nome deve ser escrito depois do nome do gênero, entre parêntesis, e sempre com inicial maiúscula
Se um gênero ou espécie foi descrito mais de uma vez, deve-se sempre usar o primeiro nome que o animal foi descrito, mesmo que seja errado. É a Lei da Prioridade
Quando existe subespécie, o seu nome deve ser escrito depois do da espécie e sempre com inicial minúscula.
O nome dos animais deve ser grifado ou deve se usar um tipo de letra diferente ao texto; em geral se usa o negrito ou caracteres itálicos.
Classificação taxonômica: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero, Espécie, Subespécie ou Raça.
Reino: Animalia (animal ou Metazoa) é composto por seres vivos pluricelulares, heterotróficos, cujas células formam tecidos biológicos, com capacidade de responder ao ambiente que os envolve ou, por outras palavras, pelos animais.
Filo: Chordata (abrange animais adaptados para a vida em água doce, salgada, terra e ar).
Classe: Mammalia (mamíferos) formam o grupo mais evoluído e mais conhecido dos Chordata.
Ordem: Artiodactyla (constitui uma ordem de mamíferos ungulados (divisão de mamíferos que compreende os animais de casco) com um número de par de dedos nas patas.
Família: Bovinae (constitui uma famílias de mamíferos ruminantes, a qual pertence animais domésticos como ovelha, cabra, boi e selvagens como antílopes e bisontes.
Gênero: agrupamento de organismos vivos/fósseis para agrupar um conjunto de espécies que partilham um conjunto muito alargado de características morfológicas e funcionais, um genoma com elevadíssimo grau de comunalidade e uma proximidade filogenética muito grande, refletida para existência de ancestrais comuns muito próximos.
Espécie: é um conceito fundamental da Biologia que designa a unidade básica do sistema taxonômico utilizado na classificação dos seres vivos. Estrutura-se em torno da constituição de agrupamentos de indivíduos (os espécimes) com profundas semelhanças estruturais e funcionais recíprocas, resultantes da partilha de um cariótipo idêntico, expresso numa estrutura cromossômica das células diplóides similar, que lhes confere acentuada uniformidade bioquímica e a capacidade de reprodução entre si, originando descendentes férteis e com o mesmo quadro geral de caracteres, num processo que, quando envolva um organismo sexuado deve permitir descendentes férteis de ambos os sexos.
Subespécie ou Raça: É uma subdivisão da espécie. Normalmente isso ocorre quando duas ou mais populações de uma mesma espécie se separam indo viver em regiões diferentes e por ficarem separados por barreiras geográficas por muitas gerações e não existindo trocas de genes entre essas populações isoladas umas das outras.
Os grupos isolados uns dos outros sofrem mutações com o tempo e assim aparecendo diferenciações genéticas e surgimento de novas subespécies ou raças nessa mesma espécie.
Então:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Gênero: Bós
Espécie: Bós Taurus
Subespécie ou Raça: Bos Taurus indicus (Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian)
“Raça não é uma palavra claramente definida. Já com “espécie” é diferente. Existe um fato consensual de decidir se dois animais pertencem a uma mesma espécie: eles podem intercruzar-se? Obviamente não podem se pertencer ao mesmo sexo, ou se for jovem ou velho demais, ou se ainda por acaso um deles for estéril. Mas essas são filigranas, minúcias fáceis de contornar. [...]” (Dawkins, 2009, p. 464).
“O critério do intercruzamento confere a uma espécie um status único na hierarquia dos níveis taxonômicos. Acima do nível da espécie, o gênero é apenas um grupo de espécies bem semelhantes uma das outras. Não existe nenhum critério objetivo para decidir quanto elas têm de ser semelhantes, e o mesmo se aplica a todos os níveis superiores: família, ordem, classe, filo e os vários nomes como “sub” ou “super” que entremeiam essas categorias. Abaixo do nível das espécies, “raças” e “subespécie” são classificações usadas de modo mais ou menos permutável, e também nesse caso inexistem critérios objetivos que nos permitam decidir se dois indivíduos devem ou não ser considerados membros de uma mesma raça e que nos digam quantas raças existem. E temos ainda, obviamente, a complicação adicional, ausente acima do nível das espécies, de que as raças se intercruzam: por isso existem muitos indivíduos de raça mista.” (Dawkins, 2009, p. 464)
“Presume-se que as espécies, em sua trajetória para se tornarem suficientemente separadas a ponto de não poder intercruzar-se, passam em geral por um estágio intermediário no qual são raças separadas. Raças distintas poderiam ser consideradas espécies em formação, exceto pelo fato de que não existe necessariamente a expectativa de que o processo continue até o seu final - a especiação.” (Dawkins, 2009, p. 464).
Existem quatro tipos de especiação que os evolucionistas identificam como as explicações mais prováveis:
No caso da especiação alopátrica, as fronteiras geográficas reais separam as espécies fisicamente. Um rio ou uma cordilheira, por exemplo, podem causar a divergência de uma espécie.
Na especiação parapátrica, uma espécie se espalha em áreas grandes com ambientes diversificados. Eles se adaptam a essas novas áreas e, gradualmente, tornam-se espécies distintas. Não há uma característica geográfica definida que separe esses animais; eles podem se tornar espécies distintas simplesmente por causa da distância entre os grupos.
A especiação peripátrica ocorre quando um pequeno grupo se isola do núcleo principal da espécie. Como esse grupo é apenas uma pequena parte da população total da espécie, todas as diferenças genéticas que tornam a espécie robusta podem estar ausentes. Isso constitui o que os biologistas evolucionários denominam efeito gargalo. Alguns dos genes que fluem dentro de uma espécie foram eliminados e separados do conjunto genético.
No caso da especiação simpátrica, os membros de uma espécie continuam vivendo lado a lado, mas separados em espécies diferentes.
Em cada um desses tipos de especiação, a espécie deve passar pelo processo de isolamento reprodutivo. Ora esse isolamento, por qual seja a causa, definiu características visuais capazes de identificar o que se convencionou chamar de raça zebuína, Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian etc.
O conceito da superioridade racial do povo alemão exaltada pelo nazismo hitleriano através da associação com a raça ariana (do sânscrito Arya = nobre) provocou traumas irreparáveis e profundos à Humanidade, dentre os quais as experiências genéticas de Josef Mengele, em Auschwitz. Isto de certa forma ascendeu a chama da Ética sobre a ciência levando a “questão raça” como algo destrutivo às relações sociais e humanas. Dawkins coloca o dedo na ferida:
“Todos nós podemos concordar tranquilamente em que a classificação racial dos humanos não tem valor social e é inegavelmente destrutiva para as relações sociais e humanas. Essa é uma das razões da minha objeção a assinalar alternativas em formulários e á discriminação nas seleções de emprego. Mas isso não significa que raça “praticamente não tem significância genética ou taxonômica”. É isso que Edwars está querendo dizer, e sua argumentação é que, por menor que seja a parcela racial na variação total, se as características raciais que existem forem altamente correlacionadas com outras características raciais, elas são por definição, informativas e, portanto, têm significância taxonômica.” (Dawkins, 2008, p. 472)
“Informativas têm aqui uma acepção bem precisa. Uma afirmação informativa é aquela que nos diz algo que desconhecíamos. O teor de informação existente em uma afirmação é medido pelo quanto ela reduz a incerteza prévia. Por sua vez, a redução da incerteza prévia é a medida com base na mudança das probabilidades. Isto nos dá um modo de tornar matematicamente preciso o conteúdo informativo de uma mensagem, mas não precisamos nos incomodar com isso. Se eu disser que João é do sexo masculino, você saberá de imediato uma porção de coisas sobre ele. Sua incerteza prévia sobre a forma de genitália de João será reduzida (embora não eliminada). Você saberá fatos que antes desconhecia a respeito dos cromossomos, dos hormônios e de outros aspectos da bioquímica desse indivíduo, e haverá uma redução quantitativa em sua incerteza prévia quanto ao tom de voz, a distribuição dos pelos faciais, da gordura corporal e da musculatura de João. [...]” (Dawkins, 2009, p. 473)
“Agora, a questão da raça. E se disser que Suzana é chinesa, em quanto a sua certeza prévia se reduzirá? Agora você apostará que ela tem cabelos lisos e pretos (ou que um dia foram preto), uma prega de pele epicântica na extremidade interna das sobrancelhas e mais algumas outras características.” (Dawkins, 2009, p. 473).
Se eu disser a um pecuarista que sou criador de Zebu, muitas das incertezas prévias com relação a mim serão reduzidas. Por exemplo, que crio gado de origem indiana, caracterizado pelos chifres e a giba. Se indagado se é “gir leiteiro” e eu digo não, crio Gir, mais incertezas reduzidas, ou seja, seus conhecimentos mostrarão que crio um animal que morfologicamente apresenta uma convexidade de crânio ao formato de um ovo; chifres saindo na linha dos olhos, para baixo e para trás, orelha em forma de cartucho com uma dobra acentuada na ponta, o gavião; olhos serpenteados; chanfro médio, narinas e bocas grandes, mucosas pigmentadas, barbela, cupim avantajado nos machos, e delicado nas fêmeas, ambos em forma de castanha; diversidade de pelagem, temperamento dócil, de andar sincopado onde os rastos dianteiros servem de referência aos traseiros; rabo fino e longo, onde a vassoura varre os rastos; cisterna (depósito animal de leite) acima dos jarretes, etc..
Por que essa definição por parte de meu interlocutor? Por ser este o padrão racial elaborado pelos Técnicos do Registro Genealógico para servir de referência ao julgamento para o registro efetivado a partir de 1938. Porque este foi o Gir que veio da índia. Provavelmente, criado pelo seu pai e por seu avô.
Suzana e o Gir foram incertezas prévias reduzidas na questão raça, em função da presença visual de caracteres por eles herdados presentes na maioria da população as quais pertencem e que, encontram-se armazenados no inconsciente coletivo.
Caracteres visuais que fogem ao padrão racial não podem ser considerados filigranas, algo sem importância, porque podem aparecer em progênies futuras. O mesmo se pode dizer aos animais efetivados através de cruzamentos absorventes. Nestes casos, especificamente, esse indivíduo volta a compor a classificação taxonômica contextualizada na espécie, que se isolada reprodutivamente, irão fixar esses caracteres dando origem a outro padrão visual, originando outra raça.
Com isso, qual a conclusão que se chega com relação ao padrão racial criado pelos selecionadores de “gir leiteiro”? Num primeiro plano, o retrocesso à classificação taxonômica denominada espécie, e, assim que efetivado esses caracteres através do isolamento reprodutivo de sua população, esse padrão será fixado criando assim uma nova raça que não a Gir.
Se esse padrão adveio através de cruzamentos absorventes com a espécie Bós Taurus taurus (européia) trata-se de um subproduto da raça Gir, obtido através do que se denomina cruzamento industrial, que também o exclui como raça Gir.
“O DNA mitocondrial também pode ser revelador, particularmente para padrões muito antigos. Se compararmos o DNA mitocondrial do leitor com o meu, poderemos determinar há quanto tempo eles compartilham uma mitocôndria ancestral. Como todos nós herdamos nossas mitocôndrias de nossa mãe, e, portanto, das avós maternas, bisavós maternas etc., as comparações mitocondriais podem nos dizer quando viveu nossa ancestral mais recente pela linha feminina. O mesmo pode ser feito com os cromossomos Y para determinar quando viveu nosso ancestral mais recente pela linha masculina, mas, por razões técnicas, isso não é fácil. A beleza do DNA do cromossomo Y e do DNA mitocondrial está em que nenhum deles é contaminado por mistura sexual. Isso facilita buscar a origem dessas classes especificas de ancestral.” (Dawkins, 2009, p. 77)
Na comparação do DNA mitocondrial e do cromossomo Y de dois “indivíduos ditos gir”, o que se pode determinar é o quanto de tempo que eles compartilham uma mitocôndria ancestral e quando viveu a ancestral mais recente pela linha feminina, o mesmo podendo ser feito com o cromossomo Y com relação à ancestralidade masculina.
Tomando como probabilidade de que toda espécie zebuína (Bos Taurus índicos) veio de uma ancestralidade comum, é pouco provável que o DNA mitocondrial e do cromossomo Y venham determinar sobre o fator racial.
Mais uma vez, o quesito raça passa a ser efetivado a partir de caracteres externos expressos em um indivíduo. O que se pode aferir através do DNA mitocondrial e do cromossomo Y é se esse indivíduo possui miscigenação entre as espécies Bós Taurus indicus e Bós Taurus taurus.
A importância do indivíduo é reconhecida pelos geneticistas, apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.
Como se pode ter reprodução e linhagem, esta no sentido de linha de parentesco ascendente e descendente, mas não hereditariedade? Essa é a lição que o fogo nos ensina.
“A verdadeira hereditariedade significaria a herança não do fogo em si, mas das variações entre os fagos. Alguns são mais amarelos, outros mais avermelhados. Alguns rugem, outros crepitam, outros ainda sibilam, soltam fumaça, cospem. Há os que possuem laivos de azul ou verde nas chamas. Nossos ancestrais, caso tenham estudados seus lobos domesticados, hão de ter notado uma diferença reveladora entre as linhagens de cães e linhagens de fogo. Nos cães, semelhante gera semelhante. Pelo menos parte que distingue um cão de outro é transmitida por seus pais. É obvio que existem também as influências externas: alimentação, doenças e acidentes. No caso do fogo, todas as variações provêm do meio, nenhum descendente de uma fagulha progenitora. As variações resultam da qualidade e umidade do combustível, da direção e força do vento, da tiragem da lareira, do solo, de vestígios de cobre e potássio que adicionam toques verde-azulados e lilases à chama amarela do sódio. Em contraste com o cão, nada na qualidade de um fogo adulto chega por intermédio da fagulha que o originou. Fogos azuis não geram fogos azuis. Fogos crepitantes não herdam a crepitação do fogo-pai que cuspiu sua fagulha iniciadora. Os fogos apresentam reprodução sem hereditariedade.” (Dawkins, 2009, p.646).
“A história é a majestosa Torre da Experiência que o tempo erigiu no espaço infindo dos anos decorridos. Não é fácil tarefa alcançar o cimo desse antigo edifício e gozar da vista dum panorama completo; não há ali elevador, mas os moços têm os pés fortes e podem tentar-lhe a ascensão. Aqui vos dou a chave que vós abrirá a porta. Quando voltardes, compreendereis a razão do meu entusiasmo”. (Loon, 1953, p. 9)
Referências Bibliográficas
Dawkins, Richard. A grande história da evolução: na trilha dos nossos ancestrais / Richard Dawkins ; com colaboração de Yan Wong ; tradução Laura Teixeira Motta. – São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Loo, Hendrick Willen Van. História da Humanidade / Hendrick Willen Van Loo ; Tradução Marina Guaspari. – Porto Alegre, 1953.
Luiz Humberto Carrião
Publicado no www.girpontocom.blogspot.com em 4/junho/2011
Carl Von Linné (1707 – 1778) apresentou à sociedade científica do seu tempo a Taxonomia, ciência que classifica os organismos vivos, unificando a linguagem de numerosos taxonomistas em países diferentes. A Taxonomia estabelece regras para dar nomes aos animais, a partir do trabalho apresentado por Linné, botânico, zoólogo e médico sueco, em 1758.
Os nomes dos animais devem ser escritos em latim.
Todo animal tem obrigatoriamente dois nomes no mínimo. O primeiro é o gênero e o segundo o da espécie
O nome do gênero deve ser sempre escrito com inicial maiúscula e o da espécie com inicial minúscula
Quando se dá o nome específico em homenagem a uma pessoa, acrescenta-se a letra “i” no sobrenome do homenageado se for do sexo masculino
Quando o homenageado for feminino, acrescentam-se as letras “ae” ao sobrenome
Quando existe subgênero o seu nome deve ser escrito depois do nome do gênero, entre parêntesis, e sempre com inicial maiúscula
Se um gênero ou espécie foi descrito mais de uma vez, deve-se sempre usar o primeiro nome que o animal foi descrito, mesmo que seja errado. É a Lei da Prioridade
Quando existe subespécie, o seu nome deve ser escrito depois do da espécie e sempre com inicial minúscula.
O nome dos animais deve ser grifado ou deve se usar um tipo de letra diferente ao texto; em geral se usa o negrito ou caracteres itálicos.
Classificação taxonômica: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero, Espécie, Subespécie ou Raça.
Reino: Animalia (animal ou Metazoa) é composto por seres vivos pluricelulares, heterotróficos, cujas células formam tecidos biológicos, com capacidade de responder ao ambiente que os envolve ou, por outras palavras, pelos animais.
Filo: Chordata (abrange animais adaptados para a vida em água doce, salgada, terra e ar).
Classe: Mammalia (mamíferos) formam o grupo mais evoluído e mais conhecido dos Chordata.
Ordem: Artiodactyla (constitui uma ordem de mamíferos ungulados (divisão de mamíferos que compreende os animais de casco) com um número de par de dedos nas patas.
Família: Bovinae (constitui uma famílias de mamíferos ruminantes, a qual pertence animais domésticos como ovelha, cabra, boi e selvagens como antílopes e bisontes.
Gênero: agrupamento de organismos vivos/fósseis para agrupar um conjunto de espécies que partilham um conjunto muito alargado de características morfológicas e funcionais, um genoma com elevadíssimo grau de comunalidade e uma proximidade filogenética muito grande, refletida para existência de ancestrais comuns muito próximos.
Espécie: é um conceito fundamental da Biologia que designa a unidade básica do sistema taxonômico utilizado na classificação dos seres vivos. Estrutura-se em torno da constituição de agrupamentos de indivíduos (os espécimes) com profundas semelhanças estruturais e funcionais recíprocas, resultantes da partilha de um cariótipo idêntico, expresso numa estrutura cromossômica das células diplóides similar, que lhes confere acentuada uniformidade bioquímica e a capacidade de reprodução entre si, originando descendentes férteis e com o mesmo quadro geral de caracteres, num processo que, quando envolva um organismo sexuado deve permitir descendentes férteis de ambos os sexos.
Subespécie ou Raça: É uma subdivisão da espécie. Normalmente isso ocorre quando duas ou mais populações de uma mesma espécie se separam indo viver em regiões diferentes e por ficarem separados por barreiras geográficas por muitas gerações e não existindo trocas de genes entre essas populações isoladas umas das outras.
Os grupos isolados uns dos outros sofrem mutações com o tempo e assim aparecendo diferenciações genéticas e surgimento de novas subespécies ou raças nessa mesma espécie.
Então:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Bovidae
Gênero: Bós
Espécie: Bós Taurus
Subespécie ou Raça: Bos Taurus indicus (Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian)
“Raça não é uma palavra claramente definida. Já com “espécie” é diferente. Existe um fato consensual de decidir se dois animais pertencem a uma mesma espécie: eles podem intercruzar-se? Obviamente não podem se pertencer ao mesmo sexo, ou se for jovem ou velho demais, ou se ainda por acaso um deles for estéril. Mas essas são filigranas, minúcias fáceis de contornar. [...]” (Dawkins, 2009, p. 464).
“O critério do intercruzamento confere a uma espécie um status único na hierarquia dos níveis taxonômicos. Acima do nível da espécie, o gênero é apenas um grupo de espécies bem semelhantes uma das outras. Não existe nenhum critério objetivo para decidir quanto elas têm de ser semelhantes, e o mesmo se aplica a todos os níveis superiores: família, ordem, classe, filo e os vários nomes como “sub” ou “super” que entremeiam essas categorias. Abaixo do nível das espécies, “raças” e “subespécie” são classificações usadas de modo mais ou menos permutável, e também nesse caso inexistem critérios objetivos que nos permitam decidir se dois indivíduos devem ou não ser considerados membros de uma mesma raça e que nos digam quantas raças existem. E temos ainda, obviamente, a complicação adicional, ausente acima do nível das espécies, de que as raças se intercruzam: por isso existem muitos indivíduos de raça mista.” (Dawkins, 2009, p. 464)
“Presume-se que as espécies, em sua trajetória para se tornarem suficientemente separadas a ponto de não poder intercruzar-se, passam em geral por um estágio intermediário no qual são raças separadas. Raças distintas poderiam ser consideradas espécies em formação, exceto pelo fato de que não existe necessariamente a expectativa de que o processo continue até o seu final - a especiação.” (Dawkins, 2009, p. 464).
Existem quatro tipos de especiação que os evolucionistas identificam como as explicações mais prováveis:
No caso da especiação alopátrica, as fronteiras geográficas reais separam as espécies fisicamente. Um rio ou uma cordilheira, por exemplo, podem causar a divergência de uma espécie.
Na especiação parapátrica, uma espécie se espalha em áreas grandes com ambientes diversificados. Eles se adaptam a essas novas áreas e, gradualmente, tornam-se espécies distintas. Não há uma característica geográfica definida que separe esses animais; eles podem se tornar espécies distintas simplesmente por causa da distância entre os grupos.
A especiação peripátrica ocorre quando um pequeno grupo se isola do núcleo principal da espécie. Como esse grupo é apenas uma pequena parte da população total da espécie, todas as diferenças genéticas que tornam a espécie robusta podem estar ausentes. Isso constitui o que os biologistas evolucionários denominam efeito gargalo. Alguns dos genes que fluem dentro de uma espécie foram eliminados e separados do conjunto genético.
No caso da especiação simpátrica, os membros de uma espécie continuam vivendo lado a lado, mas separados em espécies diferentes.
Em cada um desses tipos de especiação, a espécie deve passar pelo processo de isolamento reprodutivo. Ora esse isolamento, por qual seja a causa, definiu características visuais capazes de identificar o que se convencionou chamar de raça zebuína, Gir, Guzerá, Nelore, Cangaian etc.
O conceito da superioridade racial do povo alemão exaltada pelo nazismo hitleriano através da associação com a raça ariana (do sânscrito Arya = nobre) provocou traumas irreparáveis e profundos à Humanidade, dentre os quais as experiências genéticas de Josef Mengele, em Auschwitz. Isto de certa forma ascendeu a chama da Ética sobre a ciência levando a “questão raça” como algo destrutivo às relações sociais e humanas. Dawkins coloca o dedo na ferida:
“Todos nós podemos concordar tranquilamente em que a classificação racial dos humanos não tem valor social e é inegavelmente destrutiva para as relações sociais e humanas. Essa é uma das razões da minha objeção a assinalar alternativas em formulários e á discriminação nas seleções de emprego. Mas isso não significa que raça “praticamente não tem significância genética ou taxonômica”. É isso que Edwars está querendo dizer, e sua argumentação é que, por menor que seja a parcela racial na variação total, se as características raciais que existem forem altamente correlacionadas com outras características raciais, elas são por definição, informativas e, portanto, têm significância taxonômica.” (Dawkins, 2008, p. 472)
“Informativas têm aqui uma acepção bem precisa. Uma afirmação informativa é aquela que nos diz algo que desconhecíamos. O teor de informação existente em uma afirmação é medido pelo quanto ela reduz a incerteza prévia. Por sua vez, a redução da incerteza prévia é a medida com base na mudança das probabilidades. Isto nos dá um modo de tornar matematicamente preciso o conteúdo informativo de uma mensagem, mas não precisamos nos incomodar com isso. Se eu disser que João é do sexo masculino, você saberá de imediato uma porção de coisas sobre ele. Sua incerteza prévia sobre a forma de genitália de João será reduzida (embora não eliminada). Você saberá fatos que antes desconhecia a respeito dos cromossomos, dos hormônios e de outros aspectos da bioquímica desse indivíduo, e haverá uma redução quantitativa em sua incerteza prévia quanto ao tom de voz, a distribuição dos pelos faciais, da gordura corporal e da musculatura de João. [...]” (Dawkins, 2009, p. 473)
“Agora, a questão da raça. E se disser que Suzana é chinesa, em quanto a sua certeza prévia se reduzirá? Agora você apostará que ela tem cabelos lisos e pretos (ou que um dia foram preto), uma prega de pele epicântica na extremidade interna das sobrancelhas e mais algumas outras características.” (Dawkins, 2009, p. 473).
Se eu disser a um pecuarista que sou criador de Zebu, muitas das incertezas prévias com relação a mim serão reduzidas. Por exemplo, que crio gado de origem indiana, caracterizado pelos chifres e a giba. Se indagado se é “gir leiteiro” e eu digo não, crio Gir, mais incertezas reduzidas, ou seja, seus conhecimentos mostrarão que crio um animal que morfologicamente apresenta uma convexidade de crânio ao formato de um ovo; chifres saindo na linha dos olhos, para baixo e para trás, orelha em forma de cartucho com uma dobra acentuada na ponta, o gavião; olhos serpenteados; chanfro médio, narinas e bocas grandes, mucosas pigmentadas, barbela, cupim avantajado nos machos, e delicado nas fêmeas, ambos em forma de castanha; diversidade de pelagem, temperamento dócil, de andar sincopado onde os rastos dianteiros servem de referência aos traseiros; rabo fino e longo, onde a vassoura varre os rastos; cisterna (depósito animal de leite) acima dos jarretes, etc..
Por que essa definição por parte de meu interlocutor? Por ser este o padrão racial elaborado pelos Técnicos do Registro Genealógico para servir de referência ao julgamento para o registro efetivado a partir de 1938. Porque este foi o Gir que veio da índia. Provavelmente, criado pelo seu pai e por seu avô.
Suzana e o Gir foram incertezas prévias reduzidas na questão raça, em função da presença visual de caracteres por eles herdados presentes na maioria da população as quais pertencem e que, encontram-se armazenados no inconsciente coletivo.
Caracteres visuais que fogem ao padrão racial não podem ser considerados filigranas, algo sem importância, porque podem aparecer em progênies futuras. O mesmo se pode dizer aos animais efetivados através de cruzamentos absorventes. Nestes casos, especificamente, esse indivíduo volta a compor a classificação taxonômica contextualizada na espécie, que se isolada reprodutivamente, irão fixar esses caracteres dando origem a outro padrão visual, originando outra raça.
Com isso, qual a conclusão que se chega com relação ao padrão racial criado pelos selecionadores de “gir leiteiro”? Num primeiro plano, o retrocesso à classificação taxonômica denominada espécie, e, assim que efetivado esses caracteres através do isolamento reprodutivo de sua população, esse padrão será fixado criando assim uma nova raça que não a Gir.
Se esse padrão adveio através de cruzamentos absorventes com a espécie Bós Taurus taurus (européia) trata-se de um subproduto da raça Gir, obtido através do que se denomina cruzamento industrial, que também o exclui como raça Gir.
“O DNA mitocondrial também pode ser revelador, particularmente para padrões muito antigos. Se compararmos o DNA mitocondrial do leitor com o meu, poderemos determinar há quanto tempo eles compartilham uma mitocôndria ancestral. Como todos nós herdamos nossas mitocôndrias de nossa mãe, e, portanto, das avós maternas, bisavós maternas etc., as comparações mitocondriais podem nos dizer quando viveu nossa ancestral mais recente pela linha feminina. O mesmo pode ser feito com os cromossomos Y para determinar quando viveu nosso ancestral mais recente pela linha masculina, mas, por razões técnicas, isso não é fácil. A beleza do DNA do cromossomo Y e do DNA mitocondrial está em que nenhum deles é contaminado por mistura sexual. Isso facilita buscar a origem dessas classes especificas de ancestral.” (Dawkins, 2009, p. 77)
Na comparação do DNA mitocondrial e do cromossomo Y de dois “indivíduos ditos gir”, o que se pode determinar é o quanto de tempo que eles compartilham uma mitocôndria ancestral e quando viveu a ancestral mais recente pela linha feminina, o mesmo podendo ser feito com o cromossomo Y com relação à ancestralidade masculina.
Tomando como probabilidade de que toda espécie zebuína (Bos Taurus índicos) veio de uma ancestralidade comum, é pouco provável que o DNA mitocondrial e do cromossomo Y venham determinar sobre o fator racial.
Mais uma vez, o quesito raça passa a ser efetivado a partir de caracteres externos expressos em um indivíduo. O que se pode aferir através do DNA mitocondrial e do cromossomo Y é se esse indivíduo possui miscigenação entre as espécies Bós Taurus indicus e Bós Taurus taurus.
A importância do indivíduo é reconhecida pelos geneticistas, apenas como veículo da sobrevivência de genes, que são definidos como cada uma das partículas cromossômicas, mais ou menos independentes entre si, que encerram os caracteres hereditários.
Como se pode ter reprodução e linhagem, esta no sentido de linha de parentesco ascendente e descendente, mas não hereditariedade? Essa é a lição que o fogo nos ensina.
“A verdadeira hereditariedade significaria a herança não do fogo em si, mas das variações entre os fagos. Alguns são mais amarelos, outros mais avermelhados. Alguns rugem, outros crepitam, outros ainda sibilam, soltam fumaça, cospem. Há os que possuem laivos de azul ou verde nas chamas. Nossos ancestrais, caso tenham estudados seus lobos domesticados, hão de ter notado uma diferença reveladora entre as linhagens de cães e linhagens de fogo. Nos cães, semelhante gera semelhante. Pelo menos parte que distingue um cão de outro é transmitida por seus pais. É obvio que existem também as influências externas: alimentação, doenças e acidentes. No caso do fogo, todas as variações provêm do meio, nenhum descendente de uma fagulha progenitora. As variações resultam da qualidade e umidade do combustível, da direção e força do vento, da tiragem da lareira, do solo, de vestígios de cobre e potássio que adicionam toques verde-azulados e lilases à chama amarela do sódio. Em contraste com o cão, nada na qualidade de um fogo adulto chega por intermédio da fagulha que o originou. Fogos azuis não geram fogos azuis. Fogos crepitantes não herdam a crepitação do fogo-pai que cuspiu sua fagulha iniciadora. Os fogos apresentam reprodução sem hereditariedade.” (Dawkins, 2009, p.646).
“A história é a majestosa Torre da Experiência que o tempo erigiu no espaço infindo dos anos decorridos. Não é fácil tarefa alcançar o cimo desse antigo edifício e gozar da vista dum panorama completo; não há ali elevador, mas os moços têm os pés fortes e podem tentar-lhe a ascensão. Aqui vos dou a chave que vós abrirá a porta. Quando voltardes, compreendereis a razão do meu entusiasmo”. (Loon, 1953, p. 9)
Referências Bibliográficas
Dawkins, Richard. A grande história da evolução: na trilha dos nossos ancestrais / Richard Dawkins ; com colaboração de Yan Wong ; tradução Laura Teixeira Motta. – São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Loo, Hendrick Willen Van. História da Humanidade / Hendrick Willen Van Loo ; Tradução Marina Guaspari. – Porto Alegre, 1953.
Luiz Humberto Carrião
Publicado no www.girpontocom.blogspot.com em 4/junho/2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Você utilizaria um touro Gir obtido através de cruzamento absorvente?
Você utilizaria um touro Gir obtido através de cruzamento absorvente?
Sim, eu o utilizaria, Francisco Ponces Cárdenas (pesquisador mexicano, criador de Gir Leiteiro)
Não o utilizaria, Edmardo Neves Pereira (professor universitário brasileiro, criador de Gir)
Em texto veiculado pelo espaço Planeta Cebu, o ex-professor e pesquisador da UNAM – Universidade Nacional Autônoma do México, criador de Gir Leiteiro desde 1978, no Rancho Jalpa, município de Buena vista Tomatlan, Michoacán, no México, faz o questionamento: Você utilizaria um touro gir obtido através de cruzamento absorvente? Sim, eu o utilizaria responde Cárdenas utilizando-se da seguinte argumentação.
Um geneticista americano cruzou um cão Dálmata que trazia patologias como: surdez, problemas de pele e cálculos renais com um Pointer Inglês que não padecia desses males. O resultado foi que os descendentes depois da quinta geração não apresentavam os males inerentes à raça Dálmata e não se diferenciavam em nada dos puros. Os criadores da raça Dálmata não os aceitaram como reprodutores alegando prejuízos para a pureza da raça.
O que há neste fato?, questiona Cárdenas. Ele mesmo responde: por um lado, um feito experimental muito interessante e instrutivo; por outro, uma atitude irracional devido ao apego a idéias muito questionáveis. Afirma ainda, que é na saúde, reprodução, viabilidade de crias, crescimento e eficiência de conversão que brilha a heterose, e, onde fraquejam as raças está presente a endogamia.
O que está por trás das idéias de pureza racial? Questiona novamente o pesquisador mexicano seguido de suas posições: equívocos, confusões e contradições.
Para Cárdenas, em genética não cabem palavras como: pureza, contaminações, certificados de origem, direitos e antiguidade. Estes vocábulos, continua, estão relacionados com a moral religiosa, substâncias químicas, alimentos, os corpos de água e ar na natureza, nas bebidas finas e nos direitos trabalhistas; e exemplifica: um composto é quimicamente puro quando somente os elementos que compõe o arranjo molecular que o caracteriza esteja presente sem que apareça nenhum outro elemento distinto. Se aplicarmos essa idéia a uma raça pura, esta teria que ter todos seus genes diferentes aos genes dos demais membros de sua espécie não compartilhando nenhum o que levaria a todos os membros desse grupo a ter uma composição genética entre eles. Não há teoria que assim o considere. Seguindo essa mesma linha de pensamento, existem aqueles que pensam no extermínio de uma raça cruzando-a com outra, como se os genes fundissem entre si e não houvesse possibilidade de separá-los novamente. Os genes se desintegram e se recombinam guardando sua identidade.
Para Cárdenas, existem raças e ponto. Antigas e novas; retilíneas e mistas em distintos percentuais, que, mediante a seleção, se pode convergir em novas raças; todas cumprem uma função importante e devem ser vistas ao mesmo nível. Criadores de raças que vendem em seus produtos o gene, e criadores que vedem carne e leite para o consumidor, sendo que este é o objetivo final da maioria dos criadores.
Sobre pureza racial afirma que o vigor híbrido não se deve a ela. Exemplifica a Girolando na produção de leite em função da heterose. Vai mais além: a pureza racial não pode perpetuar, pois a “pureza” implica certo grau de consangüinidade, e arremata: as idéias de que reproduzindo o melhor com o melhor e perpetuando a pureza, se chega a algo superior são idéias totalmente desacreditadas na atualidade, e que, já deveriam ter sido erradicadas em pleno século XXI, porém, não defende a idéia de cruzar tudo com todos para acabar com as raças, e sim preservar a diversidade genética para ser utilizada quando conveniente e de maneira adequada.
Por tudo isso, é que em resposta a indagação se utilizaria um touro obtido através de um cruzamento absorvente, disse que sim, o utilizaria, se esse touro de uma Girolanda de boa produção, cruzada em três gerações, mas com touros Gir Leiteiros PROVADOS e com boa progênie. Este touro tenderia seguramente a uma boa adaptação ao trópico e uma boa probabilidade de herdar produção leiteira. Por meio de seleção adequada se pode fixar estas características. Que mais se pode pedir?
Os seres humanos compartilham genes com os vegetais, as bactérias, os peixes, os monos e com o “Gir puro de origem”, concluiu Cárdenas.
Em texto veiculado no mesmo espaço, Planeta Cebu, o Professor Titular de Física da Universidade Federal de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, Brasil, Edmardo Naves Pereira, criador de Gir desde 1979, na Fazenda Cocal, Município de Indianópolis, a 14 quilômetros de Uberlândia, vai à réplica afirmando que não usaria um touro Gir obtido por cruzamento absorvente.
Não usaria um touro mesclado com outras raças, afirma Edmardo. Quero manter o modelo vivo do Gir da região de kathiawar, que trás consigo milhares de anos de seleção funcional e racial. Sinto em mim a responsabilidade de cuidar e conservar da melhor maneira possível para que o Gir deixe de evoluir em funcionalidade e pureza racial. Trabalhar com touros Gir puros não significa destruir o enorme potencial leiteiro que a raça possui. São todas as vacas do mesmo Gir boas para leite, tanto do Gir leiteiro como o de dupla aptidão. É comum dizer que os criadores tachados de puristas estão parados no tempo; que são arcaicos. Ao contrário, estamos atentos no que se refere a potencialidade leiteira sem perder a pureza racial. Se não fosse a abnegação de alguns criadores de animais puros a raça havia desaparecido (abnegação tanto dos leiteiros como de os de dupla-aptidão).
Manter o Gir em sua pureza, é a garantia para a manutenção das cruzas com outras raças, coisa que vem ocorrendo em grande escala com a raça holandesa. Não sou partidário de obtenção de um touro Gir em cruzamentos absorventes, por exemplo, partindo de holandês puro, com certeza ressucitará a pelagem e a caracterização da raça Gir. A pureza racial precede a absorção, pois a absorção tem como ponto de partida a pureza racial.
O gado Gir saiu dos “santuários indianos”? Por que preservar sua pureza racial? Tem que existir alguém que preserve a pureza para não deixar sucumbir a raça. São essas pessoas abnegadas quem garantem a semente para manter o Gir puro, para aqueles que praticam os trabalhos de absorção. Vários animais que vieram para o Brasil tinham raça pura, pois, estiveram confinados nos terrenos de alguns marajás. Por exemplo, na importação de Celso Garcia é aonde concentro a maior parte do eu trabalho. O Gir puro nunca entrará em crise, pois sempre haverá vendedores de leite. Um touro Gir obtido por absorção pode ser um bom produtor de leite, mas, não significa garantia de leite e caracterização racial em sua descendência (pode levar a degeneração da raça). Quero dizer, que não estou contra quem use um touro por absorção. Como defensor da raça pura, eu não o usaria.
Antes de um comentário sobre ambos os textos gostaria de fazer algumas considerações:
A – Não domino a língua espanhola em que os textos foram escritos;
B – Não sou habilitado ou graduado nos saberes genéticos;
C – Criador de Gir desde o ano de 1985 e Nelore 2007, bibliófilo e professor de História.
A idéia defendida pelo pesquisador Cárdenas contextualiza-se na visão americana para a qual o melhoramento genético tem como objetivo, em absoluto, o lado comercial. Na América não existe a cultura da preservação muito bem explicitada pelo professor Edmardo.
Cárdenas parte da experiência de um geneticista americano utilizando-se de duas raças de cães: uma de patologia congênita em cruza com outra sem essa patologia e que, após a quinta geração, em nada se diferencia fenotipicamente (os indivíduos) da primeira, com uma vantagem na visão do pesquisador, sem a patologia congênita.
Com relação à zootecnia coloca o vigor hibrido como a incontestável ferramenta para o melhoramento genético, todavia, observando que não defende a idéia de cruzar tudo com todos para acabar com as raças, mesmo porque isso seria um crime contra as gerações futuras e porque não dizer contra a humanidade. Conscientes que somos de que a morte humana é uma situação “sine qua non” para a perpetuação da espécie é que surgiu na ciência o que denominamos de ética. Valor este ao qual o professor Edmardo não abre mão.
Um Banco de Germoplasma Gir se faz necessário, mas não a ponto de liberar geral. Hoje o Planeta depende de vários biomas para a sua sobrevivência. E por que essa pressão sobre o bioma amazônico? Se através de um Banco de Germoplasma pode-se reconstituir o que foi destruído, por que as comunidades do hemisfério norte não reconstroem os seus? O processo não é bem simplista assim.
Concordo com o pesquisador Cárdenas quando diz que criadores de raça vendem genética e os criadores de cruzamentos vendem leite e carne para o consumidor, e que este é objetivo final da maioria dos criadores. Inquestionável!
A fala do pesquisador Cárdenas me leva a uma posição assumida pelo doutor João Gilberto Rodrigues da Cunha, então presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), no ano de 1989, na abertura do Simpósio Especial Sobre a Raça Gir, promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Gir (ASSOGIR), na cidade de Uberaba, Minas Gerais:
“a toda essa pecuária zebuína, cujo passado extraordinário conseguiu firmar racialmente todas as raças eu diria: o passado consolidou posições de pureza racial, o futuro nos reserva a eficiência racial. Espero que todos aqui, no estudo da raça Gir, tenham presentes esses objetivos futuros. A outra convicção pessoal é que, no final deste século, grandes mudanças vão ocorrer na destinação da pecuária seletiva. É impossível um país tropical como o nosso pretender ter um milhão de selecionadores de sementes zebuínas puras. Aqueles que se dedicam ao Zebu selecionado sabem que a semente pura exige um trabalho de dedicação, um trabalho artesanal, aquilo que o velho Rodolfo machado fazia assistindo a vaca parir o seu bezerro, assistindo os seus primeiros passos e a primeira mamada. Era aquela presença constante dentro de seu negócio, aquela participação nos resultados! Esse trabalho artesanal é impossível para um milhão de criadores e nem é necessário. Nós sabemos que a grande necessidade do final do século vai ser a quantidade de produção: a produtividade! Eu tenho a convicção de que o numero de selecionadores de animais puros vai diminuir, em benefício dos criadores de cruzamentos, quer industriais para corte, quer para a finalidade leiteira, e, nos dois sentidos, eu acredito que a raça Gir tem importante colaboração a dar. Isso já aconteceu na agricultura. Aqueles que estiveram acompanhando a vida do milho híbrido sabem que o milhozinho Cateto abandonado no passado, passou a ser essencial na produção de um milho híbrido resistente. Coisas desse tipo certamente acontecerão na pecuária. Nós temos necessidade de presenciar todas as sementes puras, pois, às vezes, aquela que não é necessariamente a mais eficiente quando isolada, poderá transportar resultados extremamente desejáveis nos cruzamentos.” Um vaticínio!
O conceito de raça pura pode até ser contestado, com o fez o pesquisador Cárdenas, mas o de raça não. A lógica não aceita duas raças iguais. Só existe uma raça Gir sobre a qual as expressões, “dupla-aptidão” e “leiteira”, são utilizadas para designar sua finalidade econômica. Tanto uma como outra, se utilizado o cruzamento absorvente para a conquista de sua atividade econômica, não deveria utilizar-se do nome GIR. Um simples exame de DNA aferindo o grau de sangue zebuíno resolveria o problema. Com a palavra os criadores de gir.
Luiz Humberto Carrião
Sim, eu o utilizaria, Francisco Ponces Cárdenas (pesquisador mexicano, criador de Gir Leiteiro)
Não o utilizaria, Edmardo Neves Pereira (professor universitário brasileiro, criador de Gir)
Em texto veiculado pelo espaço Planeta Cebu, o ex-professor e pesquisador da UNAM – Universidade Nacional Autônoma do México, criador de Gir Leiteiro desde 1978, no Rancho Jalpa, município de Buena vista Tomatlan, Michoacán, no México, faz o questionamento: Você utilizaria um touro gir obtido através de cruzamento absorvente? Sim, eu o utilizaria responde Cárdenas utilizando-se da seguinte argumentação.
Um geneticista americano cruzou um cão Dálmata que trazia patologias como: surdez, problemas de pele e cálculos renais com um Pointer Inglês que não padecia desses males. O resultado foi que os descendentes depois da quinta geração não apresentavam os males inerentes à raça Dálmata e não se diferenciavam em nada dos puros. Os criadores da raça Dálmata não os aceitaram como reprodutores alegando prejuízos para a pureza da raça.
O que há neste fato?, questiona Cárdenas. Ele mesmo responde: por um lado, um feito experimental muito interessante e instrutivo; por outro, uma atitude irracional devido ao apego a idéias muito questionáveis. Afirma ainda, que é na saúde, reprodução, viabilidade de crias, crescimento e eficiência de conversão que brilha a heterose, e, onde fraquejam as raças está presente a endogamia.
O que está por trás das idéias de pureza racial? Questiona novamente o pesquisador mexicano seguido de suas posições: equívocos, confusões e contradições.
Para Cárdenas, em genética não cabem palavras como: pureza, contaminações, certificados de origem, direitos e antiguidade. Estes vocábulos, continua, estão relacionados com a moral religiosa, substâncias químicas, alimentos, os corpos de água e ar na natureza, nas bebidas finas e nos direitos trabalhistas; e exemplifica: um composto é quimicamente puro quando somente os elementos que compõe o arranjo molecular que o caracteriza esteja presente sem que apareça nenhum outro elemento distinto. Se aplicarmos essa idéia a uma raça pura, esta teria que ter todos seus genes diferentes aos genes dos demais membros de sua espécie não compartilhando nenhum o que levaria a todos os membros desse grupo a ter uma composição genética entre eles. Não há teoria que assim o considere. Seguindo essa mesma linha de pensamento, existem aqueles que pensam no extermínio de uma raça cruzando-a com outra, como se os genes fundissem entre si e não houvesse possibilidade de separá-los novamente. Os genes se desintegram e se recombinam guardando sua identidade.
Para Cárdenas, existem raças e ponto. Antigas e novas; retilíneas e mistas em distintos percentuais, que, mediante a seleção, se pode convergir em novas raças; todas cumprem uma função importante e devem ser vistas ao mesmo nível. Criadores de raças que vendem em seus produtos o gene, e criadores que vedem carne e leite para o consumidor, sendo que este é o objetivo final da maioria dos criadores.
Sobre pureza racial afirma que o vigor híbrido não se deve a ela. Exemplifica a Girolando na produção de leite em função da heterose. Vai mais além: a pureza racial não pode perpetuar, pois a “pureza” implica certo grau de consangüinidade, e arremata: as idéias de que reproduzindo o melhor com o melhor e perpetuando a pureza, se chega a algo superior são idéias totalmente desacreditadas na atualidade, e que, já deveriam ter sido erradicadas em pleno século XXI, porém, não defende a idéia de cruzar tudo com todos para acabar com as raças, e sim preservar a diversidade genética para ser utilizada quando conveniente e de maneira adequada.
Por tudo isso, é que em resposta a indagação se utilizaria um touro obtido através de um cruzamento absorvente, disse que sim, o utilizaria, se esse touro de uma Girolanda de boa produção, cruzada em três gerações, mas com touros Gir Leiteiros PROVADOS e com boa progênie. Este touro tenderia seguramente a uma boa adaptação ao trópico e uma boa probabilidade de herdar produção leiteira. Por meio de seleção adequada se pode fixar estas características. Que mais se pode pedir?
Os seres humanos compartilham genes com os vegetais, as bactérias, os peixes, os monos e com o “Gir puro de origem”, concluiu Cárdenas.
Em texto veiculado no mesmo espaço, Planeta Cebu, o Professor Titular de Física da Universidade Federal de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, Brasil, Edmardo Naves Pereira, criador de Gir desde 1979, na Fazenda Cocal, Município de Indianópolis, a 14 quilômetros de Uberlândia, vai à réplica afirmando que não usaria um touro Gir obtido por cruzamento absorvente.
Não usaria um touro mesclado com outras raças, afirma Edmardo. Quero manter o modelo vivo do Gir da região de kathiawar, que trás consigo milhares de anos de seleção funcional e racial. Sinto em mim a responsabilidade de cuidar e conservar da melhor maneira possível para que o Gir deixe de evoluir em funcionalidade e pureza racial. Trabalhar com touros Gir puros não significa destruir o enorme potencial leiteiro que a raça possui. São todas as vacas do mesmo Gir boas para leite, tanto do Gir leiteiro como o de dupla aptidão. É comum dizer que os criadores tachados de puristas estão parados no tempo; que são arcaicos. Ao contrário, estamos atentos no que se refere a potencialidade leiteira sem perder a pureza racial. Se não fosse a abnegação de alguns criadores de animais puros a raça havia desaparecido (abnegação tanto dos leiteiros como de os de dupla-aptidão).
Manter o Gir em sua pureza, é a garantia para a manutenção das cruzas com outras raças, coisa que vem ocorrendo em grande escala com a raça holandesa. Não sou partidário de obtenção de um touro Gir em cruzamentos absorventes, por exemplo, partindo de holandês puro, com certeza ressucitará a pelagem e a caracterização da raça Gir. A pureza racial precede a absorção, pois a absorção tem como ponto de partida a pureza racial.
O gado Gir saiu dos “santuários indianos”? Por que preservar sua pureza racial? Tem que existir alguém que preserve a pureza para não deixar sucumbir a raça. São essas pessoas abnegadas quem garantem a semente para manter o Gir puro, para aqueles que praticam os trabalhos de absorção. Vários animais que vieram para o Brasil tinham raça pura, pois, estiveram confinados nos terrenos de alguns marajás. Por exemplo, na importação de Celso Garcia é aonde concentro a maior parte do eu trabalho. O Gir puro nunca entrará em crise, pois sempre haverá vendedores de leite. Um touro Gir obtido por absorção pode ser um bom produtor de leite, mas, não significa garantia de leite e caracterização racial em sua descendência (pode levar a degeneração da raça). Quero dizer, que não estou contra quem use um touro por absorção. Como defensor da raça pura, eu não o usaria.
Antes de um comentário sobre ambos os textos gostaria de fazer algumas considerações:
A – Não domino a língua espanhola em que os textos foram escritos;
B – Não sou habilitado ou graduado nos saberes genéticos;
C – Criador de Gir desde o ano de 1985 e Nelore 2007, bibliófilo e professor de História.
A idéia defendida pelo pesquisador Cárdenas contextualiza-se na visão americana para a qual o melhoramento genético tem como objetivo, em absoluto, o lado comercial. Na América não existe a cultura da preservação muito bem explicitada pelo professor Edmardo.
Cárdenas parte da experiência de um geneticista americano utilizando-se de duas raças de cães: uma de patologia congênita em cruza com outra sem essa patologia e que, após a quinta geração, em nada se diferencia fenotipicamente (os indivíduos) da primeira, com uma vantagem na visão do pesquisador, sem a patologia congênita.
Com relação à zootecnia coloca o vigor hibrido como a incontestável ferramenta para o melhoramento genético, todavia, observando que não defende a idéia de cruzar tudo com todos para acabar com as raças, mesmo porque isso seria um crime contra as gerações futuras e porque não dizer contra a humanidade. Conscientes que somos de que a morte humana é uma situação “sine qua non” para a perpetuação da espécie é que surgiu na ciência o que denominamos de ética. Valor este ao qual o professor Edmardo não abre mão.
Um Banco de Germoplasma Gir se faz necessário, mas não a ponto de liberar geral. Hoje o Planeta depende de vários biomas para a sua sobrevivência. E por que essa pressão sobre o bioma amazônico? Se através de um Banco de Germoplasma pode-se reconstituir o que foi destruído, por que as comunidades do hemisfério norte não reconstroem os seus? O processo não é bem simplista assim.
Concordo com o pesquisador Cárdenas quando diz que criadores de raça vendem genética e os criadores de cruzamentos vendem leite e carne para o consumidor, e que este é objetivo final da maioria dos criadores. Inquestionável!
A fala do pesquisador Cárdenas me leva a uma posição assumida pelo doutor João Gilberto Rodrigues da Cunha, então presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), no ano de 1989, na abertura do Simpósio Especial Sobre a Raça Gir, promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Gir (ASSOGIR), na cidade de Uberaba, Minas Gerais:
“a toda essa pecuária zebuína, cujo passado extraordinário conseguiu firmar racialmente todas as raças eu diria: o passado consolidou posições de pureza racial, o futuro nos reserva a eficiência racial. Espero que todos aqui, no estudo da raça Gir, tenham presentes esses objetivos futuros. A outra convicção pessoal é que, no final deste século, grandes mudanças vão ocorrer na destinação da pecuária seletiva. É impossível um país tropical como o nosso pretender ter um milhão de selecionadores de sementes zebuínas puras. Aqueles que se dedicam ao Zebu selecionado sabem que a semente pura exige um trabalho de dedicação, um trabalho artesanal, aquilo que o velho Rodolfo machado fazia assistindo a vaca parir o seu bezerro, assistindo os seus primeiros passos e a primeira mamada. Era aquela presença constante dentro de seu negócio, aquela participação nos resultados! Esse trabalho artesanal é impossível para um milhão de criadores e nem é necessário. Nós sabemos que a grande necessidade do final do século vai ser a quantidade de produção: a produtividade! Eu tenho a convicção de que o numero de selecionadores de animais puros vai diminuir, em benefício dos criadores de cruzamentos, quer industriais para corte, quer para a finalidade leiteira, e, nos dois sentidos, eu acredito que a raça Gir tem importante colaboração a dar. Isso já aconteceu na agricultura. Aqueles que estiveram acompanhando a vida do milho híbrido sabem que o milhozinho Cateto abandonado no passado, passou a ser essencial na produção de um milho híbrido resistente. Coisas desse tipo certamente acontecerão na pecuária. Nós temos necessidade de presenciar todas as sementes puras, pois, às vezes, aquela que não é necessariamente a mais eficiente quando isolada, poderá transportar resultados extremamente desejáveis nos cruzamentos.” Um vaticínio!
O conceito de raça pura pode até ser contestado, com o fez o pesquisador Cárdenas, mas o de raça não. A lógica não aceita duas raças iguais. Só existe uma raça Gir sobre a qual as expressões, “dupla-aptidão” e “leiteira”, são utilizadas para designar sua finalidade econômica. Tanto uma como outra, se utilizado o cruzamento absorvente para a conquista de sua atividade econômica, não deveria utilizar-se do nome GIR. Um simples exame de DNA aferindo o grau de sangue zebuíno resolveria o problema. Com a palavra os criadores de gir.
Luiz Humberto Carrião
Tradição por Luiz Humberto Carrião
Os criadores de Gir de tradição e por tradição tem que continuar sendo “puristas” sob pena de negar a Tradição, que para Ananda Coomaraswamy, “representa a doutrina dos princípios primeiros, os quais são inalteráveis.”
A palavra tradição deriva do latim “traditio” que significa transmissão; algo que é transmitido ou transferido do passado para o presente, seguido e partilhado durante gerações.
Os criadores de vanguarda que estão ou procuram estar à frente de seu tempo, através de idéias, ações e experiências científicas, têm que continuar sendo de vanguarda sob pena de admitir a existência fixista da tradição.
São posições antes de qualquer outra, Ideológicas.
Criada no século XIX por Tracy, a palavra ideologia, significa, etimologicamente, ciência das idéias. Pressupõe ação, ao exortar e orientar o grupo a agir no sentido da consecução dos objetivos que se propõe e que considera seus, de direito [royalties à Escola Secundária de Alberto Sampaio].
Em ideologia o errado não existe. Existe sim o contrário. Respeitar o contrário é uma questão de democracia, isto é, a cidadania exercida de maneira soberana, direta ou indiretamente.
Tais concepções, infelizmente, o homem só vem tomá-las em consciência depois de muitos caminhos percorridos. Só então, vem conceber que antanho a essa descoberta serviu mais aos interesses desses ou daqueles, do que a si próprio. Chega então o momento da reflexão. Aí reside o aprendizado da vida.
A escrita como fonte histórica eterniza o pensamento. E este pode advir do senso comum, opiniões que manifestamos ao longo da vida, sem ter a visão do todo, ignorando que as coisas relacionam entre si; ou, pelo senso crítico baseado na Episteme (ciência) buscando um olhar totalizante para os fenômenos contextualizados cada vez mais na especialização da ciência. Permanecer no senso comum é ter uma visão fragmentada da realidade que pode a qualquer instante ser superada através de uma práxis-científica.
E na gir, a práxis-científica já surpreendeu o senso comum. Quando da segunda bateria de touros a serem selecionados para o PMGRG – Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir – foi inscrito um animal contextualizado no “gir leiteiro”. As críticas foram avassaladoras. Todavia, no exame de DNA para auferir o percentual de sangue zebuíno, o animal era 100% sangue indiano, ao contrário de um animal daqueles que o criticaram.
O padrão racial por si só não garante a ancestralidade genuína de um animal. Principalmente, num rebanho formado por absorvência. O exemplo acima é uma prova disso. Nem tão pouco a produtividade de uma raça pode ser auferida sobre artificialidades de manejo (alimentação, nutrição e produtos farmacológicos) e trabalhando com indivíduos, não com média de rebanho.
Ao final, em ideologia, a História tem mostrado que sempre um dos contrários acaba como dominante. Neste caso, resta saber o qual.
Luiz Humberto Carrião
A palavra tradição deriva do latim “traditio” que significa transmissão; algo que é transmitido ou transferido do passado para o presente, seguido e partilhado durante gerações.
Os criadores de vanguarda que estão ou procuram estar à frente de seu tempo, através de idéias, ações e experiências científicas, têm que continuar sendo de vanguarda sob pena de admitir a existência fixista da tradição.
São posições antes de qualquer outra, Ideológicas.
Criada no século XIX por Tracy, a palavra ideologia, significa, etimologicamente, ciência das idéias. Pressupõe ação, ao exortar e orientar o grupo a agir no sentido da consecução dos objetivos que se propõe e que considera seus, de direito [royalties à Escola Secundária de Alberto Sampaio].
Em ideologia o errado não existe. Existe sim o contrário. Respeitar o contrário é uma questão de democracia, isto é, a cidadania exercida de maneira soberana, direta ou indiretamente.
Tais concepções, infelizmente, o homem só vem tomá-las em consciência depois de muitos caminhos percorridos. Só então, vem conceber que antanho a essa descoberta serviu mais aos interesses desses ou daqueles, do que a si próprio. Chega então o momento da reflexão. Aí reside o aprendizado da vida.
A escrita como fonte histórica eterniza o pensamento. E este pode advir do senso comum, opiniões que manifestamos ao longo da vida, sem ter a visão do todo, ignorando que as coisas relacionam entre si; ou, pelo senso crítico baseado na Episteme (ciência) buscando um olhar totalizante para os fenômenos contextualizados cada vez mais na especialização da ciência. Permanecer no senso comum é ter uma visão fragmentada da realidade que pode a qualquer instante ser superada através de uma práxis-científica.
E na gir, a práxis-científica já surpreendeu o senso comum. Quando da segunda bateria de touros a serem selecionados para o PMGRG – Programa de Melhoramento Genético da Raça Gir – foi inscrito um animal contextualizado no “gir leiteiro”. As críticas foram avassaladoras. Todavia, no exame de DNA para auferir o percentual de sangue zebuíno, o animal era 100% sangue indiano, ao contrário de um animal daqueles que o criticaram.
O padrão racial por si só não garante a ancestralidade genuína de um animal. Principalmente, num rebanho formado por absorvência. O exemplo acima é uma prova disso. Nem tão pouco a produtividade de uma raça pode ser auferida sobre artificialidades de manejo (alimentação, nutrição e produtos farmacológicos) e trabalhando com indivíduos, não com média de rebanho.
Ao final, em ideologia, a História tem mostrado que sempre um dos contrários acaba como dominante. Neste caso, resta saber o qual.
Luiz Humberto Carrião
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
Um pouco da História de Criadores da raça GIR
Repaginado no Grupo "Giristas de Carteirinha" (Grupo do Facebook) por Luiz Humberto Carrião, na qual, compartilho na íntegra:
"Texto publicado na Revista Gir & seus cruzamentos [órgão oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Gir – ASSOGIR]. Ano 1, nº 6 – Agosto/setembro/2003
"[Aqui repaginado por solicitação do criador-diretor da ASSOGIR, Waldir Barbosa de Oliveira Junior]
O Gir entristeceu: morreu Jairo de Andrade
“Quando ele próprio se libertou de todo desejo de seu coração, o mortal deste mundo, tornou-se imortal em Brahman. Na verdade, tudo é Brahman.”
Apesar de estar localizado na maior cidade brasileira, o ambiente traduz a beatitude divina.
Um pórtico esboçado na arquitetura oriental dá passagem àqueles que vão ao reencontro da Divindade. Ali, o silêncio é como a música, não atua pelo que diz, e sim, pelo que é – uma linguagem universal.
Um estreito caminho calçado com bloquetes, arborizado de ambos os lados leva a uma capela não muito distante da entrada. Uma plataforma de concreto em formato de mesa retangular aguarda sempre o próximo sarcófago. É necessário pela legislação que se aguarde no mínimo 48 horas para o início do ritual.
Um forno de altíssima potencialidade calórica é acoplado à reduzida Capela por um túnel equipado por uma esteira rolante. Uma pequenina urna de porcelana abriga o que restou da menor individuação de Deus na Terra.
A Alma, agora Espírito, com a volatilidade ao desligar-se de seu invólucro biológico dirige-se a algures inimagináveis nesta amplitude infinita diante de nossos olhos. E foi ali, aos acordes do Prelúdio nº 1 para Cravo, de Johann Sebastian Bach, seguido pela Ave Maria de Charles Gounot, que se cumpriu a seu pedido o ritual hindu.
O grande jequitibá, o homem que muitos consideravam imortal, de sorriso leve, cabelos grisalhos a farfalhar, sempre vestido de branco e com uma paixão inigualável pelo Gir, em poucos segundos foi reduzido a um punhado de cinzas, que no dia seguinte, carregado pelos netos, numa sepultura simples no Cemitério Jardim das Palmeiras, foi depositado para ficar na saudade de todos nós.
Na última visita ao casal Góes, Leda e Aderbal, na Chácara Canaã D’Gal relembrava das odisséias pelas exposições por este Brasil afora; das brigas por melhores pavilhões para a raça Gir; das influências nos julgamentos dos animais; de suas paradas em Corumbaíba para tomar sorvete no Pingo de Mel; de sua luta pra manter-se vivo; já cansado e bastante emotivo, sempre enxugando as lágrimas em meio aos versos que declamava dizia a Aderbal que deveriam a partir de então, encontrar-se ao menos quinzenalmente, pois o tempo cumpria a cada dia o seu papel. Era uma despedida.
Homem de determinação ímpar que sempre deixou de lado o passado, arquitetando no presente os planos para o futuro.
Na véspera de sua morte lá estava ele na Fazenda Forquilha, em Redenção, no sul do Pará, juntamente com os empregados dentro do curral apartando gado.
A garra e a determinação de viver sempre falaram mais alto até o dia 4 de agosto último (2003), quando encontrou no Nirvana – o paraíso – abandonado Maya – a ilusão – em busca de seu encontro com Brahman – a Divindade – para integrar-se ao imenso mar celestial, que na adversidade, estabelece e mantém a harmonia do Universo.
Se a sua partida deixou um rasto de saudade entre aqueles que ficaram, lá em cima a coisa foi diferente quando se encontrou com Rodolfo Machado Borges, Celso Garcia Cid, Tarley Vilela, Evaristo Soares de Paula, Ene Sab, Vicente de Souza Araujo Junior, e tantos outros.
Luiz Humberto Carrião
"Texto publicado na Revista Gir & seus cruzamentos [órgão oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Gir – ASSOGIR]. Ano 1, nº 6 – Agosto/setembro/2003
"[Aqui repaginado por solicitação do criador-diretor da ASSOGIR, Waldir Barbosa de Oliveira Junior]
O Gir entristeceu: morreu Jairo de Andrade
“Quando ele próprio se libertou de todo desejo de seu coração, o mortal deste mundo, tornou-se imortal em Brahman. Na verdade, tudo é Brahman.”
Apesar de estar localizado na maior cidade brasileira, o ambiente traduz a beatitude divina.
Um pórtico esboçado na arquitetura oriental dá passagem àqueles que vão ao reencontro da Divindade. Ali, o silêncio é como a música, não atua pelo que diz, e sim, pelo que é – uma linguagem universal.
Um estreito caminho calçado com bloquetes, arborizado de ambos os lados leva a uma capela não muito distante da entrada. Uma plataforma de concreto em formato de mesa retangular aguarda sempre o próximo sarcófago. É necessário pela legislação que se aguarde no mínimo 48 horas para o início do ritual.
Um forno de altíssima potencialidade calórica é acoplado à reduzida Capela por um túnel equipado por uma esteira rolante. Uma pequenina urna de porcelana abriga o que restou da menor individuação de Deus na Terra.
A Alma, agora Espírito, com a volatilidade ao desligar-se de seu invólucro biológico dirige-se a algures inimagináveis nesta amplitude infinita diante de nossos olhos. E foi ali, aos acordes do Prelúdio nº 1 para Cravo, de Johann Sebastian Bach, seguido pela Ave Maria de Charles Gounot, que se cumpriu a seu pedido o ritual hindu.
O grande jequitibá, o homem que muitos consideravam imortal, de sorriso leve, cabelos grisalhos a farfalhar, sempre vestido de branco e com uma paixão inigualável pelo Gir, em poucos segundos foi reduzido a um punhado de cinzas, que no dia seguinte, carregado pelos netos, numa sepultura simples no Cemitério Jardim das Palmeiras, foi depositado para ficar na saudade de todos nós.
Na última visita ao casal Góes, Leda e Aderbal, na Chácara Canaã D’Gal relembrava das odisséias pelas exposições por este Brasil afora; das brigas por melhores pavilhões para a raça Gir; das influências nos julgamentos dos animais; de suas paradas em Corumbaíba para tomar sorvete no Pingo de Mel; de sua luta pra manter-se vivo; já cansado e bastante emotivo, sempre enxugando as lágrimas em meio aos versos que declamava dizia a Aderbal que deveriam a partir de então, encontrar-se ao menos quinzenalmente, pois o tempo cumpria a cada dia o seu papel. Era uma despedida.
Homem de determinação ímpar que sempre deixou de lado o passado, arquitetando no presente os planos para o futuro.
Na véspera de sua morte lá estava ele na Fazenda Forquilha, em Redenção, no sul do Pará, juntamente com os empregados dentro do curral apartando gado.
A garra e a determinação de viver sempre falaram mais alto até o dia 4 de agosto último (2003), quando encontrou no Nirvana – o paraíso – abandonado Maya – a ilusão – em busca de seu encontro com Brahman – a Divindade – para integrar-se ao imenso mar celestial, que na adversidade, estabelece e mantém a harmonia do Universo.
Se a sua partida deixou um rasto de saudade entre aqueles que ficaram, lá em cima a coisa foi diferente quando se encontrou com Rodolfo Machado Borges, Celso Garcia Cid, Tarley Vilela, Evaristo Soares de Paula, Ene Sab, Vicente de Souza Araujo Junior, e tantos outros.
Luiz Humberto Carrião
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