Proposta de R$ 250 milhões foi a melhor das cinco apresentadas para a aquisição de ativos do frigorífico
Agência Estado
Suzana Inhesta
A tumultuada assembleia geral de credores (AGC) do frigorífico Independência, em recuperação judicial desde maio de 2009, não definiu o futuro do frigorífico nesta sexta, dia 29, mas levantou alguns pontos importantes do processo. O primeiro deles foi o questionamento da capacidade de pagamento da proposta feita pela Alfredo Kaefer Cia e Ltda., de Cascavel (PR), empresa do deputado federal homônimo do PSDB do Paraná, também proprietário do abatedouro de aves Diplomata e da rede curitibana de supermercados SuperDip.
A proposta, de R$ 250 milhões, foi a melhor das cinco apresentadas para a aquisição de ativos do frigorífico. Mesmo assim, cobre apenas 35% do valor dos ativos da companhia, avaliado em R$ 706,922 milhões. O prazo de pagamento, de 10 anos, em parcelas trimestrais, com carência de três anos, também não agradou os credores.
Na reunião, quando foi pedido para que o representante da Kaefer se apresentasse para discutir a proposta, os advogados Deborah Valcazara e Michael Altit, do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados, intercederam. Eles informaram que em 2009 um grupo de credores internacionais do Diplomata, empresa de Kaefer, entrou com uma ação de execução em Cascavel (PR), ainda em processo de avaliação, no valor de R$ 80 milhões.
Nessa ação, 100% das ações do Diplomata seriam penhoradas para os credores. Além disso, há rumores no mercado de que o Diplomata estaria à venda e um dos interessados seria a Globoaves, do Grupo Kaefer, mesma família do deputado.
– Se há uma dívida dessa magnitude, como então a empresa poderá comprar e pagar corretamente os ativos (do Independência)? – questionou um credor.
O advogado Edilso de Oliveira, representante da Alfredo Kaefer Cia e Ltda, disse que ela será paga com o dinheiro obtido com a própria operação das unidades.
– Também temos um parceiro estratégico nessa aquisição – disse o advogado, explicando que somente poderia revelar esse parceiro se a proposta fosse negociada pelos credores. Quanto à ação judicial, vamos aguardar o desdobramento dela. E cabem recursos. Devemos sim, mas não é todo esse montante citado – revelou o advogado.
Na reunião, Oliveira ainda explicou que a empresa do deputado Kaefer é sólida, tem 35 anos de existência, e faturou, em 2010, R$ 1,2 bilhão.
– Nossa proposta é alternativa e estamos abertos ao diálogo – ressaltou. Ainda na assembléia, foi informado que o Banco Sumitomo Mitsui Brasileiro S/A, credor extraconcursal de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), obteve a penhora de bens e imóveis para pagamento de seu crédito de R$ 26,726 milhões. Caso haja a venda e pagamento aos credores, os bens serão devolvidos.
AGÊNCIA ESTADO
FONTE: CANAL RURAL
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Limite legal para suspensão do processo e da prescrição tem repercussão geral
Recurso Extraordinário (RE 600851) interposto pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme o relator, ministro Ricardo Lewandowski, o entendimento a ser conferido aos dispositivos constitucionais apontados [artigo 5º, incisos XLII e XLIV] irá definir se os processos que se encontram suspensos em função do não comparecimento de réu citado por edital “deverão assim permanecer indefinidamente (até que o acusado compareça) ou se a suspensão irá obedecer o prazo da prescrição em abstrato, previsto no artigo 109 do Código Penal”.
O recurso questiona acórdão que, ao negar provimento a um recurso em sentido estrito, manteve decisão que julgou extinta a punibilidade do réu por entender que a suspensão do processo e do prazo prescricional, prevista no artigo 366 do Código de Processo Penal, está sujeita aos limites do artigo 109 do Código Penal.
A decisão contestada é do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Aquela corte entendeu não ser possível a suspensão do prazo prescricional [artigo 366 do CPP] ocorrer de forma indeterminada, “sob o risco de eternizar os litígios e criar crimes imprescritíveis”. Quanto ao período máximo de suspensão, o TJ afirmou a observância do prazo disposto no artigo 109, CP, considerada a pena máxima cominada ao delito.
O ministro Ricardo Lewandowski considerou que o tema possui repercussão geral. De acordo com ele, a questão em debate apresenta relevância do ponto de vista jurídico, uma vez que a interpretação a ser conferida pelo STF ao artigo 5º, incisos XLII e XLIV, da Constituição Federal, norteará o julgamento de inúmeros processos similares a este, “notadamente para esclarecer se a ausência de limite legal à suspensão do processo e do prazo prescricional a que se refere o artigo 366 do Código de Processo Penal cria uma nova hipótese de crimes imprescritíveis não prevista naqueles dispositivos constitucionais”.
Ele ressaltou que a matéria já foi debatida na Primeira Turma da Corte, no julgamento do RE 460971, oportunidade em que, com base na orientação firmada pelo Plenário ao apreciar a Extradição 1042, “entendeu-se pela possibilidade de suspensão do processo e do prazo prescricional por tempo indeterminado, sem que tal fato viesse a configurar nova hipótese de imprescritibilidade”.
Por esses motivos, o ministro Ricardo Lewandowski manifestou-se pela existência de repercussão geral neste recurso, ao verificar que a questão constitucional trazida aos autos ultrapassa o interesse subjetivo das partes que atuam neste processo. Nesse sentido, o Plenário Virtual do STF reconheceu a existência de repercussão geral da matéria em análise.
Sem repercussão
O Plenário Virtual também analisou o RE 636978 e, por maioria dos votos, recusou o recurso ao entender ausente a repercussão geral da questão. A controvérsia está em saber se os pagamentos de verbas provenientes de condenações judiciais de ente federativo, bem como de erros de cálculo quanto a repasses para outras unidades da federação - previstos na Constituição Federal -, devem ou não obedecer à ordem de precatório prevista no artigo 100, da CF.
Para os ministros, o caso não diz respeito a matéria constitucional, mas, sim, infraconstitucional. Ficaram vencidos os ministros Ayres Britto e Marco Aurélio.
EC/AD
O recurso questiona acórdão que, ao negar provimento a um recurso em sentido estrito, manteve decisão que julgou extinta a punibilidade do réu por entender que a suspensão do processo e do prazo prescricional, prevista no artigo 366 do Código de Processo Penal, está sujeita aos limites do artigo 109 do Código Penal.
A decisão contestada é do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Aquela corte entendeu não ser possível a suspensão do prazo prescricional [artigo 366 do CPP] ocorrer de forma indeterminada, “sob o risco de eternizar os litígios e criar crimes imprescritíveis”. Quanto ao período máximo de suspensão, o TJ afirmou a observância do prazo disposto no artigo 109, CP, considerada a pena máxima cominada ao delito.
O ministro Ricardo Lewandowski considerou que o tema possui repercussão geral. De acordo com ele, a questão em debate apresenta relevância do ponto de vista jurídico, uma vez que a interpretação a ser conferida pelo STF ao artigo 5º, incisos XLII e XLIV, da Constituição Federal, norteará o julgamento de inúmeros processos similares a este, “notadamente para esclarecer se a ausência de limite legal à suspensão do processo e do prazo prescricional a que se refere o artigo 366 do Código de Processo Penal cria uma nova hipótese de crimes imprescritíveis não prevista naqueles dispositivos constitucionais”.
Ele ressaltou que a matéria já foi debatida na Primeira Turma da Corte, no julgamento do RE 460971, oportunidade em que, com base na orientação firmada pelo Plenário ao apreciar a Extradição 1042, “entendeu-se pela possibilidade de suspensão do processo e do prazo prescricional por tempo indeterminado, sem que tal fato viesse a configurar nova hipótese de imprescritibilidade”.
Por esses motivos, o ministro Ricardo Lewandowski manifestou-se pela existência de repercussão geral neste recurso, ao verificar que a questão constitucional trazida aos autos ultrapassa o interesse subjetivo das partes que atuam neste processo. Nesse sentido, o Plenário Virtual do STF reconheceu a existência de repercussão geral da matéria em análise.
Sem repercussão
O Plenário Virtual também analisou o RE 636978 e, por maioria dos votos, recusou o recurso ao entender ausente a repercussão geral da questão. A controvérsia está em saber se os pagamentos de verbas provenientes de condenações judiciais de ente federativo, bem como de erros de cálculo quanto a repasses para outras unidades da federação - previstos na Constituição Federal -, devem ou não obedecer à ordem de precatório prevista no artigo 100, da CF.
Para os ministros, o caso não diz respeito a matéria constitucional, mas, sim, infraconstitucional. Ficaram vencidos os ministros Ayres Britto e Marco Aurélio.
EC/AD
Google é condenado a indenizar internauta por perfil clonado no Orkut
Clonar e alterar os dados sem o consentimento do usuário de conta na internet é crime. Uma internauta vai receber do Google Brasil Internet Ltda indenização de R$ 1.500 reais, por danos morais, pela adulteração do seu perfil.
A decisão unânime é da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais, ao julgar recurso contra a sentença do 7º Juizado Especial Cível e não cabe mais recurso na esfera do Distrito Federal.
A internauta relata que desde 2005 possui uma conta no site Orkut. Segundo ela, no dia 20 outubro de 2007, ao acessar o site de relacionamento, percebeu que seu perfil havia sido clonado por outra pessoa e a nova conta trazia as mesmas fotos e algumas informações da conta original. A autora esclarece que solicitou desativação imediata do perfil falso, o que ocorreu apenas dois dias depois, permitindo que o responsável pela clonagem denegrisse sua imagem perante familiares e amigos, ao insinuar que a internauta seria "bissexual".
O Google Brasil Internet Ltda se defendeu alegando que era parte ilegítima na ação, pois o perfil falso foi criado por outra pessoa, inclusive já identificada pela empresa. Afirmou que não é responsável pelos danos causados à internauta.
A Turma descartou a alegação do Google de que não pode ser responsabilizado pelas informações postadas por seus usuários, uma vez que a empresa falhou ao não impedir a clonagem do perfil da internauta. Esclareceu que se aplica a legislação consumerista ao caso. Para os julgadores, quem viabiliza, se beneficia e estimula a criação de comunidades e páginas de relacionamentos na internet é tão responsável pelo controle de abusos quanto os próprios internautas.
O órgão julgador entendeu, conforme a sentença da 1ª instância, que "a ré não pode se eximir da responsabilidade de coibir a clonagem de perfis de usuários, sob pena de permitir a utilização indevida de dados e, ainda, propiciar um meio para a prática de ilícitos".
Nº do processo: 2010.01.1.189972-5 (TJDFT)
Fonte: Jornal Jurid
A decisão unânime é da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais, ao julgar recurso contra a sentença do 7º Juizado Especial Cível e não cabe mais recurso na esfera do Distrito Federal.
A internauta relata que desde 2005 possui uma conta no site Orkut. Segundo ela, no dia 20 outubro de 2007, ao acessar o site de relacionamento, percebeu que seu perfil havia sido clonado por outra pessoa e a nova conta trazia as mesmas fotos e algumas informações da conta original. A autora esclarece que solicitou desativação imediata do perfil falso, o que ocorreu apenas dois dias depois, permitindo que o responsável pela clonagem denegrisse sua imagem perante familiares e amigos, ao insinuar que a internauta seria "bissexual".
O Google Brasil Internet Ltda se defendeu alegando que era parte ilegítima na ação, pois o perfil falso foi criado por outra pessoa, inclusive já identificada pela empresa. Afirmou que não é responsável pelos danos causados à internauta.
A Turma descartou a alegação do Google de que não pode ser responsabilizado pelas informações postadas por seus usuários, uma vez que a empresa falhou ao não impedir a clonagem do perfil da internauta. Esclareceu que se aplica a legislação consumerista ao caso. Para os julgadores, quem viabiliza, se beneficia e estimula a criação de comunidades e páginas de relacionamentos na internet é tão responsável pelo controle de abusos quanto os próprios internautas.
O órgão julgador entendeu, conforme a sentença da 1ª instância, que "a ré não pode se eximir da responsabilidade de coibir a clonagem de perfis de usuários, sob pena de permitir a utilização indevida de dados e, ainda, propiciar um meio para a prática de ilícitos".
Nº do processo: 2010.01.1.189972-5 (TJDFT)
Fonte: Jornal Jurid
FERTILIZAÇÃO IN VITRO
Artigo do Dr. Carlos Eduardo Gomez Martin:
A Fertilização in Vitro (FIV) é uma biotecnologia onde todos os processos fisiológicos: maturação folicular, fertilização e desenvolvimento embrionário são obtidos em laboratório (in vitro), fora do útero animal, ao contrário da clássica Transferência de Embriões (TE).
O primeiro terneiro resultante desta técnica nasceu em junho de 1981 nos EUA – Bracckett et al (1982). A produção de embriões in vitro (PIV) começa com a aspiração dos ovários das doadoras para coleta de ovócitos (óvulos imaturos aspirados com auxilio do aparelho de ultrasonografia). A coleta pode ser feita em animais de diferentes idades: pré-púberes (10 meses), púberes, adultos e senis; e nas mais diversas condições reprodutivas tais como: animais gestantes (até o 4° meses de gestação), animais com problemas reprodutivos adquiridos, fêmeas que não respondem aos processos normais de superovulação e etc. Em casos de morte súbita e ou sacrifício às fêmeas de alto valor zootécnico, poderão ter seus os ovários, imediatamente após a morte, retirados e enviados ao laboratório para que o processo de PIV seja iniciado com o objetivo de em uma última tentativa conseguir embriões e prenhes desta fêmea.
Posteriormente a coleta dos ovócitos estes passarão por um processos denominado de, maturação in vitro (MIV) seguidos pela fertilização in vitro 24h depois da punção dos foliculos (inseminação FIV) e depois cultivados por 7 dias em ambiente controlado de temperatura, umidade e quantidade de CO2 (estufas). Os embriões obtidos são classificados de acordo com a IETS (sociedade internacional de transferência de embriões) e os viáveis (aptos a produzirem uma prenhes) transferidos às receptoras.
Esta técnica permite ainda a obtenção de um grande avanço genético, através da coleta em animais pré-púberes, pela diminuição do intervalo entre gerações e ou pela rapidez na produção de descendentes. De uma mesma doadora poderão ser coletados em média 10 ovócitos por seção, onde 8 deles serão maturados, fertilizados e cultivados in vitro atingindo assim, aos 7 dias, o estágio próprio para a transferência. Neste momento ele é transferido a uma receptora previamente sincronizada obtendo-se então uma prenhes por vaca a cada seção também confirmada com o ultra-som aos 30 e 45 dias de gestação. As seções de punção podem ser repetidas a cada quinze dias, sem causar dano algum a fêmea doadora. A técnica permite o uso de uma única dose de sêmen para varias doadoras e não faz uso de hormônios (superovulação). Alguns animais podem produzir mais embriões/punção e por conseqüência mais prenhes por seção de punção. A cada dez embriões transferidos para as receptoras (barriga de aluguel), 40% vão levar a gestação a termo.
A Fertilização in Vitro (FIV) é uma biotecnologia onde todos os processos fisiológicos: maturação folicular, fertilização e desenvolvimento embrionário são obtidos em laboratório (in vitro), fora do útero animal, ao contrário da clássica Transferência de Embriões (TE).
O primeiro terneiro resultante desta técnica nasceu em junho de 1981 nos EUA – Bracckett et al (1982). A produção de embriões in vitro (PIV) começa com a aspiração dos ovários das doadoras para coleta de ovócitos (óvulos imaturos aspirados com auxilio do aparelho de ultrasonografia). A coleta pode ser feita em animais de diferentes idades: pré-púberes (10 meses), púberes, adultos e senis; e nas mais diversas condições reprodutivas tais como: animais gestantes (até o 4° meses de gestação), animais com problemas reprodutivos adquiridos, fêmeas que não respondem aos processos normais de superovulação e etc. Em casos de morte súbita e ou sacrifício às fêmeas de alto valor zootécnico, poderão ter seus os ovários, imediatamente após a morte, retirados e enviados ao laboratório para que o processo de PIV seja iniciado com o objetivo de em uma última tentativa conseguir embriões e prenhes desta fêmea.
Posteriormente a coleta dos ovócitos estes passarão por um processos denominado de, maturação in vitro (MIV) seguidos pela fertilização in vitro 24h depois da punção dos foliculos (inseminação FIV) e depois cultivados por 7 dias em ambiente controlado de temperatura, umidade e quantidade de CO2 (estufas). Os embriões obtidos são classificados de acordo com a IETS (sociedade internacional de transferência de embriões) e os viáveis (aptos a produzirem uma prenhes) transferidos às receptoras.
Esta técnica permite ainda a obtenção de um grande avanço genético, através da coleta em animais pré-púberes, pela diminuição do intervalo entre gerações e ou pela rapidez na produção de descendentes. De uma mesma doadora poderão ser coletados em média 10 ovócitos por seção, onde 8 deles serão maturados, fertilizados e cultivados in vitro atingindo assim, aos 7 dias, o estágio próprio para a transferência. Neste momento ele é transferido a uma receptora previamente sincronizada obtendo-se então uma prenhes por vaca a cada seção também confirmada com o ultra-som aos 30 e 45 dias de gestação. As seções de punção podem ser repetidas a cada quinze dias, sem causar dano algum a fêmea doadora. A técnica permite o uso de uma única dose de sêmen para varias doadoras e não faz uso de hormônios (superovulação). Alguns animais podem produzir mais embriões/punção e por conseqüência mais prenhes por seção de punção. A cada dez embriões transferidos para as receptoras (barriga de aluguel), 40% vão levar a gestação a termo.
Resultados de pesquisas com o sêmen sexado divulgados pela SBTE
Resultados de pesquisas com o sêmen sexado divulgados pela SBTE
A Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne profissionais graduados ligados a biotécnicas reprodutivas, principalmente a produção e manipulação de embriões. Esta Sociedade promove anualmente uma reunião de especialistas nacionais e internacionais, onde são apresentados os principais avanços nas áreas da embriologia experimental e aplicada.
Este ano a XIX Reunião Anual da SBTE teve como sede a cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Entre os temas discutidos está a utilização do sêmen sexado em programas de Fecundação in vitro (FIV). A seguir você poderá ler os resumos dos trabalhos apresentados, com as conclusões dos pesquisadores.
Macho ou Fêmea: as vantagens do sêmen sexado
Entenda como funciona a técnica que permite ao criador escolher o sexo da cria antes de aplicar a inseminação artificial, TE ou FIV.
O pecuarista brasileiro já conta com uma nova tecnologia que possibilita melhorar a rentabilidade na produção de carne e leite: a sexagem de sêmen. Através dessa técnica é possível escolher o sexo do bezerro antes mesmo da gestação ou da produção do embrião por qualquer técnica de reprodução. A grande vantagem está na possibilidade de “planejar” os nascimentos de machos e fêmeas de acordo com as necessidades do rebanho e do mercado. Na pecuária de corte é possível produzir, por exemplo, touros de animais de maior mérito para determinadas características como crescimento e conversão de alimentos. Em rebanhos de leite é intensificada a melhora genética sobre as fêmeas, programando a quantidade anual de novilhas de reposição. O gerente da Central ABS em Uberaba, Dr. Fernando Vilella, aponta os principais benefícios da técnica. “Ganhos genéticos, redução de tempo de seleção e direcionamento nos testes de progênie”, resume.
Como funciona
A sexagem de sêmen, ou separação de células por citometria de fluxo, foi trazida ao país pioneiramente pela ABS Pecplan em parceria com o Goyaike, laboratório argentino de biotecnologias que tem 15 anos de pesquisas em reprodução animal. O equipamento que possibilita a separação dos espermatozóides que darão origem a bezerros machos ou fêmeas é o único em toda América Latina capaz de analisar de três a quatro mil espermatozóides por segundo, sem danificar a estrutura celular. Todas as partidas produzidas são avaliadas e, de acordo com a empresa, somente são liberadas aquelas com padrões mínimos de qualidade e segurança, ou seja, padrões que garantam a fertilidade do sêmen. Em relação à confiabilidade para a escolha do sexo, a garantia é de um valor mínimo de 85% de pureza. André Galassi, gerente da Goyaike Brasil, explica a importância desse novo método de concepção e como ele pode dar ainda maior impulso ao setor pecuário do país. “O produtor que utilizar esse mecanismo terá em mãos um potencial gigantesco para incrementar seu empreendimento”, comenta. Alexandre Lima, gerente Comercial da ABS Pecplan, pondera que o custo desse empreendimento deve ser pensado como uma forma de investimento. “Estamos dando ao criador justamente o que ele precisava para se programar melhor. Antes era muito difícil gerenciar as possibilidades que teria no mercado, uma vez que ainda não tinha como interferir de forma eficiente na porcentagem de machos e fêmeas que nasceriam em seu rebanho”, conclui.
Outros resultados:
Inseminação Artificial em 427 novilhas
• 1 dose apenas - IATF
• 241 I.A. com sêmen sexado
• 186 I.A. com sêmen convencional
• Índices de prenhez ( 51,4% e 58,6% )
• 92.4% acurácia na determinação do sexo
FIV
Total de oócitos Clivados % clivados Embriões produzidos % embriões
Total 3418 1770 51,78 808 23,64
Média da melhor central 1357 745 54,90 435 32,06
Melhor resultado 11 8 72,73 8 72,73
Fatores que afetam a fertilidade do sêmen
Manuseio incorreto
Stress nas vacas - temperatura, alimentação, dor, etc.
Descongelamento incorreto
Técnica correta de inseminação
Higiene / Instalações
Mineralização, vermifugação e vacinação
Problema clínico - Surto IBR
Falta nitrogênio
Problemas ginecológicos
Uso de hormônios
Erro na detecção do cio
Horário de inseminação
Falta assistência técnica
Variáveis que afetam TE / FIV
Luminosidade, seca, calor, umidade, parasitos
Nutrição
Hormônios e onda ovulatória
Detecção de cio e horário inseminação artificial
Qualidade do sêmen
Número de doses utilizadas
Estresse das doadoras
Descongelamento incorreto do sêmen
Problemas na centrifugação do sêmen
Problemas nas coletas
Resposta diferente de doadoras
Problemas clínicos, reprodutivos e sanitários
Manejo incorreto do rebanho (vacinações e vermifugações)
Contaminação de materiais e meios de cultivo
Problemas com receptoras
Inflamação dos ovários
Transporte e contaminação dos oócitos
Fonte: Site ABS Pecplan
A Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne profissionais graduados ligados a biotécnicas reprodutivas, principalmente a produção e manipulação de embriões. Esta Sociedade promove anualmente uma reunião de especialistas nacionais e internacionais, onde são apresentados os principais avanços nas áreas da embriologia experimental e aplicada.
Este ano a XIX Reunião Anual da SBTE teve como sede a cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Entre os temas discutidos está a utilização do sêmen sexado em programas de Fecundação in vitro (FIV). A seguir você poderá ler os resumos dos trabalhos apresentados, com as conclusões dos pesquisadores.
Macho ou Fêmea: as vantagens do sêmen sexado
Entenda como funciona a técnica que permite ao criador escolher o sexo da cria antes de aplicar a inseminação artificial, TE ou FIV.
O pecuarista brasileiro já conta com uma nova tecnologia que possibilita melhorar a rentabilidade na produção de carne e leite: a sexagem de sêmen. Através dessa técnica é possível escolher o sexo do bezerro antes mesmo da gestação ou da produção do embrião por qualquer técnica de reprodução. A grande vantagem está na possibilidade de “planejar” os nascimentos de machos e fêmeas de acordo com as necessidades do rebanho e do mercado. Na pecuária de corte é possível produzir, por exemplo, touros de animais de maior mérito para determinadas características como crescimento e conversão de alimentos. Em rebanhos de leite é intensificada a melhora genética sobre as fêmeas, programando a quantidade anual de novilhas de reposição. O gerente da Central ABS em Uberaba, Dr. Fernando Vilella, aponta os principais benefícios da técnica. “Ganhos genéticos, redução de tempo de seleção e direcionamento nos testes de progênie”, resume.
Como funciona
A sexagem de sêmen, ou separação de células por citometria de fluxo, foi trazida ao país pioneiramente pela ABS Pecplan em parceria com o Goyaike, laboratório argentino de biotecnologias que tem 15 anos de pesquisas em reprodução animal. O equipamento que possibilita a separação dos espermatozóides que darão origem a bezerros machos ou fêmeas é o único em toda América Latina capaz de analisar de três a quatro mil espermatozóides por segundo, sem danificar a estrutura celular. Todas as partidas produzidas são avaliadas e, de acordo com a empresa, somente são liberadas aquelas com padrões mínimos de qualidade e segurança, ou seja, padrões que garantam a fertilidade do sêmen. Em relação à confiabilidade para a escolha do sexo, a garantia é de um valor mínimo de 85% de pureza. André Galassi, gerente da Goyaike Brasil, explica a importância desse novo método de concepção e como ele pode dar ainda maior impulso ao setor pecuário do país. “O produtor que utilizar esse mecanismo terá em mãos um potencial gigantesco para incrementar seu empreendimento”, comenta. Alexandre Lima, gerente Comercial da ABS Pecplan, pondera que o custo desse empreendimento deve ser pensado como uma forma de investimento. “Estamos dando ao criador justamente o que ele precisava para se programar melhor. Antes era muito difícil gerenciar as possibilidades que teria no mercado, uma vez que ainda não tinha como interferir de forma eficiente na porcentagem de machos e fêmeas que nasceriam em seu rebanho”, conclui.
Outros resultados:
Inseminação Artificial em 427 novilhas
• 1 dose apenas - IATF
• 241 I.A. com sêmen sexado
• 186 I.A. com sêmen convencional
• Índices de prenhez ( 51,4% e 58,6% )
• 92.4% acurácia na determinação do sexo
FIV
Total de oócitos Clivados % clivados Embriões produzidos % embriões
Total 3418 1770 51,78 808 23,64
Média da melhor central 1357 745 54,90 435 32,06
Melhor resultado 11 8 72,73 8 72,73
Fatores que afetam a fertilidade do sêmen
Manuseio incorreto
Stress nas vacas - temperatura, alimentação, dor, etc.
Descongelamento incorreto
Técnica correta de inseminação
Higiene / Instalações
Mineralização, vermifugação e vacinação
Problema clínico - Surto IBR
Falta nitrogênio
Problemas ginecológicos
Uso de hormônios
Erro na detecção do cio
Horário de inseminação
Falta assistência técnica
Variáveis que afetam TE / FIV
Luminosidade, seca, calor, umidade, parasitos
Nutrição
Hormônios e onda ovulatória
Detecção de cio e horário inseminação artificial
Qualidade do sêmen
Número de doses utilizadas
Estresse das doadoras
Descongelamento incorreto do sêmen
Problemas na centrifugação do sêmen
Problemas nas coletas
Resposta diferente de doadoras
Problemas clínicos, reprodutivos e sanitários
Manejo incorreto do rebanho (vacinações e vermifugações)
Contaminação de materiais e meios de cultivo
Problemas com receptoras
Inflamação dos ovários
Transporte e contaminação dos oócitos
Fonte: Site ABS Pecplan
segunda-feira, 25 de julho de 2011
STF julga mérito por meio virtual
No meio jurídico, quase ninguém percebeu, nem mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Mas desde abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) vem julgando questões de mérito de forma virtual, sem as discussões em plenário. Até o momento, os ministros já julgaram 19 recursos eletronicamente. Embora a regra só se aplique a casos de reafirmação de jurisprudência - ou seja, quando já há uma posição dominante do STF sobre a matéria - ela gera um incômodo instantâneo à medida que chega aos ouvidos de advogados. Eles temem violação ao princípio da ampla defesa, já que, com os votos pelo computador, fica eliminada a possibilidade de participarem das sessões plenárias e fazerem sustentação oral. Apontam também possível afronta à publicidade dos julgamentos.
Fonte: Jornal Valor Econômico
Fonte: Jornal Valor Econômico
IATF: TÉCNICA CADA VEZ MAIS UTILIZADA NOS REBANHOS BRASILEIROS PERMITE ECONOMIA
É muito importante para os lucros de uma propriedade que o rebanho seja prolifero e que gere crias saudáveis. Para isso, atualmente, o produtor conta com uma série de ferramentas que possibilitam tornar seu gado mais fértil e de maneira controlada, de forma que auxilie no manejo e na gestão. Uma dessas ferramentas que se provou muito eficiente foi a Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF). Essa técnica consiste em ovular as vacas de forma induzida, todas na mesma época e na data que for melhor para o produtor. “A inseminação artificial simples já é conhecida por trazer melhoramento genético e de produção ao gado. A IATF, além dessas vantagens consegue emprenhar 50% das vacas, além de contar com o cio de retorno para inseminar as vacas restantes. Com isso, a inseminação atinge de 60 a 70% das vacas”, explica Sebastião Pereira de Faria Junior, Gerente Técnico de Pecuária da Schering-Plough.
Essa ferramenta tem movimentado o dia-a-dia das fazendas e dos grupos de pesquisa em reprodução animal. Pela técnica as vacas têm a ovulação induzida, e a inseminação pode ser feita com data marcada, tudo com a maior naturalidade, apenas com a utilização de produtos específicos, conforme explica Rodrigo Valarelli da Pfizer Saúde Animal. "A forma de aplicá-los nos animais depende de fatores como, a raça, a idade, a condição corporal e o número de crias. Além disso, a condição nutricional da vacada é fundamental para garantia dos resultados".
Valarellli diz que a IATF é uma tendência mundial e importante para o desenvolvimento da pecuária no Brasil. A adesão de usuários em todas as regiões do país é crescente e o número de cabeças inseminadas, só em 2004, superou 1,5 milhão. Com a técnica, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Desse modo, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe. Assim todas as vacas de um rebanho podem ser sincronizadas para serem inseminadas num único dia.
O sucesso do método se deve ao modo como ele é feito. Nele, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Assim, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe, possibilitando que todas as vacas de um rebanho sejam sincronizadas para serem inseminadas em poucos dias. Além da alta porcentagem de prenhezes positivas nas vacas, a IATF traz outras vantagens: “O método facilita o manejo nas fazendas já que as inseminações são feitas de modo programado. Dessa maneira é possível inseminar até 250 vacas em um único dia, poupando assim, tempo”, explica Pietro Baruselli, veterinário e professor da Universidade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP). Estes fatores garantem para a propriedade maior produtividade e a melhoria genética do seu plantel.
Outra vantagem da Inseminação Artificial por Tempo fixo, segundo Baruselli é a redução gradativa da baixa taxa de fêmeas inseminadas na estação de monta. Além disso, a técnica possibilita que o criador trabalhe com progênie superior, de animais com DEPs positivas para varias características fisiológicas e físicas desejadas.
Outra questão muito importante para os criadores são as vantagens econômicas que a IATF traz à propriedade. O custo da utilização da técnica por animal, incluindo o protocolo de sincronização, a compra do sêmen e a mão-de-obra é de R$ 45,00, contabilizando lotes de, no mínimo 100 fêmeas. De acordo com o professor da Universidade de São Paulo, o retorno desse investimento depende do uso correto da técnica. Experimentos realizados pelo Departamento de Reprodução Animal da USP mostram que os ganhos econômicos nos rebanhos que utilizaram a técnica são altos. A taxa de prenhes no final da estação de monta cresceu 8%, o que significa 8 bezerros a mais em um lote de 100 vacas.
O professor faz os cálculos, usando a média de preço dos bezerros no mercado de R$ 275,00 e o resultado é um total de R$ 2.200,00 a mais no bolso do criador, já no primeiro ano. "Esse, é o principal apelo para o criador, sobretudo o pequeno e o médio", declara. Além disso, a técnica possibilita o produtor economizar com touros de repasse. Estudos realizados em varias fazendas mostraram que, quando se usa a IATF, a taxa de prenhez, já no meio da estação de monta é de 50% a 75% das vacas, em média. O restante, que normalmente segue para o repasse, já está com o ovário funcionando, o que eleva essa média para mais de 90%. "Com isso o produtor, ao invés de comprar três tourinhos de campo, pode comprar somente dois, que vai dar conta de cobrir a vacada e economiza cerca de R$ 2.200,00", enfatiza.
Porém, algumas questões devem ser consideradas antes de se empregar a sincronização do cio. A técnica garante sucesso, mas somente se for corretamente realizada em todos os passos. Fatores nutricionais e corporais dos animais devem ser levados em conta, como explica Leandro Gofert, médico e veterinário do departamento técnico da empresa Tecnopec. “Somente animais com escore corporal igual ou acima de 2,5 (em uma escala de 1 a 5) estão em condições de entrarem no programa de IATF. Animais abaixo dessa condição não terão condições de manter a prenhez”, explica. Mesmo que o protocolo consiga fazer esse animal ovular e ocorrer a fertilização, a indisponibilidade de energia, levará a que essa prenhez seja perdida. “Porém, apenas o escore corporal é uma medida imprecisa”, explica Gofert, pois, em vacas com bom escore corporal, (p. ex: 3), mas que estejam perdendo peso rapidamente, o resultado tende a ser pior. O organismo da vaca, em balanço energético negativo, tende a evitar a prenhez como medida de conservação do indivíduo.“Precisamos, portanto, avaliar os lotes de animais em relação à sua condição corporal, mas também, avaliar como está o pasto em relação à disponibilidade de alimento aos animais”, explica Gofert.
O protocolo é outro fator muito importante. Ele sempre deve ser seguido à risca e com o acompanhamento de um veterinário especializado. “A imposição de um protocolo que excluir o veterinário pode comprometer a técnica”, explica Sebastião Júnior. “Isso vai ampliar o resultado de prenhez do rebanho”, explica Junior.
Uma prova de que a IATF é um excelente negócio para os produtores foi a prova feita pela Tecnopec em quatro fazendas. Nos testes, a Tecnopec trabalhou com 4.189 animais (quase todas zebuínas) em 50 lotes. O protocolo utilizado foi o mesmo em todos os lotes: dispositivo vaginal por 8 dias, e Benzoato de estradiol (RIC-BE) na inserção (2ml). Na retirada do dispositivo, aplicação de 300 UI de CG (novormon) e luteolítico (Prolise). 24 horas após, indução de ovulação com Benzoato de estradiol (RIC-BE-1ml) e IATF 30 horas após. Este não foi um experimento científico, mas os resultados mostraram dados consistentes. A média geral da IATF nas 4 fazendas foi de 53,2%. Houve diferença significativa nas categorias. A média de prenhez das novilhas foi de 48,7% (6 lotes), as primíparas obtiveram 45,5% (5 lotes) e as vacas 54,8% (39 lotes). Não houve diferença entre fazendas. Os resultados variaram entre 52% e 60%. Não houve diferença entre o 1°, 2º e 3º uso dos dispositivos vaginais. Os resultados foram respectivamente 55,4% (18 lotes); 50,8% (17 lotes) e 53,7% (15 lotes).
Todos os programas foram feitos com repasse de Inseminação Artificial com observação de cio entre os dias 18 e 23 após a IATF e repasse com touro por 2 a 3 meses. A Inseminação Artificial convencional acrescentou 19,4% de prenhez a mais no resultado. A soma do resultado da IATF com o repasse com IA convencional (total de animais prenhez de IA) foi de 72,6%. O repasse com touro acrescentou mais 15,8% de animais prenhes. A prenhez final do programa em 50 lotes foi de 88,4%.
O tamanho dos lotes variou entre 25 e 169 animais. Não houve relação entre tamanho do lote e taxa de prenhez na IATF (r=0,09). Lotes com menos de 50 fêmeas emprenharam em média 54%. Lotes entre 50 e 100 fêmeas: 52%, lotes acima de 100 fêmeas: 54%.
“Os dados mostram os bons resultados do programa de IATF a campo. Os programas têm se tornado mais abrangentes e os trabalhos de repasse com sêmen e com touro vêm recebendo atenção especial dos técnicos, que também aproveitam cada vez mais o cio de retorno e a indução de ciclicidade promovida pelo tratamento”, afirma Gofert.
Existem fatores ligados ao manejo de execução do programa IATF que devem ser levados em consideração para que o processo produza resultados satisfatórios: Abaixo, estão recomendações do médico veterinário e técnico da empresa Tecnopec, Leandro Gofert:
Os passos do protocolo de IATF são técnicas de controle farmacológico do ciclo estral, responsáveis, ao final, pela ovulação e a possibilidade da inseminação com hora marcada. “Dessa forma, se cada uma das etapas do protocolo não for bem executada, compromete-se todo o resultado do programa”, afirma Gofert.
Alguns erros freqüentemente observados no campo são o esquecimento da aplicação de um ou mais fármacos durante o programa, o desrespeito aos horários de aplicação recomendados no protocolo, erros de dosagem dos hormônios indicados, erro na via de aplicação indicada, erros de manipulação dos hormônios (não manter refrigerados hormônios que o necessitam, deixar hormônios expostos ao sol ou calor excessivo), ausência de marcação confiável nos animais (corre-se o risco de aplicar 2 vezes os hormônios num animal e não realizar a aplicação em outro), falta de organização da fazenda (mistura de lotes, presença de vacas prenhes junto de vazias, presença de touros nos lotes a sincronizar, etc), erros na execução do desmame temporário dos bezerros (também chamado Shang), mantendo os bezerros próximos do piquete das vacas, falhando em promover o estímulo da função ovariana e do crescimento folicular, currais inadequados ou pessoal despreparado, o que provoca estress nos animais (resistência ao passar no tronco, demora excessiva para realizar o programa, quedas e fraturas, etc) e colocar um número excessivo de animais para trabalhar de uma só vez.
Merece atenção especial também, a qualidade do sêmen utilizado nos programas de IATF. “Não adianta fazer uma vaca ovular, se a fertilização for comprometida por causa de sêmen inviável, ou de baixa fertilidade”, afirma Gofert. Freqüentemente observa-se na prática de campo o armazenamento inadequado do sêmen (deixar o nitrogênio atingir nível muito baixo). No manejo das racks, permitir exposição prolongada à temperatura ambiente e novamente mergulhá-las no nitrogênio “Causa estress térmico e perda da viabilidade do sêmen”, explica Gofert. Descongelamento inadequado, comprometendo a viabilidade dos espermatozóides, uso de sêmen sem procedência, sem controle sanitário e de fertilidade.
Segundo Gofert existe variação de fertilidade entre os diferentes touros disponíveis nas centrais, mesmo que as partidas estejam nos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura. “Alguns touros emprenham as vacas mais eficientemente que outros. Para evitar o risco de selecionar um touro menos eficiente, deve-se consultar fornecedores de confiança”, afirma Gofert.
Gofert ainda explica que se não é possível obter essa informação, deve-se utilizar pelo menos 3 touros diferentes no programa. Diminuindo assim a chance de baixos resultados por esse fator. “Em vista da pequena quantidade de informações a respeito do uso de sêmen sexado em programas de IATF, até o momento, não é aconselhável a sua utilização”, enfatiza o técnico da Tecnopec.
Outros problemas que podem afetar os resultados da IATF são os de ordem sanitária como a incidência de doenças reprodutivas (Brucelose, Leptospirose, IBR, BVD, etc), doenças sistêmicas ou parasitoses, levando a comprometimento físico e conseqüentemente reprodutivo, retenção de placenta e cistos foliculares. “Deve-se sempre monitorar o estado sanitário dos rebanhos, evitando prejuízos oriundos desses fatores” explica Gofert.
Outros fatores importantes que podem incidir no bom andamento da IATF são a escolha do protocolo mais adequado, levando-se em conta a categoria animal, a idade pós-parto e a condição ovariana dos animais que se irá trabalhar. “Cada caso é um caso. Existem diferentes protocolos para cada tipo de situação. Existem protocolos para quem foca na relação custo benefício, existem protocolos para fêmeas que não estão ovulando. É preciso conhecer cada situação para aplicar o protocolo mais adequado”, explica Sebastião Junior, da Schering-Plough. A mineralização adequada do rebanho, utilizando-se um sal mineral de boa qualidade e que atenda as requisições para vacas em reprodução, também é um fator de grande importância. Estar atento à dieta dos animais, se não existe excesso de proteína ou de nitrogênio não protéico. “Interferem no pH uterino, gerando dificuldade de concepção”, explica Gofert, da Tecnopec. O uso excessivo de caroço de algodão também pode comprometer a fertilidade das fêmeas. Não realizar mudanças bruscas de dietas, vacinações, marcações, ou eventos estressantes durante a execução do protocolo e nos 35 dias após a inseminação.
Na IATF de novilhas é fundamental que, apenas animais que já entraram na puberdade sejam colocados no programa. Gofert explica que um erro muito comum é a colocação de lotes de novilhas baseados apenas nos critérios, peso e/ou idade, julgando-se que esses animais já estariam púberes. “É fundamental realizar o exame ginecológico das novilhas e colocar-se em protocolo somente animais com presença de corpo lúteo no ovário, ou com cios já observados”, enfatiza. Animais pré-púberes, (que nunca ciclaram), não respondem ao programa IATF, porque não são capazes de ovular.
Dentro desses fatores, capazes de influenciar os resultados num programa de IATF, a maioria está sob controle de um veterinário meticuloso e experiente. “Assim, poderíamos concluir que o auxílio de um profissional, que seja capacitado e com postura ética e realista em relação à técnica, fará a diferença nos resultados conseguidos”, afirma.
Fonte: Revista Rural nº 114 - agosto 2007
Essa ferramenta tem movimentado o dia-a-dia das fazendas e dos grupos de pesquisa em reprodução animal. Pela técnica as vacas têm a ovulação induzida, e a inseminação pode ser feita com data marcada, tudo com a maior naturalidade, apenas com a utilização de produtos específicos, conforme explica Rodrigo Valarelli da Pfizer Saúde Animal. "A forma de aplicá-los nos animais depende de fatores como, a raça, a idade, a condição corporal e o número de crias. Além disso, a condição nutricional da vacada é fundamental para garantia dos resultados".
Valarellli diz que a IATF é uma tendência mundial e importante para o desenvolvimento da pecuária no Brasil. A adesão de usuários em todas as regiões do país é crescente e o número de cabeças inseminadas, só em 2004, superou 1,5 milhão. Com a técnica, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Desse modo, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe. Assim todas as vacas de um rebanho podem ser sincronizadas para serem inseminadas num único dia.
O sucesso do método se deve ao modo como ele é feito. Nele, a inseminação do animal é feita antes da ovulação. Assim, quando a vaca ovula, já está preparada para ficar prenhe, possibilitando que todas as vacas de um rebanho sejam sincronizadas para serem inseminadas em poucos dias. Além da alta porcentagem de prenhezes positivas nas vacas, a IATF traz outras vantagens: “O método facilita o manejo nas fazendas já que as inseminações são feitas de modo programado. Dessa maneira é possível inseminar até 250 vacas em um único dia, poupando assim, tempo”, explica Pietro Baruselli, veterinário e professor da Universidade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP). Estes fatores garantem para a propriedade maior produtividade e a melhoria genética do seu plantel.
Outra vantagem da Inseminação Artificial por Tempo fixo, segundo Baruselli é a redução gradativa da baixa taxa de fêmeas inseminadas na estação de monta. Além disso, a técnica possibilita que o criador trabalhe com progênie superior, de animais com DEPs positivas para varias características fisiológicas e físicas desejadas.
Outra questão muito importante para os criadores são as vantagens econômicas que a IATF traz à propriedade. O custo da utilização da técnica por animal, incluindo o protocolo de sincronização, a compra do sêmen e a mão-de-obra é de R$ 45,00, contabilizando lotes de, no mínimo 100 fêmeas. De acordo com o professor da Universidade de São Paulo, o retorno desse investimento depende do uso correto da técnica. Experimentos realizados pelo Departamento de Reprodução Animal da USP mostram que os ganhos econômicos nos rebanhos que utilizaram a técnica são altos. A taxa de prenhes no final da estação de monta cresceu 8%, o que significa 8 bezerros a mais em um lote de 100 vacas.
O professor faz os cálculos, usando a média de preço dos bezerros no mercado de R$ 275,00 e o resultado é um total de R$ 2.200,00 a mais no bolso do criador, já no primeiro ano. "Esse, é o principal apelo para o criador, sobretudo o pequeno e o médio", declara. Além disso, a técnica possibilita o produtor economizar com touros de repasse. Estudos realizados em varias fazendas mostraram que, quando se usa a IATF, a taxa de prenhez, já no meio da estação de monta é de 50% a 75% das vacas, em média. O restante, que normalmente segue para o repasse, já está com o ovário funcionando, o que eleva essa média para mais de 90%. "Com isso o produtor, ao invés de comprar três tourinhos de campo, pode comprar somente dois, que vai dar conta de cobrir a vacada e economiza cerca de R$ 2.200,00", enfatiza.
Porém, algumas questões devem ser consideradas antes de se empregar a sincronização do cio. A técnica garante sucesso, mas somente se for corretamente realizada em todos os passos. Fatores nutricionais e corporais dos animais devem ser levados em conta, como explica Leandro Gofert, médico e veterinário do departamento técnico da empresa Tecnopec. “Somente animais com escore corporal igual ou acima de 2,5 (em uma escala de 1 a 5) estão em condições de entrarem no programa de IATF. Animais abaixo dessa condição não terão condições de manter a prenhez”, explica. Mesmo que o protocolo consiga fazer esse animal ovular e ocorrer a fertilização, a indisponibilidade de energia, levará a que essa prenhez seja perdida. “Porém, apenas o escore corporal é uma medida imprecisa”, explica Gofert, pois, em vacas com bom escore corporal, (p. ex: 3), mas que estejam perdendo peso rapidamente, o resultado tende a ser pior. O organismo da vaca, em balanço energético negativo, tende a evitar a prenhez como medida de conservação do indivíduo.“Precisamos, portanto, avaliar os lotes de animais em relação à sua condição corporal, mas também, avaliar como está o pasto em relação à disponibilidade de alimento aos animais”, explica Gofert.
O protocolo é outro fator muito importante. Ele sempre deve ser seguido à risca e com o acompanhamento de um veterinário especializado. “A imposição de um protocolo que excluir o veterinário pode comprometer a técnica”, explica Sebastião Júnior. “Isso vai ampliar o resultado de prenhez do rebanho”, explica Junior.
Uma prova de que a IATF é um excelente negócio para os produtores foi a prova feita pela Tecnopec em quatro fazendas. Nos testes, a Tecnopec trabalhou com 4.189 animais (quase todas zebuínas) em 50 lotes. O protocolo utilizado foi o mesmo em todos os lotes: dispositivo vaginal por 8 dias, e Benzoato de estradiol (RIC-BE) na inserção (2ml). Na retirada do dispositivo, aplicação de 300 UI de CG (novormon) e luteolítico (Prolise). 24 horas após, indução de ovulação com Benzoato de estradiol (RIC-BE-1ml) e IATF 30 horas após. Este não foi um experimento científico, mas os resultados mostraram dados consistentes. A média geral da IATF nas 4 fazendas foi de 53,2%. Houve diferença significativa nas categorias. A média de prenhez das novilhas foi de 48,7% (6 lotes), as primíparas obtiveram 45,5% (5 lotes) e as vacas 54,8% (39 lotes). Não houve diferença entre fazendas. Os resultados variaram entre 52% e 60%. Não houve diferença entre o 1°, 2º e 3º uso dos dispositivos vaginais. Os resultados foram respectivamente 55,4% (18 lotes); 50,8% (17 lotes) e 53,7% (15 lotes).
Todos os programas foram feitos com repasse de Inseminação Artificial com observação de cio entre os dias 18 e 23 após a IATF e repasse com touro por 2 a 3 meses. A Inseminação Artificial convencional acrescentou 19,4% de prenhez a mais no resultado. A soma do resultado da IATF com o repasse com IA convencional (total de animais prenhez de IA) foi de 72,6%. O repasse com touro acrescentou mais 15,8% de animais prenhes. A prenhez final do programa em 50 lotes foi de 88,4%.
O tamanho dos lotes variou entre 25 e 169 animais. Não houve relação entre tamanho do lote e taxa de prenhez na IATF (r=0,09). Lotes com menos de 50 fêmeas emprenharam em média 54%. Lotes entre 50 e 100 fêmeas: 52%, lotes acima de 100 fêmeas: 54%.
“Os dados mostram os bons resultados do programa de IATF a campo. Os programas têm se tornado mais abrangentes e os trabalhos de repasse com sêmen e com touro vêm recebendo atenção especial dos técnicos, que também aproveitam cada vez mais o cio de retorno e a indução de ciclicidade promovida pelo tratamento”, afirma Gofert.
Existem fatores ligados ao manejo de execução do programa IATF que devem ser levados em consideração para que o processo produza resultados satisfatórios: Abaixo, estão recomendações do médico veterinário e técnico da empresa Tecnopec, Leandro Gofert:
Os passos do protocolo de IATF são técnicas de controle farmacológico do ciclo estral, responsáveis, ao final, pela ovulação e a possibilidade da inseminação com hora marcada. “Dessa forma, se cada uma das etapas do protocolo não for bem executada, compromete-se todo o resultado do programa”, afirma Gofert.
Alguns erros freqüentemente observados no campo são o esquecimento da aplicação de um ou mais fármacos durante o programa, o desrespeito aos horários de aplicação recomendados no protocolo, erros de dosagem dos hormônios indicados, erro na via de aplicação indicada, erros de manipulação dos hormônios (não manter refrigerados hormônios que o necessitam, deixar hormônios expostos ao sol ou calor excessivo), ausência de marcação confiável nos animais (corre-se o risco de aplicar 2 vezes os hormônios num animal e não realizar a aplicação em outro), falta de organização da fazenda (mistura de lotes, presença de vacas prenhes junto de vazias, presença de touros nos lotes a sincronizar, etc), erros na execução do desmame temporário dos bezerros (também chamado Shang), mantendo os bezerros próximos do piquete das vacas, falhando em promover o estímulo da função ovariana e do crescimento folicular, currais inadequados ou pessoal despreparado, o que provoca estress nos animais (resistência ao passar no tronco, demora excessiva para realizar o programa, quedas e fraturas, etc) e colocar um número excessivo de animais para trabalhar de uma só vez.
Merece atenção especial também, a qualidade do sêmen utilizado nos programas de IATF. “Não adianta fazer uma vaca ovular, se a fertilização for comprometida por causa de sêmen inviável, ou de baixa fertilidade”, afirma Gofert. Freqüentemente observa-se na prática de campo o armazenamento inadequado do sêmen (deixar o nitrogênio atingir nível muito baixo). No manejo das racks, permitir exposição prolongada à temperatura ambiente e novamente mergulhá-las no nitrogênio “Causa estress térmico e perda da viabilidade do sêmen”, explica Gofert. Descongelamento inadequado, comprometendo a viabilidade dos espermatozóides, uso de sêmen sem procedência, sem controle sanitário e de fertilidade.
Segundo Gofert existe variação de fertilidade entre os diferentes touros disponíveis nas centrais, mesmo que as partidas estejam nos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura. “Alguns touros emprenham as vacas mais eficientemente que outros. Para evitar o risco de selecionar um touro menos eficiente, deve-se consultar fornecedores de confiança”, afirma Gofert.
Gofert ainda explica que se não é possível obter essa informação, deve-se utilizar pelo menos 3 touros diferentes no programa. Diminuindo assim a chance de baixos resultados por esse fator. “Em vista da pequena quantidade de informações a respeito do uso de sêmen sexado em programas de IATF, até o momento, não é aconselhável a sua utilização”, enfatiza o técnico da Tecnopec.
Outros problemas que podem afetar os resultados da IATF são os de ordem sanitária como a incidência de doenças reprodutivas (Brucelose, Leptospirose, IBR, BVD, etc), doenças sistêmicas ou parasitoses, levando a comprometimento físico e conseqüentemente reprodutivo, retenção de placenta e cistos foliculares. “Deve-se sempre monitorar o estado sanitário dos rebanhos, evitando prejuízos oriundos desses fatores” explica Gofert.
Outros fatores importantes que podem incidir no bom andamento da IATF são a escolha do protocolo mais adequado, levando-se em conta a categoria animal, a idade pós-parto e a condição ovariana dos animais que se irá trabalhar. “Cada caso é um caso. Existem diferentes protocolos para cada tipo de situação. Existem protocolos para quem foca na relação custo benefício, existem protocolos para fêmeas que não estão ovulando. É preciso conhecer cada situação para aplicar o protocolo mais adequado”, explica Sebastião Junior, da Schering-Plough. A mineralização adequada do rebanho, utilizando-se um sal mineral de boa qualidade e que atenda as requisições para vacas em reprodução, também é um fator de grande importância. Estar atento à dieta dos animais, se não existe excesso de proteína ou de nitrogênio não protéico. “Interferem no pH uterino, gerando dificuldade de concepção”, explica Gofert, da Tecnopec. O uso excessivo de caroço de algodão também pode comprometer a fertilidade das fêmeas. Não realizar mudanças bruscas de dietas, vacinações, marcações, ou eventos estressantes durante a execução do protocolo e nos 35 dias após a inseminação.
Na IATF de novilhas é fundamental que, apenas animais que já entraram na puberdade sejam colocados no programa. Gofert explica que um erro muito comum é a colocação de lotes de novilhas baseados apenas nos critérios, peso e/ou idade, julgando-se que esses animais já estariam púberes. “É fundamental realizar o exame ginecológico das novilhas e colocar-se em protocolo somente animais com presença de corpo lúteo no ovário, ou com cios já observados”, enfatiza. Animais pré-púberes, (que nunca ciclaram), não respondem ao programa IATF, porque não são capazes de ovular.
Dentro desses fatores, capazes de influenciar os resultados num programa de IATF, a maioria está sob controle de um veterinário meticuloso e experiente. “Assim, poderíamos concluir que o auxílio de um profissional, que seja capacitado e com postura ética e realista em relação à técnica, fará a diferença nos resultados conseguidos”, afirma.
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